terça-feira, 25 de setembro de 2012

QUANDO VOAM AS CEGONHAS - 1957

Letyat Zhuravli, 1957
Mikhail Kalatozov


Formato: AVI
Aúdio: Russo
Legendas: Português
Duração: 97 minutos
Tamanho: 779 Mb
Servidores: Zippyshare
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SINOPSE
Durante os ataques alemães às tropas russas no estopim da Segunda Guerra, o jovem rapaz Boris decide se alistar, deixando sua amada Veronika a esperar por ele em Moscou. Com o passar dos meses, nenhuma notícia chega de Bóris, apesar das outras mulheres da vizinhança receberem com frequência cartas dos fronts, Veronika acaba se casando com Mark, um primo de Bóris. Mas o desespero e falta de aceitação dos absurdos da guerra fazem com que ela fique na eterna espreita, esperando a volta do antigo namorado.
Fonte: Cineplayers


ANÁLISE

 Conflitos de amor e guerra (Quando Voam as Cegonhas, de Mikhail Kalatozov)

Como em diversas histórias de amor do cinema americano, os protagonistas de Quando Voam as Cegonhas não podem ficar juntos. Há sempre um fator externo, social, a impedir. Neste caso, a guerra. A Segunda, que rendeu à União Soviética, como aos Estados Unidos, a posição de protagonista no mundo bipolar da Guerra Fria. O conflito está vivo no filme de Mikhail Kalatozov, mas se trata do conflito do amor, que torna os corpos inquietos. Eles debatem-se e chegam à beira do suicídio. O amor pede, aqui, distância, ainda que os corpos pareçam tão próximos. E o movimento é extremo.

Com a câmera, Kalatozov persegue as personagens. Primeiro, em uma escada circular, pelo seu centro. Os movimentos são impensáveis, quase milagrosos em um tempo no qual as câmeras eram mais pesadas e mais difíceis de manobrar. À frente, retorna ao malabarismo e propõe uma viagem por meio da multidão. Os rostos de tristeza – no dia em que soldados embarcam para o combate – encenam um fundo, na verdade, à frente. Se à personagem principal cabe a passagem por trás desses corpos e rostos, talvez seja uma forma de o cineasta dizer que o mais importante é o povo. A aproximação é necessária.
E, enfim, Kalatozov atinge seu tema central: nada é mais importante do que seguir em frente. Se a morte tornar-se necessária para que a maioria tenha sua desejada paz, será por ela, então, que se chegará a tais benefícios. A “mãe” União Soviética está à frente dos amores perdidos – pequenos quando comparados à nação e, por sua vez, capazes de tocar até os corações petrificados. O filme, deixados os clichês de lado, tem beleza impar. É até possível argumentar que a história tornou-se banal depois de tantas vezes contada. No entanto, a mensagem é a própria forma. Para Kalatozov, a câmera diz mais que a mera situação. O que vale, sobretudo, é a maneira como essa separação encaixa-se na experiência visual, o que passa diretamente pelas escolhas de ângulos inusitados, travellings, movimentos de grua impensáveis e closes belíssimos.
Mesmo o encerramento, tão irônico, ainda faz o público perceber que os contornos políticos e sociais – à frente da história do amor interrompido – tem lá sua beleza. Um patriotismo extremado, poucas vezes retratado de forma semelhante: a mudança no rosto da mulher resume tudo e, ao céu, as cegonhas deixam o recado que antes se formava. É necessário seguir em frente, migrar para sobreviver. Alguns são deixados pelo caminho, separam-se do bando, morrem. Mas a maior parte fica e dá sequencia ao todo, gera o significado.
O cinema soviético atinge aqui um ponto interessante ao abrir para o mundo uma história tocante, principalmente após a consagração com a Palma de Ouro em Cannes. É o que Antoine de Baecque chama de fase do “degelo”, com maior cosmopolitismo, o “símbolo da novidade”. Para contar essa história de perda, o cineasta soviético lança mão de recursos pensáveis e impensáveis e faz de sua direção um exercício maravilhoso para inquietar o espectador.

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2 comentários:

  1. A parte 1 e a 4 estão com defeito aqui. Baixei duas vezes e não deu certo.

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  2. Só para dizer que este filme é MARAVILHOSO! Vi há muitos anos na televisão e na altura fiquei sem saber nome do filme ou realizador. Embora tenha gravado filme, o seu nome e do respectivo realizador não foram traduzidos e russo para mim, bem... é russo. Só muitos anos depois fiquei a saber que filme era esse que tanto me tinha apaixonado. Resumindo: a quem passe por aqui... vejam!

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