sábado, 24 de novembro de 2012

PULSE - 2001

Kairo, 2001
Kiyoshi Kurosawa
Formato: AVI
Aúdio: Japonês
Legendas: Português
Duração: 117 minutos
Tamanho: 698 Mb
Servidor: Zippyshare
LINKS

SINOPSE
A vendedora de plantas Michi está preocupada com seu amigo Taguchi, que tem agido estranho ultimamente. Quando ela vai até a casa dele, ele comete suicídio. Chocada, ela e seus amigos investigam a vida de Taguchi, na esperança de descobrir o motivo de seus atos. Eles encontram uma estranha imagem em uma mensagem de telefone e um alerta sobre um “quarto proibido”, selado com fita vermelha. Em outra parte cidade o estudante Ryosuke configura sua primeira conexão residencial à internet. Em seu login inicial ele se depara com um site convidando-o para “encontrar um fantasma”, seguido por imagens sinistras de webcam. Confuso, Ryosuke pede para Harue, uma TI de sua faculdade, ajuda com o problema, sem saber que a situação vai muito além de pop-ups indesejados. Enquanto isso ocorre em todo o Japão uma epidemia repentina de suicídios, juntamente com desaparecimentos misteriosos e o surgimento de novas portas seladas com fita vermelha.


ANÁLISE


Pulse começa num navio navegando ao longo do oceano, uma espécie de imagem-síntese do dircurso de desespero do filme. “Tudo começou um dia sem aviso desta maneira”, e através de um flashback somos apresentados a uma espécie de versão do apocalipse. “Sem aviso”, é como se uma espécie de vírus tivesse invadido a mente e o corpo dos habitantes de Tóquio, em especial os jovens. Ao ter contato com a “sala escura”, em geral por um programa de computador (a analogia com o “vírus”), os jovens começam a ver “fantasmas”. Os fantasmas levam à morte, mas assim como o assassino de Cure, eles não causam mal diretamente aos que os vêem, mas, como um personagem define mais adiante no filme, “os fantasmas tentam apanhar as pessoas em sua própria solidão”. Pulse acompanha em paralelo dois casos, que se encontrarão no final: o primeiro, de duas amigas, Michi e Junko; o segundo, de Kawashima e Harue, que trabalha num laboratório de informática.

Pulse, a princípio nos parece um típico filme de terror, com a presença de “fantasmas” que assombram a existência dos vivos e os levam à morte. Mas com o tempo Pulse vai se tornando cada vez mais metafísico, sobre o destino certo da condição humana: a solidão profunda (a morte). Por isso, mesmo com um certo exagero, alguns críticos viram em Pulse (e também em Cure) estilhaços do cinema de Tarkovski, pela investigação metafísica da condição humana, pelos silêncios e espaços físicos atípicos, reinventados. A cidade de Tóquio é sempre vista como um cenário sombrio, nublado, em que ruas e mesmo veículos coletivos (ônibus, metrô) estão sempre completamente vazios.

Apesar de os fantasmas não causarem nenhum dano físico direto a quem os vêem, eles estão vivos, eles possuem uma presença física. Kawashima chega a tocar o fantasma quando entra na “sala escura”, e ouve “eu sou real”. Uma das principais discussões de Pulse é sobre a natureza do nosso mundo. Em um diálogo central (filmado num incrível plano sequência de cinco minutos), Kawashima tenta acalmar Harue. Diz que Harue está errada por achar que fantasmas e pessoas são iguais, porque afinal estamos vivos.

“Estão todos loucos. Ninguém sabe o que acontece quando se morre. Tudo isso sobre fantasmas, porém eu não acredito neles, mesmo se ver um. Porém eu sei que...que eu estou vivo e que você também, Harue.Isso é seguro, certo?”

No metrô, há um lindo diálogo entre Kawashima e Harue, que reforça o diálogo anterior.

H: Não tem ninguém...
K: Não...
H: Onde está todo mundo?
K: Estou aqui. Estou aqui do teu lado. Mesmo que não tenha mais ninguém, isso não importa. Ambos estamos aqui.

O amor pode parecer o único remédio para o “destino certo da condição humana”, ou ao menos para reverter a evolução do vírus. Mas apenas parece, pois Kawashima não consegue salvar Harue, nem Michi consegue salvar Junko. Pulse possui uma natureza cada vez mais pessimista e fatalista.

Pulse possui uma estrutura em espiral, assim como Cure, em que os fatos tomam consequências cada vez maiores, até um final que parece uma versão do apocalipse. E um final em aberto, esperança esguia da possibilidade dessa “aposta” que é continuar vivendo, ainda que num barco sem rumo ao longo do oceano.


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Política de moderação do comentários:
A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro pelo conteúdo do blog, inclusive quanto a comentários. Dessa forma, o Convergência Cinéfila reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética, ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Para a boa convivência, o Convergência Cinéfila formulou algumas regras:
Comentários sobre assuntos que não dizem respeito ao filme postado poderão ser excluídos;
Comentários com links serão automaticamente excluídos;
Os pedidos de filmes devem ser feitos no chatbox.

Att.,
Convergência Cinéfila