quinta-feira, 28 de março de 2013

CORAÇÃO DE CRISTAL - 1976

Herz aus Glas, 1976
Legendado, Werner Herzog
Classificação: Bom

Formato: AVI
Áudio: alemão
Legendas: Pt-Br
Duração: 94 min.
Tamanho: 700 MB
Servidor: 1Fichier (Parte única)

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SINOPSE
O tema central é a desagregação de uma aldeia de artesãos na Alemanha, século XVIII, a partir da morte de um mestre vidraceiro que leva consigo o segredo da fórmula de fabricação do "vidro-rubi". Premonições, previsões que se realizam, fenômenos paranormais e momentos de delírio e violência contribuem para sustentar o clima mórbido da Baviera.

Fonte: Cineplayers
The Internet Movie Database: IMDB


ANÁLISE
Surreal, bizarro, diferente e muito, muito original. Qualquer uma dessas expressões poderia definir perfeitamente o filme alemão “Coração de Cristal” (Herz aus Glas, Alemanha, 1976). O longa-metragem pode não ser o melhor de Werner Herzog, mas é certamente o mais singular produto gerado pela mente de um dos mais iconoclastas diretores de cinema que já pisaram o planeta. Poesia, imagens da natureza e hipnotismo estão entre os ingredientes que, juntos, compõem um filme exótico e completamente diferente do que nós, ocidentais, entendemos por cinema.
Werner Herzog
Vale ressaltar que “Coração de Cristal” foi produzido durante a mais prolífica e criativa fase do novo cinema alemão, movimento que floresceu no começo da década de 1970 e revelou ao mundo cineastas do naipe de Wim Wenders e Rainer Werner Fassbinder. Todos faziam filmes com orçamentos minúsculos e, audaciosos, tentavam empurrar os limites do que se podia fazer, em termos narrativos, em filmes tradicionais. E eram diferentes uns dos outros: Fassbinder preferia o melodrama (ousava mais nas temáticas), Wenders era mais contemplativo e existencial. E Herzog… bem, esse era meio maluco mesmo. E “Coração de Cristal” é uma prova cabal disto.
O projeto do longa-metragem nasceu do fascínio que o cineasta desenvolvera pelo hipnotismo. Anos depois, Herzog diria que o primeiro objetivo do projeto, nos estágios iniciais de criação, era tentar hipnotizar a platéia durante a exibição. Para que isto fosse possível, o diretor chegou a realizar testes. A idéia era aparecer na frente da câmera, logo na primeira seqüência, e falar diretamente aos espectadores, com um pêndulo, hipnotizando-os para que vissem o filme sob efeito da hipnose. O cineasta chegou a fazer testes com amigos, hipnotizando-os através das imagens de uma câmera de vídeo.
No entanto, esta idéia doida acabaria descartada porque se mostraria completamente anti-narrativa (e talvez os espectadores hipnotizados não se lembrassem do filme ao fim da sessão). Desta forma, Herzog optou por uma decisão radical, mas menos intrusiva. Ele decidiu que todos os atores atuariam hipnotizados, e assim foi feito. O resultado é um filme espectral, fantasmagórico, em que os seres humanos se movem lentamente, com os olhos semicerrados, recitando as falas como se houvessem tomado soníferos potentes ou fumado maconha. Não há registro de uma experiência tão iconoclasta na história do cinema.
A história é bastante simples e carregada de simbolismos do romantismo clássico, inteiramente coerentes com a história cultural alemã. O filme se passa no século XVIII, em uma pequena aldeia da Bavária, especializada na produção de cristais. Herzog se dedica a mostrar o processo de decadência e desintegração daquele povoado após a morte do principal vidraceiro, que carrega para o túmulo a fórmula do famoso vidro vermelho da região. A narrativa se concentra principalmente em dois personagens, o aristocrático líder da aldeia (Stefan Güttler) e o profeta da região (Josef Bierbichler).
Há longas passagens em silêncio, e grandes porções do filme consiste de previsões pessimistas sobre o fim do mundo (e da aldeia) feitas pelo jovem profeta. A lentidão é quase excruciante e pode ser muito incômoda, mas faz parte da estratégia de Herzog para colocar a platéia no mesmo estado de transe hipnótico em que estão os atores. A atmosfera é perfeitamente complementada pelas imagens belíssimas – panorâmicas da natureza de tirar o fôlego, e esplêndida iluminação claro/escuro no interiores, que mais parecem pinturas do holandês Johannes Vermeer – e pela linda música sacro-barroca do grupo progressivo Popol Vuh, habitual colaborador do cineasta. O resultado é uma parábola transcendental bem ao estilo excêntrico de Herzog.
Análise retirada do site Cinereporter
















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