domingo, 22 de setembro de 2013

O ENIGMA DE KASPAR HAUSER - 1974

Jeder für sich und Gott gegen alle, 1974
Legendado, Werner Herzog
Classificação: Excelente

Formato: AVI 
Áudio: alemão
Legendas: português
Duração: 110 minutos
Tamanho: 1,35 GB
Servidor: 1Fichier (2 partes)

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SINOPSE
Kaspar Hauser é um jovem que foi trancado a vida inteira num cativeiro, desconhecendo toda a existência exterior. Quando ele é solto nas ruas sem motivo aparente, a sociedade se organiza para ajudar Kaspar, que sequer conseguia falar ou andar, mas este logo acaba se tornando uma atração popular. Baseado em uma história real.

Fonte: Cineplayers
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 7.9


ANÁLISE

Você é uma rã?


O Enigma de Kaspar Hauser forma com Stroszek (1977) uma espécie de documentário em duas partes da tentativa de Werner Herzog entender (para eventualmente absorver) a figura singular de Bruno S., seu protagonista. A fonte para o filme de 1974 é um fato real acontecido na Alemanha de 1820, que entrou para a História como paradigma sociológico da aculturação. Que esse acontecimento tenha tornado o Kaspar Hauser original um marco não significa, no entanto, que ele seja uma exceção. Sua existência tão pronunciada é o que mais assegura que outros como ele sempre estiveram por aí. Não exatamente trancafiados por mais de trinta anos, não propriamente ignorantes da existência de uma humanidade, não necessariamente grandes bebês que não sabem andar, falar ou comer decentemente. O que interessa à Herzog não é a mitologia criada em torno de Kaspar Hauser, mas ao contrário, aquilo que ele tem de mais relacionável, que diferenciava sua experiência de uma mera adaptação ao mundo para uma aproximação frontal e direta da mecânica que rege uma vida que não era a vida de antes. 


Bruno S., internado desde os três anos de idade numa instituição para doentes mentais sem no entanto sê-lo, e que por volta dos trinta anos havia sido diagnosticado como esquizofrênico por conta dos traumas do cárcere de uma vida inteira, era um artista de rua quando foi descoberto e escalado por Herzog para interpretar o protagonista de seu filme – o único papel que ainda não tinha dono, dada a dificuldade imaginada pelo diretor que um ator "normal" teria para dar alguma veracidade ao personagem. São famosas as anedotas de set dos dois filmes estrelados por Bruno S. (os únicos de sua efêmera carreira no cinema), em que o ator fazia longas palestras caóticas e desconexas para uma equipe que era obrigada pelo diretor a prestar atenção em cada palavra, ou mesmo quando simplesmente precisava gritar por vários minutos antes de iniciar uma cena. Herzog conta que a postura de Bruno S. nas gravações era sempre a de alguém que desconfia de todo aquele circo, não só o circo do cinema, mas o circo da própria existência humana na coletividade. Daí que a opção de Herzog por Bruno S. talvez tenha se devido muito pouco à seu passado enclausurado e as complicações vindas dele, e muito mais àquilo que se exibia diante do diretor numa rua alemã qualquer (e que se exibe diante dos espectadores nas duas obras-primas que protagoniza), essa sensação incomum de estar frente à algo tão reconhecível quanto tão completamente estranho e misterioso. Se Bruno S. não é o outsiderabsoluto que Kaspar Hauser foi, ao menos divide com ele uma característica fundamental para Herzog e para toda uma cinematografia que o diretor construiria dali para frente: ambos são símbolos máximos da explosão de uma faceta do mundo que nos é familiar, visível, e mesmo tangível, mas cujos sentidos íntimos nos escapam completamente.


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