terça-feira, 22 de abril de 2014

CRÔNICAS DOS ANOS DE FOGO - 1975

Chronique des Années de Braise, 1975
Legendado, Mohammed Lakhdar-Hamina

Formatos: VHS
Áudio: árabe
Legendas: português
Duração: 177 min.
Tamanho: 2,65 GB
Servidores: 1 Fichier (3 partes)

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SINOPSE
A história começa em 1939 e termina 11 de novembro de 1954, e através de marcos históricos, mostra que o 1 de Novembro de 1954 (data do início da revolução argelina) não é um acidente da história, mas o culminar de um longo processo de sofrimento. Conta a história do camponês argelino, Ahmad, que foge de sua aldeia, para escapar da fome e da seca. O filme apresenta a violência como estágio inevitável no conflito entre colonizador e colonizado. A transformação de Ahmad, de camponês analfabeto a líder revolucionário, simboliza o amadurecimento de uma consciência independente voltada para a libertação nacional.
 Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1975

Fonte: Cineafrica
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.3


ANÁLISE

Por senso comum, a década de 1970 constituiu a década de ouro do cinema argelino, marcada sobretudo pelo filme de Mohammed Lakhdar-Hamina, Crônica dos Anos de Fogo, premiado com o principal prêmio no festival de Cannes em 1975 por um júri liderado por Jeanne Moreau, que escolheu esse filme em detrimento de "Passageiro: Profissão Repórter" de Antonioni, "Alice Não Mora Mais Aqui" de Scorsese e "O Enigma de Kaspar Hauser" de Herzog. Longa indisponível em DVD e só raramente localizável em turvas fitas VHS, este filme demonstra uma amplitude de visão e um olho extremamente confiante que justificam a decisão do júri.

Começando em 1938 indo até o início dos anos 1950, este arrebatador épico de quase três horas funciona tanto como uma prévia de a "A Batalha de Argel" (filmado pelo mesmo diretor de fotografia, só que aqui em cores), bem como um registro das sementes de revolta, semeadas não na cidade, mas por toda a ressequida e crescentemente estéril zona rural.

Provavelmente o único filme que supera o espetáculo de "Lawrence da Arábia" (1962), Crônica também desafia a freqüentemente fria patologia do herói britânico com sua onda de poderosos incidentes fatais superados na batalha pela sobrevivência do agricultor Ahmed (interpretado de forma convincente pelo robusto ator grego Yorgo Voyagis). Estes incluem lutas desesperadas pela água preciosa durante os anos de seca, um surto letal de tifo no bairro nativo colocado em quarentena, alistamento forçado no exército da França ocupada de Vichy, e crueldades mortais perpetradas por Caides argelinos colaboradores do colonialismo, a França permanecendo como uma presença distante, bem diferente do filme de Pontecorvo.

Com mais planos de paisagens e utilização de gruas em planos gerais que até mesmo David Lean concebeu, o "widescreen" vibra com a atividade notavelmente encenada por Lakhdar-Hamina e dinamicamente filmada por Gatti, que arrojadamente vai com sua câmera por entre enormes multidões em movimento e através de desertos sulfurosos. O diretor, não contente em ser seu próprio operador de câmera, também trabalha na frente dela, interpretando o magro louco da cidade que delineia para Ahmed os centros dominantes do poder opressivo ("onde tudo está à venda"), quando não está pregando a seu público cativo de lápides ("Onde se está a salvo do perigo é no cemitério").

Privações durante a guerra levam os argelinos a se perguntarem, "França, Hitler, America, o que importam pra gente?" levando à conclusão inevitável de um organizador político de que "só resta um caminho: violência. Eles vieram pela força e só sairão por meio da força". (...)

Estimulantemente ambicioso e irradiando confiança cinematográfica, este é um filme de energia visual incomparável e talento formidável, que exige ser visto mais uma vez nos cinemas do mundo, como pretendido.

Análise retirada do site Cineafrica


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