domingo, 29 de junho de 2014

APENAS O VENTO - 2012

Csak a szél, 2012
Legendado, Benedek Fliegauf
Classificação: Bom

Formato: AVI
Áudio: húngaro/inglês/romani 
Legendas: Pt-Br
Duração: 86 min.
Tamanho: 1,51 Gb
Servidor: Mega (Parte única)

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SINOPSE
Uma família cigana é morta a tiro durante o sono. Os assassinos não são encontrados e ninguém espera que o crime seja desvendado. Mas Birdy, uma mulher cigana, está consciente do perigo que corre. O seu objectivo é simples: juntar o dinheiro suficiente para deixar a Hungria e partir com os filhos e o pai doente para o Canadá, onde o marido se encontra emigrado, e onde espera viver longe do preconceito. Até lá, ela e as crianças apenas terão de passar despercebidos, tentando escapar ao ódio e à violência perpetrada, ano após ano, contra o seu povo.

A quinta longa-metragem do realizador húngaro Bence Fliegauf ("Rengeteg", "Dealer") é um drama inspirado em factos verídicos ocorridos entre 2008 e 2009, na Hungria, que resultaram em vários assassinatos motivados por racismo contra a etnia cigana. Apresentado no Festival de Berlim em 2012, o filme venceu o Grande Prémio do Júri (Urso de Prata) e o Prémio Amnistia Internacional.


The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 6.5


ANÁLISE/RESENHA

Entre 2008 e 2009, famílias ciganas carentes foram brutalmente assassinadas na Hungria durante uma onda de violência racista. Essa primeira afirmação compõe o texto do letreiro que abre o contundente filme húngaro Apenas o Vento, escrito e dirigido por Benedek Fliegauf. Ao final de tal introdução, uma outra frase declara que a obra não é um documentário. Inicialmente pode parecer um informação deveras desnecessária, mas o desenrolar do filme vai provar ao contrário. Pois a intenção do diretor não é registrar fatos e sim infringir a audiência sensações semelhantes as que passaram os ciganos durante essa temporada de terror. Logo, Apenas o Vento não é um filme sobre o massacre, mas sobre estar dentro do massacre. 

Benedek Fliegauf

Assentados em uma localidade totalmente insalubre, margeando uma floresta, a comunidade cigana vive em situação precária. Desprovida das condições de higiene mais básicas, como banheiros para fazerem as necessidades ou mesmo tomar banho, se vêem relegados a própria sorte. A situação piora quando famílias locais passam a serem vítimas de uma declarada "limpeza étnica". E as autoridades pouco fazem para conter as investidas desse grupo não identificado que chega a noite e mata pessoas - homens, mulheres, idosos e crianças - com tiros de escopeta. A opressão é a tônica predominante, evidenciada na estética dos planos extremamente fechados e na diegese dos sons da floresta, denotando sempre algum perigo. Para se proteger, a população institui uma precária resistência. 

A núcleo familiar que vamos acompanhar em Apenas o Vento é o de Mari (Katalin Toldi), uma mulher de meia idade que se divide na árdua tarefa de manter dois empregos. Com Mari, mora seu pai (Györgi Toldi), um idoso com severa enfermidade, e os dois filhos adolescentes, Anna (Gyöngyi Lendvai) e Rió (Lajos Sárkány). Enquanto Anna procurar lidar com suas obrigações escolares, revelando ainda certo talento para a arte, Rió vive a vagar pelas imediações do bairro cigano, visitando as casas vazias das vítimas e alimentando um esconderijo para quando for necessário. Na verdade, pouco em comum a família têm, a não ser o preconceito que sofrem diariamente. Mas todos nutrem o mesmo desejo: irem de encontro ao pai, um imigrante residente no Canadá.


Mesmo vivendo em um panorama angustiante, hostil, Mari, Anna e Rió almejam uma vida digna. Ainda que se sintam diminuídos pelo preconceito, marginalizados, estigmatizados pela condição de seus antepassados, o amor próprio e orgulho nunca cessam. E apesar de Apenas o Vento estudar seus personagens com certa profundidade, a trama se estabelece em somente um dos longos dias do cotidiano dessa família de ciganos. Além do estado de melancolia institucionalizado - a câmera de Fliegauf capta com acachapante destreza rostos tristes e desesperançosos -, a tensão crescente é incômoda, faz o espectador torcer pelo melhor, mas esperar o pior. A qualquer momento, uma tragédia pode acontecer. E a trilha sonora sutilmente inquietante é mesmo um prenúncio inevitável. 

O diretor Benedek Fliegauf opta por uma narrativa rígida a fim de entoar com força a principal mensagem de Apenas o Vento: o preconceito é tão imbecil que desde sempre condena inocentes a uma morte prematura e cruel. Foi assim no passado, é assim no presente e o futuro, infelizmente, traz um horizonte nada promissor. Até quando?

P.S: Por Apenas o VentoBenedek Fliegauf ganhou o Urso de Prata em Berlim (2012), e o Peace Film Award e Amnesty International Filme Prize, ambos pelo Festival de Berlim também. Os dois últimos prêmios louvam a condição humanitária da obra. Pertinente.

Análise retirada do site Espectadorvoraz


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2 comentários:

  1. Muito bom o seu blog! Parabéns e obrigado pelo compartilhamento!

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