quarta-feira, 9 de julho de 2014

O ESPÍRITO DA COLMEIA – 1973

El espíritu de la colmena, 1973
Legendado, Victor Erice

Formato: AVI 
Áudio: espanhol
Legendas: Pt-Br
Duração: 97 minutos
Tamanho: 1,36 GB
Servidor: 1Fichier (2 partes) 

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SINOPSE
Um dos mais premiados longas metragens espanhóis de todos os tempos. O Espírito da Colmeia é um belo e poético filme realizadores sobre a inocência sob o contexto do horror e da política. Depois de assistirem ao filme Frankenstein, duas crianças ficam obcecadas com a personagem. O suposto e breve desaparecimento de uma delas, agravava a obsessão da outra com o monstro. Tudo recheado de símbolos e com uma linguagem limpa e simples, através de uma fotografia das mais belas. Sensível e original.

Fonte: Interfilmes

The internet movie database: IMDB -  NOTA IMDB: 8.0 


ANÁLISE

Um olhar para o mundo
“Diga-me, você nunca ficou curioso?
Para aquilo que se esconde por trás do limite do conhecimento?
Você nunca desejou ver além das nuvens e das estrelas?
Ou saber o que faz as árvores crescerem e as sombras se iluminarem?
Se você falar isso vão te chamar de insano”.

Para completar-se enquanto experiência, o cinema tem de perpassar um conflito de olhares. De um lado, o olhar de quem cria o filme, fragmentando imagens e compondo novas realidades através da composição de planos e sons. Do outro, concluindo o ciclo, o olhar de quem o contempla, que determina o que será assimilado e de que forma isso acontecerá. Embora, desde o princípio, tenham encarado o cinema como uma experiência coletiva, a verdade é que, independente de quantas pessoas estejam na sala, não poderia haver experiência mais solitária que a apreciação de um filme; apenas você, considerando-se todo o subjetivismo de que se vale essa relação, tem conhecimento do que viu e sentiu através do material filtrado por seu olhar. 

Victor Erice

O Espírito da Colméia (El Espiritu de la Colmena, 1973) é um filme sobre este olhar. Uma questão que se constrói através do cinema e que o ultrapassa para a vida pelo olhar de uma garotinha de 6 anos, vítima da solidão provocada pela Guerra Civil espanhola durante a década de 1940. Anna, personagem da bela atriz mirim Anna Torrent, vive em uma minúscula província da Espanha, isolada do mundo, junto de seu pai, um velho apicultor; sua mãe, mulher depressiva que ainda chora um amor perdido para a guerra; e sua irmã, única companheira com quem pode dividir dúvidas e curiosidades tão naturais dessa idade. A situação política do país constrói um cenário moribundo e desolador. Anna vive em uma colmeia com pouca luz exterior, sem sequer suspeitar do que existe lá longe, do outro lado do horizonte.


É através do cinema, em uma exibição de Frankenstein (idem, 1933), que a garotinha confronta a realidade em que vive e se depara com temas caros a certa fase melancólica da infância – e, para muitos, não apenas dela. O que é real no mundo em que vivemos? O que é real naquilo que vemos nele? O que é a morte, e o que ela significa? No olhar de Anna, enquanto observa o monstro brincar com a garota à beira do lago, vê-se um misto de medo e curiosidade, uma feição de quem, mais do que compreender o que vê, quer ver além do que pode ser visto. No filme, o monstro mata a garota, o que instiga Anna a descobrir o que isso significa; a partir daí, o cineasta Victor Erice dilui sua narrativa poética pelo olhar de Anna para o mundo e por sua curiosidade em desvendar o desconhecido, os mistérios da vida física e espiritual para tentar enxergar, como dizem os versos transmitidos pelo áudio ouvido por seu pai, “além das nuvens e das estrelas”.


A reação de Anna a esta experiência e a forma tão particular com que passa a ver as coisas após ela são as motivações deste filme singular, atmosférico e onírico, de narrativa minimalista composta por belíssimas imagens em tons de mel – cortesia do fotógrafo espanhol Luis Cuadrado. Mais do que um filme sobre uma criança investigando o mundo em confronto com suas dúvidas existenciais, Victor Erice faz de O Espírito da Colmeia uma alegoria sobre a forma como observamos e reagimos a este mundo, seja através dos filmes ou do contato presencial. A partir do momento em que se declara como ponto de vista de Anna, a câmera de O Espírito da Colmeia deixa sua habitual função observacionista para assumir-se como um poético olhar subjetivo – frágil, delicado e imperfeito, para ser sentido e completado por quem vê. 

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