segunda-feira, 21 de julho de 2014

VELUDO AZUL - 1986

Blue Velvet, 1986
Legendado, David Lynch

Formato: AVI 
Áudio: inglês
Legendas: Pt-Br
Duração: 120 minutos
Tamanho: 700 MB
Servidor: 1Fichier (Parte única)

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Parte única

SINOPSE
Jeffrey retorna para sua cidade depois de estar fora algum tempo e descobre uma orelha humana sobre o chão, em meio ao mato. Não satisfeito com a passividade da polícia em relação ao caso, ele e a filha de um detetive da polícia resolvem fazer sua própria investigação. Eles acabam entrando em um submundo bizarro, envolvendo um homem diabólico e uma linda, porém misteriosa, mulher.

Fonte: Cineplayers
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.8


ANÁLISE

"Go to sleep. Everything is all right."
Quando In Dreams, a bela e soturna canção de Roy Orbison, irrompe o silêncio da madrugada para embalar o espancamento de Jeffrey Beumont, nosso protagonista e guia em Veludo Azul (Blue Velvet, 1986), já estamos suficientemente imersos no universo subversivo de David Lynch. O carro está estacionado à beira de uma auto-estrada mal iluminada, pessoas bêbadas riem da desgraça de Jeffrey, que por sinal está com a boca toda borrada de batom vermelho, assim como seu algoz, Frank Booth, o insano personagem de Dennis Hopper que acabava de lhe beijar antes de sentar a porrada. Uma mulher de formas estranhas dança sobre a lataria do carro, um homem com aspecto de boneco de cera acompanha tudo com encantamento. Arquitetura de um pesadelo, e Jeffrey o sente na pele; é real.

David Lynch

Mesmo em seus filmes mais narrativos, como Veludo Azul, o cinema de David Lynch é todo sensorial. Imagens, canções, diálogos; os elementos são dispostos cuidadosamente para a composição desta atmosfera onírica, e geralmente possuem significância metafórica ou dúbia. Lynch é um grande reconhecedor da essência artística de construção de novas realidades; os filmes discursam sobre nosso mundo, sobre como nos relacionamos com ele e com quem o habita, sobre as perversões, fobias e sentimentos destes habitantes, mas sua representação extrapola os significados que estes signos receberiam do lado de cá. Filmar, para Lynch, não é cercar, induzir ou subtrair-se até atingir a fórmula precisa; mas desbravar, expandir e, principalmente, explorar sensações, nem que isso resulte em um filme de três horas cheio de excessos.

Veludo Azul abre mostrando o cotidiano de uma pacata cidade do interior dos Estados Unidos. Casas com cerquinhas brancas, flores coloridas, crianças brincando no jardim, o caminhão de Bombeiros passeando lentamente pela rua enquanto seus passageiros, sorridentes e num slow motion tosco, acenam para os vizinhos. Tudo muito bonito e tranquilo em Lumberton. A superfície da cidade é a representação estética do american way of life, o tal sonho estadunidense, a vida perfeita, aquela comercializada nas publicidades de creme dental onde o branco soa mais branco do que você jamais poderá ver, mas debaixo da grama os insetos remoem a terra e compõem uma paisagem negra de depredação, e a câmera de Lynch, é claro, faz questão de os perseguir.


Viver na cidade dos sonhos? Ah, puta tédio, hein. Andar pelo campo sentindo o ar fresco da natureza? Tédio. Tédio redobrado. A vida só volta a ficar interessante para Jeffrey em sua viagem ao interior quando finalmente encontra uma orelha humana grudada na grama, apodrecendo aos poucos. A câmera de Lynch, é claro, faz questão de persegui-la. Mais: de penetrá-la. A orelha é um portal e um brilhante truque narrativo: adentramos, através dela, ao outro lado desta realidade. The dark side. Sai o sonho idealizado, surge o pesadelo do obscuro e do sadomasoquismo, essa mistura de dor e fascínio que nos regra. Um lado precisa existir para que também exista o efeito do outro, e é a partir deste paradoxo que Lynch dá início à sua viagem por esse pesadelo carnal – e real.

O universo de Veludo Azul respira ares de sarcasmo em torno deste paradoxo subversivo. O romantismo soa cafona, a perversão uma comédia, o sexo quase um ato de violência. Aqui, a excitação é medida na ponta da navalha. Se Jeffrey tem duas opções (dificilmente existe apenas uma saída para qualquer situação, isso na vida mesmo), depois da orelha escolhe sempre a mais estranha. “Não sei se você é um detetive ou um pervertido”, diz a formosa loira (Laura Dern, é, nem tão formosa assim) pela qual ele se apaixona, depois de vê-la surgir da escuridão da forma mais brega possível durante uma caminhada noturna – aparição que inclui iluminação overno rosto da atriz e trilha de conto de fadas. “Isto eu sei, e você terá que descobrir”, responde. Dito isso, se enfia dentro de um armário e observa uma mulher perturbada tirar a roupa e, logo em seguida, trepar de um jeito um tanto quanto maluco com seu homem, que a espanca, preenche a boca com pedaços de veludo e respira com auxílio de um inalador aos gritos de “baby wants to fuck!”.

Análise retirada do site Cineplayers

Screenshots






















































2 comentários:

  1. Pessoalmente acho o diretor Lynch pretensioso, não sou um grande admirador dos seus filmes e muito menos do seu estilo bizarro, até assisto com boa vontade Twin Peaks, mas isso não significa que ele não tenha feito bons filmes como Veludo Azul. Um filme noir moderno e intrigante com uma direção inspirada. Quando assistimos o filme temos a exata idéia que ele sabia o que estava fazendo por mais estranho que seja o seu resultado. A ver, obrigado pelos filmes.

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  2. Tem um amigo meu que viu esse filme mais de 5 vezes quando entrou em cartaz no Cine Pathe (que não existe mais claro) aqui em BH.
    Concordo demais com o comentário do outro anônimo ali em cima.
    No mais agradecer as postagens.
    Abraços
    Guilherme

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