sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

UM DIA, UM GATO - 1963

Az prijde kocour, 1963
Legendado, Vojtech Jasný
Classificação: Excepcional 

Formato: AVI
Áudio: tcheco
Legendas: Pt-Br
Duração: 91 minutos
Tamanho: 700 MB
Servidor: 1Fichier (Parte única)

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Parte única

SINOPSE
Um mágico e seu gato, que costuma usar óculos, se apresentam em um espetáculo nos jardins do castelo de um pequenina cidade. O gato também é mágico e quando seus óculos são tirados, as pessoas para quem ele olha mudam de cor de acordo com o caráter e suas atitudes. Os mentirosos ficam roxos, e os ladrões, cinzas, as pessoas falsas, amarelas, e as que estão apaixonadas ficam vermelhas. Assustadas, as pessoas na platéia fogem. Na confusão, o gato desaparece também. Robert, um jovem professor, pede ajuda às crianças da cidade para achar o animal. Prêmio do Júri em Cannes 63.

Fonte: Interfilmes
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 7.3


ANÁLISE

O cineasta Vojtech Jasný iniciou sua carreira cinematográfica nos anos 50, onde tornou-se reconhecido por seu clássico Desejo (Touha), drama que concorreu no Festival de Cannes de 1959. Dividido em quatro segmentos, esta poética obra refletia sobre o quanto a vida pode ser tão curta, mesmo que tantos anos tenham se passado. Aclamado em sua terra natal, Jasný ganhou maior notoriedade na década seguinte, durante os anos dourados da Nová Vlna, a nouvelle vague tchecoslovaca. Um de seus trabalhos mais marcantes desta época é Um Dia, Um Gato (Az prijde kocour), de 1963, um dos pontos chave do movimento.
Vojtech Jasný

Segunda parte de uma semi-trilogia também formada por Touha e Vsichni dobrí rodací (Todos os Meus Compatriotas), Um Dia, Um Gato se inicia com toques de fábula, apresentando um narrador, Oliva (Jan Werich), do alto de uma torre de relógio, apresentando os habitantes de um vilarejo tchecoslovaco, suas manias, relacionamentos e curiosidades. O próprio Oliva, no entanto, é uma pessoa misteriosa, mas agradável. Ao modelar numa aula de artes para crianças na escola local, Oliva relembra diversas histórias curiosas que presenciou, como de quando era o segundo timoneiro num navio grego, e a mais importante, de quando conheceu uma bela dançarina chamada Diana (Emília Vášáryová), que possuía um gato,Mourka, que usava óculos escuros para esconder poderes muito especiais: revelar a personalidade das pessoas através de seus olhos, deixando-as com determinadas cores que refletem os aspectos principais de suas personalidades. Os apaixonados tornam-se vermelhos; os infiéis, amarelos; os ladrões, cinza; e os mentirosos e hipócritas; roxos.

Na mesma escola, o professor Robert (Vlastimil Brodský) leciona com muito carinho e dedicação; o mesmo não se pode ser dito sobre o diretor (Jirí Sovák), homem vil e mesquinho, cujo hobby é o de caçar animais para empalhá-los, atitude considerada repulsiva por Robert. Adorado pelas crianças, o jovem professor não possui um bom relacionamento com sua esposa, rude e controladora. Porém, a chegada de um circo na cidade pode mudar totalmente sua vida, especialmente ao conhecer a jovem Diana, integrante do circo, aparentemente a mesma dos contos de Oliva, também dona de um gato que usava óculos escuros. Quanto o mágico da trupe (também interpretado por Werich) organiza uma apresentação local, os poderes do gato entram em ação e, instantaneamente, todas as máscaras caem.
Fortemente carregado com o contexto sociopolítico da Tchecoslováquia na época em que foi realizado, o filme alterna subitamente entre uma típica obra da Nová Vlna, valorizando o experimentalismo, a liberdade de expressão e a crítica política, e uma inocente comédia chapliniana, com traços de uma era inocente, pré-primavera de Praga de 1968. Efeitos especiais incríveis para sua época, e interessantes de ser observados até hoje, não só corroboram para o surrealismo da obra como também ampliam a mensagem do filme como um todo, o que se reflete nas cores de cada indivíduo. Vale notar que a maioria das cores possui conotações de reflexos de caráter não exatamente admiráveis, onde somente os poucos vermelhos (que talvez não por coincidência ganharam tal designação de cor), apaixonados e ingênuos, são retratados simpaticamente.

A maioria dos filmes da Nová Vlna não eram colorizados. Um Dia, Um Gato quebra esse padrão, destacando-se justamente por utilizar as cores de forma tão inteligente e única; sem cores o filme jamais poderia ser realizado, pois depende demais das mesmas, e graças à fotografia espetacular do talentosíssimo Jaroslav Kucera, uma revolução cinematográfica pôde ter sido realizada. Muitos acreditaram que a coloração do filme era química, de tão bem trabalhada, mas grande parte da mesma se devia não só ao trabalho de Kucera, mas também à composição dos figurinos e das máscaras. A fotografia se mostra exuberante mesmo nos momentos menos espetaculares, através das paisagens de Tel?, pequena e adorável cidade que em 1992 tornou-se patrimônio da UNESCO. Pode ser dito que Um Dia, Um Gato pavimentou o caminho para obras posteriores que também utilizaram-se de técnicas e fotografia surpreendentes, como é o caso de Sedmikrásky (As Pequenas Margaridas; Kucera também trabalhou na direção de fotografia deste e foi casado com a diretora Vera Chytilová) e a adaptação cinematográfica deValerie a týden divu (Valerie e Sua Semana de Deslumbramentos), dois dos mais aclamados filmes do movimento tchecoslovaco.

Análise retirada do site segundoplano

Screenshots


3 comentários:

  1. Belo filme. O vi no cinema, depois pela tv, e agora pela tela do pc, e é sempre cativante. Grato pela chance. Na verdade este blog é uma mina!

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  2. Sinopse bem interessante, Baixando pra assistir.Obrigado !

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  3. Recordo-me de haver visto esta película hipersurrealista aos meus 7 ou 8 anos. Mas agora, vê-la corretamente me deixa estupefato, pela arte como um todo, mostra de crianças em sala de aula ainda quietas - as da época -, crianças pintando e dançando livremente, criatividade narrativa, de cores, rebeldia e cinematografia pura. Para amantes de gatos, como eu, então, é êxtase!!

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