quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

VOCÊS, OS VIVOS - 2007

Du levande, 2007
Legendado, Roy Andersson 
Classificação: Excelente

Formato: AVI
Áudio: sueco
Legendas: Pt-Br
Duração: 95 minutos
Tamanho: 702 MB
Servidor: 1Fichier (Parte única)

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Parte única

SINOPSE
Um olhar sobre o ser humano, sobre suas conquistas e misérias, sua alegria e seu sofrimento, sua autoconfiança e ansiedade. Personagens que trazem em comum um aspecto solitário, mesmo quando estão cercados por outras pessoas. Um ser humano de quem se quer rir e também chorar por ele, ou ela. É simplesmente uma trágica comédia ou uma cômica tragédia sobre todos os homens e mulheres. Situado em Estocolmo, o tema se encaixa universalmente em qualquer lugar ou qualquer época.

Fonte: cinemaemcena
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 7.4


ANÁLISE

Vocês, os Vivos, no que há nisso de melhor e de pior, parece ter saído das páginas do caderno de cultura de um jornal de grande circulação qualquer. De um lado, Roy Anderssonmostra um apuro no olhar sobre a vida mundana digno dos melhores cronistas diários. Diante de todo o painel da cotidianidade urbana que as historietas do filme vão montando, o último resultado desejado parece ser exatamente este, o de ser painel do que quer que seja. Não que Andersson disfarce que esteja querendo fazer um filme “sobre a humanidade”, mas o que retira Vocês, os Vivos do caminho de tantos outros projetos que se atreveram a encenar este grande tema com a pompa que lhes parecia devida é que, aqui, a humanidade não é mero objeto representado, mas parece ter sido, ela própria, convidada a estrelar o filme.

Roy Andersson

E ainda assim, não é o caso de se falar num super-realismo do relato. A experiência episódica de Vocês, os Vivos (como as boas crônicas de jornal) lida menos com personagens que com espectros humanos, menos com motivos que com atos, menos com a psicologia e mais com a anatomia das situações. A referência mais evidente, neste caso, é o cinema de Jacques Tati. Mesmo o espelhamento da experiência dos homens na estrutura arquitetônica da cidade está presente aqui, no modo como os pequenos esquetes cômicos, quando não diretamente proporcionadas pelo espaço físico (piadas com elevadores superlotados, filas para compra de bilhetes de trem, vizinhos barulhentos no andar de cima), nunca nos deixam esquecer que sua ocorrência se dá no interior da cidade, acompanhando seu movimento e pulsação, e não em pequenos palcos cênicos isolados dela (o efeito mais encantador desta operação se manifesta do lado de fora das janelas, que Andersson faz sempre questão de enquadrar; há um mundo girando lá no exterior da cena, e as janelas abertas são o que mantém viva esta conexão entre as duas esferas). 


Mas se Tati enxergava nos corpos de seus atores a residência de toda a fisicalidade da ação, onde os personagens – muito mais que a câmera – eram os responsáveis efetivos pelo movimento e trânsito das seqüências, Vocês, os Vivos, com toda a ironia de seu título, lida com quase-mortos. Todas as figuras que cruzam o filme, das mais comuns às mais bizarras, parecem ter sido ainda mais empalidecidas pela maquiagem pesada que a brancura natural da pele de um sueco em pleno inverno. Nesta cidade anônima em que várias situações dramáticas são apresentadas sem que tenham qualquer relação direta entre si, unidas tão somente pela ocorrência simultânea no próprio espaço da cidade, não raro teremos a sensação de que aquele é um universo que não funciona na mesma dimensão do nosso, material, terreno. Difícil não enxergar certos personagens vagantes, certos dramas-limite, certas indagações filosóficas, como dignas de zumbis, de pessoas presas entre a vida e a morte, ainda acertando as contas com um lado e outro. A locação de Vocês, os Vivos parece ser o purgatório.  

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3 comentários:

  1. Obrigado por me "apresentar" mais este interessante filme europeu.

    Filmado com câmeras estáticas (simples e original) como um bom filme do velho Continente.

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    Respostas
    1. Oi, Vanderlei.

      Esse Andersson de "Vocês, os vivos" e "Canções do segundo andar", com câmeras estáticas e um tom mais anedótico difere do que ele fez em "Uma história de amor sueca", seu primeiro longa metragem.

      Nos próximos dias disponibilizarei o "Canções do segundo andar", outro filme com essa estética.

      Aqui tem o "Uma história de amor sueca":
      http://cinefilosconvergentes.blogspot.com.br/2013/07/uma-historia-de-amor-sueca-1970.html

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    2. Muto obrigado por sua atenção, por mais essa sugestão (que obvio, vou apreciar).

      E principalmente agradeço, por todo esse conteúdo, tão distinto e interessante, que tão generosamente, você segue nos apresentando.

      Agradeço novamente "Hilarius"

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