sexta-feira, 20 de março de 2015

CRÔNICA DE UM VERÃO - 1960

Chronique d'une ete, 1960
Legendado, Edgar Morin e Jean Rouch 

Formato: AVI
Aúdio: francês
Legendas: Pt-Br
Duração: 85 minutos
Tamanho: 778 Mb
Servidor: Toutbox (Parte única)


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Parte única

SINOPSE
Durante o verão de 1960, o sociólogo Edgar Morin e Jean Rouch pesquisam sobre a vida cotidiana dos jovens parisienses para tentar compreender sua concepção de felicidade. Durante alguns meses este filme-ensaio segue, ao mesmo tempo, tal enquete e também a evolução dos protagonistas principais. Ao redor da questão inicial "Como você vive ? Você é feliz ?" Rapidamente aparecem problemáticas essenciais como a política, o desespero, o tédio, a solidão… Finalmente, o grupo interrogado durante a enquete se reúne em torno da primeira projeção do filme acabado, para discuti-lo, aceitá-lo ou rejeitá-lo. Com isso, os dois autores se encontram diante da experiência cruel, mas apaixonante, do "cinéma-vérité", ou seja, do cinema-verdade.

Fonte: Filmow
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.5



ANÁLISE

Reflexo e invenção de seu próprio tempo

Uma das mulheres que interage com a câmera, ao final deCrônica de um Verão, verbaliza a problematização do filme: "Só somos verdadeiros quando estamos sozinhos e à beira da histeria". A citação é de lembrança, de uma única visão do filme, mas o sentido é aproximado. Talvez essas palavras exagerem um pouco, pois limitam o conceito de verdade a um ideal metafísico de um "eu essencial", mas, em linhas gerais, estão em sintonia com a proposta de Jean Rouch e Edgar Morin. A mulher em questão está reagindo, nesse momento citado, à sua própria imagem no filme. Fala depois de exibição promovida pelos diretores a seus entrevistados. Uns criticam a "interpretação" dos outros e acusam-se de estarem falsos no filme. A colocação da mulher citada aqui assume a auto-encenação para a câmera. A palavra chave de sua afirmação, porém, não é sozinho e sim a outra expressão, "à beira da histeria". Há na citação do estar quase histérico a constatação de que, ao contrário da suposição generalizada, a solidão em si não inibe a (auto)encenação. É preciso estar sem consciência de si mesmo. Essa é também uma retórica intuitivamente incumbida de constatar que, se sozinho o ser humano já encena para si mesmo um personagem, diante de uma câmera não há nada além de interpretação. Com o olhar de alguém sobre si, com a consciência da exposição pública da própria imagem, não há como não vestir um personagem. Não teríamos mais um número para a câmera nos momentos finais, compostos da própria (auto)crítica de Rouch e Morin? Um problematiza todos os conflitos não resolvidos no filme e no método de realização, o outro celebra esses conflitos como mobilizadores de uma continuidade do processo Morin afirma na frase final: "Estamos aqui para ter problemas". Sucinto. Encenações são pura problematização da imagem.

                                                 Edgar Morin e Jean Rouch

Nesse sentido, o cinema-verdade, oficialmente fundado por Rouch e Morin, estão em fina sintonia, na verdade muito ampla, com o cinema moderno. Temos nos dois casos uma disjunção dos elementos narrativos, a inserção de ruídos na produção de sentidos imediatos a partir da organização dos planos, o cinema se fazendo notar por meio da revelação do olho de quem dirige e, com essa articulação estilística, escancarando os artifícios ilusionistas para buscar outra forma de comunicação. O narrador onisciente é substituído pelo narrador em dúvida. No entanto, nesse paralelismo, em linhas gerais, há um paradoxo. Enquanto o cinema de ficção buscava a aproximação com a realidade, embora com outro estatuto, o cinema documental aproximava-se da ficção, mas sem querer organizar as atuações de seus atores, de modo a se extrair significações delas.

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