domingo, 12 de abril de 2015

BARRAVENTO - 1962

Barravento, 1962
Glauber Rocha
Classificação: Bom - 8.5

Formato: AVI
Aúdio: português 
Duração: 78 minutos
Tamanho: 911 Mb
Servidor: 1Fichier (Parte única)


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Parte única

SINOPSE
Numa aldeia de pescadores de xeréu, cujos antepassados vieram da África como escravos, permanecem antigos cultos místicos ligados ao candomblé. Firmino (Antônio Pitanga) é um antigo morador, que foi para Salvador na tentativa de escapar da pobreza. Ao retornar ele sente atração por Cota (Luíza Maranhão), ao mesmo tempo em que não consegue esquecer sua antiga paixão, Naína (Lucy Carvalho), que, por sua vez, gosta de Aruã (Aldo Teixeira). Firmino encomenda um despacho contra Aruã, que não é atingido. O alvo termina sendo a própria aldeia, que passa a ser impedida de pescar.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.3


ANÁLISE

“ Qual é a cultura da revolução? A incultura subversiva popular ou a cultura subversiva dos intelectuais ? ..... A cultura subversiva popular é uma incultura ? Não é um ato culto subverter o poder ?..... O povo ignorante que faz a revolução ? Mas quem dirige o povo no justo caminho revolucionário ?...”

Essa torrente de perguntas formuladas por Glauber Rocha numa obra projetada mas não concluída sobre a história do cinema, nos permite perceber como a ideologia revolucionária que incendiava as mentes e os corações dos jovens artistas na década de 60, estava também demarcando toda uma trajetória que seus filmes percorreriam durante esse período. Essa fase recente da história brasileira, que segundo Marcelo Ridenti (2000) é caracterizada por uma forte influência do que ele chama “romantismo revolucionário” , inicia-se nos anos 60 sob a estrela cultural do Cinema Novo, movimento no qual além de Glauber, outros cineastas como Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Ruy Guerra, Zelito Viana, Walter Lima Jr., Gustavo Dahl, Luiz Carlos Barreto, Eduardo Coutinho entre outros, defendiam posições politicamente à esquerda. O cinema estava na linha de frente da reflexão sobre a realidade brasileira, na busca de uma identidade nacional autêntica do cinema e do homem brasileiro, à procura de sua revolução. 

Glauber Rocha

O Cinema Novo pode ser incluído como uma das inúmeras manifestações políticoculturais desencadeada, entre outros fatores, pelo movimento iniciado pelo C.P.C. (Centro Popular de Cultura), entidade ligada à UNE (União Nacional dos Estudantes) que era formado por estudantes e intelectuais organizados em torno de um projeto revolucionário para o Brasil, baseado numa concepção marxista que procurava denunciar a alienação presente na cultura popular, e estabelecer então as bases para que uma arte revolucionária pudesse ser levada até o povo – tarefa essa de responsabilidade dos intelectuais comprometidos com a revolução – para que finalmente o povo pudesse conscientizar-se e assumir a luta revolucionária em nosso país. 

Essa concepção romântica que orientava artistas de todas as áreas, teve forte influência na primeira fase da obra de Glauber Rocha, e em toda essa discussão, era marcante a preocupação em resgatar e ir ao encontro de uma cultura popular “autêntica”, que pudesse ser o âmago e a inspiração de toda criação artística que se pretendesse revolucionária.  

O aguçado senso político de Glauber aliado ao seu vigor revolucionário e sua fabulosa criatividade, o transformaram num artista extremamente empenhado em fazer de sua obra, um aríete contra as injustiças sociais de seu país, além de demolir as formas tradicionais de se pensar e fazer cinema. Para isso, não hesitava em mostrar as feridas, a miséria, a violência como um grito desesperado por mudança e transformação. Dizia ele no manifesto intitulado Ezteyka da Fome: 

“Sabemos nós – que fizemos estes filmes feios e tristes, estes filmes gritados e desesperados onde nem sempre a razão falou mais alto - que a fome não será curada pelos planejamentos de gabinete e que os remendos do technicolor não escondem mas agravam seus tumores. Assim, somente uma cultura da fome, minando suas próprias estruturas, pode superar-se qualitativamente: e a mais nobre manifestação da fome é a violência”.

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