terça-feira, 12 de abril de 2016

O QUARTO DE JACK - 2015



Room, 2015, Legendado, Lenny Abrahamson.
https://youtu.be/E_Ci-pAL4eE
- Indicação da Semana -
Classificação: Excelente
Formato: AVI/Xvid

Áudio: Inglês

Legendas: Português

Duração: 1h58m

PG: 16

Tamanho: 759 Mb

Servidor: MEGA

Links:

Sinopse: Num pequeno quarto, bastante apertado, vivem Joy Newsome e seu filho Jack, de apenas cinco anos de idade. Presos há algum tempo, ele nasceu ali e não sabe nada sobre o mundo, nem mesmo imagina que ele realmente exista, pois tudo que ele conhece é esse pequeno quarto onde cresceu.
Fonte: Cineplayers


http://www.imdb.com/title/tt3170832/?ref_=fn_al_tt_1
  IMDB - Internet Movies Database: Nota Imdb 8.3



"Admirável mundo novo": Para resenhar esta narrativa, e com interessante visão sobre a obra de Abrahamson - já que é na sensível relação de realidade e pertencimento, com o espaço e um mundo intrinsecamente ligado à infância, a uma desconhecida realidade e por ser um tema tão difícil e com abordagem plena, enquanto a noção de espaço íntimo x realidade concreta se interpelam por um caminho, uma resposta, e um mundo de proporções abissais, cheio de novas estruturas: sociais, emocionais, lúdicas e principalmente no que refere-se à compreensão  de espaços físicos – é interessante para a visão peculiar do blog, ter na compreensão espacial e emocional de uma criança, a resenha de um profissional que habita entre os espaços, a vida e a noção de indentidade e, sobretudo, as emoções resultantes desta interação.

Resenha:
(Atenção, contém spoilers!)
O Quarto de Jack:

Por: Jaqueline Miranda Cardozo

“O quarto de Jack” possui um roteiro surpreendente e encantador que aborda muitas questões sociais, tendo como tema central a relação com o desconhecido. O filme inicia mostrando a vida do pequeno Jack e sua mãe, restrita à um minúsculo quarto. Jack é uma criança que acaba de completar 5 anos, fruto de abuso sexual que Joy sofre ao ser sequestrada e mantida em cativeiro por 7 anos, portanto não conhece nada do que existe no mundo além do quarto.

No quarto, Jack se sente como detentor do saber, aquele é o seu “mundo” e logo é exposto o que ele acredita ser o “real” e o “irreal”. Buscando manter a integridade mental do filho, Joy esconde a verdadeira situação em que se encontram, deixando o garoto acreditar que o mundo se restringe apenas ao que está dentro do quarto e o mantendo afastado do sequestrador, o qual Jack conhece por “O velho Nick”,  visto como um ser mágico que traz os presentes e alimentos, mas que por algum motivo deve ser temido.
            Quando Jack faz 5 anos, Joy decide lhe contar a “verdade” sobre o mundo e o que os mantém presos no quarto. “Não acredito no seu mundo fedorento”, a reação do garoto é de completa negação do desconhecido, demonstrando raiva e desespero ao saber que o seu “real” era em parte uma mentira, e a outra parte.. uma pecinha de um imenso quebra-cabeça. O barato do filme é ver que as reações de Jack são extremamente humanas. Quem não teria medo ao ser apresentado à uma realidade até então desconhecida? Imagine isso para uma criança de 5 anos. 
A reação do garoto é de completa negação do desconhecido, demonstrando raiva e desespero ao saber que o seu “real” era em parte uma mentira.
            Quando o clima ameniza, Jack fica curioso e cheio de dúvidas, enchendo sua mãe de perguntas. Joy com paciência as responde e logo traça um plano de fuga com o filho. O jogo de câmeras durante todo o filme é  sensacional, conseguindo transmitir ao telespectador as sensações das descobertas de Jack. Em especial, a cena da fuga lhe faz “viver” com o personagem, desde quando sua visão tem o primeiro contato com a luz natural direta, quanto a amplitude do espaço  que é sentida ao sair do quarto. Jacob Tremblay, ator que faz o papel de Jack, teve uma atuação impecável para o personagem.
O barato do filme é ver que as reações de Jack são extremamente humanas.

            Ao ser apresentado ao “mundo real” o roteiro vai além das descobertas de Jack e passa a abordar a adaptação tanto de Jack quanto de Joy, que encontra grande dificuldade para se adaptar novamente ao que conhecia, à retomada do tempo em que passou exclusa e diante das questões impostas pela mídia sobre suas decisões. Jack, por sua vez, se sai bem mas demonstra sentimento saudosista pelo quarto, visto como o seu lar, o local onde tinha domínio e se sentia seguro. “O quarto de Jack” é um filme que merece ser assistido pelos olhos de quem consegue observar nas pequenas coisas uma grande descoberta.




3 comentários:

  1. Belo trabalho, um osasis para os amantes da sétima arte. Assisti a esse filme, li o livro, e ainda ouço o Jack volta e meia "monstros são grandes demais pra existir". Nunca aprendi tanto com uma criança. Um abraço.

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    Respostas
    1. Agradecemos a visita e a postagem, amigo. Tudo neste post foi feito calmamente e por pessoas que se sensibilizaram da mesma maneira com o filme, do cativeiro ao clarão do mundo, o 'espanto'. Acompanhe sempre nossas postagens, postaremos sempre obras de igual valor.
      Abraço.

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  2. Caríssimo,
    Faço meu o comentário de Kleber, adiantando apenas que a leitura do livro antecedeu o filme, pois procurei adquirir a edição com capa original e não a 'recapada' com o poster do filme, que, a meu ver, é procedimento descarado.
    Obrigado pois por mais esta excelente escolha.
    E já agora, porque o quadro da pesquisa não está funcionando? Era para procurar por 'Temporário 12', que a meu ver mereceria também destaque, pois o tema é impactante e Brie Larson (a mãe de Jack) tem aí, uma prestação deveras memorável. Mas acabei contornando esse 'handicap' procurando pelo realizador (Destin Daniel Creton)e ele não consta, portanto...
    Saudações cinéfilas

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