domingo, 12 de junho de 2016

A LENDA DO PIANISTA DO MAR - 1998

La Leggenda del Pianista Sull'oceano, 1998
Legendado, Giuseppe Tornatore
Formato: mkv
Áudio: francês/inglês
Legendas: português
Duração: 2h 45 min.
Tamanho: 4,5 GB
Servidor: 1Fichier (2 partes)

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SINOPSE
Um garoto nasce em pleno alto-mar, ganhando o nome do ano em que nasceu: 1900. A criança cresce num mundo encantado de fortes ventos tempestuosos e cobertas balançando, conhecendo toda a existência disponível a seu toque nos confins do transatlântico em que nasceu. Já crescido, seu talento natural no piano chama a atenção da lenda do jazz Jelly Roll Morton, que sobe a bordo para desafiar 1900 para um duelo. Indiferente com sua súbita notoriedade, 1900 mantém uma fixação pelo mar, sendo sempre seduzido pelos sons do oceano.

Fonte: Filmow
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 8.1


ANÁLISE

"A Lenda do Pianista do Mar" ou "A Lenda de 1900" (tradução literal do título em inglês) é mais um excelente filme de origem italiana. Cada vez mais os filmes italianos me surpreendem, e apesar deste ser falado na língua inglesa, o seu diretor é italiano. Depois de mestres como Sergio Leone, Vittorio de Sica, Fellini e Roberto Rosselini, a Itália nos presenteia com outro magnífico diretor, Giuseppe Tornatore. E vou dizer mais, ele é o maior e melhor diretor italiano ainda vivo. Depois de sua obra prima "Cinema Paradiso" e antes de fazer seu ótimo "Malena", Tornatore havia feito esse maravilhoso A Lenda do Pianista do Mar, que só não digo que é seu segundo melhor, colado com "Cinema Paradiso", porque infelizmente só vi os três acima mencionados. Mas, dos que eu vi, dois deles estão entre os melhores filmes que eu já vi na minha vida. Sua visão é esplêndida e mais uma vez ele consegue emocionar a todos que assistem essa obra. Criativo e mesmo sendo uma obra com um roteiro adaptado, ele consegue com maestria transformar em um dos melhores filmes já feitos. Concordo que "Cinema Paradiso" é melhor, mas esse é tão fantástico quanto. Tornatore está tão à vontade ao dirigir o filme que parece que ele mesmo criou a obra, e de certa maneira o fez, deu vida e paixão a um filme que poderia ser extremamente cansativo. A condução do elenco e da câmera, além do estético, faz da produção uma forma de arte. E por que não classificar esse filme como arte? Mesmo sendo um drama magnífico, é também pura expressão de arte. Se um ser querendo se soltar e se expressar dignamente com um tom poético e lírico, isso não é arte?
Esse filme é uma maravilhosa obra que tem a mesma fórmula de "Cinema Paradiso", a história da vida de uma personagem contada por alguém próxima, e ao invés do assunto abordado ser o cinema, neste A Lenda do Pianista do Mar é a música e sua paixão por ela. Utilizando filosofia para explicar a personagem de Mil Novecentos (Tim Roth), Tornatore conseguiu dar vazão para lógica e para a racionalização humana, sendo o ápice do filme, a forma com que um mundo pode ser o mesmo, mas ser diferente apenas modificando o ponto de vista da maneira que bem entender, é assim que é feito o filme, como uma obra significativa e pensante para a humanidade. Infelizmente o filme faz parte o "circuito alternativo" (que nos premia cada vez mais com fantásticos filmes), não tendo tanta divulgação e tendo um público mais restrito. Nunca tirando o mérito de um dos filmes mais fabulosos da história do cinema. Com cenas antológicas, o filme conta uma história simples e até mesmo fantasiosa (por isso mesmo é uma "lenda"), pois é algo que raramente aconteceria, não importa que isso tenha ocorrido no começo do século passado. É sem dúvida algo que todos que tenham sensibilidade irão apreciar.
Mil Novecentos (Tim Roth) é um garoto encontrado no navio The Virginian, enquanto estava a bordo, por um engenheiro do navio, seu nome era Danny (Bill Nunn). Ao procurar objetos deixados pelos passageiros de primeira classe, ele encontra um garoto numa caixa que estava escrita "T.D. Lemon", assim Danny o pega para criar, pois sempre afirma que "T.D." significava "Tome, Danny." ("Thanks, Danny."), e assim ele o faz. O garoto cresce ao meio de carvão e caldeiras, e sempre obedecendo Danny, que o mandava nunca sair do barco e ficar escondido. Aos oito anos, Danny sofre um acidente e morre, deixando Mil Novecentos sozinho, e ele então começa a perambular pelo navio, e numa dessa acaba se encantando e aprendendo a tocar piano, virando um exímio pianista. Com uma exceção, desde de 1900 (ano de seu nascimento) até os dias atuais da história ele nunca sequer havia saído do navio, nunca tinha pisado em terra firma. A história é contada por um amigo dele, que com ele tocou, Max (Pruitt Taylor Vince).
Existem pelo menos três cenas que já vão entrar para história, cenas antológicas e líricas, certamente maravilhosas: a cena em que Mil Novecentos toca piano, no meio de uma tempestade, com o piano deslizando por todo o navio; no duelo entre Mil Novecentos e Jelly Roll Morton (Clarence Williams III); e quando Mil Novecentos vê pela primeira vez a garota nunca identificada, quando está gravando seu primeiro vinil.
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