domingo, 14 de setembro de 2014

GENTE DO PÓ - 1947

Gente del Po, 1947
Legendado, Michelangelo Antonioni 
Classificação: Excelente

Formato: AVI 
Áudio: italiano
Legendas: Pt-Br
Duração: 10 minutos
Tamanho: 130 MB
Servidor: 1Fichier (Parte única)

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Parte única

SINOPSE
Um dos filmes precursores do neo-realismo - Gente Del Po, documentário sobre uma das regiões mais miseráveis da Itália.

Fonte: Cineplayers
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 7.0


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terça-feira, 9 de setembro de 2014

A ALUCINAÇÃO DE ULYSSES - 1967

Ulysses, 1967
Legendado, Joseph Strick
Classificação: Bom

Formato: AVI 
Áudio: inglês
Legendas: Pt-Br
Duração: 132 minutos
Tamanho: 1,45 GB
Servidor: Firedrive (Parte única)

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Parte única

SINOPSE
Baseado no romance do escritor irlandês James Joyce, Ulisses foi uma das adaptações mais esperadas e polêmicas da tensa relação entre a literatura e o cinema. Diante de um desafio descomunal, Joseph Strick até certo ponto foi fiel ao magistral romance de Joyce, que conta, durante um único dia (16 de junho de 1901), as desventuras do judeu Leopoldo Bloom pelas ruas de Dublin, onde acompanhamos seu encontro com o poeta Stephen Dedalus (alterego do escritor, personagem principal de Retrato do Artista Quando Jovem) e suas preocupações com a mulher Molly. Mais de 40 anos depois de sua estréia, A Alucinação de Ulisses ainda carrega uma inequívoca aura de ineditismo, provocação e descoberta.

Fonte: Filmow
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 6.6


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domingo, 31 de agosto de 2014

SOUL KITCHEN - 2009

Soul Kitchen, legendado, 2009, Fatih Akin.
i

Classificação: Excelente
Formato: AVI Xvid (576x304)
Áudio: Alemão
Legendas: Português
Duração: 99 min.
Tamanho: 716MB
Servidor: MEGA (3 Partes)
Links:

Parte 1
Parte 2
Parte 3



Sinopse: Depois de sua namorada o trocar por um emprego em Shanghai, a vida de Zinos, jovem de origem grega, dono do restaurante Soul Kitchen, entra em crise e ele decide vender o estabelecimento. Nas três semanas antes de fechar as portas, mudanças repentinas começam a acontecer: o novo chef cozinha o que ele sempre quis fazer, um novo DJ agita o espaço levando os clientes a dançarem depois das refeições, artistas passam a exibir seus trabalhos - e todos estão gostando. Rumores sobre o cult Soul Kitchen se espalham por Hamburgo. Zinos percebe que é bobagem vender o restaurante, mas talvez seja tarde demais.

Fonte: Cineplayers
The Internet Movies Database - IMDB: Nota Imdb 7.3

Crítica:
Um grande diretor pode ser identificado pelo talento que ele demonstra ao narrar uma boa história envolvendo, para isto, o espectador com cada elemento que o cinema tem a oferecer em seu caldeirão de recursos. A filmografia que Fatih Akin vêm construíndo nos últimos 15 anos comprova que ele já pode ser enquadrado nesta categoria. Ainda que menos “conceitual” que seus filmes anteriores, Soul Kitchen segue demonstrando a vocação de Akin para contar histórias. Que aparentemente são simples, mas essencialmente belas, e que exploram os encontros e desencontros tão típicos da vida. Mais uma vez este diretor alemão de origem turca consegue, com maestria, conduzir o espectador pela mão com linhas de roteiro perfeitas, uma ótima condução de atores, cenas de beleza sutil e que demonstram fluidez, e uma trilha sonora intocável. Outra de suas obras contagiantes, não há dúvidas.
A HISTÓRIA: Zinos Kazantsakis (Adam Bousdoukos) dá o sangue em seu restaurante em um bairro operário de Hamburgo. Proprietário, gerente e “cozinheiro” do local, Zinos serve comidas de preparo rápido – a maioria delas, frituras. Para isso, ele tem uma clientela fixa e pequena. Depois de mais um dia de trabalho, ele vai até um restaurante chique da cidade para o jantar de despedida da namorada, Nadine Krüger (Pheline Roggan). No caminho, ele encontra um antigo colega do tempo do colégio, Thomas Neumann (Wotan Wilke Möhring). No restaurante, ele vê uma cena inusitada envolvendo o chef Shayn Weiss (Birol Ünel). No dia seguinte, Zinos recebe a visita de seu irmão, o presidiário Illias (Moritz Bleibtreu). Estes e outros encontros e desencontros na vida de Zinos ocorrem de maneira muito acelerada, mudando a sua rotina de maneira decisiva.
VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Soul Kitchen): Este filme de Fatih Akin quase pode ser considerado um exemplar perfeito de uma “comédia de erros”. Acelerada, com novos personagens aparecendo rapidamente sob os olhares atentos do espectador, a narrativa de Soul Kitchen vai agravando, colheirada por colheirada, a história de seu protagonista. Parece que a maré de “azar” de Zinos Kazantsakis não tem fim. E que o seu destino é realmente a sarjeta… mas, como nos filmes anteriores de Fatih Akin, é preciso estar atento aos detalhes. Porque por mais que as coisas parecem ir piorando na realidade de Zinos pouco a pouco, paralelo a isso surgem oportunidades e encontros promissores.
Fatih Akin tem um certo gosto por narrativas paralelas, encontros e desencontros e, principalmente, o peso que ele dá para as pequenas escolhas que a pessoa faz na vida. Como no perfeito Auf der Anderen Seite (comentado aqui no blog), em Soul Kitchen, novamente, os personagens principais são ao mesmo tempo “donos” e “vítimas” de seus destinos. O que o diretor e roteirista parece querer nos dizer sempre é que, por mais que a vida tenha a sua dinâmica e sua lógica próprias, nós também somos capazes de dirigí-la. Afinal, no “palco” das nossas vidas, somos atores fundamentais do nosso drama e da nossa comédia.
Em Soul Kitchen, cada pequena escolha, cada gesto do protagonista leva a um novo evento. Que pode ser problemático ou uma solução. Algumas vezes na história – como na vida real -, Zinos apenas reage ao que os acontecimentos lhe apresentam. Na interação com as outras pessoas, isso Fatih Akin gosta de ressaltar, é que se faz a existência. E mais uma vez, o roteiro do diretor, escrito ao lado do ator principal desta produção, Adam Bousdoukos, revela uma gama curiosa de personagens interessantes, ricos em suas vivências e histórias e que, ao se encontrarem e desencontrarem ao longo do tempo, provocam no público compaixão, risadas legítimas e alguns momentos de surpresa.
Um dos aspectos que eu achei mais curiosos deste filme é a forma com que Fatih Akin ressalta os “acidentes de percurso” e/ou os encontros inusitados que seus personagens vão tendo pelo caminho. Metade das relações do protagonista são, digamos assim, “previsíveis” – cito, nesta situação, seus encontros com o irmão, a garçonete Lucia Faust (Anna Bederke), o construtor de barcos Sokrates (Demir Gökgöl), o barman Lutz (Lukas Gregorowicz) e a namorada de Zinos. Mas outras relações, que acabam sendo decisivas para a história, acabam se desenvolvendo “por acaso”, como ocorre com o ambicioso e trapaceiro Thomas Neumann, o chef de cozinha Shayn e a massagista Anna Mondstein (Dorka Gryllus). São estas “novas aquisições” na vida de Zinos que acabam modificando a sua realidade de forma fundamental.
Assim, no nosso dia a dia, também nos encontramos com pessoas que podem alterar definitivamente a nossa realidade. Mas para que isso aconteça – e o diretor deixa claro em dois momentos “apaixonados” do filme -, é preciso que as pessoas estejam abertas a tudo de revolucionário que novos encontros podem nos trazer. Nem que estas “novidades” surjam apenas para reavaliarmos o que tínhamos e para onde queremos ir. O que Soul Kitchen e outros filmes de Fatih Akin ressaltam é que não há interação, um encontro verdadeiro entre duas pessoas que não resulte em uma realidade modificada.
Outra característica marcante deste diretor alemão é o de não evitar a dor, a perda e as “desgraças” da vida. Para ele, tão importante quanto a alegria e o amor, é o aprendizado, as oportunidades e os efeitos que as tragédias, as perdas e os danos têm nas histórias das pessoas. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Em Soul Kitchen, algumas vezes, parece que Fatih Akin sente um certo prazer mórbido em fazer os seus personagens passarem por maus bocados. Mas o curioso deste filme, mais do que em Auf der Anderen Seite, é que o diretor e roteirista revela, acima de tudo, uma mensagem de esperança, de alegria. Afinal, Soul Kitchen é, acima de tudo, uma história de amor. Feita de percalços, dores, desafios, mas uma história em que o amor, a generosidade e as convicções do protagonista não se perdem nunca. Um filme essencialmente esperançoso.









FESTA DE FAMÍLIA - 1998

Festen, 1998
Legendado, Thomas Vinterberg

Formato: AVI 
Áudio: dinamarquês/alemão/inglês
Legendas: Pt-Br
Duração: 105 minutos
Tamanho: 740 MB
Servidor: 1Fichier (Parte única)

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Parte única

SINOPSE
Patriarca (Henning Moritzen) de família dinamarquesa comemora seus 60 anos em grande estilo, reunindo a família em um hotel de luxo. Mas uma revelação feita por seu filho pode estragar a festa.

Fonte: Adorocniema
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 8.1


ANÁLISE

Festen (Festa de Família) é o Dogma nº1, o que significa dizer que é o primeiro filme feito segundo os mandamentos do Dogma 95, manifesto redigido por Thomas Vinterberg, diretor do filme, e por Lars Von Trier, diretor reconhecido internacionalmente, e que dirigiu o Dogma nº2, Os Idiotas. Os dez mandamentos do Dogma 95 (a música deve ser executada no momento da filmagem, não pode haver iluminação adicional à da própria cena, o nome do diretor não deve constar dos créditos do filme, etc.) e o voto de castidade que dele segue não devem ser considerados somente como uma religião ou como um mero argumento publicitário, nem como uma mistura dos dois. Implicam, ao contrário, um outro modo de fazer uso do cinema, um uso que transforme as relações que a realidade tem com a câmera, impregnadas pelo cinema comum de representação (não só hollywoodiano).

Thomas Vinterberg

E não é à toa que os temas escolhidos pelos dois diretores sejam por si só tão polêmicos. Pois um modelo radical de apreensão da realidade, um modelo totalmente antiburguês (as imagens ora são feias, ora tremidas, impedindo uma fruição ou algo como um acesso ao sublime) pede temas que, tal qual o Dogma estético, vão longe na experiência do espectador.
As primeiras imagens de Festen são de uma estrada. Vemos o jovem Christian a pé quando passa o carro de seu irmão Michel, acompanhado da esposa e de seus dois filhos. Eles vão para um casarão onde será realizada a festa de aniversário de 60 anos de seu pai, renomado profissional e maçom. E até o final do filme será uma estrada de mão única, já que ninguém poderá sair de lá. O isolamento e a imobilidade dão, como emÁlbum de Família, de Nelson Rodrigues, um caráter ontológico à família de Vinterberg. Não se trata daquela família, daquele pai e daqueles filhos, mas de uma família escandinava em geral.

Vemos inicialmente uma família bem-estruturada, bonita e bem-vestida, o pai deliberando e exigindo ("Michel deve se apresentar em cinco minutos"). A festa da família comemora sessenta anos da figura do pai, e do bom comportamento da família aos olhos da sociedade. No circuito maior, tudo ocupa o espaço que deve. Os filhos são bonitos e realizados, os pais pairam orgulhosos e cientes do cumprimento do dever, etc. Mas no circuito menor, as coisas não aparecem tão bem: Michel e a esposa brigam, ele tem uma amante que lhe demanda atenção, há algo a ser investigado no quarto da irmã morta.

Festa de Família se faz nessa luta entre menor e o maior, sendo que o menor tenta a todo momento fazer cair a hipocrisia do maior (e podemos ver nisso também uma metáfora da luta de classes quando os cozinheiros passam a ajudar a derrubar as falsas imagens do pai), o que acaba acontecendo quando, à mesa de jantar, Christian faz um discurso intitulado "Os Banhos do Papai", onde a representação maior da figura do pai cai por terra diante da acusação de que ele molestava os filhos. A partir daí, para o poder antigo (o pai, a mãe, o avô, o filho mais velho), a única forma de salvar a família é fazer calar a insolência do irmão mais novo, o que eles conseguem fazer até que uma outra carta, dessa vez vinda do além – da irmã morta –, anuncie novamente as atitudes do pai.

Se Festa de Família tem uma força radical, ela vai muito além do mero conteúdo do filme. Pois se o Dogma 95 tem uma função, é a de fazer uma nova apreensão do real, só que desvinculado de todo jogo de representação. E se os atores desempenham com extremo rigor, é para serem filmados com uma luz fraquíssima (o que em vários momentos faz com que a fotografia seja "desagradável") e com uma câmera que treme. E se o herói do filme é Christian, que acaba com a imagem do pai, é porque esse é exatamente o propósito dos mandamentos do Dogma: acabar com a imagem do pai que tem o cinema, ou seja, a representação burguesa, "artística", teatral, do século XIX, mas que infelizmente ainda vale para o século XX.

Análise retirada do site Contracampo

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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O SILÊNCIO DE LORNA - 2008

Le silence de Lorna, 2008
Legendado, Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne

Formato: AVI 
Áudio: francês/albanês/russo
Legendas: Pt-Br
Duração: 105 minutos
Tamanho: 1,45 GB
Servidor: 1Fichier (Parte única)

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Parte única


OBS: A legenda em PT-Br está disponível na pasta "subs". Basta copiá-la para a pasta onde está localizado o filme e colocar o filme com o mesmo nome da legenda. 


SINOPSE
Lorna (Arta Dobroshi) deseja se tornar sócia em uma lanchonete, junto com seu namorado. Envolvida em um esquema, aceita se casar com Claudy (Jérémie Renier), um dos capangas do mafioso Fábio (Fabrizio Rongione), apenas para adquirir a nacionalidade belga. Após certo tempo ela é obrigada a mais uma vez se casar, desta vez com um mafioso russo. Só que para que este novo compromisso seja selado, Lorna precisa matar Claudy.

Fonte: Adorocinema
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 7.1

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domingo, 17 de agosto de 2014

O SACRIFÍCIO - 1986

Offret, 1986
Legendado, Andrei Tarkovsky

Formato: AVI 
Áudio: sueco/francês/inglês
Legendas: Pt-Br
Duração: 142 minutos
Tamanho: 1,45 GB
Servidor: Mega (Parte única)

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Parte única

SINOPSE
Alexander, um jornalista e ex-ator e filósofo, diz ao filho pequeno como ele está preocupado com a falta de espiritualidade da humanidade moderna. Na noite de seu aniversário, a terceira guerra mundial irrompe. Em seu desespero Alexander transforma-se em uma oração a Deus, oferecendo seu tudo para que a guerra não tenha realmente acontecido.

Fonte: Filmow
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 8.1


ANÁLISE

O Homem Moderno
“Aprender a amar a solidão. Ficar mais
sozinho consigo mesmo. O problema com
os jovens é a preocupação com as turbulentas e
agressivas ações para não se sentirem sozinhose isso é uma coisa triste. O indivíduo deve
aprender a ser como uma criança, o que não
significa estar sozinho. Significa não se
aborrecer consigo mesmo
. O que é um indício
muito perigoso, quase uma doença “ (1)

Por que esta necessidade de nos afastar absolutamente dos momentos de introspecção? Por que silêncio se tornou sinônimo de incomunicabilidade e sofrimento? Em O Sacrifício (Offret, 1985), Andrei Tarkovski, nos dá algumas pistas. O núcleo deveria ser a história de como o herói, Alexander, iria se curar de um câncer fatal graças a uma noite passada com uma feiticeira. Tarkovski estava preocupado com o tema da harmonia que nasce apenas do sacrifício, da dupla dependência do amor.


 Andrei Tarkovsky nas filmes de "O sacrifício"

Entretanto, sua concepção sobre o assunto é um pouco diferente da média. Não se trata de amor mútuo, segundo Tarkovski, o amor só pode ser unilateral! “Se não houver entrega total, não é amor” (2). Tarkovski está preocupado em saber se o indivíduo pode ultrapassar interesses egoístas e uma visão de mundo materialista. Seu filme mostra sua busca por um indivíduo capaz de sacrificar a si mesmo e seu modo de vida, sem se importar em nome de que esse sacrifício é realizado.

Alguém que, enfim, estivesse para além dos conceitos utilitários que passaram a dominar nossas vidas. Para além do consumismo cego, em direção a uma responsabilidade espiritual. Um caminho que, além da salvação pessoal, aponte para a salvação da sociedade. “Em outras palavras: voltar-se para Deus” (3). Somente numa vida espiritual equilibrada, sugere Tarkovski, o indivíduo poderá se aproximar do estado em que pode ser responsável pela sociedade. “Este é o passo que se transforma num sacrifício, no sentido cristão de auto-sacrifício”. O Sacrifício conta a história de alguém cuja dependência em relação aos outros o leva à independência e para quem o amor é simultaneamente a suprema servidão e a máxima liberdade.



Mas Tarkovski reconhece que, em sua maior parte, a humanidade não está preparada para negar a si mesma e seus interesses pelo em de outras pessoas ou em nome de algo Maior. “Reconheço que a idéia de sacrifício, o ideal cristão do amor ao próximo, não desfruta de popularidade – e que ninguém pede auto-sacrifício. Este é encarado como idealista e pouco prático”.
Tarkovski insiste em chamar atenção para o que ele chama de erosão da individualidade pelo egoísmo e dá um exemplo do excesso de importância que se dá aos interesses materiais. Quando sentimos ansiedade, depressão ou desespero procuramos um psiquiatra ou um sexólogo. Eles assumiram o lugar do confessor. Pagamos por seus serviços. Quando sentimos necessidade de sexo, pagamos por isso também. De acordo com Tarkovski, fazemos isso mesmo sabendo que o dinheiro poderá comprar aquilo que precisamos.
O filme não é apenas uma parábola sobre o sacrifício, mostra também a historia de alguém que foi salvo. De alguém que se curou num sentido mais amplo, não apenas de uma doença física fatal, mas que também alcançou uma regeneração espiritual. O filme, afirmou Tarkovski, se transformou numa parábola poética e sua estrutura se tornou mais complexa. Alexander, um ator que abandonou os palcos, está esmagado pela depressão. Tudo o cansa: as pressões da mudança, a discórdia na família, sua percepção da ameaça que representa o progresso da tecnologia. Alexander passou a odiar o vazio do discurso humano, adotando um voto de silêncio.

O Voto de Silêncio

“Quando o homem nasce ele é fraco e flexível, quando morre é
forte e rígido. (...) A fraqueza e a
flexibilidade exprimem o frescor
da existência. Aquele que

endureceu não vencerá”

Lao Tse

Não é possível saber se a ameaça de guerra nuclear não passa de uma alucinação de Alexander. Tarkovski força o público a procurar as conclusões dentro de si. Alexander volta-se para Deus em oração, rompe com sua vida passada, destruindo sua casa e separando-se do filho que tanto ama. Fecha-se em silêncio, constatando a desvalorização das palavras no mundo moderno. Para religiosos, a resposta de Deus à pergunta, “o que fazer para evitar um desastre nuclear?”, seria volta-se para Deus. Outros enxergariam Maria como o centro do filme. De acordo com Tarkovski, “nenhuma dessas reações tem qualquer relação com a realidade apresentada no filme” (4).


Em relação à religiosidade de Tarkovski, Michel Chion chama atenção para a surpreendente superposição (mas não uma fusão) entre cristianismo e o pensamento mágico. Uma superposição “perfeitamente ambígua” entre a concepção cristã e um fundo de feitiçaria pagã – em vários momentos de sua obra Tarkovski mostra corpos levitando, mas isso ocorre tanto no paganismo quanto no cristianismo. Por um lado, Alexander se dirige ao Deus Pai para afastar a guerra. Por outro, seguindo um conselho, ele passa a noite com uma feiticeira (duas precauções valem mais do que uma!). Entretanto, quando Tarkovski fala de seu filme, ele usa o discurso cristão, espiritualista, calando-se em relação à magia e as forças obscuras (5).

Mas a fé para Tarkovski é uma aventura, um risco. Em Tarkovski, ainda de acordo com Chion, a fé não leva ao pertencimento a nenhuma comunidade ou a participação em rituais (missas, comunhão, etc.). Ela não é uma segurança, mas um compromisso solitário, uma aposta “louca”. Mas “loucura” aqui tem um sentido muito específico. Alexander alcança a liberdade, mas demonstra isso através de um ato considerado “louco”: se calar e queimar sua casa (a cena foi filmada duas vezes devido a problemas técnicos). Segundo Chion, o final de O Sacrifício sugere também que a paternidade tornou-se impossível. Se a palavra do pai não conta mais, então que contém com seu silêncio.

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