segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A cor do paraíso

RANG-E-KHODA, 1999
Legendado, Majid Majidi

Classificação: Excelente

Formato: AVI (DVD-Rip)
Áudio: persa
Legendas: português
Duração: 86 minutos
Tamanho: 685 MB
Servidor: Megaupload (3 partes)

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SINOPSE
A Cor do Paraíso narra a comovente história de Mohammad, um menino cego que mora numa escola para deficientes visuais e que, nas férias, volta para seu vilarejo nas montanhas, onde convive com as irmãs e sua adorada avó. O pai, que é viúvo, se prepara para casar novamente. Mohammad é um garoto muito vivo, que tem uma enorme sensibilidade. Seu jeito simples de "ver o mundo" é uma lição de vida. 
Dirigido por Majid Majidi, o mesmo do consagrado Filhos do Paraíso. 



The internet movie database: IMDB














































































































domingo, 5 de dezembro de 2010

Hana - bi - Fogos de artifício

HANA-BI, 1997
Legendado, Takeshi Kitano


Classificação: Bom
Formato: AVI (DVD-Rip)
Áudio: japonês
Legendas: português
Duração: 103 minutos
Tamanho: 1,35 GB
Servidor: Megaupload (6 partes)

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SINOPSE
 Nichi é um policial cujo melhor amigo foi emboscado pela máfia e cuja mulher tem uma doença terminal. Ele quer vingar o amigo e também viajar com a mulher para aliviar seu sofrimento. Duelam incessantemente seu caráter violento e seu lirismo incrivelmente humano, enquanto o mundo ideal conflita com o mundo real. Vencedor do Leão de Ouro na categoria Melhor Filme.

The internet movie database: IMDB

Crítica

Hana-Bi é um dos raros filmes que se vê como quem está diante de uma obra única, feita com todo o rigor possível, com todos os seus elementos – seja cênicos, dramáticos ou imagéticos – relacionando-se a cada instante. Ou seja, vê-se Hana-Bi como quem está ouvindo uma excepcional peça sinfônica. Nessa peça, Takeshi Kitano consegue não só dar conta do universo violento de seus filmes de policial (Violent CopSonatine), como também consegue incorporar nele todo o olhar esperançoso/melancólico/juvenil de Volta às Aulas (que também tem o nome de Juventude Perdida) e Cenas de Praia.

Em Hana-Bi, os mortos têm tanta importância quanto os vivos. A filhinha do policial Nishi (interpretado por Takeshi Kitano) e de Miyuki, sua esposa, está morta, e a própria Miyulki carrega consigo uma doença fatal, incurável (leucemia, diz um policial amigo de Nishi). De outra parte, Horibe, policial parceiro de Nishi, perde o uso das pernas quando é alvejado por um yakuza e passa a ser renegado pela mulher e pela filha, e vai isolar-se numa casa à beira da praia. Kitano vai observar as vidas desses três seres quase mortos, populados pela morte em mais de um sentido, para tentar alçá-los a mais um bocado de vida.


Nishi é o personagem principal da história. O filme funciona a partir dele, é ele o fio condutor que une toda a narração. Um incidente primordial, acontecido antes da história que Kitano nos mostra, parece dominar seus pensamentos: num shopping, em um tiroteio – que sempre vemos fragmentadamente, sem som e em câmara lenta – Nishi se atraca com um yakuza e outros dois policiais vêm em seu apoio. Um morre e outro é ferido. Como em uma sinfonia, esse é o motivo geral do filme, dando o tom para o clima desesperançoso e violento que o filme terá até seu final.
Hana-Bi trabalha sobretudo com duas metáforas-guias: os fogos de artifício e as flores. De fato, os dois são belos, mas de uma beleza fugaz, fugidia. Takeshi Kitano faz uso dessas imagens para associá-las a seus personagens. Através dos olhos de Kitano, podemos ver a beleza se esvaindo dos vivos, causando extremo desgosto a Nishi, aquele que vai até o fim lutar contra o apagamento da beleza. É ele quem vai restituir a vida a Horibe, presenteando-o com um kit de desenho, que será então seu refúgio; é Nishi que acompanha a sua esposa moribunda tentando fazer com que lhe valham todos seus minutos restantes; e por fim é ele que se responsabiliza pela ex-esposa do policial que morreu em seu lugar. Mas que não se pense que existe nele a mínima esperança da vida ganhar no final: ele sabe disso e espalha seu inconformismo pelas mais inocentes vítimas, como os jogadores debaseball ou a menina da pipa.


Mas o que mais impressiona em Hana-Bi é a lógica de Kitano para a felicidade. Sempre que vemos duas pessoas ocupando o mesmo plano, por mais triste que ele seja, estamos recompensados. Jamais o contrário. A lógica da dupla é o que mais emociona nesse filme: Nishi/Miyuki, Horibe/pintura, o dono do ferro velho e sua ajudante drogada, os dois jovens policiais e até mesmo os dois moleques que Nishi encontra em duas oportunidades. Questão, logo, de montagem: é nesse aspecto tido como puramente técnico que Kitano vai-se mostrar mestre de cinema. Pois um cinema que é, acima de tudo, guiado pela ternura (por mais violência que se veja na tela, o que sobressai é sempre a ternura) não pode ter o olhar espetacular, o olhar do metre de cerimônias. Kitano sempre dá preferência aos personagens relativamente à ação.


Questão de olhares, pois. Kitano fala que só existem dois olhares, o da criança e o da violência. Ao comer uma maçã, a criança olha para a maçã; o adulto olha para outro lugar. Esse lugar, para Kitano, é a violência. E Hana-Bi é o eterno embate entre a infância, que é a beleza da vida (representada pelos momentos de felicidade conjugal ou pelos desenhos de Horibe) e apresenta-se sempre a dois, e a violência que joga uns contra os outros e tenta sempre acabar com a vida. Hana-Bi é uma dificílima peça sinfônica interpretada pelas mãos de uma criança.

Crítica retirada de Contracampo



 

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

La soufrière

LA SOUFRIÈRE, 1977
Legendado, Werner Herzog


Classificação: Excelente

Formato: AVI (DVD-Rip)
Áudio: inglês/francês
Duração: 30 min.
Tamanho: 213 MB
Servidor: Megaupload (parte única0


LINK
http://www.megaupload.com/?d=ELEPP5ES


SINOPSE

Na ilha de Guadalupe, um vulcão, outrora adormecido, está prestes a entrar em erupção enquanto, em seu entorno, um velho homem resiste em se deslocar de lá. A câmera de Herzog perpassa os espaços vazios, perambula, tal qual um fantasma, por ruas não menos fantasmagóricas de um lugar fadado ao desaparecimento. Herzog, em off, narra e observa as ruínas de um lugar em processo de finitude.

The internet movie database: IMDB

Paul Cronin: Eu sempre achei La Soufrière, filmado em uma ilha do Caribe prestes a explodir, um dos seus filmes mais interessantes. O filme tem uma espécie de profundidade ridícula e bizarra com as cenas de você e o cameraman Ed Lachman and Jorg Schmidt-Reitwein correndo das nuvens gases tóxicos, que flutuavam pela encosta da montanha enquanto você espera por esta "catástrofe final."

Herzog: Há certamente um elemento de auto-ironia no filme final. Tudo isso parece tão perigoso e predestinado à destruição que, em última análise, acaba em uma completa banalidade. Isto é bom, eu tinha de aceitá-lo como ele era, e é claro, em retrospecto, eu tenho que agradecer a Deus de joelhos por não ser o contrário. É um bom trabalho o filme perder o seu clímax potencialmente violento. Na verdade, teria sido ridículo ser destroçado por um vulcão e perder dois amigos.
Para La soufrière, uma vez que nós não sabíamos se a ilha estava prestes a ser explodida por um vulcão, cada um de nós teve que fazer sua própria decisão. Assim que eu ouvi a iminente erupção vulcânica, que a ilha de Guadalupe foi evacuada e que um camponês havia se recusado a sair, eu sabia que queria ir falar com ele e saber que tipo de relacionamento para com a morte ele tinha. Eu imediatamente liguei para um empresário de televisão, com quem tive uma relação de trabalho que remonta ao filme O grande êxtase do escultor Steiner. Eu realmente precisava falar com ele, porque se o filme não fosse filmado rapidamente tudo poderia estar perdido. O vulcão explodiria e o filme estaria morto. No momento em que liguei ele estava em reunião, então eu perguntei a seu assistente se ele poderia arrastá-lo para fora de lá por apenas um minuto, não importando onde ele estivesse, o que ele estava fazendo ou quão importante era as pessoas com quem ele estava reunido. 'Diga a ele que Herzog preciso falar com ele por um minuto'. Eu acho que em cinquenta segundos eu expliquei a situação e ele disse: 'Basta sair daqui e fazer o filme.' E eu disse: 'Como fazemos o contrato?'. Tudo o que ele disse foi: 'Volte vivo e faremos o contrato'. E ele foi embora, tão simples quanto isso. E nós fizemos o contrato com nosso retorno. Deixe-me dizer o nome do cavalo e do cavaleiro: Manfred Konzelmann.

Retirado e traduzido de Herzog on Herzog