quinta-feira, 18 de setembro de 2014

AS FÉRIAS DO SENHOR HULOT - 1953

Les vacances de Monsieur Hulot, 1953
Legendado, Jacques Tati

Formato: AVI 
Áudio: francês/alemão/inglês
Legendas: Pt-Br
Duração: 85 minutos
Tamanho: 676 MB
Servidor: 1Fichier (Parte única)

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Parte única

SINOPSE
Mr. Hulot (Jacques Tati) decide passar férias num hotel próximo a um balneário francês, mas acidentes e confusões insistem em acontecer onde quer que ele vá. O bem-intencionado Hulot acaba com a paz do local e impede o descanso dos demais hóspedes, provocando uma onda de catástrofes.

Fonte: Adorocinema
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 7.6


ANÁLISE

Nosso querido Hulot

Se o meio do cinema é a realidade física como tal, torna-se desafiador filmá-la sem pré-estilização mas de modo a obter um resultado com estilo. Por mais que mobilize um variado repertório de elementos pró-fílmicos (figurino, iluminação, maquiagem), Jacques Tati filma o espaço exatamente como este se apresenta previamente. E seus filmes, no entanto, estão impregnados de uma marca pessoal inconfundível, que abarca desde a caracterização do inesquecível Sr. Hulot, eternamente desajeitado e bem-intencionado, até as incontáveis piadas sonoras e os recorrentes comentários cômicos sobre a múltipla relação estética/funcionalidade do modo de vida moderno - incluindo sua arquitetura, seu ritmo, seu design, sua hierarquia de valores (nada raros sãos os personagens de Tati que se perdem em longas exposições sobre seus objetos de consumo ou de interesse).

Jacques Tati

As comédias de Jacques Tati não excluem um perfil de crônica sentimental, quer se trate da região de veraneio de As Férias do Sr. Hulot, quer se trate da vida automatizada e paradoxalmente caótica na grande cidade de Playtime e Trafic. É admirável a riqueza de sua construção de atmosfera, de um sentimento de tempo indissociável do espaço que o recepciona. Assim sendo, a ambiência experimentada em As Férias do Sr. Hulot é típica de um local de praia, com seu andamento produzido pela alternância entre situações extremamente movimentadas e longos marasmos. Da mesma forma como nos filmes de Tati o tempo é capturado quase que em estado "natural", à diferença do tempo abstrato construído pela decupagem clássica, o espaço é preferencialmente mantido em integridade física e constitutiva. Sua predileção por planos abertos e sua magistral utilização do formato panorâmico, como em Playtime, confirmam o interesse pela representação do espaço conservando não só sua condição original, mas também sua especificidade material e rítmica. Playtime joga com a transparência dos edifícios e com o vai e vem e a simultaneidade das ações cotidianas tão-somente porque a arquitetura e a vida modernas assim o permitem. E As Férias do Sr. Hulot já começa com os desencontros entre trem e passageiros porque tal jogo é suscitado pela própria organização do espaço na plataforma de embarque. A estilização do mundo pela mímica.

A maleabilidade do corpo e a preservação da continuidade sensível do espaço cômico (sempre a relacionar os personagens com o meio, as pessoas e os objetos circundantes), no cinema de Tati, traduzem mais do que a filiação a regras básicas da comédia cinematográfica: carreiam, a exemplo da manipulação da atenção do espectador através do uso criativo do som (como na magnífica cena do pingue-pongue), uma extraordinária pesquisa, embora sutil, das possibilidades de linguagem. A prova da consistência desse trabalho está nos ecos que ainda provoca no cinema contemporâneo, seja na obra do cineasta taiwanês Tsai Ming-liang, seja em algumas cenas protagonizadas pelo ator Bill Murray (de clássicos como Feitiço do Tempo e Nosso Querido Bob) no recente Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola.

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