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quinta-feira, 9 de maio de 2013

TRONO MANCHADO DE SANGUE - 1957

Kumonosu-jô, 1957
Legendado, Akira Kurosawa

Classificação: Excelente

Um olhar oriental sobre Shakespeare

O profundo conhecimento que Kurosawa demonstrava ter da obra trágica de William Shakespeare torna-se evidente nas suas três realizações:Trono manchado de sangue (Kumonosu-jô, 1957), baseada na peça Macbeth; Ran (1985), baseada na peça Rei Lear e Homem mau dorme bem (Warui yatsu hodo yoku nemuru, 1960), uma retomada da peça Hamlet.
Provavelmente Kurosawa adaptou em primeiro lugar a peça Macbeth por ser seu “Shakespeare preferido”, segundo o estudioso Donald Richie. Para criar sua adaptação fílmica da peça shakespeariana, Kurosawa demorou alguns anos a mais do que pretendia. Segundo as próprias palavras do diretor: “Ao terminar Rashômon, eu queria fazer algo com Macbeth, mas justamente naquela época foi noticiada a versão de Orson Welles e, portanto, adiei a minha”.

Durante o período que decorreu entre o término de Rashômon e as filmagens de Trono manchado de sangue, o diretor pôde amadurecer suas idéias. Ao transpor a tragédia shakespeariana para o feudalismo japonês, Kurosawa empreendeu algumas escolhas como a transformação do protagonista em um valoroso samurai no início do filme. Trono manchado de sangue retrata um enredo produzido com nuances tão dramáticas e de uma complexidade humana tão intensa que são comparáveis às de Shakespeare, embora pouco ou nada do texto original da peça esteja presente nas falas dos personagens dentro do filme. O mérito do filme é ter alcançado êxito ao re-trabalhar, de uma maneira radical, uma peça shakespeariana para a grande tela sob o prisma de uma cultura e história não-ocidentais. Este filme faz parte da categoria de filmes autorais, ou seja, ele expressa uma visão muito particular da tragédia shakespeariana da qual partiu.

Considerado por muitos uma verdadeira obra-prima e uma adaptação brilhante da obra de Shakespeare, é como foi dito pelo Prof. Fernando Ferreira, PUC-Rio:

“Eu acho que ninguém fez cinema baseado em Shakespeare de forma mais autêntica do que Kurosawa. Ele não se preocupou em reproduzir a essência literária dessas obras porque, na cabeça de Kurosawa, isso era o menos importante, era a linguagem específica daquele autor. A linguagem específica de Kurosawa era cinema e essa linguagem não podia estar dominada pelo antecedente que o inspirou.”

TRONO MANCHADO DE SANGUE – 1957


Título Original: Kumonosu-jô
Título em inglês: Throne of Blood
Direção: Akira Kurosawa
Roteiro: Shinobu Hashimoto, Ryûzô Kikushima, Akira Kurosawa e Hideo Oguni, baseado em peça de William Shakespeare
Produção: Sôjirô Motoki e Akira Kurosawa
Gênero: Drama/Guerra/Fantasia/Suspense
Origem: Japão
Ano: 1957
Música: Masaru Satô
Fotografia: Asakazu Nakai
Edição: Akira Kurosawa:
IMDB - 8.1/10


Sinopse
Trono Manchado de Sangue adapta a obra Macbeth, de Shakespeare, para o Japão Feudal de maneira brilhante, e conta a história de Washizu e Miki, dois valentes samurais que, em regresso aos seus domínios depois de uma batalha vitoriosa, encontram no caminho o espírito de uma misteriosa senhora que prediz o futuro de ambos. A partir deste fato Washizu, influenciado por sua esposa Asaji, se vê imerso numa trágica e sangrenta luta pelo poder.


Informações do Arquivo
Formato: AVI
Qualidade: DVDRip
Áudio: Japonês
Legendas: Português/BR
Duração: 110 min
P/B
Servidor Mega: (2 partes)


LINKS

Parte 1
Parte 2


Elenco
Toshirô Mifune - Taketori Washizu
Isuzu Yamada - Lady Asaji Washizu
Takashi Shimura - Noriyasu Odagura
Akira Kubo - Yoshiteru Miki
Hiroshi Tachikawa - Kunimaru Tsuzuki
Minoru Chiaki - Yoshiaki Miki
Takamaru Sasaki - Kaniharu Tsuzuki
Takeshi Katô - Guarda
Chieko Naniwa - Velha mulher fantasma
Kokuten Kodo - Comandante
Eiko Miyoshi - Velha Mulher do Castelo
Kichijiro Ueda - Trabalhador de Washizu
Nakajiro Tomita - Segundo Comandante 



quarta-feira, 8 de maio de 2013

PSICOSE - 1960

Psycho, 1960
Legendado, Alfred Hitchcock

Classificação: Excelente

Formato: AVI
Áudio: inglês
Duração: 109 min.
Tamanho: 700 MB
Servidor: Mega (parte única)

LINK

SINOPSE
Marion Crane é uma secretária (Janet Leigh) que rouba 40 mil dólares da imobiliária onde trabalha para se casar e começar uma nova vida. Durante a fuga à carro, ela enfrenta uma forte tempestade, erra o caminho e chega em um velho hotel. O estabelecimento é administrado por um sujeito atencioso chamado Norman Bates (Anthony Perkins), que nutre um forte respeito e temor por sua mãe. Marion decide passar a noite no local, sem saber o perigo que a cerca.

Fonte: Adorocinema
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 8.6


ANÁLISE
Nada mais há para ser dito de novidade a respeito de “Psicose” (Psycho, EUA, 1960). O filme de Alfred Hitchcock não precisa de defesa; é o cinema em estado de perfeição absoluta. “Psicose” já foi esquadrinhado tão milimetricamente, por tantos e tão qualificados especialistas, que não esconde mais nenhum segredo. Pouca gente ousa discordar de que o filme definiu, em 1960, um novo rumo para o cinema de suspense/terror, tornando-se responsável pela explosão do gênero slasher (“Sexta-feira 13”, “A Hora do Pesadelo”), um dos mais lucrativos da indústria do cinema.
Alfred Hitchcock
É interessante perceber que Hitchcock já sabia, desde o início do planejamento de “Psicose”, que estava produzindo um filme de baixo orçamento. Ele comprou os diretos o romance de Robert Bloch, que inspirou a trama, por meros U$ 9 mil, e apresentou um orçamento de apenas U$ 800 mil à Universal. Para poupar tempo e dinheiro, deixou de trabalhar com a cara equipe que utilizava no cinema para utilizar os técnicos que produziam, quase que a toque de caixa, o programa semanal que apresentava na TV norte-americana.
Hitchcock só não abriu mão de gastar tempo e dinheiro com aquela que se tornaria uma das mais famosas (e copiadas) seqüência da história do cinema: o assassinato de Marion Crane (Janet Leigh) no chuveiro. Na verdade, o diretor estruturou todo o filme ao redor desses célebres 45 segundos; por perceber a importância estilística da cena, Hitchcock não hesitou em reservar uma semana inteira para a filmagem dos 70 planos que compõem a cena. Ela foi, também, responsável por uma decisão fundamental do ponto de vista do estilo. O cineasta achou que a seqüência ficaria violenta demais se fosse filmada em cores, e decidiu fazer “Psicose” inteiro em preto-e-branco.
A cena de chuveiro é, sem trocadilho, o divisor de águas no filme. Antes dela, a platéia acredita estar assistindo a uma típica história de crime e castigo. Marion Crane, a aparente protagonista, é uma ladra. Ela acaba de roubar US$ 40 mil do cofre do patrão e fugir de Phoenix (Arizona) para ir morar com o namorado. No caminho, contudo, tem que parar num motel de beira de estrada para fugir de uma tempestade. Marion é atendida pelo simpático e tímido Norman Bates (Anthony Perkins, em interpretação inesquecível) e se arrepende do roubo; decide dormir lá mesmo e voltar com a grana no dia seguinte. Vai então tomar um banho – para lavar os pecados, talvez? É o último banho que tomará na vida.
O assassinato de Marion foi um verdadeiro choque para a platéia, pois era uma completa ousadia narrativa. Quase uma hora após o filme, o espectador finalmente percebe que o filme não é sobre o roubo de US$ 40 mil, mas sobre um psicopata de identidade desconhecida que mata hóspedes no sinistro Bates Motel. Antes de Hitchcock, nenhum cineasta jamais apresentara o assunto principal de um filme de maneira tão tardia, e de forma tão impressionante.
Não foram poucos os espectadores que desmaiaram ou berraram de medo durante as exibições de “Psicose”, nos cinemas da época. A seqüência da morte de Marion continua a ser um dos melhores exemplos de edição que um cineasta pode oferecer a seu público. Observadores atentos devem perceber que câmera de Hitchcock jamais mostra a faca usada no crime tocando o corpo de Janet Leigh. Toda a suposta violência da cena foi conseguida sugerindo, e não mostrando, o acontecimento. Isso é cinema no maior nível de qualidade que possível de se obter.
O restante do filme se dedica a mostrar a investigação sobre o desaparecimento de Marion, conduzida pela irmã Lila (Vera Miles) e por um detetive particular contratado por ela, Milton Arbogast (Martin Balsam). Antes do final, outro choque de alta voltagem ainda aguarda a platéia – a revelação da verdadeira identidade do assassino. Ele acontece em outra seqüência antológica, dessa vez não tão estilizada, mas igualmente impactante. Se em pleno século XXI “Psicose” ainda assusta, em 1960 o filme deixava a platéia grudada na cadeira e suando frio.
Em grande parte, os efeitos pretendidos por Hitchcock foram auxiliados por uma estratégia de marketing absolutamente genial, algo que o impecável DVD do filme, lançado pela Universal, ajuda a esclarecer. No trailer utilizado para apresentar a obra (7 minutos), Hitchcock aparece no banheiro limpo: “Já limparam tudo, mas vocês não acreditariam na quantidade de sangue que havia aqui”. Essa foi a primeira parte da estratégia – aguçar a curiosidade do espectador para a seqüência-chave da película. A segunda parte da estratégia consistiu em esconder a identidade do assassino a todo custo. Para isso, Hitchcock chegou a divulgar, nos jornais da época, os nomes dos atores que estavam fazendo testes para interpretar o papel do serial killer do Bates Motel.

Análise retirada do site cinereporter
















terça-feira, 7 de maio de 2013

A MÚSICA SEGUNDO TOM JOBIM - 2012

A música segundo Tom Jobim, 2012
Nelson Pereira dos Santos

Classificação: Bom

Formato: AVI 
Áudio: português
Duração: 84 min.
Tamanho: 1,36 GB
Servidor:  Mega (2 partes)

LINKS

SINOPSE
Documentário sobre um dos maiores nomes da música brasileira, Antônio Carlos Jobim. Dirigido por Nelson Pereira dos Santos e por Dora Jobim, o filme mostra a trajetória musical do compositor de clássicos como "Garota de Ipanema", "Chega de Saudade" e "Águas de Março". Abordará a parceria com Vinicius de Moraes e a influência da música clássica em sua obra.

Fonte: Adorocinema
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 7.6


sexta-feira, 3 de maio de 2013

IMPORTAR-EXPORTAR - 2007

Import-export, 2007
Legendado, Ulrich Seidl

Classificação: Excelente

Formato: AVI 
Áudio: alemão
Legendas: português
Duração: 141 min.
Tamanho: 1,36 GB
Servidor:  Mega (2 partes)

LINKS
Parte 1

SINOPSE
Importação: Olga, jovem mãe e enfermeira ucraniana, é uma mulher de ambições. Em busca de melhores oportunidades na vida, ela abandona sua cidade e parte para a Europa Ocidental. Na Áustria, consegue um bom trabalho como governanta. Mas é demitida e acaba tornando-se faxineira de um hospital geriátrico. Exportação: Paul é um segurança desempregado em Viena, sem qualquer perspectiva de vida. Um dia, ele embarca com seu padrasto numa viagem rumo ao leste, até chegar na Eslováquia, onde trabalha instalando máquinas de apostas.

Fonte: Cineplayers
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 7.0



ANÁLISE

O filme "Import Export", que integrou a mostra competitiva do 60º Festival de Cannes, aborda as fronteiras que são ultrapassadas. Uma delas é evidente. Trata-se da passagem dos personagens de um país a outro, do trânsito entre o Oeste e o Leste europeu, entre a rica e a pobre Europa. Mas há também a fronteira moral. São nesses momentos em que o cineasta austríaco Ulrich Seidl propõe revelar o rompimento dos limites morais que o filme ganha cores perturbadoras.

Ulrich, diretor de "Dog Days", ganhador do Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza de 2001, parece se questionar o quanto é possível abdicar da dignidade e de outros valores morais em nome do trabalho, ou seja, do modo de sobrevivência do homem moderno. Para isso, o cineasta conta a história de dois personagens, a ucraniana Olga e o austríaco Paul, que jamais irão se encontrar no filme.




Ulrich Seidl

Olga é uma enfermeira e mãe solteira que vai tentar a sorte na Áustria. Seu primeiro emprego será em um site de sexo virtual. Diante de uma webcam e de uma tela de computador, ela faz striptease e se masturba ao comando do internauta. Depois torna-se empregada doméstica em uma casa na Áustria onde é humilhada por uma criança e demitida logo que a dona da casa percebe que seus filhos começam a se aproximar de Olga . No trabalho seguinte, ela faz a limpeza de banheiros públicos e, por fim, torna-se faxineira em uma clínica geriátrica.


Paul é alguém sem sorte no trabalho. Torna-se segurança, mas é humilhado por um grupo de baderneiros. Depois, junto com seu padrasto Michael, segue rumo à Eslováquia para onde exporta máquinas de videopôquer. Em seguida, os dois partem para a Ucrânia, onde irão usufruir noites de bebedeira e sexo.

Seria fácil, talvez até reconfortante, classificar a trajetória desses personagens como uma derrocada moral. Mas o cineasta austríaco não parece interessado em julgamentos de valor. Ao contrário, a imagem que Ulrich mostra parece incomodar justamente pela sua crueza. O que choca aqui é a amoralidade de todas as imagens, a ausência de valores.

Vale destacar, por exemplo, a cena entre Paul, seu padrasto Michael e uma prostituta. Nesta seqüência, um Michael bêbado humilha a prostituta. A cena, como todo o filme, flerta com o documental, e, segundo o jornal inglês Independent, a garota não é uma atriz, mas uma prostituta na vida real. Esses elementos tornam a sequência ainda mais intensa.

O apelo ao sexo talvez seja o recurso mais óbvio para se questionar a perda do caráter humano nas relações interpessoais. Talvez por isso o filme tenha logo em seus primeiros minutos, como uma espécie de cartão de visitas, a seqüência na empresa de sexo virtual, onde o sexo das garotas é exibido explicitamente, sem pudores, numa relação sem contato humano, mediada pela internet. 

Mas essa talvez não seja a maior provocação do cineasta. É igualmente perturbadora a segunda parte do filme, quando Olga trabalha em um asilo para idosos. Nessa fase de "Import Export", vale ressaltar a proposta de casamento de um idoso em estado terminal à Olga. Seria mais uma troca comercial: ele teria alguns momentos de prazer e ela teria o direito de permanecer na Áustria.

No filme, a ausência de valores é perceptível nas relações que são estabelecidas entre as pessoas. Todas as relações humanas são baseadas no trabalho ou na troca comercial. No mundo de "Import Export", os sinais de afetividade são motivos de desagregação e atrito. E os valores morais se tornaram mercadoria para ser vendida, importada e exportada.

Análise retirada do site Uol cinema