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sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

O IRLANDÊS - 2019

The irishman, 2019
Legendado, Martin Scorsese
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Formato: mkv
Áudio: inglês, alemão, italiano, latim e espanhol
Legendas: português
Tamanho: 1,25 GB

Torrent convergente

SINOPSE
Conhecido como "O Irlandês", Frank Sheeran (Robert De Niro) é um veterano de guerra cheio de condecorações que concilia a vida de caminhoneiro com a de assassino de aluguel número um da máfia. Promovido a líder sindical, ele torna-se o principal suspeito quando o mais famoso ex-presidente da associação desaparece misteriosamente.

Fonte: Adorocinema


8.0 de 10 96% - 86% 3 h 29 min Trailer




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sábado, 9 de junho de 2018

CAMINHOS PERIGOSOS - 1973

Mean streets, 1973
Legendado, Martin Scorsese

Formato: mp4
Áudio: Inglês
Legendas: Português
Duração: 1h 52min
Tamanho: 700 MB
Servidor: 1Fichier

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Parte única

Sinopse
Charlie é um homem que trabalha para crescer no submundo dos guetos de Little Italy, em Nova York. Ao seu lado, porém, está Johnny Boy (Robert De Niro, em sua primeira parceria com Scorsese), um jovem revoltado, agressivo e sem escrúpulos, que vive se metendo em confusões por causa de dívidas de jogo. Caminhos Perigosos retrata o cotidiano desses dois indivíduos, em meio à realidade violenta do subúrbio das grandes cidades. O filme é um retrato do bairro nova-yorkino em que Martin Scorsese passou sua infância.

Fonte: Cineplayers

7.4/10                                     Trailer

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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO - 1988

The last temptation of Christ, 1988
Legendado, Martin Scorsese

Formato: avi
Áudio: inglês
Legenda: Português
Duração: 2h 44 minutos
Tamanho: 2,07 Gb
Servidor: 1Fichier

LINK
Parte única

SINOPSE
Jesus (Willem Dafoe) é um carpinteiro que vive um grande dilema, pois é quem faz as cruzes com as quais os romanos crucificam seus oponentes. Resumindo, Jesus se sente como um judeu que mata judeus. Vivendo um terrível conflito interior ele decide ir para o deserto, mas antes pede perdão a Maria Madalena (Barbara Hershey), que se irrita com Jesus, pois não se comporta como uma prostituta e sim como uma mulher que quer sentir um homem ao seu lado. Ao retornar, Jesus volta convencido de que é o filho de Deus e logo salva Maria Madalena de ser apedrejada e morta. Então reúne doze discípulos à sua volta e prega o amor, mas seus ensinamentos são encarados como algo ameaçador, então é preso e condenado a morrer na cruz. Já crucificado, é tentado a imaginar como teria sido sua vida se fosse uma pessoa comum.

Fonte: Papodecinema


7.6/10                                     Trailer


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sábado, 1 de março de 2014

O LOBO DE WALL STREET - 2013

The Wolf of Wall Street, 2013
Legendado, Martin Scorsese

Indicação da Semana!
Indicado nas seguintes categorias para o Oscar 2014: Melhor ator (Leonardo di Caprio); Melhor ator coadjuvante (Jonah Hill); Direção (Martin Scorsese); Roteiro Adaptado (Terence Winter) e Melhor Filme.
Classificação: Excelente
Formato: AVI
Áudio: Inglês
Legendas: Pt-Br
Duração: 180 Min.
Tamanho: 1.38 GB.
Servidor: MEGA (Parte única)

Link
Parte única

Sinopse
Um corretor da bolsa de valores de Nova Iorque se recusa a cooperar em um caso de grande fraude com valores mobiliários e alta corrupção envolvendo pessoas influentes em Wall Street. Baseado na autobiografia de Jordan Belfort.
Fonte: Cineplayers
The Internet Movies Database: IMDB - Nota Imdb 8.5


Crítica
O Lobo de Wall Street, novo trabalho do cineasta Martin Scorsese, é basicamente uma versão de três horas da sequência de Os Bons Companheiros na qual o protagonista, paranoico em função das drogas, passa o dia observando um helicóptero que o segue enquanto mantém conversas histriônicas com vários conhecidos. Aqui, porém, em vez de acompanhar os bastidores violentos de uma organização de mafiosos, o filme segue os bastidores hedonistas de uma quadrilha de executivos de Wall Street – e, no processo, expõe que, embora menos propensos à violência, estes últimos revelam possuir muito menos maturidade, autocontrole e, principalmente, respeito pela dignidade alheia do que seus colegas da Cosa Nostra.
Baseado no livro autobiográfico do ex-corretor da bolsa de valores Jordan Belfort, o roteiro de Terence Winter ancora sua história num universo povoado por personagens celebremente batizados por Tom Wolfe como “Mestres do Universo”: financistas, especuladores e corretores de Wall Street que, principalmente a partir da década de 80, se dedicaram a manipular o sistema financeiro em benefício próprio enquanto arruinavam as vidas e economias de milhares de famílias, usando o dinheiro para financiar não só seu próprio estilo de vida cheio de ostentação, mas também orgias regadas a álcool e cobertas de pó. Foi nesta cultura particular que o jovem Belfort (DiCaprio) iniciou sua carreira, não demorando até fundar sua própria empresa de corretagem que, demonstrando verdadeiro desprezo pelos próprios clientes, transformava-os em vítimas de esquemas cujo objetivo final era transferir seus investimentos para o caixa da companhia. Neste aspecto, Jordan Belfort pode até soar mais divertido que o Tommy de Joe Pesci, mas, em última análise, mostra-se tão egoísta, inconsequente e sociopata quanto este.
E é aí que entra a inteligência de Scorsese: enquanto um diretor menos experiente provavelmente buscaria retratar a história do protagonista de maneira direta e objetiva a fim de estabelecer sua canalhice, o cineasta opta por, em vez de ressaltar o óbvio, pintar as ações de Belfort com as cores do ridículo que estas inspiram, salientando os absurdos do cotidiano do sujeito e levando o espectador ao riso – mas com o cuidado de garantir que, de modo geral, estejamos rindo dos personagens, não com estes.
Contando com uma estrutura narrativa bastante similar às de Os Bons Companheiros e Cassino (deixando claro que, para ele, os “Mestres do Universo” são tão desprezíveis quanto os mafiosos de seus trabalhos anteriores), Scorsese emprega aqui narrações em off múltiplas que não apenas servem para guiar o espectador através daquele mundo, mas também para comentar a própria narrativa – como, por exemplo, ao corrigir a cor de um carro logo no início da projeção. Porém, ao contrário do que ocorria naqueles filmes, cujos personagens no mínimo respeitavam o espectador, aqui o Belfort de Leonardo DiCaprio mal consegue ocultar o desprezo que sente pela própria plateia, frequentemente comentando, de forma condescendente e ofensiva, não acreditar em nossa capacidade de compreender os esquemas financeiros que comandava. Já em outros momentos, o diretor usa o off para revelar o que um personagem realmente está pensando acerca de outro, completando suas brincadeiras de linguagem ao retratar um evento de duas maneiras distintas, refletindo a percepção alterada de determinado indivíduo e, mais tarde, revelando o que realmente aconteceu.
Ambientado numa cultura de “machos” que, como tal, inclui uma infinidade de xingamentos mútuos e a verdadeira necessidade de encarar as mulheres como troféus por conquistas pessoais, objetos de escárnio ou simplesmente como mecanismo de alívio sexual, O Lobo de Wall Street já estabelece esta visão em um plano inacreditável no qual a bunda voluptuosa de uma garota é transformada basicamente em um Everest que o personagem de DiCaprio parece escalar antes de colher seu prêmio: uma carreira de cocaína aspirada do cume (hum). Assim, não é surpresa quando, mais tarde, o mesmo personagem caminha num estupor absoluto em um quarto de hotel em Las Vegas e, sem nem parecer pensar direito, estica o braço para apertar o seio de uma mulher desacordada – um gesto destituído de qualquer prazer sexual e que expõe simplesmente sua tendência a encarar o sexo oposto como algo que existe apenas para atendê-lo. No entanto, é fundamental distinguir protagonista e narrativa – e Scorsese deixa clara, em diversos momentos, sua reprovação diante daquelas atitudes, escancarando-a, por exemplo, no instante em que vemos uma das funcionárias de Belfort permitindo que sua cabeça seja raspada em troca de dez mil dólares: ao fazer questão de enfocar a moça recebendo o dinheiro e se afastando humilhada, o cineasta leva o espectador a observar a desumanização da secretária e, consequentemente, a constatar mais uma vez a sociopatia do personagem-título.
Não que no processo o filme não nos faça rir, pois faz – e ver Belfort e o sócio Donnie (Hill) discutindo a logística do arremesso de anões (com direito a citação de Freaks) é ao mesmo tempo engraçado (por constatarmos como aqueles homens se afastaram da realidade) e deprimente (pelo mesmo motivo). Neste sentido, aliás, Scorsese foi mais uma vez sábio ao escalar um comediante como Jonah Hill para formar dupla com DiCaprio – e é admirável como o ator consegue ao mesmo tempo trazer seu timing cômico para o papel enquanto retrata também as inseguranças, a ganância, o descontrole e a arrogância de Donnie, numa composição surpreendentemente complexa. Seguindo a mesma lógica, o diretor Rob Reiner, profundo conhecedor de comédia (é filho de Carl, afinal, além de ter dirigido vários títulos do gênero), aqui surge como o explosivo pai de Belfort, usando também seus dotes cômicos para oscilar bem entre a preocupação que o sujeito nutre em relação ao filho e tiradas hilárias originadas de seu espanto diante da autoindulgência do rapaz. (Aliás, O Lobo de Wall Street traz outros dois cineastas conhecedores de humor em pequenas pontas: Jon Favreau e Spike Jonze.)
E se Matthew McConaughey quase rouba o filme inteiro com sua única cena (e sua ausência é sentida por toda a projeção), Leonardo DiCaprio exibe uma segurança invejável ao carregar a narrativa, surgindo em praticamente todas as cenas das três horas de projeção. Apresentando-se inicialmente como um jovem inseguro cuja hesitação pode ser percebida na voz que insiste em falhar ao conversar com o chefe e na maneira com que olha para os lados, constrangido, Jordan Belfort eventualmente se torna uma figura desprezível, mas – e isto é fundamental para o sucesso do filme – sempre fascinante e divertida. Dono de uma natureza de sociopata (e não é à toa que uso a palavra pela terceira vez para descrevê-lo), o sujeito é incapaz de sentir remorso ou de perceber as consequências de seus atos – e quando diz se “sentir horrível” em função do que ocorreu com um conhecido, o sentimento dura apenas alguns segundos, como se tivesse sido verbalizado apenas como estratégia para se humanizar diante do espectador. Aspirante patético a Gordon Gekko (que ao menos exibia alguma dignidade em seu comportamento, soando como adulto), Belfort é um verdadeiro canalha – e, mais uma vez, a opinião de Scorsese sobre seu protagonista fica claríssima ao retratar certas ações no terceiro ato, quando inclui a reação apavorada de uma criança diante da barbaridade que está testemunhando e que provavelmente a traumatizará para o resto da vida.
Brilhante tanto nas sequências que exigem humor físico (e quem poderia imaginar que DiCaprio fosse tão competente neste quesito?) quanto nas cenas em que precisa descartar qualquer sombra de dignidade, DiCaprio ainda confere nuance às ações de Belfort – o que culmina naquela, que para mim, é a melhor cena do filme: a conversa que mantém a bordo de um iate com o agente federal vivido com talento por Kyle Chandler. Trata-se de uma interação complexa que Scorsese e a montadora Thelma Schoonmaker conduzem com maestria, partindo da tentativa por parte de Belfort de criar intimidade com o agente Denham, quando exibe de forma sutil sua riqueza para estabelecer seu poder, e sendo gradualmente substituída por esforços consecutivos de soar humilde e condescendente até culminar numa sugestão de suborno que dá lugar à frustração, à raiva e ao descontrole absoluto.
Um dos aspectos admiráveis de O Lobo de Wall Street, aliás, é perceber como Scorsese consegue contrapor momentos intimistas, de personagem, como este a outros nos quais sua câmera confere uma energia quase maníaca às sequências – tudo sem abandonar suas marcas autorais, como uma brilhante seleção de músicas incidentais, o uso preciso de câmera lenta (como no instante em que vemos cocaína voando dentro de um avião) e tomadas longas e impressionantes. Já em outros instantes, o cineasta emprega manipulações claras de narrativa ao criar situações de humor, como ao subitamente transformar uma pequena escada em outra que parece ter dezenas de degraus enquanto um personagem despenca por estes, ou ao encenar aquela que provavelmente é uma das brigas mais lentas da história do Cinema, quando até mesmo uma pequena vasilha é empregada por um dos envolvidos como obstáculo para impedir a aproximação do outro e durante a qual a música-tema de “Popeye” é empregada de maneira surpreendente.
Mas mesmo nos momentos de humor mais escrachado, O Lobo de Wall Street deixa claro estar enfocando personagens desprezíveis: “Não criamos nem construímos nada”, diz o corretor de McConaughey, por exemplo, enquanto em outro instante Belfort tenta provar sua boa natureza ao contar que deu dinheiro para uma colega, entregando que seu sentimentalismo é mensurado em dólares. E o pior (e sugiro que só leiam o restante do parágrafo aqueles que já tiverem visto o filme): ao contrário dos bandidos enfocados em Os Bons Companheiros e Cassino, que acabavam punidos em maior ou menor grau por suas ações, os engravatados de Wall Street são poderosos demais para vivenciarem derrotas similares – e, assim, quando vemos o agente Denham no metrô, a caminho de casa, somos levados por Scorsese a avaliar o grau de sua vitória. Sim, seria muito fácil, para o filme, trazer o sujeito sorrindo no vagão, demonstrando estar satisfeito com o que conseguiu mesmo diante da constatação de que Belfort sairá da cadeia para abraçar seus milhões, mas isto soaria falso e maniqueísta, sendo apropriadamente descartado pelo cineasta.
E é justamente este tipo de decisão que demonstra o talento aparentemente inesgotável de um cineasta que, mesmo aos 71 anos de idade, é capaz de criar uma narrativa repleta de uma energia juvenil quase subversiva. E é admirável que, em vez de se encarregar de condenar o personagem para o espectador, Scorsese permita que constatemos sozinhos a natureza de Belfort. Sim, com isso, ele inevitavelmente levará muitos a saírem do cinema repletos de admiração pelo que o protagonista conquistou – mas não podemos responsabilizar o diretor pela falha de caráter de certos membros de sua plateia, podemos?
Fonte: Portal Cinema em cena









sábado, 2 de novembro de 2013

TAXI DRIVER - 1976

Taxi Driver, 1976
Legendado, Martin Scorsese

Classificação: Excelente
"Está falando comigo?"

Não há muito o que dizer sobre um clássico como Taxi Driver, o 5o lugar na lista dos melhores filmes de todos os tempos da revista Sight And Sound, segundo os maiores diretores de todos os tempos (Francis Ford Coppola, Woody Allen, Quentin Tarantino, o próprio Scorsese, e muitos outros).


Para muitos, Robert de Niro faz aqui sua melhor performance, como Travis Bickle, que trabalha no turno da noite como um táxi de Nova Iorque, e encontra pessoas de todos os tipos. Ele sente um desejo profundo de acabar com o que ele chama de "a sujeira" das ruas, de exterminar todo e qualquer "drogado, cafetão, prostituta, fada e bandido" que encontrar.

Travis não é dos mais sociáveis. Ele é um solitário, e esse é um filme sobre a solidão extrema, contada em primeira pessoa por alguém completamente afetado por ela. Na minha opinião, esse é, de longe o melhor retrato da solidão já feito para o cinema. 

O filme também evoca uma atmosfera noir (influência de Elia Kazan, o cineasta favorito de Scorsese), mesclando as ruas frias, úmidas e cheia desilusões de NY com a narração do diário do protagonista. É conveniente que ele seja um táxi, para que possamos ver tudo o que ele vê enquanto percorre a grande maçã. 

Com 4 indicações ao Oscar (incluindo Melhor ator para De Niro e Melhor Atriz Coadjuvante para Jodie Foster), Taxi Driver é um clássico absoluto para ser visto por todos os fãs do cinema que se dizem fãs de cinema.



Dados do filme
Ano: 1976
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Robert de Niro, Jodie Foster, Cybill Sheperd e Harvey Keitel
Roteiro: Paul Schrader
IMDB: 8.5/10

Dados do arquivo
Formato: Mkv
Tamanho: 800 MB
Duração: 01:53:48
Servidor: Mega (2 partes)

LINKS:
Parte 1
Parte 2          








sábado, 21 de setembro de 2013

OS INFILTRADOS - 2006

The Departed, 2006, Martin Scorsese.

Classificação: Excelente
Formato: MP4 (720p)
Áudio: Inglês
Legendas: Português
Duração: 151 minutos
Tamanho: 753 MB
Servidor: Mega (4 Partes)
Links:

Parte 1

Parte 2
Parte 3
Parte 4

Sinopse:
O jovem policial Billy Costigan é infiltrado na quadrilha do chefão Frank Costello, da máfia irlandesa, e tem cada vez mais a confiança dos criminosos. Ao mesmo tempo, Collin Sulivan, um violento integrante da gangue, é igualmente infiltrado na polícia e ganha o respeito de colegas e superiores. Os dois homens vivem na corda bamba com suas vidas duplas, até que ambas as organizações descobrem que há um traidor em suas fileiras e cada um deles passa a tentar descobrir a identidade secreta do espião para garantir a própria sobrevivência. Refilmagem do filme 'Conflitos Internos' (2002), de Hong Kong.
Fonte: Cineplayers

Análise:
Ao contrário de muitos outros fãs de Martin Scorsese, não creio que a carreira do cineasta tenha atravessado uma fase de decadência nos últimos dez ou onze anos, desde que lançou o excelente Cassino: sim, ele tropeçou em Kundun e Gangues de Nova York e realizou menos longas do que esperávamos; mas, ainda assim, concebeu os complexos e fascinantes Vivendo no Limite e O Aviador, provando que, como qualquer outro diretor, tem também seus altos e baixos. Apesar disso, quando fiquei sabendo que ele refilmaria o excelente Conflitos Internos, confesso que tive minhas dúvidas: embora sua versão de Cabo do Medo tenha se revelado ainda melhor do que o ótimo original, desta vez Scorsese iria refazer uma produção recente e, portanto, a empreitada parecia desnecessária - uma idéia de executivo norte-americano com preguiça de ler legenda. Felizmente, estas dúvidas se revelaram desnecessárias: apesar de levemente inferior ao longa chinês (por razões que explicarei abaixo), Os Infiltrados é um filme vigoroso que demonstra a habilidade de seu diretor em conduzir tramas violentas e complexas. Adaptado por William Monaham (de Cruzada), o roteiro acompanha os jovens policiais William Costigan (DiCaprio) e Colin Sullivan (Damon) em seus primeiros anos de profissão: enquanto o primeiro é designado para se infiltrar na organização criminosa chefiada pelo psicótico Frank Costello (Nicholson), o segundo logo se torna um dos detetives mais respeitados do departamento encarregado de investigar e prender o bandido. O que ninguém sabe é que Sullivan também é um “infiltrado”: protegido por Costello desde a infância, o rapaz tornou-se policial justamente para servir como fonte de informações para o criminoso – e sua escalada profissional foi possibilitada, entre outras coisas, por armações orquestradas por Costello para beneficiá-lo, envolvendo até mesmo a prisão de pessoas inocentes. Tentando descobrir as identidades uns dos outros, Costigan e Sullivan dão início a um tenso jogo de gato-e-rato cujo resultado pode ser a morte do daquele que for exposto pelo inimigo.
Um dos grandes atrativos de Os Infiltrados, aliás, reside justamente nas estratégias utilizadas por ambos ao longo da narrativa: inteligentes e bem treinados, eles sempre tentam antecipar os passos do inimigo, o que acaba resultado em constantes frustrações. Quando Sullivan liga para o celular de Costigan, por exemplo, este atende, mas permanece calado por não saber quem está do outro lado da linha – e os momentos de interminável silêncio que se seguem ilustram perfeitamente a maneira frenética com que suas mentes trabalham para tentar dar o passo seguinte. Aliás, os celulares se tornam armas importantíssimas na guerra travada pelos dois lados da Lei e, constantemente, surgem como recurso desesperado para avisar os aliados (por voz ou mensagens de texto) de que algo importante está acontecendo.
Mas não são apenas as ações dos personagens que enriquecem a narrativa; o próprio sacrifício que fazem por seus objetivos é fascinante – e não é à toa que o título original faz referência àqueles que “partiram”: a partir do instante em que aceitam suas missões, Costigan e Sullivan morrem para suas existências anteriores, abrindo mão de tudo que conheciam por suas novas realidades. Como se não bastasse, as mentiras que os cercam obrigam-nos a manter desgastantes vidas duplas, impedindo até mesmo que possam estabelecer novas relações (mesmo amorosas), já que jamais poderão se deixar conhecer realmente. Este tema, aliás, é ilustrado com talento por Scorsese em um plano no qual enxergamos rapidamente os dois rapazes através de inúmeros reflexos (durante a seqüência em que um tenta seguir o outro), simbolizando as várias facetas que são levados a assumir no cotidiano.
Emprestando a Colin Sullivan um rosto de garoto bonzinho, Matt Damon cria um personagem quase tão cruel quanto seu Tom Ripley, que também sabia utilizar sua aparência inofensiva a seu favor. Ambicioso, mas com um claro complexo de inferioridade (uma combinação sempre perigosíssima), Sullivan sonha em se tornar um indivíduo respeitado e poderoso, como torna-se óbvio por sua fascinação pelo domo da Assembléia Legislativa e por seu orgulho por estar namorando uma psiquiatra (“Ela é médica”, ele explica a alguém, com expressão de vitória). Inescrupuloso e capaz de qualquer coisa para alcançar seus propósitos de glória e fama, o rapaz mostra-se inseguro apenas quando está lidando com seu protetor, Frank Costello: nestes momentos, seu olhar se torna vacilante, sua voz denota medo e seu ar presunçoso desaparece, evidenciando o cuidado na composição feita por Damon.
Leonardo DiCaprio, por sua vez, encarna um personagem infinitamente mais trágico, já que, enquanto Sullivan ganha conforto e segurança em seu novo papel, William Costigan precisa justamente abrir mão de tudo isso para se infiltrar na quadrilha de Costello – e é irônico que ele tenha lutado tanto para se afastar das raízes de marginalidade de sua família somente para ter que voltar a elas ao se tornar policial (sua dor ao ouvir o sargento Dignam descrever as atividades ilícitas de seus parentes é clara). Ciente de que pode ser morto a qualquer momento e por qualquer descuido, Costigan ainda é obrigado a encarar o peso de conviver com pessoas que encaram o assassinato com chocante naturalidade – e, assim, é inevitável que ele eventualmente se torne viciado em calmantes. Solitário e amargo, este é um dos personagens mais intensos e tristes da carreira do talentoso ator.
Aliás, seria possível escrever mais mil palavras apenas sobre a qualidade das interpretações vistas em Os Infiltrados, começando pelo explosivo sargento vivido por Mark Wahlberg até chegar ao excessivamente viril Ellerby (encarnado por Alec Baldwin), passando, é claro, por Vera Farmiga, que assume o único papel feminino de importância do filme, criando uma figura vulnerável e real. Da mesma forma, Martin Sheen confere grande calor humano a Queenan, cuja dignidade é determinante ao levar Costigan a aceitar sua desgastante missão. Fechando o elenco principal, vem, é claro, Jack Nicholson, que transforma Frank Costello em mais um tipo marcante de sua invejável galeria de composições: chegando à insanidade em sua facilidade para o assassinato (“Um dos dois tinha que morrer. Comigo, tende a ser o outro cara.”), Costello combina a persona divertidamente excêntrica de Nicholson à violência habitual do universo de Scorsese, resultando em cenas que beiram o absurdo, como aquela em que, sujo de sangue até os cotovelos, o criminoso pede casualmente que alguém busque um balde e um esfregão. Assim, é realmente uma pena (e um dos principais equívocos do filme) que sua saída de cena seja tão casual, não fazendo jus à força do personagem.
E já que citei a violência de Scorsese, é importante ressaltar que Os Infiltrados oferece um retorno às escolhas gráficas feitas pelo cineasta em obras como Os Bons Companheiros e Cassino: quando alguém leva um tiro, ele faz absoluta questão de nos mostrar as conseqüências sangrentas do ato, jamais cortando para outro plano “no último momento”. Além disso, até mesmo as escolhas mais óbvias do diretor acabam funcionando, como sua decisão de manter Jack Nicholson nas sombras, na seqüência pré-título, e o plano final, que traz um rato na sacada de um prédio enquanto vemos a Assembléia Legislativa ao fundo. No primeiro exemplo, além de servir para disfarçar a idade do ator em um momento no qual deveria aparecer muito mais jovem, o jogo de sombras serve também como símbolo do caráter do sujeito; já no segundo, a metáfora visual é clara (até óbvia, como já dito), mas mais do que adequada para amarrar a narrativa.
Por outro lado, os fãs de Scorsese certamente ficarão desapontados com a escassez de momentos realmente típicos de sua linguagem cinematográfica habitual: embora ofereça uma direção segura, Os Infiltrados só oferece os registros autorais do cineasta na longa seqüência que antecede o surgimento do título, quando somos presenteados com seus travellings marcantes, planos-seqüência envolventes e a utilização precisa da trilha sonora e de câmera lenta. Já no restante da projeção, apenas ocasionalmente somos capazes de identificar um movimento de câmera ou uma opção de montagem que se revele característica do diretor, o que é uma pena (por mais que, repito, sua condução da narrativa seja brilhante). Além disso, o filme falha por não conseguir ilustrar, como no longa original, a passagem dos vários anos (naquele caso, nada menos do uma década), o que seria importante para ilustrar a dimensão do sacrifício feito pelo policial infiltrado na organização criminosa – o que confere uma escala épica à produção chinesa que falta (por pouco) à refilmagem.
Corajoso ao manter algumas das escolhas mais dramáticas da versão comandada por Andrew Lau e Siu Fai Mak, Os Infiltrados toma um caminho realmente diferente apenas em seus segundos finais, que (sem revelar nada de importante) fazem uma opção infinitamente menos cínica do que a de Conflitos Internos – em contrapartida, é mais carregada de ironia, o que acaba reequilibrando a equação e tornando o filme mais um belo exemplar na carreira do brilhante Martin Scorsese.
Fonte: Portal Cinema em Cena - Crítica por Pablo Villaça