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quinta-feira, 3 de junho de 2021

CINZAS NO PARAÍSO - 1978

Days of heaven, 1978
Legendado, Terrence Malick
Resultado de imagem para Days of heaven poster

Formato: mp4
Áudio: inglês e italiano
Legendas: português
Tamanho: 1.51 GB

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SINOPSE
O nome de Terrence Malick, tido como um dos últimos dos vanguardistas do cinema nos anos 70, é quase um patrimônio cultural da leva contraculturalista de cineastas que surgiram naqueles meados, um cinema de visão já findada para nossa época cada vez mais cínica e desacreditada. Mas quando Malick explodiu e foi taxado como gênio (seguido por seu hiato de 20 anos logo após suas primeiras incursões), eram seus filmes que oscilavam entre a vida do homem em contato com a natureza exposta e a busca por traduzir sentimentos tão banais como o amor em celulóide, o verdadeiro encanto de um Hollywood cada vez mais libertária e abraçada à realidade cotidiana, seja ela urbana ou rural.
Cinzas no Paraíso, o segundo longa de Malick, se encaixa neste segundo campo e, diante de sua aparente simplicidade narrativa e imagética, o cineasta reserva uma das experiências cinematográficas mais exuberantes que o cinema já ambicionou conceber, um feito aprimorado do que o diretor já havia conseguido em Terra de Ninguém, um road movie aliado entre imagens e discursos no objetivo de atingir sua própria poesia. E no caso de Cinzas do Paraíso, a poesia é o que emana da tela através da inacreditável beleza plástica dos quadros concebidos por Malick.
Apegado a um sentimento tão comum e humanista como o amor, sentimento este que viria acompanhar várias de suas obras posteriores sobre outros viés, o roteiro centraliza três personagens em sua trama: Bill (um jovial Richard Gere), Abby (Brooke Adams) e O Fazendeiro (Sam Shepard), que acabam por formar um triângulo amoroso na Chicago do século XX, ambientada em sua fase de crise econômica, industrialismo em alta e péssimas condições de trabalho para quem buscava a sobrevivência. Bill e Abby, vagando pelos EUA atrás de emprego, acabam parando nas atividades de colheita na fazenda do Fazendeiro. Bill, ao saber que restava pouco tempo de vida para o dono da fazenda, finge ser irmão de Abby e a convence a casar-se com o Fazendeiro e herdar toda a fortuna após sua morte. E a partir daí, as relações entre essas três figuras  começam a se intensificar e fragilizar.
Fonte: Planocritico
 

7.8 de 1092% - 89%1h 34min   Trailer

 

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domingo, 11 de outubro de 2020

A ÁRVORE DA VIDA - 2011

The tree of life, 2011
Legendado, Terrence Malick

Formato: avi
Áudio: inglês
Legendas: português
Tamanho: 1,68 GB

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SINOPSE
Para melhor se aproximar de A Árvore da Vida, ou de toda a obra de Terrence Malick, talvez seja necessário voltar a referências que antecedem o seu trabalho no cinema, quando ele se dedicava a estudar e traduzir para o inglês trabalhos do filósofo alemão Martin Heidegger. Em A Origem da Obra de Arte, Heidegger cria um exemplo bastante didático do potencial filosófico daarte, a partir de uma obra amplamente conhecida: Um Par de Sapatos, de Van Gogh (foto). Para Heidegger, o quadro era exemplar pois, a partir de um objeto concreto e mundano, apresentado de uma maneira bastante específica, o artista consegue disparar uma série de processos de pensamento em quem tem contato com a obra: não é tão somente um sapato, mas um sapato camponês, que traz em si o peso do trabalho, a sujeira proveniente do uso diário, e, consequentemente, uma relação de classe, de cenário, de tempo, de paisagem que ajuda a definir aquele objeto. Não é, portanto, tão somente um sapato, mas uma representação de um sapato, que carrega, consigo, um mundo.

Não é absurdo dizer que essa percepção de Heidegger está, de fato, na raiz de toda representação - incluindo, aí, boa parte do cinema. Mas, no trabalho de Terrence Malick, é possível perceber que isso não é simplesmente algo intrínseco, mas de fato um ponto de partida consciente para se criar imagens que almejam e remontam essa excelência representacional que Heidegger definia como uma aspiração da arte. Esse processo está mais visível no jogo entre imagem e voice over de Além da Linha Vermelha: junto a nós, o narrador observa o rosto de um soldado japonês morto enterrado no solo, e aquela imagem lhe suscita pensamentos e ruminações que chegam ao espectador pelo texto da narração. É como se Malick criasse a imagem e, junto dela, expusesse o processo de pensamento que ela dispara em quem a observa.

A Árvore da Vida usa estratégia parecida, mas que aqui é combinada a uma abordagem formal e estrutural em um primeiro momento bastante impressionante. Experiência sem paralelos claros na história, A Árvore da Vida vem com a marca dos filmes malditos que abrem novas possibilidades para o cinema que parecem impossíveis de serem levadas adiante (Aurora, de Murnau; Limite, de Mário Peixoto; os filmes de Leos Carax), decupado, filmado e montado a partir de uma língua absolutamente própria, fazendo uma combinação bastante surpreendente da apreensão dos entusiasmos da vida de um Dziga Vertov com uma vontade bastante clara de se construir personagens e contar uma história, mesmo que de forma essencialmente lacunar. Terrence Malick não só busca imagens "definitivas" para tudo que filma, como coloca esse definitivo em choque com uma estrutura que torna tudo fugidio. A Árvore da Vida combina as elipses violentas de Terra de Ninguém com os planos "resumos de mundo" de Days of Heaven, aqui marcados por enquadramentos absolutamente vertiginosos, cortes arriscadíssimos e uma decupagem circular, que cisca em torno dos momentos narrados pelo filme, construindo não exatamente uma narrativa, mas um mosaico de impressões de vida. Em A Árvore da Vida, há falas, não diálogos. 
 

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quarta-feira, 24 de junho de 2020

UMA VIDA OCULTA - 2019

A hidden life, 2019
Legendado, Terrence Malick
Ficheiro:A Hidden Life (2019) Film Poster.jpg – Wikipédia, a ...

Formato: mp4
Áudio: inglês, alemão e italiano
Legendas: português 
Tamanho: 2,71 GB

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SINOPSE
Conhecido por uma obra extremamente pessoal, com estilo barroco e elegante, o diretor Terrence Malick desenvolveu em Uma vida oculta a história pouco conhecida de Franz Jägerstätter (August Diehl), um austríaco que levou às últimas consequências sua recusa de jurar fidelidade a Adolf Hitler.
Ainda que ambientada em 1943, a história de Franz repercute especialmente hoje, já que o anônimo camponês torna-se um eloquente lembrete do valor da resistência, ainda que miúda, individual e, aparentemente, inútil, num contexto em que tudo e todos parecem estar sendo arrastados numa voragem de fanatismo, cegueira e conformismo diante da ação de líderes autoritários, nacionalistas. Qualquer semelhança com a realidade atual não é mesmo coincidência.

7.4 de 10 80% - 72%2h 54 min
Trailer


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domingo, 3 de novembro de 2013

TERRA DE NINGUÉM - 1973

Badlands, 1973
Legendado, Terrence Malick

Classificação: Bom

Formato: mp4
Áudio: inglês
Legendas: português
Duração: 94 min.
Tamanho: 745 MB
Servidor: Mega (2 partes)

LINKS

SINOPSE
Fort Dupree, Dakota do Sul, 1959. Kit Carruthers (Martin Sheen) é um jovem peão psicologicamente desequilibrado, que mata o pai de Holly Sargis (Sissy Spacek), sua namorada de 15 anos, que não aprovava o relacionamento deles. Kit e Holly fogem juntos para Montana, enquanto Carruthers faz mais vítimas, o que faz a polícia ir em seu encalço.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.9


ANÁLISE

Os solitários que saem atirando em pessoas, sem escolher vítimas, são um fenômeno tipicamente norte-americano. Inúmeros casos do gênero ficaram famosos, mas nenhum tornou-se tão legendário quanto o caso de Charles Starkweather. Em 1958, o rapaz fugiu de casa com a namorada, após matar o pai dela. Juntos, os dois pegaram a estrada e deixaram um rastro de sangue antes de serem apanhados, milhares de quilômetros depois, tentando fugir para o México. “Terra de Ninguém” (Badlands, EUA, 1973) é uma dramatização perturbadora do caso.
O filme marca a estréia do diretor e roteirista Terrence Malick no cinema. Alçado instantaneamente à categoria de clássico, o filme traz algumas pistas da carreira tortuosa que Malick tomaria dentro de alguns anos. Em 1978, após lançar um segundo filme, “Cinzas no Paraíso”, o diretor desapareceu da vida pública por quase vinte anos. Abandonou Hollywood e virou uma espécie de ermitão, voltando à ativa apenas em 1998, com o drama de guerra “Além da Linha Vermelha”. Terrence Malick tornou-se mito em Hollywood tanto pelo mistério a respeito dessa reclusão quanto pela ótima qualidade do seu trabalho como cineasta.
Terrence Malick
“Terra de Ninguém” faz um apanhado de características do cinema e, em última instância da vida nos Estados Unidos. Tanto no aspecto formal quanto no narrativo, o longa-metragem pinta um retrato impecável do que significa viver naquele país: serial killers, rock’n’roll, longas viagens de carro, juventude entediada com subempregos, tudo isso faz parte do filme. Só que Terrence Malick não tenta tecer nenhum tipo de julgamento sobre o que a mistura de tudo isso significa. O diretor narra a história de Starkweather com bastante fidelidade aos relatos que ele e a namorada fizeram após a conclusão da “aventura”, mas usa nomes fictícios.
A abertura de “Terra de Ninguém” mostra Kit Carruthers (Martin Sheen) apanhando lixo. Ele se veste como James Dean: topete, costeletas, camiseta branca e calças jeans. O toque exótico fica por conta das botas de caubói, que denunciam a origem do rapaz – o Estado do Texas. Sua técnica de recolher lixo é bem original: Kit remexe as lixeiras e tenta adivinhar aspectos da vida dos moradores pelo tipo de coisas que acha. Um dia, encontra Holly Sargis (Sissy Spacek) brincando no jardim. Ela tem 15 anos, é curiosa e afável. Os dois começam a paquerar, mas o pai dela (Warren Oates) não acha legal ver a filha saindo com um sujeito 10 anos mais velho.
O filme se passa em uma cidade pequena do obscuro Estado de Dakota do Sul, chamada Fort Dupree. A vida por lá parece tranqüila e meio entediante. Kit não aceita a rejeição do pai da namorada e aparece na casa deles com uma arma. Mata o homem, toca fogo no casarão e leva Holly para uma viagem que, como ela mesma se encarrega de dizer, “não tem volta”. Os dois aceitam naturalmente a idéia de que são assassinos e jamais poderão levar uma vida normal. Esse é um ponto em que “Terra de Ninguém” se destaca radicalmente das dezenas de longas-metragens que abordam o mesmo tema. O filme mantém um distanciamento moral da ação vista na tela, sem condenar, e muito menos glorificar, a ação dos dois rapazes.
A seqüência mais reveladora de “Terra de Ninguém” mostra Kit e Holly tentando restabelecer uma rotina. Eles montam uma choupana feita com galhos, dentro de uma floresta. Pescam, criam frangos e colhem vegetais para sobreviver. É o único momento do filme em que o casal parece feliz. Não é coincidência. Todos os longas-metragens de Malick tratam da relação entre homem e natureza. O diretor gosta de belas paisagens naturais, em oposição à sujeira (literal ou metafórica) da vida em sociedade. “Terra de Ninguém” também tem lindas tomadas do deserto de Badlands, em Montana. Malick parece especialmente fascinado pelo pôr-do-sol. A presença do homem nesses lugares parece apenas conspurcar a perfeição da natureza.
No filme, Malick evita deliberadamente criar uma empatia com qualquer personagem, mas também se recusa a mostrá-los como pessoas malvadas. Eles são gente comum; a viagem sanguinária não é planejada, mas resulta de um acúmulo de incidentes que é recebido com uma indiferença desconcertante dos dois. Kit é um solitário que gosta de sorrir e conversar. Martin Sheen o interpreta com vigor e espontaneidade. O filme não fornece informações sobre o passado dele, e deixa o espectador livre para refletir sobre as razões para tanta violência.
No final da viagem, já preso, Kit é gentil e simpático com os policiais. Também demonstra ter absoluta consciência dos seus atos, quando entrega a cada um objetos que carregou consigo durante a matança: uma caneta, um chapéu. Ele sabe que virou uma celebridade, e sabe que aqueles objetos terão algum valor financeiro quando tiver se tornado uma lenda, provavelmente depois de morto. Holly é mais enigmática. Favorecida pela interpretação segura de Spacek, ela mantém um ar ingênuo durante todo o longa. Fica satisfeita por ser levada a sério por Kit, e é por essa razão que o segue na matança.
“Terra de Ninguém” é o típico caso de filme perturbador por causa do clima que consegue imprimir. A rigor, não há nada, nenhum componente, que consiga explicar a escalada de violência vivida pelo casal. Pela primeira vez no cinema, a violência urbana é apresentada de maneira banal, trivial. Kit mata um homem com a mesma fisionomia impassível de quando mata uma galinha. Holly fica mais perturbada com a morte do peixe de estimação do que quando vê o pai ser baleado. O filme é narrada pela voz doce de Spacek, e a narração é generosa e ágil, o que ajuda a aumentar ainda mais a sensação de que tudo permanece na santa paz ao redor do casal assassino, mesmo quando eles estão matando.
De fato, “Terra de Ninguém” é um grande filme, porque mostra tudo sem arroubos de dramaticidade, sem nenhum traço de melodrama. O filme se recusa a explicar os fatos, e exige do espectador uma reflexão sobre os significados ocultos daquilo que ele está vendo. De quebra, traz ainda algumas das mais belas imagens da natureza que o cinema tem sido capaz de exibir.

Análise retirada do site Cinereporter