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domingo, 13 de setembro de 2020

TERRA E LIBERDADE - 1995

Land and freedom, 1995
Legendado, Ken Loach

Formato: avi
Áudio: inglês, espanhol e catalão
Legenda: português
Tamanho: 693 Mb

Torrent convergente

SINOPSE 
Terra e Liberdade, do cineasta britânico Ken Loach, é um verdadeiro marco na vida de qualquer cinéfilo interessado em cinema político. Vai muito além do senso comum de filmes maniqueístas sobre luta de classes ou sobre o embate capitalismo x socialismo e também daqueles que só se prestam a fazer uma homenagem acrítica a um determinado movimento histórico. Loach é um dos grandes cineastas do cinema político europeu, embora uma de suas maiores obras seja o drama muito mais existencial – Kes. O inglês venceria em 2006 a Palma de Ouro no Festival de Cannes por um filme que mais parece um Terra e Liberdade requentado – refiro-me a Ventos da Liberdade – e é curioso que não tenha sido a forma original o vencedor de um prêmio dessa importância. Terra e Liberdade, embora tenha suscitado muitas críticas na época de seu lançamento, segue imbatível como o melhor drama sobre a luta política em seu sentido mais amplo, ainda que ele peque aqui e ali na construção de seus argumentos.

Mas primeiro é preciso compreender que a história de Dave, um membro do Partido do Partido Comunista inglês, desempregado e desgostoso dos rumos da própria vida, que se junta aos populares que combatiam os franquistas durante a Guerra Civil Espanhola, é contada por um diretor abertamente ligado à esquerda e sem nenhum compromisso com a isenção ideológica. Terra e Liberdade é um filme sobre um dos momentos mais célebres da história da esquerda mundial e narrado por um esquerdista, o que jamais implica em uma falsificação desonesta de fatos históricos. Mas é bastante claro que o filme trata com idealismo dos atos praticados pelos membros do POUM (Partido Trabalhador de Unificação Marxista), que são mostrados na grande tela como os verdadeiros representantes de uma esquerda bem intencionada e que não estava disposta a negociar aquilo que não devia. As esquerdas autoritárias e divisionistas sofrem uma crítica histórica bem dura por parte de Ken Loach. Isso aparece na brilhante cena em que o inglês filma a assembleia em que os camponeses, os milicianos do POUM e os anarquistas debatem acerca da coletivização das terras.

Fonte: Planocritico
 
7.6 de 10 77% - 94%1h 49min Trailer

 
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segunda-feira, 16 de março de 2020

VOCÊ NÃO ESTAVA AQUI - 2019

Sorry We Missed You , 2019
Legendado, Ken Loach
Resultado de imagem para Sorry We Missed You poster 

Formato: mp4
Áudio: inglês
Legendas: português
Tamanho: 1,60 GB

Torrent convergente

SINOPSE 
O mais novo filme de Ken Loach Você não estava aqui é uma obra relevante para a compreensão de fenômenos do atual mundo do trabalho e da precarização das suas relações. Cada vez mais presente no cenário cotidiano das cidades, os trabalhadores de empresas de tecnologia – cuja face mais direta é chamada aplicativo – se tornam cada vez mais invisíveis para os órgãos públicos e os poderes estabelecidos.
Essa contradição é cruel e sintomática do capitalismo contemporâneo. Quanto mais esses trabalhadores, seja com mochilas nas costas ou conduzindo carros próprios ou alugados, cruzam freneticamente o espaço urbano, mais os poderes estabelecidos fingem não vê-los.
Para tornar mais simpática a imagem dessas empresas – uma vez que em muitos países não apenas a justiça como o poder público tem colocado necessários limites e questionado essa forma de exploração do trabalho -, algumas investem pesado em publicidade, divulgam campanhas contra assédio (o que é importante), mas apenas tangenciam os reais problemas dessa relação parasitária com seus milhões de trabalhadores.

Fonte: Revistcult


7.7 de 10 87% -- 1 h 41 min Trailer



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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

PACOTÃO DE REPOSTAGENS #8


NÓI, O ALBINO - 2003 (Nói albínói, 2003 Dagur Kári, legendado


Noi (Tómas Lemarquis) tem 17 anos e sonha em escapar da vila remota onde vive, na Islândia. O lugar onde ele vive fica completamente isolado durante o inverno graças à neve e às montanhas que rodeiam, aumentando ainda mais o desejo de Nói de escapar dessa prisão gelada.

Fonte: Filmow
7.4 IMDB | 1h33min
Drama 


Download - Parte única (Mega - 691 MB - Formato - avi)
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ONDE SONHAM AS FORMIGAS VERDES - 1984 (Wo die grünen Ameisen träumen, 1984 / Werner Herzog, legendado)

No coração selvagem da Austrália, um grupo de aborígenes de uma tribo em extinção defende um local sagrado contra o avanço dos tratores de uma companhia de mineração. É o local onde sonham as formigas verdes. Perturbar o seu sonho irá destruir a humanidade, eles dizem. Eles entram em conflito com as leis da Austrália moderna, e a disputa é feita em um tribunal.
Fonte: Cineplayers

7.1 IMDB | 1h 40min
Drama
Trailer


Download - Parte única (Mega - 692 MB - Formato - avi)

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O ESPÍRITO DE 1945 - 2013

The spirit of' '45, 2013
Legendado, Ken Loach 

Formato: AVI
Áudio: inglês
Legendas: Pt-Br
Duração: 94 min.
Tamanho: 700 MB
Servidor: Mega (Parte única)

LINK

SINOPSE
Decisivo na trajetória do Reino Unido, o ano de 1945 é repleto de acontecimentos que mudaram a vida dos britânicos. Neste período, era recente o fim da Segunda Guerra Mundial e a união dominava no espírito da população. Narrativas e imagens históricas ilustram a singularidade do espírito britânico de 45.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 6.9


ANÁLISE

Nenhum homem pode ultrapassar seu próprio tempo,pois o espírito de seu tempo é também seu próprio espírito”.
G.W.F. Hegel
Capturar o Zeitgeist britânico do pós-guerra. Taí uma ousadia tremenda, como levanta o próprio título. Mas como fazê-lo? Ken Loach entra em campo com um ímpeto de quem sabe administrar o resultado com o manual embaixo dos braços. Loach tem em mãos (ou em arquivo) um material enorme – a história recente da Inglaterra -, e a partir dele, pretende apreender o espírito de uma comunidade, de uma época que ao fim, como veremos, nos serve de exemplo. Este Zeitgeist, portanto, não é um fim em si mesmo, mas um discurso retórico.
Usar imagens como suporte de ideias que não estão necessariamente contidas no material bruto não é nada novo. Desde o EMB – Empire Marketing Board Film Unit –, em 1926, que o documentário se consolidava como a máquina sofisticada de propaganda do império britânico. A questão nunca foi a natureza propagandística, mas seus recursos invisíveis que escondem esta mesma natureza. Nisto, um filme panfletário, quando minimamente sábio, por questão de justeza, quando não brada aos berros sua parcialidade, ao menos, faz questão de evocar seu partidarismo. Pra quem já viu talvez qualquer outro filme de Ken Loach, essa premissa é clara antes mesmo de as luzes se apagarem.
Mas o marxismo de Loach ou o marxismo em si nunca pode ser auto-evidente. É preciso contar, exteriorizar, debater ou recriar a dinâmica da polis que se auto-implode. Regra de Aristóteles: a retórica, quando problematizada em si mesma, torna-se tanto mais eficiente quanto coercitiva; “somos persuadidos sobretudo quando entendemos que algo está demonstrado”. É aqui que O Espírito de ’45 parece um filme socialista feito para socialista, mas daqueles que não olham ao redor por achar que sua práxis seja cabal. Quem não embarca na teoria por inteiro, aquele que sempre suspeita, acaba vendo personagens encaixados em função de um discurso para um fim maior sendo que este “fim maior” dificilmente o é para além do diretor. A coerção se enfraquece.
A certa altura, quando já passamos do bem-estar da moradia com dois banheiros inacreditavelmente bom-para-ser-possível e adentramos o reino da crise, vemos um piqueteiro reclamando: “quem é esse que dá voz de comando para um policial dar chutes na minha canela”, corta para… Margaret Tatcher num plano vazio de significado – ela apenas olha e gestualiza dando tchaus para o público. O significado, claro, está no corte político e abominável que anula a própria perversão que a pura imagem da ex-primeira ministra facilmente poderia suscitar. É o tipo de manipulação da qual nos acostumamos a suspeitar. Se não éramos suspeitosos, acabamos por nos tornar.
Existe uma clara contradição em O Espírito de ’45 que não deixa de ser uma contradição do próprio cinema: como almejar o etéreo através do materialismo da imagem? Como se reconciliar ao passado, ao ponto da sensação fugaz de tocá-lo? Para Loach, esta resposta também já é dada há tempos: na banalidade do cotidiano do acontecido e na fala, na reminiscência do povo, do homem ordinário, que aqui tem o sentido mais louvável possível, do trabalhador comum. Os médicos, ferroviários, sindicalistas – estes assumem o papel que o jornalismo diário atribui aos “ólogos” de plantão, pois aqui não há estatística a ser buscada, mas a busca por um sentimento em comum.
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A PARTE DOS ANJOS - 2012

The Angels' Share, 2012
Legendado, Ken Loach

Classificação: Bom

Formato: AVI
Áudio: persa/curdo
Legendas: português
Duração: 80 min.
Tamanho: 698 MB
Servidor: Mega (Parte única)

LINK

SINOPSE
Robbie (Paul Brannigan) escapa, por pouco, de uma sentença de prisão. Ele acaba de ter um filho com a namorada Leonie (Siobhan Reilly) e promete que o futuro do primogênito será diferente de tudo que viveu. Durante o serviço comunitário, ele conhece pessoas que enfrentam a mesma dificuldade de encontrar emprego e descobre um dom em degustação de whisky, que pode mudar suas vidas para sempre.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.0


ANÁLISE

Ken Loach é daqueles diretores idealistas, que acreditam que através do cinema seja possível mudar o mundo – ou ao menos denunciar os absurdos do dia a dia, como fez ao lembrar os americanos que eles próprios já invadiram um país na data de 11 de setembro, no excelente curta-metragem por ele dirigido no filme coletivo 11 de setembro, ou ao retratar a luta pelos direitos trabalhistas em Pão e rosas. Loach procura inserir em seus filmes, mesmo os mais leves, pílulas com mensagens esquerdistas, onde é feita a defesa do ser humano perante o sistema imposto pelo capitalismo. É exatamente o que acontece com A parte dos anjos, seu novo trabalho.

Desta vez o diretor situa a história em plena Escócia, terra do kilt e do uísque. É lá que o jovem Robbie (Paul Brannigan) consegue escapar da prisão, graças principalmente ao fato de que sua namorada está grávida. Precisando dar um jeito na vida, ele tenta encontrar emprego enquanto presta serviços comunitários. Não consegue, graças à crise econômica enfrentada pelo país – olha o diretor aproveitando para inserir suas mensagens ao longo da história! É quando, em uma viagem feita por Robbie e outros companheiros de serviços comunitários, vem a grande descoberta: ele tem um olfato apuradíssimo para uísques. E irá usá-lo para sair desta situação.

Leve e descontraído, A Parte dos Anjos aposta firme no carisma do grupo de amigos que não sabe bem o que fazer da vida, liderados por Robbie. Em meio a tiradas espirituosas e bastante engraçadas surge um plano engenhoso, que explora de forma peculiar uma história bem particular do universo de quem fabrica uísque. É a tal "parte dos anjos" do título, termo dado aos 2% do barril que são perdidos devido à evaporação do álcool ao longo dos anos. Ou seja, trata-se da perda já esperada pelos fabricantes quando produzem a bebida, algo que será usado por Robbie e sua turma ao descobrirem um uísque de qualidade excepcional e, que, é claro, vale muito no mercado.

A Parte dos Anjos está longe de ser um dos melhores trabalhos de Ken Loach, mas com certeza é um dos mais despojados. A impressão que fica é que ele simplesmente relaxou ao rodar esta história, assim como aconteceu com À procura de Eric – seria uma espécie de pausa para respirar em meio a tantos filmes de temática mais pesada. Apesar do roteiro ser de certa forma simplório e previsível, é um filme que diverte sem apelar para o vulgar e que conta com um elenco coeso e afinado com o espírito proposto. Bom filme.

Análise retirada do site Adorocinema





sábado, 7 de dezembro de 2013

PÃO E ROSAS - 2000

Bread and Roses, 2000
Legendado, Ken Loach


Formato: AVI
Áudio: inglês/espanhol
Legendas: português
Duração: 110 min.
Tamanho: 1,36 GB
Servidor: Mega (Três partes)

LINKS

SINOPSE
As irmãs Maya (Pilar Padilla) e Rosa (Elpidia Carrillo), mexicanas de sangue quente, trabalham no serviço de limpeza de um prédio comercial no centro da cidade. O destinou colocou Sam (Adrien Brody), apaixonado ativista americano, no seu caminho, o que as leva a uma campanha guerrilheira contra seus patrões. A luta ameaça seu sustento, a família e faz com que corram o risco de serem expulsas do país.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.0


ANÁLISE

A situação de miserabilidade a que a dinâmica da sociedade burguesa expõe a população força esta última (mediante o recurso da alienação dos seus meios de produção e reprodução da vida) à venda, por qualquer preço, da sua força-de-trabalho em troca de pão, de alimentação, exclusivamente. As rosas são aí mera abstração. Para tentar se aproximar delas só com muita luta. Este é, sinteticamente, o sentido do nome da narrativa fílmica.

O início do filme de Ken Loach retrata uma realidade muito presente em países periféricos do sistema capitalista. A lógica do desenvolvimento “desigual e combinado” explica o intenso deslocamento de pessoas tanto interna (entre regiões de um mesmo país) quanto externamente (entre países). O fluxo migratório é assim fato comum em regiões brasileiras como o Nordeste do Brasil e o Vale do Mucuri, em Minas Gerais. Nesta última dificilmente se encontra alguém que não tenha parentes tanto em São Paulo, quanto, tal como a personagem Maya, nos Estados Unidos da América.

O tema migração tão bem abordado em “Pão e Rosas”, do ponto de vista sociológico é fato da maior importância. Aponta algo imanente à sociedade do capital, sobretudo agora em sua fase mundializada: a desterritorialização. A classe proletária, desprovida dos meios de sua produção e reprodução vê-se obrigada a vendê-la, a quem quer que seja e aonde quer que seja; mesmo que para isso corra riscos da maior intensidade, como atravessar desertos, negociar com os terríveis coiotes mexicanos, fugir de policiais de embaixada etc. Maya, a personagem central, nascida em Tijuana, México, dá-nos uma idéia precisa desta aventura. Além de um futuro incerto em terras distantes, a apreensão da família é outro efeito triste da dinâmica do capital. São comuns, na região nordeste do Brasil, os casos de “viúvas de marido vivo”, mulheres que aguardam o retorno dos companheiros que foram ao trabalho no estado de São Paulo e de lá não mandam notícias, há décadas.

Marx vê nas greves, mesmo naquelas com tendência trade-unionista, potenciais lócus de organização política da classe trabalhadora, além de propiciarem reações por parte da burguesia, que tendem a responder com equipamentos que poupam mão-de-obra, insuflando ainda mais a classe trabalhadora a sair da sua inércia, organizando-se coletivamente para a luta contra a sua exploração.

Sam Shapiro, um dos articuladores do movimento “Justice for Janitors”, sabe da dificuldade concreta que é a mobilização de uma parcela da classe trabalhadora que, imersa na imigração ilegal, reúne todas as características desejáveis pelos capitalistas para a extração de níveis exorbitantes de exploração de mais-valia e espoliação : baixo nível de escolaridade, estrangeira, ilegal, desarticulada entre si e predominantemente feminina. Sabe também que sem o desenvolvimento de um nível mínimo de sentimento de coletividade por parte dos sujeitos, nenhuma luta é passível de vitória.

Em tempos de selvagem neoliberalismo, o individualismo mesquinho burguês é a parede que contem a descrença, o medo, a falta de solidariedade e o sentimento de fatalismo entre a classe trabalhadora. Ao invés de se pensar na perspectiva de classe, os proletários tendem a digladiarem entre si, e a reagir, inicialmente, a qualquer tentativa de “quebra desta parede” (“Justiça para Rosa!” , afirma a faxineira Rosa). Numa clara tentativa de desnaturalizar a precária situação do grupo de faxineiros da empresa de faxina “Angel”, o jovem militante aponta historicamente a trajetória da empresa em que trabalham. Porém, foi a situação limite de abuso a uma das funcionárias da companhia, praticado pelo autoritário gerente Perez, que acarretou a procura dos funcionários ao sindicato. Perez, apesar de latino, volta-se contra aquele grupo, a que na realidade faz parte. Resposta inteiramente conformista ao capital, típica pseudo transformação de “oprimido em opressor”, como nos ensina o mestre Paulo Freire. 

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terça-feira, 4 de setembro de 2012

APENAS UM BEIJO - 2004

Ae Fond Kiss..., 2004
Ken Loach
Classificação: Ótimo



Formato: AVI
Aúdio: Inglês
Legendas: Português
Duração: 100 minutos
Tamanho: 694 Mb
Servidor: Mediafire
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SINOPSE 
Na Escócia, o jovem paquistanês Casin sofre com os apelos da família para se casar com sua prima. Mas o rapaz está apaixonado pela professora de música da sua irmã, uma irlandesa católica. Eles iniciam um relacionamento, mas Casim fica dividido entre a paixão e a família.
Fonte: Cineplayers


ANÁLISE 

por Neusa Barbosa


Quem procura uma história de amor profunda e intensa, encontra aqui. Mas, em se tratando de um filme de Ken Loach, o romance não é tudo. Mesmo sem ter uma mensagem (pelo menos não didaticamente), com certeza o filme tem contexto – o de uma sociedade multiétnica e multirreligiosa, na Escócia, que não vê normalmente o amor entre um descendente de paquistaneses muçulmano, Casim (Atta Yaqub), e uma irlandesa católica e loura, Roisin (Eva Birthistle). 

Para eliminar de saída qualquer parcialidade – afinal, Loach é inglês, branco e foi pelo menos educado na religião cristã -, a história começa ouvindo o outro lado. Numa sala de aula, ouve-se discurso de uma muçulmana, Tahara (Shabana Akhtar Bahsh), a combativa irmã de Casim, dizendo aos colegas lourinhos porque é contra o que considera a simplificação ocidental em relação a muçulmanos, como ela. Tahara defende sua própria mistura pessoal: é uma escocesa filha de paquistaneses radicados no país há mais de 30 anos, muçulmana e, como a maioria dos colegas, torcedora do Glasgow. Em outras palavras, está pedindo licença para existir como é. Uma afirmação do clássico “direito à diferença”.

A fala de Tahara, uma personagem secundária, abre espaço para a trama central, do romance complicado que tem tudo a ver com isso. Casim é um DJ, formado em contabilidade, que procura montar sua própria empresa de eventos com um amigo. Sua vida pessoal já está definida: seu casamento com uma paquistanesa que não conhece foi arranjado na infância, entre as duas famílias. Qualquer tentativa de romper este compromisso, que segue costumes milenares da sociedade paquistanesa, é uma declaração de guerra capaz de fraturar drasticamente a família. É o que acontece quando ele se apaixona por uma das professoras do colégio da irmã, Roisin.

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