Importante

Para que o blog continue é fundamental que vocês deixem o filme compartilhando por pelo menos 3 vezes o tamanho do arquivo original. Se um arquivo tem o tamanho de 1gb, é importante que vocês deixem compartilhando até atingir 3gb. Isso ajudará a manter o arquivo com seeds (sementes) para que outras pessoas possam baixam os arquivos.
Mostrando postagens com marcador .Miguel Gomes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador .Miguel Gomes. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de maio de 2017

AS MIL E UMA NOITES: VOL. 1, O INQUIETO - 2015

As Mil e Uma Noites: Volume 1, O Inquieto, 2015
Legendado, Miguel Gomes
Clique na imagem para assistir ao trailer

Formato: mkv
Áudio: português/inglês/francês/alemão/mandarim
Legendas: PT-Br
Duração: 2h 05min.
Tamanho: 1,83 Gb
Servidor: 1Fichier (Parte única)

LINK

SINOPSE
Encadeando histórias que vão das manifestações de rua ao silêncio dos estaleiros de Viana do Castelo, passando pelo desespero de um desempregado, pelas manobras do político euro(s)centrado, pelos incêndios de Verão ou mesmo pelo tradicional banho de Ano Novo, é traçado um retrato do Portugal real – mesmo que essa realidade tome por vezes uma aparência absurda e fantasiosa – que pulsa sob o jugo da austeridade.
Realizado por Miguel Gomes ("Aquele Querido Mês de Agosto", "Tabu"), "O Inquieto" é o primeiro tomo de uma trilogia que se completa com "O Desolado" e "O Encantado". A colecção toma o título – e a estrutura – dos famosos contos árabes clássicos em que a princesa Xerazade oferecia todos os dias, em troca da sua vida, uma história nova ao rei Shahriar. Todos os volumes d'"As Mil e Uma Noites" de Miguel Gomes são também narrados por uma Xerazade e começam por parafrasear a contadora de histórias original: "Escuta, ó venturoso rei, fui sabedora de que, num triste país entre os países..." As filmagens do tríptico decorreram ao longo de um ano, começando em Agosto de 2013, a partir de um guião em construção que tinha como base histórias recolhidas na sociedade portuguesa contemporânea por um grupo de jornalistas: Maria José Oliveira, Rita Ferreira e João Dias. O realizador descreve o projecto como um misto de "ficção e retrato social, tapetes voadores e greves", lembrando que "imaginário e realidade nunca puderam viver um sem o outro (e Xerazade bem o sabe)".
Desde a sua estreia na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, onde foi calorosamente recebido, "O Inquieto" percorreu os grandes festivais de cinema internacionais, arrecadando distinções como o Prémio da Crítica Internacional (Fipresci) ou o prémio máximo da selecção oficial do Festival de Cinema de Sydney.

Fonte: Cinecartaz
The internet movie database: IMDB - Nota IMDB: 7.1

Screenshots

sábado, 26 de julho de 2014

AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO - 2008

Aquele Querido Mês de Agosto, 2008
Miguel Gomes, Legendado
Formato: MKV
Áudio: Português
Legendas: En
Duração: 144 min.
Tamanho: 1,36 GB
Servidor: MEGA

LINK


SINOPSE:
No coração de Portugal, serrano, o mês de Agosto multiplica os populares e as actividades. Regressam à terra, lançam foguetes, controlam fogos, cantam karaoke, atiram-se da ponte, caçam javalis, bebem cerveja, fazem filhos. Se o realizador e a equipa do filme tivessem ido directamente ao assunto, resistindo aos bailaricos, reduzir-se-ia a sinopse: «Aquele Querido Mês de Agosto acompanha as relações sentimentais entre pai, filha e o primo desta, músicos numa banda de baile». Amor e música, portanto.
Notação IMDB: 6,9


Trailer, Sheet & Screenshots



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A CARA QUE MERECES - 2004

A Cara que Mereces, 2004
Miguel Gomes
Formato: AVI
Aúdio: Português (Portugal)
Legenda: Português
Duração: 103 minutos
Tamanho: 970 Mb
Servidor: Zippyshare

LINKS

SINOPSE
Francisco, comporta-te! Bem sei que hoje fazes 30 anos, que é carnaval e que vestes de cowboy na festa do colégio, cercado por miúdos que detestas. Controla-te, rapaz! Não vês que assim já não te aturam? E depois, como é que é? Partes a cabeça, vais para o hospital, ficas com sarampo e já não tens ninguém para tratar de ti... Como à Branca de Neve, davam-te jeito sete anões... Francisco, repete comigo: "Até aos trinta anos tens a cara que Deus te deu, depois tens a cara que mereces"
Fonte: Ípsilon


ANÁLISE

por  Luís Miguel Oliveira

Não é muito seguro que aquilo que mais se repete acerca de "A Cara que Mereces", inclusive pelo realizador, seja o que há de mais significativo nele. Uma crise existencial de um homem que faz trinta anos: parece uma sinopse de um drama psicológico, tudo o que o filme não é (nem "drama" nem "psicológico").

Vejamos isso como um "gag", porta de entrada, "gancho", de uso só justificável perante a dificuldade em lidar (ou em definir com rigor) com o que acontece em "A Cara que Mereces", filme que se instala num desnível entre a "efabulação" e o "efabulado". Não é metafórico, não é literal: está algures entre os dois, numa terra de ninguém que o filme procura, encontra, e alimenta até ao fim (até, de facto, não sobrar ninguém na terra). 

Essa terra é, claro, uma "cosa mentale", narrativamente falando o produto do delírio febril de um protagonista que um feroz ataque de sarampo (entre outras vicissitudes) deixou em estado semi-comatoso. Mas é também uma "cosa cinematografica": um filme projectado na cabeça dum espectador adormecido. É curioso, mas o filme português que "A Cara que Mereces" mais faz lembrar é a "Branca de Neve" de João César Monteiro: um filme que suspende todos os vínculos "automáticos" ao real, que conduz o espectador (com suavidade, aliás) para um modelo de realidade e para um registo de representação (para um "mundo") com regras criadas (e definidas com precisão) pelo próprio filme. O espectador, como diria Straub, é "livre" de aceitar ou não, mas uma vez lá dentro não tem retorno: o "mundo" desbobina-se em fluidez e fidelidade às suas premissas, e nunca volta para trás. Se isto é um filme sobre um homem que vê "filmes", é relativamente natural que aja segundo uma mecânica de "protótipo" da relação entre um espectador (qualquer um) e um filme (qualquer um). 

Dissemos que o filme conduz o espectador com suavidade. Expliquemos, porque essa sequência, a da "transição", é o momento decisivo do filme. E é, seguramente, o momento decisivo na definição da relação que o espectador vai manter com ele: aí se decide se vai com ele ou se bate os pés e dá meia volta. O filme começa, em ambiente carnavalesco justificado pela narrativa (uma festa numa escola), com miúdos e graúdos disfarçados das mais diversas coisas. A atmosfera ainda é, no entanto, "real". Começa-se a desenvolver uma tragicomédia da regressão, com uma personagem (a de José Airosa) enfastiada, mal disposto com a perspectiva de fazer 30 anos, com problemas de relacionamento com os outros, de amuo fácil e capaz de ter sentimentos mesmo com as crianças que andam por ali à volta. Como uma fantasia musical à la Demy, de vez em quando entra música e as personagens cantam, em diálogo ou em monólogo. Há "gags", é fácil rir. 

Depois a coisa sobrecarrega-se, o protagonista fica cada vez mais doente, mais zangado. Refugia-se numa casa de campo, longe da cidade, e adormece, cheio de febre. É a partir desse momento que o espectador fica com a cara que merece, o que vem a seguir equivale ao "trigésimo aniversário" de quem está a ver o filme (isto é uma piada). A música começa a soar como se se preparasse uma sessão de hipnotismo, como um gongo em cadência certa. Alguma coisa se passa, entre um adormecimento e um despertar - o protagonista transformou-se em Bela Adormecida, e sete personagens (como na Branca de Neve, justamente), sete criaturas tão palpáveis como as criaturas oníricas, tomam conta do espaço. Doravante o filme será deles, sempre em nome do adormecido. Têm características distintivas, como personagens de conto infantil, e estão submetidos a regras, incessantemente enunciadas - é o bastante para fazer um "mundo". A sequência da transição leva tempo, permite que o espectador "transite" sem brusquidão (mais cruel, Hitchcock matou a protagonista de "Psico" duma penada, durante um duche). Por outro lado, um despertar pode ser demorado, e ainda mais se se trata da habituação a um mundo redesenhado por uma nova luz: chamem-lhe exagero ou disparate, mas esta sequência tem o ritmo e a duração da longa cena de pugilato entre os protagonistas do "They Live" de John Carpenter, onde se tratava de convencer alguém a pôr uns óculos e a olhar para as coisas de uma maneira diferente.

Apesar das premissas "fabulosas", e apesar da associação das personagens a um comportamento infantil, nada faz rir: é uma história de adultos, com traições, lealdades, desencantos, viagem duma harmonia comunitária e familiar à solidão magoada da maturidade. "Adeus, amigos", já não nos divertimos aqui. Não há nada de regressivo nisto, nem nas conclusões. 

Mas em toda esta segunda parte - é o que tem de mais notável - pontifica um permanente desejo, como um desejo de cinema e de histórias. "Histórias...", desabafa uma personagem, antes de um dos mais bonitos planos do filme (um lago e barquinhos de papel coloridos). Estamos na terra do cinema, onde a coisa mais sensual do filme pode ser a maneira como dois planos se colam um ao outro, onde uma palavra pode ter o poder de lançar uma história e - contra todas as expectativas - encontrar as imagens correspondentes (a uma história de piratas, por exemplo). Entre a metáfora e a literalidade, "A Cara que Mereces" (é o seu único lado jubilatório) deixa-nos com a única palpabilidade possível: a do cinema, simultaneamente ilusão e palpabilidade. E um pouco de aventura, com os diabos.  

Texto retirado do site Ípsilon








quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

TABU - 2012

Tabu, 2012
Miguel Gomes

Formato: AVI
Aúdio: Português (Portugal)
Legenda: Português
Duração: 100 minutos
Tamanho: 867 Mb
Servidor: Zippyshare

LINKS
Parte 4
Parte 5

SINOPSE
Uma idosa temperamental, a sua empregada cabo-verdiana e uma vizinha dedicada a causas sociais partilham o andar num prédio em Lisboa. Quando a primeira morre, as outras duas passam a conhecer um episódio do seu passado: uma história de amor e crime passada numa África de filmes de aventura.
Fonte: Cineplayers

IMDB
TRAILER
 
 ANÁLISE

Aurora.

por Filipe Furtado

Tabu contém uma das grandes sequencias de abertura do cinema recente: o próprio cineasta Miguel Gomes narra a anedota sobre um explorador europeu na África que, após perder a esposa, desaparece na floresta, é consumido por um crocodilo e numa antropofagia dos sentimentos se transmuta nele para a partir dali olhar. Há algo de sedutor nas imagens com as quais Miguel Gomes conta sua pequena história (versão em miniatura de muito do que virá a seguir), na maneira como Tabu encontra o equilíbrio entre o sentimento de descoberta ali contido e um profundo lamento romântico presente em seu espírito. Tabu é uma meditação sobre nostalgia e, como todos os grandes filmes sobre a História, é uma obra sobre o hoje.

Diante de Tabu, difícil não pensar na introdução do “A Era dos Extremos”, de Eric Hobsbawn, e sua afirmativa, já absolutamente datada no dia da publicação do livro, de que o século XX mergulhou num extremo de barbarismo sem igual na história da humanidade. É uma afirmação que se revelava datada não pela experiência das duas guerras mundiais que as informa, mas porque trai, por parte do grande historiador inglês, seu inevitável eurocentrismo, afinal o que exatamente torna o barbarismo das duas guerras da primeira metade do século mais intenso do que o de todas as guerras coloniais dos séculos anteriores que ajudaram a sustentar os mesmos impérios europeus que ruíram no pós-II Guerra? Tabu é essencialmente um filme sobre a impossibilidade hoje deste olhar eurocêntrico. Não é por acidente que seu casal de protagonistas, Aurora e Gian Luca, pertençam à mesma geração do historiador inglês, a última para o qual este olhar ainda chegava de forma natural (e não efeito dos delírios nostálgicos de setores da extrema direita do continente), para qual o paraíso europeu ainda era algo com o qual se podia sonhar.

O nome Tabu inevitavelmente traz associações claras à própria experiência de F.W. Murnau com sua fita romântica colonial, mas é bom saber que originalmente Miguel Gomes pretendia dar a Tabu o nome de sua protagonista Aurora (a opção final foi decorrência de Cristi Puiu retomar o nome Aurora primeiro), de conotação igualmente próxima ao cineasta alemão, mas que pressupõe outra aventura romântica e outra forma de deslocamento para a colônia – não para a obscura Polinésia, mas a desenvolvida America e com ela uma mudança radical nas relações de poder entre o cineasta e o mundo que desvenda. 

O cinema é absolutamente central a tudo que torna Tabu o filme que ele é. Poucas vezes nos encontramos diante de um filme no qual a cinefilia informa tão diretamente seus méritos. É só através do cinema que este olhar pode ser recuperado e devidamente lamentado por uma última vez. Todo o filme se constrói sobre a arte do filtro narrativo, e se há algo espantoso no trabalho de Miguel Gomes aqui é justamente a maneira como ele pega o que poderia facilmente ser um empecilho e usa-o para amplificar a força do seu filme. Tabu é um filme sobre projeções (as de Pilar, das duas Auroras, de Santa, etc.) na qual o cinema assume o seu grande papel de mediador da história. Somente esta arte tão central ao século XX pode dar conta deste funeral, pode permitir que este olhar se projetasse uma última vez. Tabu encontra o poder do melodrama por meio de todas as técnicas de distanciamento possíveis para a narrativa cinematográfica. Nisto, Miguel Gomes não deixa de retomar o caminho de Murnau, que alcançava similares resultados lançando mão de todo o peso do maquinário hollywoodiano.

Aqui, se está sempre com as emoções devidamente afloradas. Não à toa, todos os personagens se põem a chorar o tempo todo. Ninguém dissimula no mundo de Tabu; a irritação de Aurora com Santa e vice-versa, a paixão do pintor por Pilar, a irritação dela ao saber que não receberá sua turista romena, o amor entre Aurora e Gian Luca e a reprovação de seu amigo Mário... tudo em Tabu, mesmo o que permanece não dito, é sempre claro e direto, se resolve através de gestos e ações. A certa altura, Pilar vai ao cinema com seu amigo pintor e Gomes a filma emocionada, a ouvir uma versão em castelhano para “Be My Baby” das Ronettes – mesma versão que veremos a banda de Mário e Gian Luca tocar na segunda metade do filme. Podemos dizer que Pilar já vira o “Paraíso” de Tabu, mas é melhor dizer que o cinema a preparou para experienciar o “Paraíso” de Tabu.  

Continue lendo no Cinética