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sábado, 30 de março de 2019

VIOLÊNCIA GRATUITA - 1997

Funny games, 1997
Legendado, Michael Haneke

Formato: avi
Áudio: alemão
Legenda: português
Duração: 108 min.
Tamanho: 690 MB
Servidor: Uptobox (Parte única)

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Parte única

SINOPSE
Um simples período de férias em sua casa de campo à beira de um lago é transformado em pesadelo para uma família quando, estranhamente, recebem a visita de dois jovens psicopatas, que os submetem a um tenso jogo de tortura psicológica.

Fonte: Cineplayers

Rotten Tomatoes Critics - Certified Fresh              66%
Rotten Tomatoes Audience - Upright                83%
IMDb Rating          7.6
Trailer




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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

HAPPY END - 2017

Happy end, 2017
Legendado, Michael Haneke

Formato: mkv
Áudio: francês/inglês
Legenda: Português
Duração: 1h 47 minutos
Tamanho: 1,87 Gb
Servidor: 1Fichier

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Parte única

SINOPSE
Calais, França. Georges Laurent (Jean-Louis Trintignant) é o patriarca da família, que está preso em uma cadeira de rodas. Sua filha Anne (Isabelle Huppert) ainda mora com ele, enquanto que seu filho Thomas (Matthieu Kassovitz) acaba de retornar para a casa do pai, junto com a esposa e a filha Eve (Fantine Harduin), cuja mãe faleceu recentemente. Entre eles existe uma intensa incomunicabilidade, que faz com que todos levem a vida segundo seus interesses pessoais.
Fonte: Adorocinema

7.0/10                                     Trailer


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quarta-feira, 9 de abril de 2014

A FITA BRANCA - 2009

Das Weisse Band: Eine deutsche Kindergeschichte, 2009
Legendado, Michael Haneke
Classificação: Excelente

Formato: AVI
Áudio: alemão
Legendas: português
Duração: 144 min.
Tamanho: 1,37 GB
Servidor: Mega (Parte única)

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SINOPSE
1913. Em um vilarejo no norte da Alemanha vivem as crianças e adolescentes de um coral, dirigido por um professor primário (Christian Friedel). O estranho acidente com o médico (Rainer Bock), cujo cavalo tropeça em um arame afiado, faz com que uma busca pelo responsável seja realizada. Logo outros estranhos eventos ocorrem, levantando um clima de desconfiança geral.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.8


ANÁLISE

A frieza cirúrgica e o rigor formal no tratamento das imagens são características centrais na obra do diretor austríaco Michael Haneke, um dos mais polêmicos, inteligentes e originais autores do cinema europeu contemporâneo. Além disso, Haneke tem se mostrado um realizador fascinado pelo tema da violência, que aborda quase sempre de maneira elíptica e indireta, propondo investigações abertas e quase sempre inconclusivas sobre suas origens históricas. “A Fita Branca” (Das Weisse Band, Áustria/Alemanha/França/Itália, 2009) sintetiza com muita propriedade todas essas características, embora não esteja no mesmo patamar dos melhores trabalhos do diretor (sobretudo “Caché”, de 2005, e “A Professora de Piano”, de 2001).
Ironicamente, “A Fita Branca” caminhou célere para se tornar o mais conhecido filme de Haneke depois de vencer a Palma de Ouro no festival de Cannes de 2009. Após acumular mais alguns prêmios ao longo da temporada de festivais europeus, o longa-metragem recebeu o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro em 2010, e transformou-se em objeto de disputa entre os governos da Alemanha e da Áustria, ambos interessados em acolher o filme como produção caseira – a primeira nação ganhou a disputa e obteve o direito de indicar o longa-metragem à disputa do Oscar, o que desagradou profundamente à co-irmã germânica, pátria de origem de Haneke (que por sua vez está radicado em Paris desde 1998).
De qualquer modo, trata-se de um filme realizado na melhor tradição deste diretor: uma obra inclassificável, dura e iconoclasta, que convida a um longo e opressor passeio por um vilarejo rural da Alemanha em 1913-1914. O lugar, habitado por pequenos núcleos familiares de agricultores humildes, funciona a partir de um sistema de organização feudal. A vila é dominada por três homens que dividem o poder de maneira infomal – um proprietário rural (Ulrich Tukur), um pastor protestante (Burghart Klaussner) e um médico (Rainer Bock). Numa leitura simbólica, poderíamos dizer que cada um representa uma forma de controle social na melhor tradição de Michel Foucault: o barão simboliza o poder econômico, o pastor é a religião, e o médico representa a ciência.
A fita branca do título se refere a um adereço que os filhos do pastor são obrigados a usar, atados ao braço, depois de protagonizarem um dos estranhos incidentes vividos pelos habitantes da vila pouco antes da explosão da Primeira Guerra Mundial. Segundo a rígida educação recebida pelas crianças da aldeia, a fita representa o ideal de pureza que cada um deve perseguir. No entanto, alguém na vila não parece muito interessado nesse tipo de raciocínio, já que incidentes violentos teimam em acontecer, quase sempre inesperadamente. Há um acidente com o médico, outro (fatal) com a esposa de um agricultor, um incêndio, a destruição de uma plantação de repolhos. Uma criança deficiente é terrivelmente mutilada; outra sofre torturas e é abandonada num celeiro. O responsável não é localizado, apesar das ameaças (veladas e explícitas) de punições duras por parte do barão.
A história é narrada pelo professor da escola da aldeia (Christian Friedel) com a voz de um homem idoso que já viu tudo na vida, mas não necessariamente entendeu o que viu. Durante os eventos narrados de memória, ele é apenas um rapaz de 31 anos apaixonado pela babá dos filhos do barão (Leonie Benesch). Os dois têm, de certa forma, o único relacionamento aparentemente saudável entre os habitantes da aldeia. As demais famílias, criadas à base de castigos, privações e falta de carinho, enfrentam todo o tipo de problemas: incesto, alcoolismo, adultério, violência física e moral.
Aos poucos, o professor começa a desconfiar que os incidentes violentos podem ter alguma relação com as crianças do lugar. O filme não sugere isso de forma ostensiva, mas Haneke é claro o suficiente para nos apresentar os acontecimentos como uma espécie de explicação antropológica para a explosão do nazismo. O diretor austríaco parece dizer o seguinte: junte uma educação repressora e autoritária com uma crise econômica, social e política sem precedentes (crise esta que aparece sob a forma da guerra, mencionada nos noticiários ao longo do filme), e o que se tem é um cenário perfeito para o surgimento de um regime fascista.
Tudo isso é filmado com o tradicional rigor formal de Haneke: câmera fixa, tomadas longas, abundância de planos gerais, composições pictóricas impecavelmente construídas com grande profundidade de campo (efeito amplificado pelo uso do formato Super 35 na captação de imagens, e também amplificado pelo preto-e-branco, duas características que diminuem a necessidade de luz artificial durante as gravações e aumenta a área em que a câmera consegue manter o foco), iluminação expressionista repleta de luzes fortes e grandes áreas de sombra. O elenco, formado por atores de rostos duros instruídos a atuar de forma contida, acentua ainda mais o clima de frieza cirúrgica característico da obra de Haneke. Há pelo menos um par de cenas antológicas – a discussão dura entre o médico e sua amante, perto do final do filme, é de uma perversidade tipicamente hanekeana – e um final ambíguo perfeitamente adequado ao filme e à obra de Haneke como um todo.
Embora chamar “A Fita Branca” de filme de suspense seja obviamente colocar um rótulo redutor num longa-metragem que é muito mais do que isso, também é evidente que Haneke bebeu desta fonte. Parece claro que ele viu “A Vila dos Amaldiçoados” (1960), outro filme sobre um vilarejo rural onde as crianças são elemento-chave para a solução do mistério, e há elementos na trama que evocam a atmosfera de “A Vila” (2004). De certa forma, “A Fita Branca” faria uma sessão dupla perfeita com “O Ovo da Serpente” (1978), de Ingmar Bergman, também um filme que se dedica a examinar a sociedade alemã pré-nazista, só que de uma perspectiva mais urbana. Além e acima de tudo isso, sobretudo, destaca-se claramente a noção de que a combinação crianças + violência é uma constante nas produções do diretor austríaco, e nesse sentido “A Fita Branca” pode ser compreendido como filme-irmão de “Caché” (2005). Ótima experiência cinematográfica, mas prepare-se para suar na cadeira.

Análise retirada do site Cinereporter































































































































































quarta-feira, 16 de outubro de 2013

AMOR - 2012

Amour, 2012
Michael Haneke
Formato: AVI
Aúdio: Francês
Legendas: Português
Duração: 121 minutos
Tamanho: 1,70 Gb
Servidor: Depositfiles (2 partes)

LINKS
Parte 1
Parte 2


SINOPSE
Georges e Anne estão na faixa dos oitenta anos. Ambos são professores de música aposentados. Sua filha, que também é musicista, mora no exterior com sua família. Um dia, Anne sofre um derrame e o vínculo amoroso do casal é severamente testado. 
Fonte: Cineplayers



ANÁLISE


 O declínio… Haneke nunca falou de outra coisa. Aquele momento onde se titubeia, ou por acidente, ou pelo acaso, ou pela morte. Amor à morte. Ou amor, para a vida, para a morte. Eis o tom de seu novo olhar,  clínico, sincero, atordoante para um casal, para um sentimento puro que tanto se canta e se filma. Um casal, ambos idosos, onde curiosamente o próprio coração quebra a comunhão e os encaminha direto para o esquecimento, onde o espírito se foi e o corpo não existe mais. Sóbrio e modesto, as cenas, jamais supérfluas, vão direto ao ponto e criam uma dependência cada vez maior: A da esposa pelo marido. Ao do nosso amor por esse filme.

É um choque ver essa mulher, ex-pianista, alegre, que ama a literatura e a música, envelhecer diante de nossos olhos para um estado letárgico e humilhante. No entanto, este sofrimento visível (da notável Emmanuelle Riva) não deve obscurecer o sofrimento íntimo de seu marido (Jean-Louis Trintignant, um monstro de gentileza) que desesperadamente vê seu grande amor escapar-lhe pelos dedos, fugindo para um mundo onde a infância ressurge por palavras incoerentes. 

A química desses atores produz um casal tocante, bonito, justo. Irresistível amar esses dois caminhando para a extinção, para o fim de uma vida quando a senilidade destrói cada lembrança, mesmo as mais bonitas. Resta a vontade de sair dignamente, acabar com este horror psicológico, de tanta ansiedade e pesadelo; De, enfim, fugir deste sofrimento e não ser julgado pelo livre-arbítrio. Não se trata só de amor, mas de respeito.

Para Haneke, que gosta de flutuar sob a felicidade. A ameaça de uma catástrofe nunca está longe (como em CACHÉ). E se ele tem dificuldade de abandonar seus personagens no final, provavelmente é por desejo de exorcizar sua própria morte. Sua câmera desliza em uma prisão geométrica, entre as portas do céu e do inferno e destila, algo muito novo para ele, algum escárnio, algumas ninharias. Os diálogos são escritos com a mecânica teatral e, algumas vezes, até com humor diante dos pensamentos que assombram o dia-a-dia: “O que você diria se ninguém veio ao seu funeral… Nada, provavelmente”.

AMOUR é puro finesse psicológico. Preciso. Emocionante. Delicado. Sim, a frieza habitual do cineasta está presente, mas em um tom mais caloroso, mais terno. Haneke nos mostra, afinal, que uma longa vida pode ser bela, mas que é inútil ir atrás quando não se resta mais nada. Nesse ponto, desolados, vemos Isabelle Huppert, e nos sentimos vivos novamente.


 

domingo, 21 de abril de 2013

CACHÉ - 2005

Caché - 2005
Legendado, Michael Haneke

Classificação: Excelente

Formato: AVI
Áudio: francês
Duração: 117 min.
Tamanho: 700 MB
Servidor: Mega (2 partes)

LINKS

SINOPSE
Um dia Georges (Daniel Auteuil e sua esposa Anne (Juliette Binoche) recebem uma fita de vídeo com imagens de sua casa, que fora filmada por uma câmara instalada na rua. Depois disso começam a receber desenhos sinistros. Assustado, o casal tenta descobrir o autor daquelas misteriosas ameaças que perturbam a paz de sua família. Logo percebem que quem os persegue conhece mais sobre o seu passado do que eles poderiam esperar.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.3


Análise
A primeira cena de “Caché” (França/Áustria/Alemanha/Itália, 2005) ilustra bem o aspecto do arrojado filme de Michael Haneke que mais chama a atenção da platéia. Trata-se de um longo plano estático de uma residência de classe alta, mostrada à distância, durante cinco minutos, sem cortes. Na metade da tomada, a imagem é congelada, rebobinada e depois avançada em alta velocidade, enquanto ouvimos duas pessoas que não aparecem na tela discutindo sobre ela. Só então descobrimos que não estamos vendo o filme em si, mas sim o filme dentro do filme – uma fita de vídeo que o casal de protagonistas de “Caché” assiste, na sua TV de plasma de alta definição.
Michael Haneke (1942)
O conteúdo da fita é tão prosaico e trivial quanto assustador, pelo menos para o casal George (Daniel Auteuil) e Anne Laurent (Juliette Binoche), burgueses cultos que vivem confortavelmente com o filho adolescente Pierrot (Lester Makedonsky). A casa mostrada na fita é o lugar onde eles vivem. O tape, deixado na porta da mansão dentro de uma sacola plástica, demonstra aos dois que alguém está vigiando a família (nesse sentido, o tema de “Caché” lembra um pouco o do alemão "Edukators”). Não há nenhuma pista de quem, como ou por que a vigilância está acontecendo. As fitas continuam a chegar regularmente, às vezes acompanhadas de desenhos infantis de aparência ameaçadora. Os acontecimentos perturbam severamente o tranqüilo, quase monótono, cotidiano da família.
Boa parte da tensão experimentada pela platéia ao assistir a “Caché” tem relação direta com o modo usado por Haneke para captar as imagens. O diretor austríaco filmou em vídeo digital de alta definição, dando preferência a planos estáticos, de meia distância. Além disso, utilizou a mesma técnica para registrar as imagens das fitas de vídeo gravadas pelo misterioso espião dos Laurent. Desse modo, todas as vezes que uma tomada dessas aparece na tela – e quem conhece a obra de Michael Haneke sabe que ele gosta muito desse tipo de tomada –, a platéia fica sem saber se a cena faz parte do filme ou se é o filme dentro do filme. Ou seja, a ação mostrada tanto pode ser o presente como o passado gravado pelo criminoso. A sensação de desorientação permanece durante toda a duração de “Caché” e é diretamente responsável pela atmosfera tensa que permeia todo o filme.
Provocar essa confusão na cabeça do espectador é claramente uma atitude intencional do diretor; a simples decisão de filmar o conteúdo das fitas da vigilância dos Laurent com a mesma tecnologia do resto do filme é um aspecto que diferencia imediatamente a obra de Haneke do cinema mainstream. Qualquer thriller de suspense que partisse da mesma idéia inicial – engenhosa e muito inteligente, tanto que Hollywood já fala em refilmá-la – com certeza faria diferente, criando “fitas” com aparência granulada que permitisse ao espectador diferenciar instantaneamente o que era o filme e o que era gravação do espião. Haneke, contudo, é conhecido por gostar de enredos abertos, que permitem várias linhas de interpretação e deixam inúmeras lacunas a serem preenchidas pelo espectador. Certamente ele não iria desperdiçar essa oportunidade de confundir, ao invés de explicar.
A estratégia, por si só, já pode levar a uma reflexão interessante a respeito da confusão entre ficção e realidade, entre a vida como ela é a as narrativas sobre essa mesma vida. Mas é bom não perder de vista a história que está sendo contada, pois há muito o que ruminar sobre ela. Á medida que o mistério vai sendo desfeito, por exemplo, começa-se a perceber que o misterioso espião parece conhecer bem o passado de George; talvez ele tenha um motivo pessoal para estar ameaçando os Laurent daquele modo. A narrativa segue então rumos inesperados, e oferece uma leitura crítica muito original e interessante sobre um tema que muito tem preocupado a classe média intelectual européia, de onde vêm a maior parte dos cineastas da região: a conflituosa e tumultuada relação entre os grupos raciais dominantes e as minorias étnicas oriundas de países colonizados por europeus.
Quem já visitou ou tem alguma familiaridade com os países do continente europeu vai compreender melhor essa tensão social que ressoa fortemente em “Caché”. A grosso modo, pode-se dizer que cada grande potência européia tem, dentro de si, uma população minoritária formada por descendentes ou imigrantes de países do Terceiro Mundo que foram colonizados por aquela nação específica. Na Inglaterra são os indianos e paquistaneses; na Alemanha, os turcos; na França, os argelinos, e assim por diante. Essas minorias funcionam em cada país como os negros no Brasil: vivem disfarçadamente segregados em classes sociais mais baixas e com menos escolaridade, vítimas de preconceito velado pelos brancos dominantes.
Uma das leituras possíveis para “Caché” é de que George seja uma alegoria para a França, pelo menos na maneira hesitante e confusa como se relaciona com seu passado. Do ponto de vista do thriller, vale ressaltar que Haneke o dirige com eficiência impecável, recorrendo a aspectos técnicos quase imperceptíveis para injetar tensão na trama. O diretor recusa o uso de música, compondo a banda sonora apenas com diálogos e sons ambientes. Dessa forma, ele dribla uma das principais funções da música nos filmes, que é preparar a platéia para o que vem a seguir.
Para entender o raciocínio, tome como exemplo um filme de terror. Se o volume da música começa a aumentar, instintivamente você espera tomar um susto – nesse caso, a trilha sonora antecipou algo que seria mostrando instantes depois. Mas “Caché” não tem música, e o espectador fica sem referências para antecipar aquilo que acontecerá a seguir. Isso faz com que, inconscientemente, comecemos a procurar esses dados dentro do código de imagens construído pelo próprio filme. Tendo completo domínio técnico do que acontece, Haneke nos nega essa antecipação; uma das principais referências possíveis – o uso de tecnologias diferentes para captar imagens do filme e das fitas gravadas pelo espião – é sistematicamente recusada pelo diretor. O resultado disso é tensão, pois jamais conseguimos prever o que vai acontecer a seguir.
O espectador que estiver procurando um thriller clássico sobre a busca a um criminoso deidentidade desconhecida corre o risco de achar “Caché” decepcionante. O cineasta austríaco, como tradicionalmente faz, despreza as regras do gênero escolhido para subvertê-lo, desconstruí-lo e então remontá-lo segundo sua própria lógica. Isso fica evidente, em “Caché”, durante uma inesperada seqüência de violência gráfica que põe o filme ao lado de “Violência Gratuita” (1997) como um dos títulos mais perturbadores da filmografia de Haneke. Muito bom.
PS: Preste bastante atenção à última tomada do filme, mais um daqueles planos estáticos de meia distância que pode ser, ou não, uma fita. É possível que ele ajude, se bem observado, a esclarecer algumas perguntas que ficaram no ar.

Análise retirada do site cinereporter