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domingo, 20 de janeiro de 2013

PRIMER - 2004

Primer, 2004
legendado, Shane Carruth

Formato: AVI
Aúdio: Inglês
Legenda: Português
Duração: 73 minutos
Tamanho: 716 Mb
Servidor: 1Fichier (Parte única)


LINK
Parte única

SINOPSE
 Dois engenheiros criam, por acidente, um dispositivo que permite que um objeto ou pessoa possa viajar para trás no tempo. Os dois começam a testar o dispositivo para mudar situações de suas próprias vidas. Porém, por conta da ambição, criam problemas e situações que acabam por ameçar sua existência.
Fonte: Cineplayers


ANÁLISE

Ficção científica genial e intrincada de apenas US$ 7 mil deslancha carreira de diretor estreante.

por Rodrigo Carreiro

O ousado “Primer”, um dos filmes norte-americanos mais badalados em 2004, é uma prova definitiva de que o cinema pode ser barato e criativo. Por apenas US$ 7 mil e a ajuda de alguns amigos, o cineasta novato Shane Carruth inventou esse quebra-cabeças de ficção científica e surpreendeu o mundo. Sim, um filme feito por um matemático metido a roteirista, usando atores amadores e editado com o programa caseiro Adobe Première, podia ser bom o bastante para conquistar o Festival de Sundance, ganhar um contrato de distribuição internacional e conquistar um espaço nos corações e mentes de milhares de cinéfilos.

A trajetória de “Primer” é sedutora. O filme tomou três anos do tempo de Shane Carruth, um matemático desencantado com a profissão. Ele escreveu o roteiro, dirigiu, atuou, produziu, editou (em casa, num computador comum), sonorizou e compôs a trilha sonora. Usou a própria garagem como estúdio de filmagens. Carruth só pagou pelo aluguel da câmera e por alguns rolos de filme em 16mm. Para divulgar a obra, editou um trailer e montou um site. Depois, quando o filme foi aprovado na seleção para Sundance, pegou emprestada uma grana com um amigo e fez uma cópia em 35mm, formato-padrão de exibição nos cinemas. Foi o suficiente para provocar uma onda de elogios em torno do longa-metragem que o catapultou para uma carreira alternativa bem-sucedida. “Primer” já virou um filme cult.

O melhor é que todo o falatório se justifica. Sem usar os cacoetes e clichês tradicionais de Hollywood, Shane Carruth foi capaz de montar um thriller original, de enredo complicadíssimo, apesar de girar em torno de apenas duas pessoas. É uma trama de ficção científica, embora não possua um único plano que contenha efeitos especiais. “Primer” tem sido comparado com freqüência a dois filmes, “Amnésia” (a platéia tem grande dificuldade para entender o enredo) e “Pi”. Na verdade, “Primer” não tem a mínima relação com o primeiro, mas possui a mesma atmosfera conspiratória do thriller de Darren Aronofski, compartilhando com ele, ainda, uma incursão pelo reino da matemática. Fãs de “Donnie Darko” (o clima esquizofrênico, as múltiplas interpretações do final) também devem amar este filme.

O cenário principal de “Primer” é uma garagem. No cômodo, quatro amigos engenheiros montaram uma empresa caseira. Todos têm empregos em grandes corporações, mas trabalham lá nos horários de folga e finais de semana. Os quatro amigos estão desenvolvendo uma máquina com peças e equipamentos caseiros: o gás fréon de uma geladeira, pedaços de um escapamento de automóvel. Chegam mesmo a derreter um conversor para utilizar o metal. Eles discutem longamente, mas não conseguem saber exatamente o que estão construindo.

Dois dos engenheiros percebem que a máquina é algo importante. Aaron (Shane Carruth) e Abe (David Sullivan) decidem continuar no projeto sozinhos, já que a idéia e a concepção da máquina é dos dois. Eles põem a máquina dentro de uma grande caixa de metal, como um pequeno container, a fazem algumas experiências com ela. Descobrem que a máquina pode gerar proteína a partir de um fungo. Mandam analisar o material em laboratório, e ficam sabendo que a quantidade de proteína gerada pelo equipamento, em cinco horas, levaria cinco anos para ser acumulada no meio ambiente. O que diabos isso significa?
É difícil explicar sem estragar as surpresas que o roteiro reserva ao espectador. Na verdade, um dos maiores méritos de “Primer” é que o filme não se baseia numa narrativa tradicional. Não há diálogos explicatórios, a não ser por uma intrigante narração em off (é Aaron, conforme reconhecemos a voz), que é aparentemente um recado deixado por telefone em alguma secretária eletrônica. Os diálogos são muitos, e extremamente velozes. Os personagens falam atropelando uns aos outros, interrompem frases, e utilizam um vocabulário típico de matemáticos e engenheiros, o que torna impossível compreender tudo o que eles estão discutindo. Com atenção, a platéia captura o quadro geral, mas não os detalhes específicos, o que deixa qualquer espectador curioso. É essa curiosidade que nos move até o fim do filme: o que fará aquela invenção?

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O PECADO DE HADEWIJCH - 2009

Hadewijch, 2009
Bruno Dumont
Formato: AVI
Aúdio: Francês
Legenda: Português
Duração: 101 minutos
Tamanho: 491 Mb
Servidor: Zippyshare

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SINOPSE
Céline (Julie Sokolowski), estudante de teologia, adota o nome de Hadewijch, místico do século XIII do Brabant, no norte da França. Chocada com a fé cega e estática da moça, a madre superiora (Brigitte Mayeux-Clerget) a envia para fora do convento, no intuito de que encontre sua vocação no mundo. Ela então volta a ser uma menina comum, filha de um ministro francês. Um dia conhece Yassine (Yassine Salime), africano do subúrbio, que a apresenta ao seu irmão Nassir (Karl Safaradis), muçulmano praticante e professor de religião. O amor de Céline por Deus, assim como sua raiva e seu desejo de entregar-se ao sacrifício, a lançam num caminho perigoso.
Fonte: Adorocinema


ANÁLISE

As formas do invisível.

por Juliano Gomes

A primeira seqüência de o Pecado de Hadewijch nos mostra a protagonista Celine sendo expulsa de um convento por não acatar as regras deste, por conta da sua irrestrita adoração a Deus. A fé de Celine não suporta doutrinas ou qualquer tipo de intermediários entre ela e o objeto de sua crença, daí a sua não adaptação à fé cristã. O cristianismo funda sua fé na imagem e exerce seu poder através da imagem de Jesus – é preciso adorar e venerar a imagem, esta presença visível do invisível. O problema aqui é justamente a não aceitação deste pacto e as conseqüências mais radicais disto. O filme estabelece um paralelo entre duas formas religiosas que protagonizaram e protagonizam o maior acontecimento político e imagético no nosso século: o cristianismo e o islamismo. Celine vai de um ao outro, na sua busca de uma forma de fé que possa ser mais direta, que lhe permita agir. A fé pela imagem, cristã, a qual ela não se adapta, se funda numa certa ausência, pois a imagem é isso: a presença de uma ausência. A ausência de imagem no exercício da fé no islã representa uma abertura para Celine da possibilidade da realização de um contato verdadeiro com Deus. 

Há na protagonista um desejo ardente que precisa ser sublimado de alguma maneira, essa sublimação não cabendo no regime católico, fundado na renúncia do desejo. O desespero desta menina é não poder dar vazão a esta atração, é que sua paixão se acumule nela mesma e não possa retornar ao mundo de alguma forma. Ela recebe a graça de Deus, mas ela precisa dar algo em troca, necessita responder. A personagem interpretada por Julie Sokolowski é talvez a primeira de Bruno Dumont que tem consciência plena de seus atos. Isso torna esse, talvez, O Pecado de Hadewijch o mais abertamente político de seus filmes – não só pela alegoria clara do estado das coisas atual na Europa, mas pela associação entre religião, imagem e responsabilidade individual. Celine deixa a imagem, a forma da fé católica, indireta, para mergulhar no mundo; para nele, através do contato direto, do toque, de seus atos materiais, poder experimentar Deus.

A jornada de Celine é a de perceber, principalmente através de Yassine, o personagem “terreno” na armação de Dumont, seu vínculo com o mundo, de observar que suas ações geram reações. A questão é aprender a olhar para as coisas e perceber a si mesma na sua relação intrínseca com elas. O maior exemplo disso talvez seja na bela cena na cozinha com Yassine, onde ela parece sentir a força quase incontrolável da atração entre dois corpos. Há neste breve momento o que ela tanto buscava, a possibilidade de reciprocidade, de resposta, de algo que acontece entre dois, e que tem conseqüências no mundo visível. Existe ali algo de invisível que é sentido e partilhado, assim como é a fé, que a une ao irmão de Yassine.

O laço entre os três personagens principais do filme é justamente esta possibilidade de partilha através de uma relação comum com o invisível (seja a fé, o desejo, a música), mas que passa pela experiência, imanente. O cinema, a imagem, é uma das possibilidades deste elo, que expressa esta tensão permanente entre o visível e o invisível. O que Celine faz é buscar estes invisíveis, estes personagens que vivem na margem, que muitas vezes não têm nome (como o homem que a “salva” de seu próprio suicídio), e perceber sua ligação com eles. Celine sai do convento em busca de união, em busca de estar perto do que gosta, de um amor que se consume. Ela não podia mais ficar isolada, ela precisava do mundo. A imagem não pode substituir o mundo. Assim, seu ato extremado, o atentado, é a consumação de algo planejado e consciente. O que frequentemente se chama terrorismo nas manchetes de jornal é aqui um ato profundamente racional: ela decide levar a cabo sua paixão, sob o risco de sucumbir e morrer. Terrorismo e suicídio, dois dos maiores tabus do Ocidente, são atos de tomada de responsabilidade aqui.

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domingo, 13 de janeiro de 2013

MARINA ABRAMOVIC: THE ARTIST IS PRESENT - 2012

Marina Abramovic: The Artist Is Present (2012)
Matthew Akers e Jeff Dupre

Formato: AVI
Aúdio: Inglês
Legenda: Português
Duração: 105 minutos
Tamanho: 700 Mb
Servidor: Zippyshare

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Parte 4

SINOPSE: Marina Abramovic é um dos nomes mais repeitados na arte da performance, testando os limites de sua resistência física e mental. Em 2010, o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) organizou uma grande retrospectiva da sua obra. A artista, não só relembrou obras passadas, como decidir realizar uma nova performance pela qual interagiu intensamente com o público durante três meses.
Fonte: AdoroCinema


ANÁLISE

por Lucas Salgado

São inúmeros os documentários sobre importantes nomes das artes. Existem filmes ruins, mas também são vários os que são bem sucedidos em contar a história por trás de um artista. No entanto, são raros os filmes como Marina Abramovic: Artista Presente. Não se trata de uma obra sobre Marina Abramovic, mas sim uma sobre a essência de Marina Abramovic e sua obra.
 
Se você deseja saber onde ela nasceu, cresceu e estudou, este não é um filme para você. Aqui, o que vemos é um retrato amplo sobre a personalidade da artista. Corajosa, como demonstra em sua obra, ela abre as portas de sua vida para uma equipe de filmagens e deixa ser retratada em momentos íntimos. Vemos ela cozinhando, recebendo visitas em casa e até mesmo tomando banho. A câmera, no entanto, em momento algum parece intrusiva. Ela foi convidada para estar ali e o espectador, ao final, recebe tudo com a maior naturalidade.

Abramovic é um dos nomes mais respeitados na arte da performance. No primeiro semestre de 2010, foi convidada pelo Museu de Arte Moderna de Nova York, conhecido popularmente como MoMA, para realizar uma retrospectiva de sua obra. Ela aceitou o desafio e decidiu relembrar algumas de suas mais famosas peças. Para tanto, convida artistas jovens para realizarem performances marcantes em sua trajetória. O principal destaque da exposição não teve nada de retrospectiva, ela desenvolveu um novo conceito e por três meses, por várias horas do dia, simplesmente ficava sentada em uma cadeira enquanto várias pessoas passavam pela cadeira em sua frente. Por alguns momentos, os olhos se cruzavam. Daí nasce o título do filme e da exposição: Artista Presente.

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sábado, 12 de janeiro de 2013

A VIDA DE JESUS - 1997

La vie de Jésus, 1997
Bruno Dumont
Formato: AVI
Aúdio: Francês
Legenda: Português
Duração: 91 minutos
Tamanho: 716 Mb
Servidor: Zippyshare

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Parte 4

SINOPSE: Desajustado e sem emprego, Freddy (David Douce) vive com a mãe, dona de um café, em um cidadezinha rural francesa. Em tratamento de epilepsia em um hospital local, ele passa os dias à toa, na companhia de jovens desempregados, desinformados e sem perspectivas. A única diversão que os distrai do tédio e da falta de horizontes são as motocicletas e os insultos racistas à comunidade árabe local. Freddy também se diverte com a namorada Marie (Sébastien Delbaere), caixa de um supermercado, com quem se relaciona sexualmente de forma quase mecânica. Ele fica furioso quando Marie confessa estar apaixonada por outro homem, um jovem argelino.
Fonte: Zaz Cinema


ANÁLISE

por Eduardo Valente (Contracampo)

É inevitável ao ver um filme que o espectador se pergunte "Afinal, em última instância, o que queria este cara ao fazer este filme?". Esta talvez seja a principal questão que surge em torno de "A Vida de Jesus". Ao contar a história de Freddy, um jovem francês que mora no interior, Bruno Dumont fica num meio termo entre várias coisas, que ao mesmo tempo que pode ser considerado inovador por uns, inevitavelmente vai ser chamado de sem critério e enfadonho por vários outros. Não cabe a nós indicar qual dos dois é o enfoque correto ao se ver o filme, mas levantar as possíveis causas destas reações opostas (que puderam ser observadas já na exibição do filme para a imprensa).

O filme segue o cotidinano de Freddy, que praticamente se resume a fazer sexo com a namorada, cuidar do seu pássaro, andar de moto com os amigos e ver TV. O faz num estilo de encenação naturalista, escondendo a câmera da realidade pró-fílmica, filmando vários tempos mortos e ações vazias, não utilizando em nenhum momento a trilha sonora e montando o filme na ordem exata dos eventos. Poderia se enxergar aí uma reportagem quase neo-realista sobre como vivem os jovens no interior francês. No entanto, outras coisas perturbam esta análise simplista, como o uso do cinemascope (a tela larga sempre foi relacionada a estilos não-naturalistas de filmar), os fades que marcam o fim de certas sequências e a construção cuidadosamente estética de certas cenas.

Tematicamente o filme foge deste "retrato frio e distanciado" quando mexe com temas como o racismo, o abuso sexual e a violência juvenil, e ao fazer isso parece estar mais para a análise sociológica do que a simples "antropologia" do local. Mais preocupante ainda, aparecem a AIDS e a epilepsia como elementos dramáticos resolvidos de forma no mínimo questionável. Especialmente a última, que intencionalmente ou não acaba parecendo criar um "álibi" para o comportamento irracional de Freddy, quebrando a idéia de retratar tal personagem como produto de um tempo ou sociedade, adicionando um elemento de cirscunstancialidade.

Apesar de todas estas contradições (ou até por causa delas) o filme cria alguns bons momentos, especialmente as cenas que envolvem o personagem árabe. Mas acaba permitindo essa dualidade de interpretações entre a obra-prima e o filme sem porquê. Este que vos escreve não iria apoiar nenhuma destas posições, preferindo um olhar distanciado, que não chega a se revoltar contra (embora confesse que o enfado supera o entusiasmo), mas também não acha grandes motivos para euforia.





sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A CHAVE DE VIDRO - 1942

The Glass Key, 1942
 Stuart Heisler
Formato: AVI
Aúdio: Inglês
Legenda: Português
Duração: 82 minutos
Tamanho: 694 Mb
Servidor: Zippyshare

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Parte 4

SINOPSE
Ed Beaumont (Allan Ladd) é o leal braço direito de Paul Madvig, um político corrupto que está sendo acusado de assassinato. Caçando o real assassino, Beaumont passa por um brutal espancamento por gângsteres, a constante pertubação por parte da polícia, e ainda sofre o assédio da noiva de seu chefe, a socialite Janet Henry. Beaumont precisa, ao mesmo tempo, resistir à tentação de aproximar-se da belíssima e sensual mulher e ainda encontrar o assassino que inocentará Madvig.
Fonte: E-Pipoca

IMDB

ANÁLISE 
(sobre o filme e o livro no qual foi baseado)

Entre a literatura hardboiled e o cinema noir.

por Rodrigo Laurentino

Julgar uma adaptação cinematográfica por ela não corresponder as expectativas provenientes do envolvimento do leitor com a narrativa literária, que incluem aí a transposição fiel de uma obra, é um erro crasso que muitas pessoas comentem ao não perceber, ou entender, as divergências existente entre o cinema e a literatura. Pois, enquanto o cinema é uma arte visual que dispõe dos gestos e da fala para firmar um universo que dialogue com o seu público no finito tempo da sua exibição, a literatura se apoia nas palavras para descrever um mundo que toma diferentes formas na cabeça dos leitores na duração que os mesmos dão para atividade de leitura.

Assim, para que a narrativa cinematográfica seja concisa e fluente no seu tempo limite de duração, torna-se necessário fazer algumas alterações que podem omitir desde um ou vários personagens a capítulos e tramas inteiras da obra original, o que pode adulterar a fidelidade, mas não a sua essência. Já que, por mais que o autor da adaptação imponha o seu olhar sobre a obra do outro, é necessário que a essência, a áurea, do original se faça presente, pois, caso contrário, estaremos em contato com uma nova obra, uma nova ideia. Algo que, apesar das distinções, a versão cinematográfica de A Chave de Vidro não é.

Lançado em 1931, o livro está inserido dentro do subgênero do romance policial conhecido como Hardboiled, onde o seu autor – Dashiell Hammett, de outras célebres obras como O Falcão Maltês e O Homem Magro – foi um dos fundadores e uma das principais influências estilísticas, que tinha como características fundamentais o retrato sujo dos Estados Unidos do tempo da Lei-Seca (1920-1933) e da Grande Depressão (1929), onde mafiosos e políticos frequentavam decadentes bares de bebida ilegal, e um protagonista analítico e dedutivo que investiga casos por conta própria e utiliza-se da violência e métodos ilegais para conseguir o quer. Já o filme, produzido onze anos depois, em 1942, se enquadra no subgênero cinematográfico policial denominado Noir que, entre várias combinações de estilos e gêneros, tem o Hard-boiled como principal influência narrativa.

Na trama, acompanhamos Ned Beaumont, jogador e capanga de políticos – segundo ele próprio -, e o seu relacionamento de amigo e conselheiro de Paul Madvig, chefe de um dos dois grupos de mafiosos que controlam uma cidade não identificada, mas localizada nos arredores de Nova York, que almeja o poder político e se relacionar com senador Ralph Henry, candidato a reeleição de um pleito que se aproxima. Mas o seu interesse é mais do que político, pois também anseia pela filha do senador, algo que ele “deseja mais do que qualquer outra coisa na vida”. Entretanto, todos os seus planos são arruinados quando o irmão da sua pretendente é encontrado morto, aparentemente assassinado, e Madvig é o principal acusado, até por sua filha, que mantinha um relacionamento com o filho do senador.

E é a partir do misterioso assassinato que adentramos no cenário corrupto e violento dos Estados Unidos de 1930, onde o crime organizado dita a lei e a ordem. A investigação do caso fica por conta de Ned Beaumont, um autêntico personagem Hard-boiled, de passado incerto e morando há um ano e pouco na cidade, que age de forma indisciplinada e áspera, seguindo uma ética própria que prioriza os seus interesses acima dos outros e age de acordo com as suas deduções que, no decorrer da averiguação, o colocará entre as duas máfias rivais e o poder público local.

Dashiell Hammett – que trabalhou na agência de detetives Pinkerton e que, provavelmente, tal fato o inspirou a escrever as suas obras – coloca o leitor no cerne da investigação de Beaumont, sempre descobrimos os fatos a partir das suas observações e análises, com descrições minuciosamente detalhadas de gestos, ações e posturas dos personagens, além dos vestuários usados, dos objetos e lugares frequentados por eles. O filme guarda a essência do livro, a trama principal e os seus principais personagens, mas perde todo detalhismo presente na obra original, onde o suspense e a intensidade dos acontecimentos residiam, prejudicando inclusive um dos trechos emblemáticos do livro, em que Ned Beaumont (Ed Beaumont, no filme) é espancado e torturado pela quadrilha do mafioso inimigo de Paul Madvig.

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O HOMEM DA MÁFIA (2012)

Killing Them Softly
Legendado, Andrew Dominik


Classificação: Ótimo

Ano: 2012
Diretor: Andrew Dominik
Roteiro: Andrew Dominik e George V. Higgins
Elenco: Brad Pitt, Ray Liotta, Richard Jenkins e James Gandolfini
IMDB: 6.8 / 10



Encenado à época da primeira eleição do presidente Barack Obama, em 2008, O Homem da Máfia (Killng Them Softly, 2012), a nova obra de Andrew Dominik, que sucede O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James By The Coward Robert Ford, 2007), utiliza-se de alguns dos ícones do filão policial recente, como Ray Liotta, astro de Os Bons Companheiros (Goodfellas, 1990) e James Gandolfini, consagrado como o mafioso Tony Soprano do seriado da HBO Família Soprano, para mostrar como o mundo do crime caminha junto com os novos tempos.



Os discursos de mudança pouco influenciaram no mundo do comércio ilegal, o mundo do capitalismo selvagem, impiedoso, onde qualquer um que quebre a paz das transações sofre represálias imediatas, qualquer que seja sua conexão, ninguém escapa. Baseado na novela policial Cogan’s Trade, de George V. Higgins, lançado em 1974, O Homem da Máfia é um típico policial moderno pós-O Pagamento Final (Carlito’s Way, 1993), com personagens vivendo em um mundo onde não há nenhum conceito de honra, valor ou lealdade – existe apenas uma maratona de diálogos e mortes estilizada com mão pesada por Dominik. (....)


Esse filme de crime do novo século, onde o personagem de Brad Pitt surge ironicamente ao som de The Man Comes Around, de Johnny Cash (sua justiça não é divina, é humana, em nome do individualismo, da liberdade de todos serem comerciantes, cada um dono do próprio feudo), pode até chocar pela violência física brutal (como aconteceu em Cannes), porém muito mais perturbadora é a violência em seu contexto, dos diálogos carregados de ódio e conflito, de homens perigosos e pouco afetivos – não há uma personagem feminina de peso marcante, e as que aparecem são hostilizadas. É um mundo em vias de trombar consigo mesmo, onde mesmo nas cenas mais leves, elementos cênicos e diegéticos envolvem degradação; veja as cenas de consumo de álcool e drogas, onde seus personagens estão cada vez mais acabados e mais vulneráveis. As músicas que pontuam a trilha sonora surgem sempre em contextos irônicos, quase como se o filme risse amargamente do destino daquelas pessoas presas em um mundo inescapável. (...)


Duração: 01:37:13
Tamanho: 1,57 GB
Resolução: 720x400
Formato: .AVI
Servidor: SpeedyShare

*Já peço desculpas pelo precário trabalho de legenda em português e que é, infelizmente, a única disponível para esse release. No entanto, coloquei numa pasta avulsa os arquivos para a legenda em inglês, para os que preferirem. É só jogar o filme nessa pasta, e nomear todos os arquivos igualmente. 


*LINKS CORRIGIDOS!





quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

UM HOMEM, UMA MULHER: 20 ANOS DEPOIS

Un Homme et Une Femme Vingt Ans Déjà, 1986
Claude Lelouch

Formato: AVI
Aúdio: Francês
Legenda: Português
Duração: 107 minutos
Tamanho: 699 Mb
Servidor: Zippyshare

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Parte 4

SINOPSE
Anne Gauthier é uma produtora de cinema, que fracassa em seu último lançamento. Resolve procurar seu antigo amor, Jean-Luis Duroc. Este, piloto de corridas aposentado, encontra-se casado com a bem mais jovem Marie Sophie e ajuda o filho Antoine em sua carreira de piloto. Ao encontrarem-se, Anne pede permissão a Duroc para produzir um filme contando a história de amor vivida por eles há 20 anos.
Fonte: Wikipedia


ANÁLISE

Vinte anos atrás era um fiapo de história. Um homem e uma mulher encontravam-se na vida; apaixonavam-se, desencontravam-se na hora da cama, separavam-se, encontravam-se de novo. Vinte anos depois são muitas histórias que se entrecruzam e se modificam.

Há a história daquele mesmo homem, a história daquela mesma mulher, as histórias de cada um deles com seu atual amante, as histórias dos filhos de cada um deles, a história de um estuprador que foge de um hospital psiquiátrico. E há diversos filmes dentro do filme.

Claude Lelouch, o cineasta, não mudou nada, desde Um Homem, Uma Mulher, Palma de Ouro no Festival de Cannes e Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1966, até este Um Homem, Uma Mulher Vinte Anos Depois/Un Homme et Une Femme Vingt Ans Déjà. O estilo é o mesmo, personalíssimo, marca registrada, a câmara ágil, rápida, inquieta, que jamais fica parada, que persegue os atores num jogo incessante, sempre carregada pelo próprio diretor, que é também o cameraman de seus filmes.

Claude Lelouch, o contador de histórias, mudou muito, ao longo destes 20 anos. Continua contando histórias de amor, de encontros e desencontros, sempre escritas por ele próprio, que é também o argumentista e roteirista de seus filmes. “Só existem duas ou três histórias na vida”, diz. “Mas as variações são infinitas.” Agora, porém, mesmo quando está contando uma história de amor mistura um punhado infindável de outras histórias, e tenta captar a relação das histórias de seus personagens com a História. “Eu acho que meus filmes têm ficado mais literários”, diz, em entrevista a este jornalista aqui e a um crítico da Folha de S. Paulo, no Maksoud Plaza, ao lado da sua bela mulher da época, Marie-Sophie Pochat, durante viagem para a divulgação do filme.

Claude Lelouch entende que o cinema tem sido um escravo da literatura. Chega a dizer que o cinema evoluiu pouco, desde que, em 1927, aprendeu a falar; acha que o essencial da linguagem cinematográfica foi criado antes. “A partir de 1929 (a França atrasou-se um pouco na adoção dos filmes falados), o cinema está mais a serviço da literatura do que a seu próprio serviço.” A maior parte dos cineastas, avalia, descobriu a literatura antes do cinema, como é o caso, por exemplo – cita ele – dos diretores da nouvelle-vague. “O meu caminho é completamente inverso. Eu venho do cinema para a literatura.”

De fato, para Lelouch primeiro veio a câmara, depois vieram as histórias. A paixão pelo cinema que herdou do pai – industrial judeu do ramo têxtil nascido na Argélia que emigrou para a França antes da Segunda Guerra Mundial, fanático filmador de cenas familiares -, Lelouch passou a exercitar no seu trabalho como cameraman. Durante três anos fez cinejornalismo, filmando cenas reais em diversos países, inclusive o de seu pai, durante a guerra da Argélia. Era o final dos anos 50, início dos anos 60, a época em que Jean-Luc Godard decretava que “a fotografia é a verdade, o cinema é a verdade 24 quadros por segundo”. Hoje Claude Lelouch entende que está muito mais perto da verdade contando as histórias de seus personagens do que quando filmava cenas reais.

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