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614 MB.
Crítica:
Quem assistiu ao excelente “Dia de Treinamento”, que teve o diretor
Antoine Fuqua em parceria com o ator Denzel Washington, cujo trabalho
lhe rendeu o Oscar em sua categoria, logo imaginaria que um segundo
encontro dos dois poderia trazer algo semelhante ao filme de 2001. No
entanto, “
O Protetor” é completamente diferente do que Fuqua fez em um de seus primeiros filmes.
Em “
O Protetor“,
que adapta uma série de TV de 1980, Denzel Washington vive Robert
McCall, um homem que viveu um passado misterioso e que tenta manter uma
vida tranquila, mas acaba se afeiçoando por uma jovem prostituta (Chloë
Grace Moretz), que sofre nas mãos de uma gangue ligada à máfia russa. A
partir de então, ele terá que enfrentar os bandidos com suas incríveis
habilidades de luta e espionagem.
Seria inevitável, até mesmo pela origem da história, que o filme não
fizesse referência aos típicos longas de ação dos anos 80. No entanto,
em vez de fazer uma homenagem, o roteiro e a direção acabam se rendendo
aos clichês, por mais que funcione como entretenimento aos que buscam
divertidas cenas de luta.
Quanto aos personagens, o filme não apenas os mostra com
características exploradas exaustivamente no gênero, como também não se
aprofunda nem mesmo no que é apresentado. O que temos, no fim das
contas, é uma série de personas unidimensionais. Há uma tentativa maior
de se aprofundar em McCall, já que vemos os livros que ele lê e algo
sobre seu passado, mas não o suficiente para que o espectador se importe
com ele. Aliás, o fato de ele não se mostrar em perigo em nenhum
momento da projeção apenas reforça tal sentimento. O mesmo pode-se dizer
da jovem Alina (Moretz), que se limita a uma jovem sonhadora que veio a
se prostituir sabe-se lá por qual motivo. Se o roteiro não ajuda, ao
menos os atores se esforçam para carregar seus personagens de verdade –
até onde podem.
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| Chloë Grace Moretz interpretando uma jovem prostituta. |
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Em relação aos vilões, eles não apenas são vagos, como possuem
características clichês. O simples fato de serem russos já sugere que o
roteirista nem sequer pensou em mudar este fato do material original, já
que esta nacionalidade de vilões era bastante conveniente aos
americanos no período da Guerra Fria. No entanto, embora a máfia russa
pudesse servir justamente como uma forma de desconstruir a visão dos
criminosos, seria minimamente aceitável se o filme tomasse esta escolha
como algo que criticasse ou brincasse com a situação.

Para
enfraquecer ainda mais o filme, o diretor opta por exagerar nas cenas
de ação: close-ups demais, câmeras lentas demais, Denzel Washington
malvado demais e escapando de explosões demais (sem nem olhar para
elas). E por mais que a figura de um justiceiro pareça algo
interessante, já que promove uma espécie de catarse coletiva – por matar
policiais corruptos e bandidos, por exemplo – o espectador consegue
perceber que trata-se de um artifício para forçar a humanização do
personagem. Fuqua ainda insiste em criar diversos planos que desfocam o
que está à frente para depois desfocar o que está ao fundo (ou
vice-versa), em momentos extremamente desnecessários que apenas
incomodam o espectador.
Considerando que Antoine Fuqua foi responsável por um filme de peso
dramático muito mais eficiente, como foi “Dia de Treinamento”, é uma
pena que este “O Protetor” funcione apenas como entretenimento raso. E
tudo fica mais triste quando vemos que trata-se de mais uma tentativa de
criar uma franquia.