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domingo, 9 de fevereiro de 2014

ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ - 2007

Filme vencedor dos seguintes prêmios no Oscar 2008: Melhor filme, Melhor diretor (Joel Coen e Ethan Coen), Melhor ator coadjuvante (Javier Bardem), Melhor roteiro adaptado (Joel Coen e Ethan Coen) 

No Country For Old Men, 2007
Legendado, Joel Coen e Ethan Coen

Classificação: Excelente

Formato: AVI
Áudio: inglês
Legendas: português
Duração: 122 min.
Tamanho: 1 GB
Servidor: 1Fichier (3 partes)

LINKS

SINOPSE
Texas, década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones).

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 8.2


ANÁLISE

EM ALGUM LUGAR, EM LUGAR NENHUM: NOTAS SOBRE NO COUNTRY FOR OLD MEN 

Os irmãos Joel e Ethan Coen são conhecidos no cinema americano e mundial como cineastas que trabalham temas limites e que tem uma aproximação e uma re-leitura do estilo “Noir” do cinema americano dos anos 40: assassinatos em série; atmosfera tenebrosa; figuras psicóticas; sangue à vontade e suspense. Gosto de sangue (1984); Arizona nunca mais (1986); Na roda da fortuna (1994) e Fargo (1995) são exemplos de uma perspectiva muito própria de levar para as telas alguns questionamentos que destoam do arrumado e previsível “cinema comercial”. Desta vez, acredito que se superaram. Em “No country for old men” (que tem como titulo sugestivo no Brasil “onde os fracos não têm vez”), os Coen fizeram um “filme policial” de intensa dramaticidade e com personagens sui generis, como os de Javier Bardem e Tommy Lee Jones e que no fim acabam por desconstruir a concepção de “filme policial” no estilo americano comercial. A película é ambientada no Texas, já na fronteira com o México, na década de 80. Tem enredo aparentemente simples: trata-se de um caçador que encontra uma série de corpos assassinados pelo tráfico e ao lado de um deles uma maleta cheia de dólar. Ao levar a maleta é perseguido implacavelmente por assassino psicótico, num jogo de gato e rato. Até ai, nenhuma novidade para o cinema americano. Porém a trama é mais rica do que uma brevíssima sinopse. O filme se inicia com uma voz, que é uma espécie de narrador, refletindo sobre as mudanças que a região do Texas vive naquele momento. Sabemos de imediato que a voz de um xerife melancólico que ver a violência ganhar proporções grandiosas e com requinte de crueldade. Saudosamente lembra quando policiais trabalhavam sem armas e com um baixo índice de criminalidade. A grande sacada do filme esta na forma de narrativa do protagonista vivido por Lee Jones. Um policial em fim de carreira e profundamente melancólico com sua impotência diante da “tempestade” que se avizinha, a saber, um temporal de violência gratuita e da mais completa desconsideração pela vida humana. Na fronteira Texas/México uma vida de um ser humano vale tanto quanto a de um cachorro (presença marcante no filme, os cachorros vivem as conseqüências da brutalidade humana sem compaixão). Um policial que conhece o assassino psicótico e sabe da sua c apacidade de perseguição por dinheiro e de sua conduta mafiosa, mas que já não tem nenhuma força para persegui-lo como deveria. A velhice o alcança da maneira mais triste possível e num momento em que se desencadeia um tipo de violência incontrolável. Um detalhe importante: a geografia (o deserto mexicano e taxano) se confunde com a narrativa. O tempo inteiro esse deserto acompanha os personagens e é o espaço onde acontece a luta encarniçada pela sobrevivência. A cena inicial em o caçador encontra vários homens mortos e um cachorro e um deles ainda sobrevivendo numa caminhonete pedindo água e pedindo para fechar a porta do automóvel com medo de lobos, é chocante e indica um rastro de morte e resistência que será a tônica da película dos irmãos Coen. Raríssimas vezes percebe-se alguém rindo no filme. A marca é a seriedade e a tristeza de personagens completamente impotentes perante um sistema implacável com os mais fracos. Vendedores, balconistas, c aixas de supermercado (profissão da esposa do caçador protagonista), funcionários de hotel desfilam no filme com rostos marcados pela escravidão da luz sem misericórdia de quem vive o cotidiano de um processo modernizador que jamais levará em conta a vida humana. Como muito bem afirma a personagem Carla Jean: “Estou acostumada com muita coisa. Trabalho num supermercado”. Frase marcante para situar o lugar de pessoa que “não podem parar o que esta vindo” e que assistem a tudo numa perplexidade sem fim e numa resignação irritante.

Os irmãos conseguem um feito cinematográfico interessante: articular a narrativa em três partes que correspondem a três focos narrativos, onde a trama esta toda articulada e os personagens intrincados numa perseguição que indica toda a ação da película. O primeiro foco é o personagem Llewelyn Moss, um caçador do deserto texano que encontra a mala de dinheiro depois de uma chacina cometida contra um grupo de traficantes (imagina-se de imediato uma guerra de bandidos disputando a venda de drogas). Moss e o dinheiro sofreram uma perseguição frenética de um segundo personagem, que corresponde a um segundo foco narrativo: Anton Chigurh, o matador psicopata que joga com uma moeda para saber se mata ou não qualquer que encontre pela frente. O terceiro e mais importante foco narrativ o é o do xerife Ed Tom Bell, um homem imerso no “passado idílico” em que a policia tinha o controle da violência previsível em qualquer sociedade. Pela narrativa melancólica do xerife é possível entender um processo de mutação em que vive o Oeste americano nunca imaginado na história dos Estados Unidos. Aquele Oeste de John Wayne não existe mais (se é que existiu algum dia fora das lentes cinematográficas) e os “violentos índios” peles vermelhas são brincadeira de adolescentes perto de um crime organizado que espalha um tipo de horror sem precedentes contra uma população impotente e sem rumo num deserto imenso e sob um sol inclemente... A forma como Anton mata as pessoas com um longo botijão de gás comprimido é algo assustador, que lembra aqueles filmes de terror da década de 80, mas com uma diferença, nos filmes de terror do período citado, havia um ar de ingenuidade e no final o matador psicopata era morto ou controlado ou empurrado para uma próxima parte. Era um medo que se resolvia. No filme dos irmãos Coen estamos só no começo de um terror que veio para ficar e é mais real do que imaginamos, tendo sua resolução no lugar de sempre onde os fortes de sempre tem só eles, sua vez. Até parece que não estamos num filme, mas numa cidade muito próxima a nossa realidade. A impotência daqueles personagens passa a ser a nossa impotência diante do horror de uma violência que cresce a cada dia e que um matador frio e psicótico como Anton esta por toda parte. A falência da “épica do Oeste americano” vem a partir da ascensão do terror do crime organizado em torno das drogas. É claro que a fronteira passa a ser o lugar limite para entendermos o que esta acontecendo nas grandes cidades. Os irmãos Coen não filmam gratuitamente lá na década de 80, no inicio de tudo. Hoje aquela violência da fronteira é a violência da cidade. O fim do filme é a descrição de um sonho estranho do impotente xerife qu e não prende mais ninguém e não dispara um só tiro naquele Oeste perdido no meio do mundo. Um filme extraordinário, daqueles que fotografam uma época num realismo sem nenhuma magia, mas com muito senso de realidade. O mundo que sai das lentes dos irmãos Coen e o nosso mundo real em que estamos é o mesmo mundo: é o lugar onde os fracos não têm vez.

Indicaria como sugestão de leitura para uma melhor compreensão das loucuras do mundo contemporâneo e do filme dos irmãos Coen dois textos que problematizam alguns aspectos da violência e o seu significado na vida dos fracos que não têm vez nem voz:

- EXTINÇÃO do filósofo brasileiro Paulo Arantes, publicado pela editora Boitempo em 2007. Destacaria o último artigo intitulado: Duas vezes pânico na cidade.

- ESTADO DE EXCEÇÃO do filósofo italiano Giorgio Agambem, publicado pela editora Boitempo em 2004. O autor nos faz refletir sobre a situação de exceção permanente em que governos encurralam os mais pobres do planeta...

Análise escrita por Romero Venâncio, professor de filosofia na Universidade Federal de Sergipe.






quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O QUINTO PODER - 2013

The Fifth Estate, Legendado, 2013, Bill Condon

Classificação:
Bom

Formato: MP4 ( Blu-ray rip 720p )
Áudio: Inglês
Legendas: Português
Duração:  128 Min
Tamanho: 695 MB
Servidor: MEGA ( 2 Partes )
Links:

Parte 1
Parte 2


Sinopse:
Um olhar sobre a relação entre o fundador do WikiLeaks, Julian Assange e seu defensor inicial e eventual colega Daniel Domscheit-Berg, e como o crescimento e a influência do site levaram a um racha irreparável entre os dois amigos.
Fonte: Cineplayers
The Internet Movies Database: IMDB - Nota Imdb 6.0
Crítica:
Em 2010, uma nunca antes vista fuga de informação de arquivos classificados norte-americanos faz furor e tumulto pelo mundo inteiro. Publicados por alguns dos maiores jornais do mundo em parceria com o website Wikileaks, os mais polémicos relatos da guerra no Afeganistão provocam uma crise diplomática. Por detrás de toda controvérsia encontra-se Julian Assange (Benedict Cumberbatch), o fundador do Wikileaks, um homem com uma sede insaciável pela verdade. O ego de Assange, e a sua relação autoritária com os seus parceiros, e em particular com Daniel Domscheit-Berg (Daniel Brühl), pode por em causa todo o esforço realizado.

A melhor forma de começar a resenha de O Quinto Poder é pelo que consegue nos minutos finais: um momento de autoconsciência e auto-depreciação em que Assange, numa pretensa entrevista no seu exílio, comenta desdenhosamente a própria existência de O Quinto Poder. É um raro momento de inteligência e humildade que sugere uma tónica redentora deste projecto de Bill Condon, mas que funciona para acentuar e agravar os problemas de andamento, montagem e péssima exposição que antecedem esta espécie de defeituosa catarse moral. O Quinto Poder nunca arrebata o espectador dos seus pés, nem nunca o deixa descansar. Deixa-o pela grande parte num estado de desconforto e latência, bombardeando-o com uma narrativa em moldes psicadélicos, brusca e desprovida de foco, sob uma enervante banda sonora.               
Grande parte do problema de O Quinto Poder, adaptado por Josh Singer da biografia Inside WikiLeaks: My Time with Julian Assange and the World's Most Dangerous Website do próprio Daniel Domscheit-Berg e do livro WikiLeaks: Inside Julian Assange's War on Secrecy de David Leigh e Luke Harding, é a falta de percepção e escolha. São poucos os filmes que podem ficar num campo neutro; ainda menos os que o conseguem. O Quinto Poder não é de todo um deles. Querendo mostrar todas as perspectivas em jogo e não se atrevendo a se colocar do lado de nenhuma delas, O Quinto Poder acaba por pouco mostrar, por se perder no meio e por se reduzir à indesejável insignificância. Bill Condon não quer pintar Assange de heroísmo ou monstruosidade, a América de culpa ou desculpa. E como uma casa que não é pintada, O Quinto Poder apresenta-se frio, desconfortável e abandonado, como algo não totalmente concretizado.
A espaços, O Quinto Poder parece querer tirar uma A Rede Social da cartola, colocando Daniel ao lado de Assange da mesma forma que David Fincher colocou Eduardo Saverin ao lado de Mark Zuckerberg. Tal como em A Rede Social, a frutuosa relação entre os dois grandes pilares do respectivo website toma um caminho negro, com o fundador a prevalecer sobre o parceiro. Mas enquanto em A Rede Social a narrativa encontra-se exemplarmente estruturada e justificada, em O Quinto Poder a narrativa é convoluta, impaciente e pouco comprometida, em que o lado individual, essencial em A Rede Social, se encontra pobremente trabalhado, apresentando-se num estado quase embrionário.      
A direcção de Bill Condon é escassamente sofrível, tal como é a primeira metade do filme. Desde bem cedo, desmorona-se a ideia de que O Quinto Poder se transforme algures num bom filme. Efectivamente, nunca acontece, embora a segunda metade, se se sobreviver à atrocidade da primeira, mais focada e amansada, consiga dar meia volta e produzir algum verdadeiro interesse. O grosso da melhoria é atribuível a Benedict Cumberbatch, que, ainda que nunca tenha espaço para reflectir optimamente o carácter de Assange e da sua cruzada, rouba a atenção a cada segundo que surge no grande ecrã. É lamentável que a direcção à volta de Cumberbatch nunca se aproxime do seu empenho, da sua qualidade e da sua devoção; neste que deveria ser o ano da sua completa afirmação, Cumberbatch vê-se mergulhado num trabalho ingrato que pode provocar fracturas na sua carreira em ascensão. 

O restante elenco não está mal e oferece alguma entrega aos respectivos papéis. Daniel Brühl, depois de Rush – Duelo de Rivais, volta a estar em bom plano. A fotografia de Tobias Schliessler é interessante, bem como um ou outro aspecto da produção. O insucesso de O Quinto Poder é globalmente atribuível ao péssimo trabalho de Bill Condon, que após o seu serviço na malfadada saga Twilight há-de ter-se esquecido de como contar histórias sérias. Quando o principal tema em causa é a maior fuga e publicação de informação classificada da história, o tratamento cinematográfico merecia ser tão sensível quanto o tratamento dessas matérias polémicas.
CLASSIFICAÇÃO: 1,5 em 5 estrelas
Fonte: Terceiro Take











terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Os Croods - 2013

Filme indicado na seguinte categoria ao Oscar 2014: Melhor animação

The Croods, 2013
Legendado, Chris Senders e Kirk De Micco
Classificação: Bom

Formato: AVI
Áudio: inglês
Legendas: português
Duração: 98 min.
Tamanho: 700 MB
Servidor: 1Fichier (2 partes)

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SINOPSE
Em plena era pré-histórica, escondidos na maior parte do tempo dentro de uma caverna, vivem Grug (Nicolas Cage / Hércules Franco), a esposa Ugga (Catherine Keener / Bárbara Monteiro), a vovó (Cloris Leachman / Mariângela Cantú), o garoto Thunk (Clark Duke / Fred Mascarenhas), a pequena e feroz Sandy (Randy Thom / Pâmela Rodrigues) e a jovem Eep (Emma Stone / Luísa Palomanes). Eles são os Croods, uma família liderada por um pai que morre de medo do mundo exterior. Só que grandes transformações estão para acontecer, pois a adolescente Eep acaba conhecendo o também jovem Guy (Ryan Reynolds / Raphael Rossatto) e ele vai apresentar um incrível mundo novo, para o desespero do paizão protetor. Agora, juntos, eles vão enfrentar grandes desafios e se adaptar a uma nova e divertida era.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.3





domingo, 2 de fevereiro de 2014

A GRANDE BELEZA - 2013

La grande bellezza, Legendado, 2013, Paolo Sorrentino

Indicado na seguinte categoria para o Oscar 2014: Melhor Filme Estrangeiro

Classificação:
Excelente
Formato: MP4 ( Blu-ray rip 720p )
Áudio: Italiano
Legendas: Português
Duração: 142Min
Tamanho: 634MB
Servidor: MEGA ( 2 Partes )
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Parte 1
Parte 2


Sinopse: A história de um escritor de meia-idade, que se lembra amargamente de sua juventude passional. Um retrato da Roma contemporânea.
Fonte: Cineplayers
The Internet Movies Database: IMDB - Nota Imdb 7.9
Crítica:
A câmera de Paolo Sorrentino viaja pelos arredores dos monumentos. O cenário belíssimo de Roma é elevado às alturas, num tom quase divino, graças ao registro visual do realizador. Tais ângulos são típicos de seus trabalhos, mas em La Grande Bellezza estão a serviço de resumir a viagem, tanto a descrita no início da película quanto a do passeio pelas memórias e reminiscências de Jep Gambardella (Toni Servillo), um escritor que, há muito, largou a pena. Sua velhice é repleta de adjetivos que o público consideraria ideal: badalada, repleta de festas regadas a bebidas e mulheres belíssimas que ainda deseja, mesmo sem a fome de antes, resignado em muitos momentos e em um contentamento (aparentemente) resoluto.
Sua roda de amigos é formada por outros artistas, mostrados como pessoas idosas, decadentes, que vivem de suas obras passadas. A reflexão é semelhante ao cinema felliniano, variando entre momentos de contemplação e adrenalina extrema. Nos momentos em que a jovialidade é mostrada, a rotação é acelerada, enquanto o registro das ações idosas é vagaroso. Visão direta de Jep, dessa vez julgando seus semelhantes. Um travamento criativo (não escrevia um romance há tempos) garantiu a ele congelamento mental. Gambardella não precisou envelhecer, só experimentou o que quis, e, à sua maneira, despreza quem se entregou à velhice. Seu cinismo o faz desdenhar das pomposas opiniões alheias, reduzindo-as. A ausência de ambição aumentou sua desfaçatez, que, por sua vez, afiou sua crueldade. Seu ímpeto em dias passados era não se tornar um mundano, mas um rei; queria a diferença, e sem perceber, perdeu a distinção.
A grande beleza 2 [Crítica] A Grande Beleza
Ainda sobre o círculo social de Jep, quase todos são reféns da arte, mesmo os que não a praticam há muito tempo. Os que não são mais criativos a perseguem, tentam reavê-la, e os que ainda a exercem são seus escravos. A busca pela obra perfeita é subjugada pelo anseio de relevância; o reconhecimento os define. É um mal, uma muleta para os artesãos, causa malefícios, simbolizados pelas rugas no rosto, que, por sua vez, são o esconderijo onde o talento se esconde.
A morte e a perda de pessoas importantes arranham a superfície da cúpula de onipotência do escritor. Aos poucos ele volta a ter as sensações que pensava haver perdido, e o estopim da mudança vem por meio da última pessoa que ele poderia imaginar. Percebe com o tempo – e o público é levado a crer – que a boêmia é como a vida animal. Sem muito sentido, os excessos não trazem todo o gozo desejado.
A incessante procura pela inspiração – chamada por Sorrentino de Beleza – é encontrada junto à morte. A vida, cheia de falatórios infindáveis, esquece-se do silêncio catalisador dos sentimentos. A miséria, a tristeza, tudo isso pertence à vida, à fantasia, à ilusão…
Termina sempre assim. Com a morte. Mas primeiro havia a vida. Escondida sobre o blá, blá, blá. Está tudo sedimentado sob o falatório e os rumores. O silêncio e o sentimento. A emoção e o medo. Os insignificantes, inconstantes lampejos de beleza. Depois a miséria desgraçada e o homem miserável. Tudo sepultado sob a capa do embaraço de estar no mundo. Blá, blá, blá, blá… O outro lado é o outro lado. Eu não vivo do outro lado. Portanto… que este romance comece. No fundo… é apenas uma ilusão. Sim, é apenas uma ilusão”.
 A história trazida por Sorrentino é das mais universais, encaixa-se em praticamente qualquer vida humana, e ainda assim é única. Por sua doce e leve abordagem, pode-se inferir certa emulação de Federico Fellini em seus melhores momentos (La Dolce Vitta, e Amarcord especialmente), mas as reflexões de vida em seu texto são voltadas também para a contemporaneidade. Possui fotografia impecável e roteiro tocante, além da magistral atuação de Toni Servillo. Um dos maiores acertos cinematográficos de 2013.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O GRANDE GATSBY - 2013

The Great Gatsby, Legendado, 2013, Baz Luhrmann

Indicado nas seguintes categorias para o Oscar 2014: Design de produção (Catherine Martin (Design de Produção); Beverley Dunn (Decoração de Set) e Figurino (Catherine Martin)
Classificação:
Bom
Formato: MP4 ( Blu-ray rip 720p )
Áudio: Inglês
Legendas: Português
Duração: 143Min
Tamanho: 978MB
Servidor: MEGA ( 3 Partes )
Links:

Parte 1
Parte 2
Parte 3


Sinopse: Jay Gatsby é um jovem milionário que organizava festas luxuosas, cheias de bebidas e gente da alta sociedade de Nova York. O grande objetivo de Gatsby é atrair um antigo amor, Daisy Buchanan. O único que sabe disso é Nick Carraway, narrador da história e primo de Daisy.
Fonte: Cineplayers
The Internet Movies Database: IMDB Nota Imdb 7.4


Crítica:
Baz Luhrmann conta que a ideia de adaptar O Grande Gatsby surgiu em uma viagem insone pelo Expresso Transiberiano: “Eram quatro horas da manhã, eu tinha uma garrafa de vinho e dois livros comigo. Um deles era O Grande Gatsby. Quando o terminei fiquei pasmo. Decidi que ia adaptá-lo um dia".
Essa leitura ébria e “em movimento” talvez explique um pouco da sua versão para o livro de F. Scott Fitzgerald. Como as exóticas paisagens que ornam a viagem no famoso trem que liga Moscou a Pequim, o filme é esteticamente atrativo, graças a direção de arte e ao elenco perfeitamente caracterizado. A velocidade inebriada com que se move, contudo, impede a visualização de detalhes essenciais, fazendo com que passe pelos olhos do espectador apenas um belo borrão e não um retrato vívido das paixões humanas – como no livro publicado em 1925.
Como um leitor descuidado, preocupado apenas com o contexto, Luhrmann ignora a perspicácia de Fitzgerald e aplica cada conceito de forma exagerada, tomando simples metáforas como sentenças literais. Nem a característica narração em primeira pessoa do romance escapa. O depoimento de Nick Carraway (Tobey Maguire) precisa ser devidamente explicado, contextualizado. No filme, ele não é apenas a voz que testemunha a história de Jay Gatsby – seu misterioso vizinho bilionário que oferece concorridas e descontroladas festas na casa ao lado. Resgatando a figura do escritor desesperado que conduz Moulin Rouge, Nick é um alcoólatra moribundo que escreve seu relato por prescrição médica. As palavras tomam conta da tela inúmeras vezes, em um exercício óbvio de alertar ao espectador sobre a conexão entre as imagens e a palavra escrita.
Ainda emulando Moulin Rouge, a trilha sonora anacrônica funciona na teoria, sob a ideia de que Jay-Z e o Hip Hop seriam o equivalente contemporâneo à efervescência do Jazz da década de 20. Porém, Luhrmann, que já dominara a fórmula da sobreposição de épocas e estilos em Moulin Rouge e Romeu + Julieta, sintonizando perfeitamente a música pop à Belle Époque e a Shakespeare, perde a mão em O Grande Gatsby. As festas são tão belas e excêntricas como as de seus filmes anteriores, mas falta destreza na hora de conectar as músicas – interpretadas, entre outros, por Beyoncé, Lana Del Ray e Jack White – à realidade dos seus personagens.
Além da Era do Jazz
Há mais do que apenas caos e glamour nas reuniões na mansão Gatsby, mas o filme não passa da superfície. Se na versão de 1974, roteirizada por Francis Ford Coppola, faltava energia nas festas de Jay Gatsby (então vivido por Robert Redford), a adaptação de Luhrmann (escrita com o roteirista Craig Pearce), perde fôlego pelo excesso, em festas tão hiperativas que vão para todos os lados, mas não chegam a lugar algum. De profundo, apenas o 3D, que dá textura às cenas inundadas por papel colorido e reluzente e aos vestidos cheios de franjas, belamente bordados.
A salvação de Luhrmann está mesmo no elenco. Leonardo DiCaprio domina todas as marcas do clássico playboy e personifica Jay Gatsby para uma nova geração. Daisy Buchanan, a razão de ser da riqueza e das festas do personagem-título, ganha uma devida desconexão com a realidade nas mãos de Carey Mulligan, sem parecer tola como a mocinha de Mia Farrow na versão setentista. Tobey Maguire dá ao seu Nick Carraway, o jovem simples que chega a Nova York para ganhar a vida no mercado de ações, uma ingenuidade que contrasta perfeitamente com os desenganos amorosos e financeiros que o cercam.
Isla Fisher e Jason Clarke não são exceção, e conseguem criar na relação de Myrtle Wilson, a amante de Tom Buchanan, e seu marido, o mecânico George Wilson, o necessário contraste social entre tanta opulência – econômica e emocional. A grande surpresa, porém, fica por conta de Joel Edgerton (Tom Buchanan, o marido de Daisy) e Elizabeth Debicki (Jordan Baker, amiga de Daisy e potencial interesse amoroso de Nick). Edgerton atinge o equilíbrio perfeito entre o carismático e o desprezível, e Debicki expressa toda a classe e a força da sua personagem, uma jogadora de golfe nos primeiros passos da emancipação feminina – uma pena que acabe subaproveitada no filme.
O Grande Gatsby é um romance sobre desilusão. Baz Luhrmann, que se dizia preocupado em "capturar todo o espírito do livro e seu tempo", foi incapaz de entender que a importância da obra-prima de Fitzgerald transcende as marcas da agitação social da Era do Jazz e da Lei Seca nos EUA.  O livro contrapõe o sonho americano à natureza humana para revelar o vazio emocional dos personagens ao final de cada festa. Na sua leitura, Lhurmann viu apenas a chance de criar um novo Moulin Rouge. Falhou duplamente e o cinema continua sem uma boa adaptação da história de Jay Gatsby.
Fonte: Omelete