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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O GUERREIRO GENGHIS KHAN – 2007

"Não despreze um filhote fraco. Ele pode se tornar um tigre feroz"
provérbio mongol



Sergei Bodrov tem demonstrado ser um autor de interesses bem definidos no que diz respeito ao campo temático que deseja trabalhar em seus filmes. Desde a infância um apaixonado declarado pela história e por seus mitos, o cineasta russo viu na rica quantidade de histórias destes pequenos países da Ásia em séculos passados uma forma de construir para si uma identidade de imediata assimilação.

O Guerreiro Genghis Khan, filme que deu ao seu país de origem sua primeira indicação ao Oscar de filme estrangeiro, é a segunda destas incursões investigativas de Bodrov pelo campo histórico oriental na década. O objeto de estudo neste caso é a formação de caráter do conquistador e imperador mongol Genghis Khan, tido por especialistas como uma das figuras de maior importância do período das grandes conquistas e um dos principais ícones de seu país, reverenciado até hoje e considerado não apenas um herói, mas o pai daquela nação. Por ser a história de um herói nacional, fatos concretos misturam-se a contos lendários de Genghis Khan.

O argumento, construído a partir de uma longa pesquisa realizada pelo diretor (que desde os anos 90 mantinha este como um de seus projetos de vida) em parceria com o roteirista Arif Aliyev, foi baseado no pouco que existe sobre a vida de Khan antes de se tornar o grande herói, sendo a maior parte deste material produzida com registros posteriores à época, já que até hoje poucas evidências do período foram encontradas.


O filme do diretor russo é um ótimo espetáculo. Ele conta a história de como o garoto Temudjin, filho perseguido de um líder tribal assassinado, torna-se Genghis Khan, o unificador dos mongóis.

Não faltam batalhas e paisagens grandiosas, mas a principal virtude do filme é o tratamento dado à figura humana de Temudjin. É sempre tentador num épico como este achatar o indivíduo sob fatos e eventos, mas o foco aqui foi outro. A espinha dorsal da narrativa é a relação de Temudjin com Börte, esposa que escolheu (ou por quem foi escolhido) aos 9 anos, à revelia da vontade paterna. O desejo irrepreensível de cumprir seu compromisso com Börte, encontrando-a, resgatando-a e aceitando-a incontáveis vezes não se resume a um simples mandamento romântico. Através dessa mulher especial, Temudjin consegue manter sua própria identidade no caos de adversidades que é sua existência.

O menino Temudjin torna-se homem diante de nossos olhos e ao final da projeção temos a convicção de que aquele personagem realmente era capaz de aglutinar em volta de si um povo até então dividido na anarquia de infindáveis brigas tribais. O filme até pode não ser rigorosamente acurado em termos históricos, mas é verossímil em termos humanos e isso já é mérito suficiente.

Há várias batalhas muito bem dirigidas e com movimentos plásticos, em que podemos ter um pouco de noção de estratégias militares. Algumas locações eram tão remotas e isoladas que foram construídas estradas para que os profissionais e o equipamento de filmagem pudessem ter acesso.

O diretor Sergei Bodrov e o cenografista Dashi Namdakov visitaram o chefe xamã mongol, na cidade de Ulan Bator, Mongólia, para pedir permissão para fazer o filme sobre a vida de Genghis Khan. O curandeiro disse-lhes que, de todas as pessoas que têm conversado sobre fazer um filme desses, eles foram os únicos a pedir sua permissão.





Título Original: Mongol
Título em inglês: Mongol: The Rise of Genghis Khan
Direção: Sergei Bodrov
Produção: Sergei Selyanov, Sergei Bodrov e Anton Melnik
Roteiro: Sergei Bodrov, Arif Aliyev
Gênero: Biografia/ Drama/ Romance/ Guerra
Origem: Cazaquistão/ Rússia/ Mongólia/ Alemanha
Ano: 2007
Lançamento no Brasil: 2009
Música: Tuomas Kantelinen
Fotografia: Sergey Trofimov, Rogier Stoffers
http://www.imdb.com/title/tt0416044/ - 7.4/10


Sinopse:

Reconstituição dos primeiros anos de vida de Genghis Khan, que ainda muito cedo foi escravo antes de se tornar um dos maiores conquistadores de todos os tempos, construindo o maior império (em extensão) da história em 15 anos, sem perder uma única batalha! Ele chegou a dominar metade do mundo conhecido até então, incluindo a Rússia no ano de 1206


Elenco:

Tadanobu Asano - Temudjin
Honglei Sun - Jamukha
Khulan Chuluun - Börte
Aliya – Oelun, Mãe de Temudjin
Ba Sem – Esugei, Pai de Temudjin
Amadu Mamadakov - Targutai
Ying Bai - Mercador com anel dourado
He Qi - Dai-Sechen
Ben Hon Sun - Monge
Ji Ri Mu Tu - Boorchu
You Er - Sorgan-Shira
Ba Tu - Altan
Deng Ba Te Er - Daritai
Bao Di - Todoen
Su Ya La Su Rong - Girkhai
Sai Xing Ga - Chiledu
Tegen Ao - Charkhu
Zhang Jiong – Chefe Tangut Garrison
Odnyam Odsuren – Temudjin criança
Bayertsetseg Erdenebat - Borte criança
Amarbold Tuvshinbayar - Jamukha criança
Ba Ti - Juchi
Li Jia Qi - Mungun
Bu Ren - Taichar


Informações do Arquivo:

Formato: rmvb
Qualidade: DVDRip
Áudio: Mongol/ Mandarin
Legendas: Português/BR
Duração: 126 min
Cor
Tamanho: 525 MB em 3 partes

DOWNLOAD:

http://www.megaupload.com/?d=TI27HHEJ
http://www.megaupload.com/?d=WIY44DVM
http://www.megaupload.com/?d=ISVDS9YD

SENHA PARA DESCOMPACTAR: acullen





domingo, 9 de janeiro de 2011

Yellow Submarine

YELLOW SUBMARINE, 1968
Legendado, George Dunning


Classificação: Excelente

Formato: AVI (DVD-Rip)
Áudio: inglês
Legendas: português
Duração: 90 minutos 
Tamanho: 700 MB
Servidor: Megaupload (3 partes)

LINKS

LINK do álbum Yellow Submarine

SINOPSE
A história do desenho animado era sobre Pepperland, um paraíso situado a oitenta mil léguas submarinas cercado de cor e música. Os Blue Meanies atacaram Pepperland para acabar com a música. Os Beatles embarcam no submarino amarelo com o intuito de salvar Pepperland. Até chegarem a Pepperland, viajam passando por The Sea of Time (onde cantam "When I'm Sixty-four"),The sea of science (onde cantam "Only a Nothern Song"), The sea of Monsters, The sea of nothing (onde cantam "Nowhere man") e The sea of holes. Ao final os Beatles tocam imitando a Sgt. Pepper's Band e devolvem a música, a cor e a alegria a Pepperland.

The internet movie database: IMDB







sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A revolução dos bichos

ANIMAL FARM, 1954
Legendado, Joy Batchelor e John Halas


Classificação: Bom

Formato: AVI (DVD-Rip)
Áudio: inglês
Legendas: português
Duração: 72 minutos
Tamanho: 694 MB
Servidor: Megaupload (3 partes)

LINKS

SINOPSE
Desenho animado produzido na Inglaterra que faz adaptação do clássico de George Orwell. A obra que narra a história do fazendeiro Jones, um homem beberrão e cruel que explora seus animais. Revoltados com seu proprietário, os animais se organizam e tomam posse das terras, passando a controlar o lugar e decretando uma série de novas regras. Os porcos, no entanto, querem uma sociedade ideal por meio da opressão, o que faz surgir uma nova revolta.

Crítica (contém spoiller)

A Revolução dos Bichos, de George Orwell, é inegavelmente uma das fábulas mais tristes já escritas: além de ser uma ácida análise/crítica dos rumos tomados pela União Soviética após a Revolução Socialista, também funciona como um ótimo estudo sobre a corrupção do poder. Já essa versão do conto de Orwell dirigida pelo casal John Halas e Joy Batchelor, embora tenha suas deficiências, conta com a vantagem de ser mais coerente com a intenção do autor em seu desfecho do que o encerramento ideologicamente distorcido da versão realizada em 1999 para a televisão.
As alusões são claras; não é preciso um grande poder de dedução para chegar aos representados. Após anos de maus tratos, os animais da Granja do Solar (Rússia) expulsam seu dono, o bêbado Sr. Jones (czar Nicolau II), e passam a administrar a fazenda por conta própria, seguindo as ideias do velho Major (Karl Marx) e a liderança dos porcos, os animais mais inteligentes. Dentre estes se destacam o progressista Bola de Neve (Leon Trotsky) e o escuso Napoleão (Josef Stálin). Ambicioso, mas cansado dos planos de desenvolvimento de seu companheiro, Napoleão expulsa Bola de Neve da fazenda, iniciando um reinado de terror maquiado pela propaganda de seu braço direito Garganta (imprensa soviética).
Um dos grandes problemas enfrentados por essa animação é o roteiro que, extremamente esquemático e expositivo, insiste em martelar o óbvio na cabeça do espectador: quando vemos Napoleão encontrando os cãezinhos órfãos, por exemplo, somos perfeitamente capazes de perceber suas intenções sem a necessidade de incluir planos e mais planos do porco escondendo os filhotes. Da mesma forma, a riqueza de idéias do texto de Orwell é grande demais para um filme de apenas 70 minutos de duração. O resultado é que em vários momentos sentimos que o filme está correndo contra o tempo para chegar ao final: basta notar a forma abrupta com que percebemos a corrupção dos porcos (algo que no livro – e na versão de 1999 – acontecia de forma bem mais gradual).
Outro fator que contribui para o estranhamento é a quase ausência de diálogos: é bem menos interessante, para uma história como A Revolução dos Bichos, acompanhar o desenrolar dos acontecimentos a partir de uma narração em terceira pessoa, já que as ricas relações entre os personagens é um dos grandes trunfos do livro. Não é à toa que os melhores momentos do filme são aqueles que envolvem diálogos, de forma direta ou indireta (e o trabalho vocal do ator Maurice Denham, responsável pela dublagem de todos os personagens, é fenomenal). Para piorar, a égua Quitéria, que funcionava como representante do leitor (e que na versão de 1999 foi substituída por uma cadela), é completamente cortada da trama, e as tentativas de substituí-la pelo cavalo Sansão e pelo burro Benjamim são mal-sucedidas, já que os dois ganham mais destaque apenas nos minutos finais.
Mesmo com todos esses graves problemas, no entanto, a história de Orwell é forte demais para ser facilmente sabotada por falhas narrativas. É comovente ver os animais visitando a casa de Jones, onde encontram inúmeros restos mortais de outros companheiros, transformados em objetos ou comida (neste caso, as imagens falam por si mesmas); e inspirador vê-los trabalhando sem ordens ou agressões, tentando construir uma sociedade mais justa. Da mesma forma, é triste ver seu sonho ser sabotado pela ambição doentia de Napoleão, que torna as coisas quase tão ruins quanto eram nos tempos de Jones – apesar da propaganda de Garganta convencê-los do contrário, é óbvio. Vale ressaltar também a coragem de Halas e Batchelor ao enfocar a violência da história, trazendo (de forma quase sempre implícita, mas inequívoca) as várias mortes ordenadas por Napoleão ou causadas por ataques de fazendeiros vizinhos. Nesse sentido, merecem destaque a cena em que um gato é estraçalhado por vários cachorros (algo que deve ter levado vários pais desinformados à loucura) e outra em que o mandamento “Nenhum animal matará outro animal” recebe um macabro adendo (“sem motivo”) escrito com sangue.
E é então que chegamos ao ponto mais delicado do filme (se não quiserspoilers, pare de ler aqui): ao contrário do final de 99, que, realizado depois do fim da URSS, anunciava declaradamente esperança no sistema capitalista (Orwell deve ter se revirado no túmulo), essa versão traz um encerramento que, mesmo distanciando-se um pouco do livro, acontece de forma bem mais plausível: é mais aceitável que Orwell defendesse manutenção e reformas no sistema socialista do que um quase “tragam os chefes de volta” – mesmo se considerarmos o pessimismo de sua obra mais famosa, o angustiante 1984 (A verdade é que Stálin morreu durante a produção do filme, e os realizadores tiveram a ideia de oferecer uma nova perspectiva).
Contando com uma bela animação e com uma trilha sonora adequada, A Revolução dos Bichos pode ter grandes falhas, mas graças à força do trabalho de Orwell, consegue se manter ao menos como uma versão rápida do livro – o que, na prática, só é útil para quem está com prazos apertados para o trabalho da escola sobre o livro. Mas se for suficiente para despertar interesse pelo material original, tem ao menos um mérito grande e inquestionável.

Crítica retirada de cinefiliaevida