quinta-feira, 1 de maio de 2014

ASAS DO DESEJO - 1987

Der Himmel über Berlin, 1987
Legendado, Wim Wenders
Classificação: Excelente

Formato: AVI
Áudio: alemão
Legendas: português
Duração: 128 min.
Tamanho: 772 MB
Servidores: 1 Fichier (Parte única)

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SINOPSE
Na Berlim pós-guerra, Damiel (Bruno Ganz) e Cassiel (Otto Sander) são anjos que perabulam pela cidade. Invisíveis aos mortais, eles lêem seus pensamentos e tentam confortar a solidão e a depressão das almas que encontram. Entretanto, um dos anjos, ao se apaixonar por uma trapezista (Solveig Dommartin), deseja se tornar um humano e experimentar as dores e alegrias de cada dia.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 8.1


ANÁLISE
Descobrir um novo mundo através dos matizes da lente de Wim Wenders.
Quando a criança era criança
Não sabia que era criança
Tudo lhe parecia ter alma
E todas as almas eram uma

(...) Quando a criança era criança
Era época dessas perguntas:

(...) Um lugar na vida sob o sol não é apenas um sonho?
Aquilo que eu vejo e ouço e cheiro
Não é só a aparência de um mundo diante de um mundo?

O poema do qual os trechos supracitados fazem parte nos é narrado inteiramente na abertura de Asas do Desejo(Der Himmel über Berlin, 1987), e evoca as lembranças de uma época em que a inocência diante do mundo fazia parte da vida. Como sabemos, as crianças são inocentes a quase tudo o que as rodeia, e por isso se aventuram, inconsequentes, no ambiente, a fim de descobrir o funcionamento das coisas. Elas são corajosas ao se introduzir nessa jornada de descobertas, de querer entender os porquês dos porquês, de perguntar tudo sobre tudo, e nunca parecem satisfeitas com as respostas que encontram. O que muitas vezes não notamos é que esse anseio de querer saber sempre mais, de querer desvendar tudo o que nos desperta interesse, prevalece dentro de cada um mesmo depois da infância, só que talvez em menor escala, ou oprimido pelo embaraço ou pelo medo. E é exatamente sobre isso que se trata Asas do Desejo, um poema em celulóide que nos apresenta a eterna busca do homem por aquilo que lhe é desconhecido.

Esse ato de desvendar é materializado no filme através do símbolo político do muro de Berlim. Toda a trama se passa na Berlim Ocidental antes da queda do muro, onde nos são apresentadas duas visões sobre o mesmo tema – a dos anjos (em preto e branco) e a dos seres humanos (colorida). É uma época dividida não apenas pelo muro literal, mas também por ideologias, pela guerra fria, saudade, dor, economia, política e insegurança. Um cenário de devastação, marcado por pessoas solitárias e oprimidas, será a base para entendermos a função dos anjos Damiel (Bruno Ganz) e Cassiel (Otto Sander) na história, que passam o tempo todo consolando essas pessoas o máximo possível – talvez nem sempre com sucesso.

O que para nós pode parecer uma tarefa nobre e gloriosa, na verdade desperta em Damiel um desejo desnatural, inexplicável, de conhecer o mundo mortal plenamente. Porque por mais que seja capaz de entender os anseios no coração de cada pessoa, ele não consegue sentir o mesmo que elas sentem fisicamente por conta de sua condição espiritual superior. Ele não vê em cores, não sente contato físico de ninguém, e isso aos poucos vai lhe despertando o velho desejo de todos de poder entender o que lhe é novo, o que lhe é desconhecido. Para Damiel, o mundo terreno é algo a ser descoberto, mesmo que seja apenas para sentir a mesma dor que os seres humanos sentem. E esse desejo se tornará incontrolável quando passar a desenvolver um sentimento romântico por uma solitária trapezista (vivida por Solveig Dommartin).

Na outra ponta, temos várias pequenas e passageiras tramas com os seres humanos ajudados pelos anjos. Através deles entenderemos todas as frustrações e decepções que, de uma forma ou de outra, dominam os seres humanos em geral. E por trás de todas essas questões está a grande necessidade humana de entender os porquês da vida, a eterna busca por explicações suficientes que justifiquem todo o sofrimento do mundo – algo que somente alguém espiritualmente superior como os anjos poderia entender. Ou seja, enquanto os anjos desejam sentir o carinho, o afeto e até mesmo a dor, os humanos dariam tudo para poder entender a razão das coisas serem como são. Um anseia descobrir o mundo do outro.
A barreira divisora entre o mundo político é claramente representada pelo muro de Berlim, que acopla em si todas as explicações históricas e políticas envolvidas. Restou então para Wim Wenders criar uma barreira também literal e palpável entre o mundo de homens e anjos, através de uma fotografia mista em preto e branco e colorido. Esse recurso não era inteiramente necessário para nos fazer entender essa diferença metafísica, mas esteticamente contribuiu muito para nos fazer enxergar um tipo de beleza a respeito dessa eterna necessidade de todos em querer descobrir "o outro lado". Fica muito mais concreto para nós aceitarmos o lado angelical dos personagens através do preto e branco, de modo que não nos surpreende o fato de Dammiel desejar abdicar de sua posição privilegiada para se igualar a qualquer mortal. Ainda nessa escolha de cores, Wenders acaba passando uma mensagem de esperança para sua Alemanha, ao mostrar que por pior que seja a situação, o mundo ainda é “colorido” e passível de mudanças para nós humanos. Sendo assim, as caraterísticas espirituais da obra não possuem um cunho religioso ou doutrinal, e sim servem para estabelecer um contrapeso em relação aos maiores desejos de mudar e entender do homem.

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Screenshots






























2 comentários:

  1. Quem assistiu o remake americano A Cidade dos Anjos, não deve deixar de assistir o original muito mais complexo no que diz respeito as relações humanas.As imagens são inesquecíveis e de uma poesia incrível. Ao lado de Paris Texas continua sendo um dos melhores filmes do diretor Wenders. Parabéns pelo blog!

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  2. Esse é um que ainda não vi, Baixando pra ver hoje, Obrigado !

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