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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

ERNEST E CÉLESTINE - 2013

Filme indicado na seguinte categoria ao Oscar 2014: Melhor filme de animação

Ernest et Célestine, 2013
Legendado, Benjamin Renner, Stéphane Aubier e Vicent Patar


Formato: AVI
Áudio: francês
Legendas: português
Duração: 80 min.
Tamanho: 680 MB
Servidor: Mega (Parte única)

LINK

SINOPSE
Na sociedade tradicional dos ursos, a amizade entre estes animais e os ratos não é algo bem visto. Ernest é um grande urso, palhaço e músico, que vai acolher em sua casa a ratinha Célestine, uma orfã que escapou do mundo subterrâneo dos roedores. Com muita amizade, os dois vão encontrar uma vida confortável, mudando, para sempre, as normas desse mundo.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.9










































































quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

CAPITÃO PHILLIPS - 2013

Filme indicado nas seguintes categorias ao Oscar 2014:
Melhor filme, Melhor ator coadjuvante (Barkhad Abdi); Roteiro adaptado (Billy Ray); Montagem (Christopher Rouse); Mixagem de som (Chris Burdon, Mark Taylor, Mike Prestwood Smith e Chris Munro); Edição de efeitos sonoros (Oliver Tarney).

Captain Phillips, 2013
Legendado, Paul Greengrass


Formato: AVI
Áudio: inglês
Legendas: português
Duração: 134 min.
Tamanho: 835 MB
Servidor: Mega (Parte única)

LINK

SINOPSE
Richard Phillips (Tom Hanks) é um comandante naval experiente, que aceita trabalhar com uma nova equipe na missão de entregar mercadorias e alimentos para o povo somaliano. Logo no início do trajeto, ele recebe a mensagem de que piratas têm atuado com frequência nos mares por onde devem passar. A situação não demora a se concretizar, quando dois barcos chegam perto do cargueiro, com oito somalianos armados, exigindo todo o dinheiro a bordo. Uma estratégia inicial faz com que os agressores recuem, apenas para retornar no dia seguinte. Embora Phillips utilize todos os procedimentos possíveis para dispersar os inimigos, eles conseguem subir à bordo, ameaçando a vida de todos. Quando pensa ter conseguido negociar com os piratas, o comandante é levado como refém em um pequeno bote. Começa uma longa e tensa negociação entre os sequestradores e os serviços especiais americanos, para tentar salvar o capitão antes que seja tarde.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 8.1







































































terça-feira, 21 de janeiro de 2014

TRAPAÇA - 2013

Filme indicado nas seguintes categorias para o Oscar 2014: 
Melhor filme, melhor diretor (David O. Russell), Melhor ator (Christian Bale), Melhor atriz (Amy Adams), Ator coadjuvante (Bradley Cooper), Atriz coadjuvante (Jennifer Lawrence), Roreiro original (David O. Russell e Eric Singer), Montagem (Jay Cassidy, Crispin Struthers e Alan Baumgarten), Design de produção (Judy Becker - Design de Produção; Heather Loeffler - Decoração de Set), Figurino (Michael Wilkinson). 

American hustle, 2013
Legendado, David O. Russell
Classificação: Bom

Formato: AVI
Áudio: inglês
Legendas: português
Duração: 138 min.
Tamanho: 1,90 GB
Servidor: Mega e Bayfiles (2 partes)

LINKS

SINOPSE
Irving Rosenfeld (Christian Bale) é um grande trapaceiro, que trabalha junto da sócia e amante Sydney Prosser (Amy Adams). Os dois são forçados a colaborar com um agente do FBI (Bradley Cooper), infiltrando o perigoso e sedutor mundo da máfia. Ao mesmo tempo, o trio se envolve na política do país, através do candidato Carmine Polito (Jeremy Renner). Os planos parecem dar certo, até a esposa de Irving, Rosalyn (Jennifer Lawrence), aparecer e mudar as regras do jogo.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.8


































































OS SUSPEITOS - 2013

Prisoners, Legendado, 2013, Denis Villeneuve

Indicado na seguinte categoria para o Oscar de 2014:  Melhor fotografia.
Classificação:
Ótimo
Formato: MP4 ( Blu-ray 720p)
Áudio: Inglês
Legendas: Português
Duração: 153 Min
Tamanho: 987 Mb
Servidor: MEGA (3 Partes)
Links:

Parte 1
Parte 2
Parte 3

Sinopse: Na zona rural da cidade de Brockton, Massachusetts, vizinhos e amigos dos Dovers e Bichers se reúnem para o jantar de Ação de Graças, mas até o final da noite, a celebração se transforma em pânico quando duas das jovens filhas das famílias desaparecem. Depois que os policiais não conseguem encontrá-las, Keller Dover (Hugh Jackman) decide fazer lei com suas próprias mãos, correndo contra o dedicado Detetive Loki (Jake Gyllenhaal).
Fonte: Cineplayers
The Internet Movies Database: IMDB - Nota Imdb 8.1


Crítica:

A maior parte dos cineastas compreende a importância de se contar uma boa história, mas não são muitos os que percebem como criar uma atmosfera é igualmente importante – e ainda mais raros são aqueles que conseguem executar esta tarefa com sucesso. Assim, assistir a um filme como Os Suspeitos é um raro prazer cinéfilo, já que, além de criar um universo triste e angustiante, este novo trabalho do canadense Denis Villeneuve ainda traz uma trama complexa e construída com precisão de relojoeiro pelo roteirista Aaron Guzikowski.
Remetendo – em história e tom – a obras como Zodíaco, Seven, Memórias de um Assassino, Sobre Meninos e Lobos, A Promessa e O Silêncio do Lago (o original), Os Suspeitos faz jus a estes fabulosos companheiros ao acompanhar personagens atormentados pelo desaparecimento de duas garotinhas durante o feriado de Ação de Graças. Inicialmente certo de ter encontrado o responsável ao prender o jovem Alex Jones (Dano), o detetive Loki (Gyllenhaal) logo demonstra inquietação ao constatar que o rapaz tem o Q.I. de uma criança de dez anos de idade, sendo obrigado a libertá-lo por falta de provas. Esta decisão irrita o pai de uma das meninas, Keller Dover (Jackman), que, certo da culpa do suspeito, decide sequestrá-lo a fim de obrigá-lo a revelar o paradeiro das crianças.
Inexplicavelmente rebatizado como Os Suspeitos no Brasil apesar do perfeito título original (Prisioneiros), que remetia diretamente à situação de praticamente todos os personagens da narrativa, o longa acompanha criaturas constantemente sufocadas que se encontram aprisionadas de maneira literal (as garotas, Alex), psicológica (Keller) e/ou emocional (Loki). Acorrentados em seus infernos pessoais, estes indivíduos parecem perdidos em labirintos insolucionáveis – numa metáfora que eventualmente se apresenta também de forma literal, demonstrando o cuidado do roteirista na construção do simbolismo de sua história.
Privilegiado por contar com a fotografia do mestre Roger Deakins, o filme surge triste e melancólico desde o primeiro plano ao investir numa paleta que, mergulhada em tons de cinza e marrom, envolve os personagens num frio constante – e, em certo momento, Deakins e Villeneuve chegam ao ponto de fazer a transição de uma pancada de chuva para uma tempestade de neve numa mesma cena, marcando não só o deterioramento completo das relações entre os personagens de Jackman e Gyllenhaal (a mudança ocorre no momento em que o primeiro é observado pelo segundo), mas também do estado psicológico dos dois homens. Além disso, Deakins é hábil ao criar uma atmosfera sempre claustrofóbica, iniciando a estratégia no instante em que os pais das crianças percebem que estas desapareceram e são vistos numa sala que, até então aconchegante, subitamente parece espremê-los com seu teto baixo e suas paredes próximas umas das outras.
Contando com um elenco formidável que traz Maria Bello em estado quase catatônico, Viola Davis entregue a um silencioso desespero e Terrence Howard dividido entre o desejo de encontrar a filha e o dilema moral criado pelas ações do amigo, Os Suspeitos ganha força especialmente graças ao contraste entre suas duas performances centrais. Neste sentido, Hugh Jackman tem certa vantagem por poder viver o tipo mais explosivo, já que Keller é um homem atormentado por sua impotência diante do que ocorreu com a filha e que expõe sua estratégia de estar sempre preparado para qualquer incidente como um hábito ineficaz, já que, no momento mais crucial, ele nada pôde fazer. Tocante e assustador na mesma medida, o sujeito mal consegue sufocar suas explosões de raiva, embora imediatamente pareça se arrepender destas – e Jackman é competente ao deixar claro que Keller não extrai qualquer prazer sádico de suas ações, parecendo acreditar realmente ter a tortura como último recurso para salvar a filha.
No entanto, se a performance de Jackman é a que mais chama a atenção, eu não hesitaria em classificar aquela oferecida por Jake Gyllenhall como sendo a mais difícil e, consequentemente, intrigante. Se Keller expõe constantemente o que sente, o detetive Loki é um homem introspectivo que busca manter a postura profissional distanciada que a tarefa exige – e sua insistência em dizer que “está considerando todas as possibilidades” se apresenta como uma frase feita que nada significa (e que ele sabe que nada significa) usada apenas para apaziguar testemunhas e vítimas emocionalmente perturbadas. Tomado por pequenos tiques que, obrigando-o a piscar com frequência, indicam um imenso tumulto interno de forma minimalista, Loki é um homem que busca ser compreensivo e paciente mesmo diante da agressividade de Keller, mas que aos poucos permite que percebamos sua dificuldade crescente em manter sua frustração sob controle – e eu ficaria imensamente feliz caso o ator fosse indicado a prêmios importantes por sua composição disciplinada e reveladora neste filme.
Enquanto isso, Denis Villeneuve volta a demonstrar o controle narrativo exibido nos ótimos Incêndios e Politécnica ao manter o espectador sempre tenso através de seus quadros sempre evocativos – desde aquele que traz a personagem de Maria Bello deitada como se estivesse num caixão até aqueles que, levemente inclinados, indicam a instabilidade daquelas pessoas. Além disso, o cineasta compreende perfeitamente o conceito de suspense, criando expectativas claras e fortes no público apenas para adiar sua conclusão, como na bela sequência que traz uma corrida desesperada no trânsito, à noite e sob a chuva, até aquela que usa as luzes automáticas de uma pequena vizinhança para indicar o movimento de um suspeito. Além disso, a fotografia melancólica é complementada de forma perfeita pelo design de produção e pelos figurinos, que mantêm os tons marrons sempre em cena. Para completar, os montadores Joel Cox e Gary Roach usam os constantes fades não como transições preguiçosas (erro de tantos profissionais), mas como forma de introduzir elipses em momentos nos quais o filme parece prestes a se entregar a ações formulaicas e que o espectador é capaz de imaginar sozinho.
O que nos traz, finalmente, ao belíssimo roteiro de Aaron Guzikowski, que só não ganhará destaque em cerimônias de premiação caso seus colegas enlouqueçam (e sugiro que veja o filme primeiro para só então ler o restante desta análise, já que terei que mencionar alguns spoilers menores). Construindo uma trama complexa que depende de vários incidentes apresentados de forma aparentemente desconexa, mas que eventualmente se encaixam sem deixar um sequer sem explicação, Guzikowski é hábil ao sugerir elementos das personalidades de seus personagens através de detalhes rápidos, como uma breve tortura animal, um recorte de jornal revelando o suicídio do pai de Keller (que, perfeito do ponto de vista temático, era carcereiro) ou a menção do passado de Loki, criado em um orfanato. Além disso, o roteirista demonstra talento ímpar para introduzir pistas que, ao contrário do que ocorre em tantos longas, se estabelecem sem que chamem atenção excessiva sobre si mesmas (o apito vermelho, a menção ao apartamento abandonado dos Dover, o garoto desaparecido há tanto tempo, o desaparecimento do tio de Alex), o que torna as recompensas ainda mais satisfatórias.
Introduzindo também elementos temáticos que deixam clara a importância da devoção religiosa dos personagens desde o primeiro plano – algo fundamental se considerarmos a motivação por trás dos crimes -, Os Suspeitos ainda faz um contraponto entre a fé de Keller e suas ações, merecendo destaque o instante em que ele não consegue concluir o Pai-Nosso por reconhecer a própria hipocrisia ao quase recitar o “assim como perdoamos aqueles que nos têm ofendido” (e é fantástica, a decisão do compositor Jóhann Jóhannsson de incluir acordes de um órgão, remetendo à Igreja, no instante em que o sujeito é atirado em seu purgatório particular). Como se não bastasse, Guzikowski evita o erro de justificar a tortura, convertendo a descoberta de Keller numa ironia dramática final, já que, embora acabe descobrindo o que houve, sua constatação não desempenha papel algum no desfecho, já que cabe ao detetive Loki, com sua investigação meticulosa e o uso da razão, o papel de encontrar o criminoso.
Pecando apenas por não deixar o desfecho tão ambíguo quanto parece desejar, Os Suspeitos é um drama tocante, um suspense sufocante e um filme de detetive magnífico. Um dos melhores longas do ano, sem dúvida alguma.
Fonte: Portal Cinema em cena








domingo, 19 de janeiro de 2014

ELA - 2013

Her, Legendado, 2013, Spike Jonze

INDICAÇÃO DA SEMANA!
Indicados nas seguintes categorias para Oscar 2014: Melhor Filme, Roteiro Original, Trilha Sonora Original, Canção Original ("The Moon Song", de "Ela" – Karen O - música e letra - e Spike Jonze -letra), Design de Produção.
Classificação: Excelente
Formato: AVI (Xvid exclusivo para exibição)
Áudio: Inglês
Legendas: Português
Duração: 126 Min
Tamanho: 686 Mb
Servidor: MEGA (2 Partes)
Links:

Parte 1
Parte 2


Sinopse: Em um futuro não muito distante, o escritor solitário Theodore compra um novo sistema operacional desenhado para atender todas as suas necessidades. Para surpresa de Theodore, começa a se desenvolver uma relação romântica entre ele e o sistema operacional.
Fonte: Cineplayers
The Internet Movies Database: IMDB - Nota Imdb 8.6


Crítica:
Tudo o que você precisa é do amor. Frase clássica em música dos The Beatles e mantra que é repetido geração após geração – conhecendo as pessoas ou não a tal música. O problema é que a afirmação de tão verdadeira, se torna muitas vezes fonte de sofrimento. Muito sofrimento. A condição humana de busca pelo amor e seus descaminhos rendeu e ainda vai render muitas histórias. E chega a assustar quando uma obra como Her aparece. Porque apesar de ser uma ficção, ela torna de forma muito exata muito do que acontece e do que vai acontecer na vida real. Mais uma obra-prima de uma das mentes mais criativas das últimas décadas, o diretor e roteirista Spike Jonze.
A HISTÓRIA: O rosto de Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) ocupa toda a tela. Ele lê um texto que parece fazer parte de uma carta dirigida à Chris. O texto fala sobre lembranças do relacionamento que, agora, está completando 50 anos. Ao lado da carta, que está sendo redigida com a letra de Loretta, fotos do casal com os nomes “Chris” e “Loretta” identificados no computador de Theodore. Acima das fotos, algumas “linhas gerais” da correspondência, como “amor da minha vida” e “parabéns pelo aniversário de 50 anos”. Após terminar de declamar o texto, Theodore pede para que a carta seja redigida. Em seguida, ele começa a criar outra carta. A câmera se afasta, e vemos vários cubículos com pessoas fazendo o mesmo que Theodore. Solitário, em breve ele terá uma oportunidade de viver uma relação que esboça os sentimentos que ele quis imprimir naquela correspondência.
VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Her): Quando terminei de assistir a este filme, fiquei em dúvida sobre como começar este texto e mesmo sobre a nota que deveria dar para a produção – um problema recorrente quando eu gosto muito do que assisto. Afinal, não queria ser injusta com uma obra tão madura, instigante e que segue a linha que eu gosto de cinema: de filmes que são, ao mesmo tempo, surpreendentes e humanos, filosóficos. Que falem da gente, de nossas inquietudes, possibilidades e limitações.
Sou fã de Spike Jonze desde que ele dirigiu Being John Malkovich, uma das viagens da mente criativa do roteirista Charlie Kaufman. Depois ainda viria Adaptation., outra parceria de Jonze com Kaufman. Perdi Where the Wild Things Are porque, admito, a ideia do filme não me atraiu muito. Mas agora, de olho nas produções cotadas para o Oscar, tive o prazer de “reencontrar” Jonze.
Tentei saber pouco sobre Her antes de assistir ao filme. Ouvi apenas que a história se passava em um futuro não muito distante. De fato, isso é verdade. E por este futuro estar tão próximo, é possível identificar vários elementos do presente no roteiro brilhante de Jonze. Para começar, Theodore utiliza um dispositivo que se assemelha muito às últimas gerações de smartphones – especialmente o iPhone da Apple, que já utiliza o reconhecimento de voz. Pois bem, o “leitor de e-mails e de notícias” ao qual Theodore sempre recorre é uma pequena evolução do que temos hoje.
Mas o essencial de Her surge na relação que o protagonista e várias pessoas como ele desenvolvem com a última novidade entre os conectados com as tecnologias mais modernas, o OS1, o primeiro “Sistema Operativo de Inteligência Artificial” do mercado. Várias experiências envolvendo inteligência artificial estão sendo desenvolvidas nas últimas décadas e o investimento nesta área só tende a aumentar. Então é assustadoramente viável o que vemos no roteiro de Jonze.
Só que antes de falarmos da relação entre Theodore e Samantha (com voz de Scarlett Johansson), vale voltar um pouco mais na história e fazer um perfil do protagonista desta produção. Theodore é um sujeito que vive da casa para o trabalho, quase não tem relações pessoais e luta para enfrentar a realidade de que o casamento com Catherine (Rooney Mara) terminou. Entre o trabalho e a casa, ele pega transporte público e utiliza a última geração de smartphone para se atualizar sobre as notícias. Chegando em casa, se distrai com uma versão um pouco mais moderna que as atuais de videogame. Quantas pessoas assim existem, atualmente, no mundo? E quantas vão existir dentro de algumas décadas?
Na fase atual, Theodore pode ser considerado um sujeito solitário. As únicas interações com humanos que ele tem, cara-a-cara, são com o chefe direto dele na agência que produz cartas pessoais, Paul (Chris Pratt), e com a amiga do tempo da faculdade, Amy (Amy Adams) e o marido, Charles (Matt Letscher), que vivem no mesmo prédio que ele. Mas ainda que ele tenha estas relações, nenhuma delas parece profunda. E Theodore não parecer ser uma exceção. Neste contexto em que os indivíduos tem relações superficiais, apesar de seguirem carentes de afeto, de carinho e de amor, é que surge a inovação do OS1.
Como se você escolhesse um avatar em um jogo qualquer, Theodore prefere que o sistema que ele comprou tenha uma voz feminina. E é assim que surge na vida dele Samantha. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Pouco a pouco a inteligência artificial vai evoluindo e aprendendo, não apenas com e sobre Theodore, mas muito além dele ao conectar-se com outras personalidades como ela na rede. Daí que se desenvolve a genialidade de Her. Theodore encontra em Samantha a “solução” para quase todos os seus problemas. Afinal, ela nunca vai lhe dizer não, ou desaparecer… estará, virtualmente, sempre disponível e amorosa, compreensiva, uma voz “amiga” para aconselhar aquele homem cheio de dúvidas, aspirações e talento.
Pouco a pouco, além de amiga, Samantha se torna “amante” e desenvolve uma ligação que chega a ser considerada uma relação amorosa por Theodore. Achei interessante como a sociedade de Her está “desenvolvida” ao ponto de que Theodore não fica com medo de assumir que está se relacionando com um “sistema operativo”, ou seja, com uma máquina em última instância. Quando ele diz para os outros que Samantha é um OS1, pessoas como Paul reagem bem à novidade. Apenas Catherine, conhecendo bem o quase-ex-marido, reage de forma negativa, jogando na cara de Theodore que ele não sabe lidar com emoções reais. E bingo!
Este é um dos pontos mais fortes do filme. Como uma espécie de crítica para o nosso futuro imediato, mas que guarda grande relação com o presente, Her questiona o tipo de relações que queremos, que necessitamos para evoluir. Theodore viver tendo Samantha como sua “alma-gêmea” é algo possível, mas que o torna muito limitado. Afinal, amar quem só concorda com a gente, ou que nos “serve”, é fácil. Mas as relações humanas existem justamente para aprendermos com o que é diferente, com o que nem sempre nos agrada e com o que se volta difícil.
Há cenas verdadeiramente “chocantes” em Her. Como aquela em que Theodore fica descontrolado com o “sumiço” de Samantha. Jonze aproveita a ocasião para mostrar com muito mais força algo que já tinha revelado de forma rápida anteriormente: todas as pessoas caminhando para os seus compromissos ou para casa conectadas em seus aparelhos e, aparentemente, à sua própria OS.
Como agora, quando vemos várias pessoas em uma mesa de bar com os seus smartphones e sem conversar entre si, na sociedade de Her os indivíduos de carne e osso não interagem, muitas vezes se quer se olham. Todos estão muito ocupados com a tecnologia e com os seus “parceiros perfeitos” criados através de inteligência artificial. Mas a pergunta que Her levanta e que deixa para espectador responder é: estas relações são reais?
Quero voltar um pouco mais na análise, outra vez, para destacar algo que achei brilhante na escolha de Jonze: fazer de Theodore um escritor de cartas pessoais que reproduzem, entre outros elementos, inclusive a caligrafia do remetente. Desta forma, o diretor e roteirista conseguiu algo genial: uniu uma das práticas mais antigas, possível desde a invenção do alfabeto e do papiro, com o que há de mais moderno na tecnologia. Mas Theodore não é um “escrevinhador de cartas” (para usar uma lembrança do genial Central do Brasil) porque as pessoas do futuro visto em Her não sabem escrever.
Não. Ele é um escrevinhador porque ninguém mais tem tempo de parar e mandar uma carta para quem se ama. Isto aconteceu como efeito imediato do surgimento do e-mail, e parece estar a cada ano pior. Ao mesmo tempo, vemos a alguns movimentos “retrôs”, que gostam de resgatar hábitos, objetos e produtos do passado. Theodore consegue, sozinho, fazer tudo isso. Achei brilhante.
Como um romancista, o protagonista de Her cria breves peças de ficção utilizando poucos elementos que lhe são passados pelas pessoas que contratam o serviço do envio de cartas personalizadas. Dito isso, acho propício voltar para aquela pergunta fundamenta: a relação de uma pessoa com o OS que ela comprou pode ser considerada uma relação real? Vivendo uma fase complicada, de insegurança e solidão, Theodore não valoriza o próprio trabalho. Mas Samantha percebe que ele tem potencial e acaba agindo para que o escrevinhador de cartas tenha o trabalho valorizado por uma editora – curioso que, como as cartas, os livros seguem firmes e fortes.
Então Samantha tem uma influência direta na vida de Theodore. O mesmo acontece na resolução do divórcio dele. Além disso, e esse eu acho o ponto mais importante, Theodore vive emoções reais na interação com Samantha. Há cenas verdadeiramente incríveis dos dois “passeando por aí” – com a sacada dela compondo músicas para marcar os momentos como alguns dos pontos fortes do filme. Se Theodore ri do sarcasmo de Samantha, se preocupa com ela e fica angustiado quando eles não estão bem, estes sentimentos não são reais? E se os sentimentos são reais, a relação também não é? Eis o ponto-chave do filme.
Cada um vai responder a estas perguntas da sua maneira. Mas para mim, não há uma relação real com uma máquina, ou com a virtualidade – do contrário, teríamos “relações reais” com um videogame. Você pode sentir diferentes emoções, mergulhar em realidades criadas, mas nunca será uma relação verdadeira como a com um humano, que é complexo e, muitas vezes, imprevisível. Pelo simples fato que a inteligência artificial é fruto de uma sequências de parâmetros e processos criados pelo homem e que tem uma resposta previsível – e mesmo que ela “avance” sozinha, como acontece em Her e em outros filmes do gênero, não dá para dizer que ela fuja das regras iniciais impostas. Uma exceção talvez seja o computador HAL de 2001: A Space Odyssey.
Agora, e o que dizer sobre as nossas próprias reações? Em certo momento, fica no ar a pergunta de quanto o que nós fazemos, pensamos e como sentimos também não é programado? Seja por nossos instintos, influências de criação familiar ou histórico de vida, ou mesmo pela evolução da nossa espécie. Mas especialmente os neurologistas vivem explicando como reagimos de certas maneiras ao prazer e ao perigo por uma herança ancestral. Visto deste ângulo, quanto de fato não agimos de forma programada como Samantha e os demais OS’s?
Por minha parte, acho sim que muito do que fazemos é programado. Mas há sempre o elemento-surpresa, a reação diferenciada que podemos ter não apenas pela nossa capacidade de aprender com os próprios erros, mas também com a nossa vontade de fazer além do que está previsto que façamos. Temos a rara e magnífica possibilidade de escolher. Só que aí, no final de Her, estas mesmas qualidades que são típicas do ser humano também acabam marcando uma certa atitude das OS’s… e agora, cara-pálida? O que acaba nos tornando únicos? E de fato, somos únicos?
Além destas questões filosóficas, para mim Her tocou fundo nas questões que eu citei lá no começo deste texto: de como todos nós procuramos o amor, e como esta busca nos trás alegrias e também sofrimento. Não importa onde ou como você encontra o amor, ou quantas vezes ele possa acontecer em sua vida, mas somos movidos pela busca por ele. O personagem de Theodore é complexo porque está lidando com a perda, mas também se anima com as novas possibilidades de amar. Sem saber que, no fundo, a busca dele por amor acaba sendo de autodescoberta.
A personagem de Catherine aparece pouco, mas tem uma presença devastadora. E esta é a potência de quem nos conhece bem. Mesmo demorando para entender que nunca terá mais o mesmo que teve um dia com Catherine, Theodore aprende na reflexão sobre o que eles tiveram um pouco mais sobre as suas próprias capacidades e limitações. E esta é uma das belezas do amor. Nos ensinar tanto.
No final de Her, Theodore está muito mais preparado para viver uma história real do que estava no início. Por incrível que possa parecer, mas foi um sistema operacional que o ajudou no processo – ao invés de um psicólogo ou psiquiatra. Os recursos para a ajuda mudam, e são adaptados para cada pessoa e o seu tempo. Mas o importante é que, no final, há sempre um horizonte que pode ser compartilhado. Her trata de tudo isso, e de uma maneira criativa, atraente e inteligente. Alguém precisa de algo mais?
NOTA: 10.
Fonte: Moviesense - Blog em wordpress