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domingo, 14 de dezembro de 2014

O PROTETOR - 2014

The Equalizer, 2014, Legendado, Antoine Fuqua.


Classificação: Ótimo
Formato: MKV
Áudio: Inglês
Legendas: Português
Duração: 132 Min.
Tamanho: 614 MB.
Servidor: MEGA (3 partes)
Links:

Parte 1
Parte 2
Parte 3

Sinopse:O agente especial Robert McCall está tentando levar uma vida tranquila e acredita ter deixado seu passado sombrio para trás. Mas quando descobre a jovem Teri, ameaçada e sob posse de violentos gângsteres russos, não consegue ficar de braços cruzados e decide ajudá-la, colocando-se outra vez no caminho que tanto quis esquecer.

THE INTERNET MOVIES DATABASE: IMDB - Nota Imdb 7.4


Crítica:
Quem assistiu ao excelente “Dia de Treinamento”, que teve o diretor Antoine Fuqua em parceria com o ator Denzel Washington, cujo trabalho lhe rendeu o Oscar em sua categoria, logo imaginaria que um segundo encontro dos dois poderia trazer algo semelhante ao filme de 2001. No entanto, “O Protetor” é completamente diferente do que Fuqua fez em um de seus primeiros filmes. Em “O Protetor“, que adapta uma série de TV de 1980, Denzel Washington vive Robert McCall, um homem que viveu um passado misterioso e que tenta manter uma vida tranquila, mas acaba se afeiçoando por uma jovem prostituta (Chloë Grace Moretz), que sofre nas mãos de uma gangue ligada à máfia russa. A partir de então, ele terá que enfrentar os bandidos com suas incríveis habilidades de luta e espionagem.
Seria inevitável, até mesmo pela origem da história, que o filme não fizesse referência aos típicos longas de ação dos anos 80. No entanto, em vez de fazer uma homenagem, o roteiro e a direção acabam se rendendo aos clichês, por mais que funcione como entretenimento aos que buscam divertidas cenas de luta.
Quanto aos personagens, o filme não apenas os mostra com características exploradas exaustivamente no gênero, como também não se aprofunda nem mesmo no que é apresentado. O que temos, no fim das contas, é uma série de personas unidimensionais. Há uma tentativa maior de se aprofundar em McCall, já que vemos os livros que ele lê e algo sobre seu passado, mas não o suficiente para que o espectador se importe com ele. Aliás, o fato de ele não se mostrar em perigo em nenhum momento da projeção apenas reforça tal sentimento. O mesmo pode-se dizer da jovem Alina (Moretz), que se limita a uma jovem sonhadora que veio a se prostituir sabe-se lá por qual motivo. Se o roteiro não ajuda, ao menos os atores se esforçam para carregar seus personagens de verdade – até onde podem.

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Chloë Grace Moretz interpretando uma jovem prostituta.

Em relação aos vilões, eles não apenas são vagos, como possuem características clichês. O simples fato de serem russos já sugere que o roteirista nem sequer pensou em mudar este fato do material original, já que esta nacionalidade de vilões era bastante conveniente aos americanos no período da Guerra Fria. No entanto, embora a máfia russa pudesse servir justamente como uma forma de desconstruir a visão dos criminosos, seria minimamente aceitável se o filme tomasse esta escolha como algo que criticasse ou brincasse com a situação.

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Para enfraquecer ainda mais o filme, o diretor opta por exagerar nas cenas de ação: close-ups demais, câmeras lentas demais, Denzel Washington malvado demais e escapando de explosões demais (sem nem olhar para elas). E por mais que a figura de um justiceiro pareça algo interessante, já que promove uma espécie de catarse coletiva – por matar policiais corruptos e bandidos, por exemplo – o espectador consegue perceber que trata-se de um artifício para forçar a humanização do personagem. Fuqua ainda insiste em criar diversos planos que desfocam o que está à frente para depois desfocar o que está ao fundo (ou vice-versa), em momentos extremamente desnecessários que apenas incomodam o espectador.
Considerando que Antoine Fuqua foi responsável por um filme de peso dramático muito mais eficiente, como foi “Dia de Treinamento”, é uma pena que este “O Protetor” funcione apenas como entretenimento raso. E tudo fica mais triste quando vemos que trata-se de mais uma tentativa de criar uma franquia.

OProtetor03
Por:
Fonte: Cinema(ação)









quarta-feira, 30 de julho de 2014

OS ASSASSINOS - 1956

Убийцы - 1956
 M. Beiku, A. Gordon, A. Tarkovskiy, Legendado
Formato: MKV
Áudio: Russo
Legendas: PT 
Duração: 21 min.
Tamanho: 336 MB
Servidor: MEGA (Parte única)


SINOPSE
Adaptação do conto The Killers de Ernest Hemingway, primeiro filme que Tarkovski participa em direção, apesar de ser um filme de estudantes, é impressionante o teor artistico e técnico que é apresentado. O curta não tem trilha sonora, mesmo assim é realmente desnecessário quando nos deparamos com a qualidade do diálogo. Apesar de ser uma obra de grande valor, Marika não chegou a fazer um longa; já Aleksandr Gordon não teve tanto sucesso internacional em suas outras obras.

Fonte: Filmow 
Notação IMDB: 6,9

Ficha Técnica e Capturas de Ecrã

quinta-feira, 12 de junho de 2014

ESTAÇÃO CENTRAL DO CAIRO - 1958

Bab el Hadid, 1958
Legendado, Youssef Chahine





Formato: MKV
Áudio: Árabe Egípcio
Legendas: Pt-Br (En hardcoded)
Tamanho: 1,64 GB
Duração: 77 min (e não 56, como diz na sheet: não vi quando a fiz)
Servidor: MEGA (parte única)

LINK

SINOPSE
Qinawi, um deficiente físico e vendedor ambulante, ganha a vida vendendo jornais na estação central de trem do Cairo e fica obcecado por Hannouma, uma jovem atraente que vende bebidas. Ela trata Qinawi com simpatia e brinca com ele sobre um possível relacionamento. Mas na realidade ela está apaixonada por Abu Serih, um carregador forte e respeitado na estação e que está lutando para sindicalizar seus colegas de trabalho em prol de combater a exploração e o tratamento abusivo que o chefe reserva a seus empregados.

Fonte: Filmnow
IMDB: 7,7

Youssef Chahine

Youssef Gabriel Chahine, foi um diretor cenógrafo e produtor de cinema egípcio. Em 1997 obteve o grande prémio do 50.º aniversário do Festival de Cannes pelo conjunto da sua obra.

SCREENSHOTS







sexta-feira, 14 de março de 2014

CAPOTE - 2005

Capote, Legendado, 2005, Bennett Miller

Classificação: Ótimo
Formato:  MP4
Áudio: Inglês
Legendas: Português
Duração: 114 Min
Tamanho: 750 Mb
Servidor: MEGA ( 2 Partes )
Links:

Parte 1
Parte 2

Sinopse: O escritor Truman Capote, autor do livro que originou o filme "Bonequinha de Luxo", fez uma extensa pesquisa sobre um crime que aconteceu nos Estados Unidos em 1959, quando Dick Hickock e Perry Smith mataram uma família de quatro pessoas em uma pequena cidade do Kansas. Capote desenvolveu um estranho laço com os assassinos ao entrevistá-los para escrever In Cold Blood.
Fonte: Cineplayers
THE INTERNET MOVIES DATABASE: IMDB - Nota Imdb 7.4



Crítica:
Em certo momento de Capote, o personagem-título, que está trabalhando em um livro que relatará o massacre de uma família numa cidadezinha do Kansas, afirma que sua obra será considerada o melhor trabalho de não-ficção da década – uma declaração megalomaníaca que já seria questionável caso o livro estivesse pronto, mas que se torna ainda mais espantosa se considerarmos que, naquele momento, ele ainda não havia escrito uma única página. No entanto, nada poderia ser mais típico de Truman Capote do que aquele ato de irrestrita auto-confiança e presunção: prestigiado pelo sucesso de seu Breakfast at Tiffany’s (logo adaptado para o Cinema), o escritor se transformara em figurinha fácil nos altos círculos da sociedade nova-iorquina, tornando-se ainda mais requisitado graças aos seus modos excêntricos e à língua ferina. E a verdade é que ele não apenas estava correto como, de certa forma, subestimou o alcance que seu livro teria: lançado em 1965, A Sangue Frio alterou radicalmente o formato do gênero, levando o próprio Capote (como não poderia deixar de ser) a alegar que inaugurara um novo estilo, o “romance de não-ficção”. Exagero ou não, o fato é que A Sangue Frio tornou-se um clássico instantâneo, originando, dois anos depois, um filme espetacular dirigido por Richard Brooks e protagonizado por um genial Robert Blake.
           
No entanto, se o drama narrado por Truman Capote em seu livro tem uma força inquestionável, o processo de realização do trabalho não fica para trás: levando seis anos para finalizar a obra, o escritor se entregou totalmente ao projeto, tornando-se próximo do policial designado para investigar o assassinato da família Clutter, Alvin Dewey (aqui vivido por Chris Cooper), e, posteriormente, estabelecendo um relacionamento íntimo com os próprios assassinos, Perry Smith (Collins Jr.) e Richard Hickock (Pellegrino) – especialmente com o primeiro, com quem criara uma identificação profunda, já que ambos tiveram infâncias particularmente difíceis. Envolvendo-se até mesmo na defesa dos criminosos, Capote fez freqüentes visitas ao corredor da morte a fim de entrevistá-los – uma experiência que viria a alterar dramaticamente o curso de sua vida e que é retratada com sensibilidade por este filme.
           
Pois o roteiro de Capote (escrito por Dan Futterman a partir do livro de Gerald Clarke) não se preocupa particularmente com o crime bárbaro cometido por Smith e Hickock, mas sim com o envolvimento entre o personagem-título e os dois homens e, é claro, com o processo de criação da obra-prima, que exigiria um alto preço de seu autor. Inicialmente interessado apenas em escrever um relato sobre o impacto que o massacre teria sobre a pequena comunidade de Holcomb, Truman Capote viu seus planos se alterarem assim que conheceu Perry Smith, concluindo que havia uma história muito mais interessante por trás da existência trágica do sujeito: “É como se tivéssemos crescido na mesma casa e, um dia, ele tivesse saído pela porta de trás e eu, pela da frente”, explica o escritor em certo momento, evidenciando a irresistível atração que nutria pelo assassino.
           
No entanto, um indivíduo racional e cínico como Capote jamais dedicaria tanto tempo e esforço a um projeto apenas em função de uma “simpatia”: mesmo genuinamente interessado em Perry, Truman não hesita em descrevê-lo como sendo uma “mina de ouro”, um objeto de estudo que certamente lhe renderia um ótimo material. “Quando penso em como meu livro pode ser bom, quase perco o fôlego”, admite o autor, consciente do que tem em mãos e disposto a enfrentar qualquer obstáculo que cruze seu caminho, como, por exemplo, a imensa reserva (aliás, uma quase hostilidade) com que é recebido na pequena cidadezinha do conservador Sul norte-americano, onde sua afetação (ele era homossexual assumido numa época em que isto era visto como escandaloso) lhe rendia inimigos instantâneos – e sua grande sorte foi poder contar com o auxílio providencial da amiga Harper Lee, que logo publicaria seu próprio clássico literário (e futura obra-prima cinematográfica), O Sol é Para Todos.
           
Magnificamente interpretado pelo sempre ótimo Philip Seymour Hoffman, habitué dos filmes de Paul Thomas Anderson, Truman Capote revela-se uma figura muito mais complexa e interessante do que poderiam sugerir seus maneirismos absurdos, sua voz inacreditável e sua dicção característica. Extremamente inteligente e culto, Truman possui uma sensibilidade artística proporcional somente ao seu ego gigantesco - e mesmo se esforçando para capturar a essência de Perry Smith a fim de retratá-lo não como um monstro, mas como fruto inevitável de uma vida recheada de infortúnios, o protagonista jamais perde de vista seus próprios interesses: quando percebe que o sujeito não está disposto a contar o que realmente aconteceu na casa dos Clutter naquela noite fatídica, por exemplo, Truman o ataca em seu ponto mais vulnerável:  o orgulho que Perry tem de sua própria inteligência e de seu vocabulário. Já em outro momento, Capote confidencia suas frustrações da juventude a uma garota, levando Harper Lee a fazer um leve aceno desaprovador com a cabeça: ela sabe que o amigo está sendo sincero quanto ao que diz, mas não quanto às razões para dizê-lo, já que quer apenas ganhar a confiança da moça a fim de levá-la a lhe fornecer informações – e Philip Seymour Hoffman encarna estas várias facetas do personagem com delicadeza exemplar.
           
Enquanto isso, Clifton Collins Jr. retrata Perry Smith com igual intensidade, transformando-o na figura trágica tão bem descrita pelo livro de 65: cantor frustrado e desenhista talentoso, Smith compensa sua baixa estatura e a fragilidade das pernas (gravemente feridas em um antigo acidente) com um temperamento explosivo e imprevisível, além de manifestar um orgulho desmedido por sua formação cultural, sem perceber (e como poderia?) que seu vocabulário acima da média não consegue disfarçar uma visão terrivelmente simplória do mundo – e seu discurso final, que resgata uma passagem de seu diário, é simultaneamente patético e comovente. Aliás, Collins Jr. oferece uma performance que nada deixa a desejar com relação à de Seymour Hoffman, destacando-se particularmente na cena que culmina naquela que é a fala mais arrepiante do livro, do filme de 67 e, mais uma vez, desta produção, quando descreve sua opinião acerca do sr. Clutter: “Eu achei que ele era um senhor gentil; e continuei a pensar assim até o momento em que cortei sua garganta”. Por outro lado, Catherine Keener, embora eficiente como Harper Lee, é eclipsada pelos dois colegas de elenco, além de ter pouco tempo em cena (sua indicação ao Oscar é, portanto, injustificada; Robin Wright Penn merecia a vaga por sua cena em Nove Vidas).
           
Em seu segundo trabalho como diretor, Bennett Miller assume uma postura discreta, concentrando-se nas atuações e procurando estabelecer um tom constantemente (e corretamente) frio e melancólico: além dos vários planos gerais nos quais explora (ao lado do diretor de fotografia Adam Kimmel) o isolamento da cidade de Holcomb, o cineasta mantém as vozes de seus atores sempre numa modulação baixa e reservada. Além disso, Miller dedica atenção especial à recriação de detalhes da história, como a notória sessão de fotos organizada por Capote e a presença, no corredor da morte, do estudante de Medicina que matara toda sua família. Neste sentido, Capote falha apenas ao evitar a questão delicada do envolvimento sexual entre o protagonista e Perry Smith, já que é praticamente certo que Truman subornou vários carcereiros para poder ficar a sós em diversas ocasiões com seu amante-entrevistado. Em contrapartida, o filme acerta ao estabelecer o envolvimento emocional entre os dois homens, que encontra seu ápice na última conversa que mantém, quando Miller finalmente (e, mais uma vez, acertadamente) adota uma câmera inquieta que reflete a intensidade do momento (e Seymour Hoffman já mereceria o Oscar apenas por sua atuação nesta cena).
           
A grande tragédia da experiência de Truman Capote ao escrever A Sangue Frio encontra, ali, sua explicação definitiva: embora apaixonado por Perry Smith, o escritor era ainda mais apaixonado por si mesmo e, assim, sabia que precisava sacrificar o outro a fim de chegar a uma conclusão apropriada para seu relato, já que os constantes adiamentos da execução de Smith e Hickcock eram um inconveniente irritante. Mas, em sua arrogância inconseqüente, Truman se esqueceu de que estava sujeito, como qualquer outra pessoa, a se tornar vítima de um sentimento poderoso: a culpa. Para imortalizar-se com A Sangue Frio, ele paradoxalmente destruiu a si mesmo, jamais se recuperando dos anos que dedicou ao livro.
           
Durante a introdução de seu relato, Capote explica que narrará uma tragédia que custou a vida não apenas dos quatro membros da família Clutter, mas também de seus dois assassinos. O que ele não imaginava, na época, era que a soma chegaria a sete, sendo que ele próprio, Truman Capote, se tornaria a vítima final da cadeia de acontecimentos originada pelos quatro tiros disparados na fria madrugada de 15 de novembro de 1959.








sábado, 1 de março de 2014

O LOBO DE WALL STREET - 2013

The Wolf of Wall Street, 2013
Legendado, Martin Scorsese

Indicação da Semana!
Indicado nas seguintes categorias para o Oscar 2014: Melhor ator (Leonardo di Caprio); Melhor ator coadjuvante (Jonah Hill); Direção (Martin Scorsese); Roteiro Adaptado (Terence Winter) e Melhor Filme.
Classificação: Excelente
Formato: AVI
Áudio: Inglês
Legendas: Pt-Br
Duração: 180 Min.
Tamanho: 1.38 GB.
Servidor: MEGA (Parte única)

Link
Parte única

Sinopse
Um corretor da bolsa de valores de Nova Iorque se recusa a cooperar em um caso de grande fraude com valores mobiliários e alta corrupção envolvendo pessoas influentes em Wall Street. Baseado na autobiografia de Jordan Belfort.
Fonte: Cineplayers
The Internet Movies Database: IMDB - Nota Imdb 8.5


Crítica
O Lobo de Wall Street, novo trabalho do cineasta Martin Scorsese, é basicamente uma versão de três horas da sequência de Os Bons Companheiros na qual o protagonista, paranoico em função das drogas, passa o dia observando um helicóptero que o segue enquanto mantém conversas histriônicas com vários conhecidos. Aqui, porém, em vez de acompanhar os bastidores violentos de uma organização de mafiosos, o filme segue os bastidores hedonistas de uma quadrilha de executivos de Wall Street – e, no processo, expõe que, embora menos propensos à violência, estes últimos revelam possuir muito menos maturidade, autocontrole e, principalmente, respeito pela dignidade alheia do que seus colegas da Cosa Nostra.
Baseado no livro autobiográfico do ex-corretor da bolsa de valores Jordan Belfort, o roteiro de Terence Winter ancora sua história num universo povoado por personagens celebremente batizados por Tom Wolfe como “Mestres do Universo”: financistas, especuladores e corretores de Wall Street que, principalmente a partir da década de 80, se dedicaram a manipular o sistema financeiro em benefício próprio enquanto arruinavam as vidas e economias de milhares de famílias, usando o dinheiro para financiar não só seu próprio estilo de vida cheio de ostentação, mas também orgias regadas a álcool e cobertas de pó. Foi nesta cultura particular que o jovem Belfort (DiCaprio) iniciou sua carreira, não demorando até fundar sua própria empresa de corretagem que, demonstrando verdadeiro desprezo pelos próprios clientes, transformava-os em vítimas de esquemas cujo objetivo final era transferir seus investimentos para o caixa da companhia. Neste aspecto, Jordan Belfort pode até soar mais divertido que o Tommy de Joe Pesci, mas, em última análise, mostra-se tão egoísta, inconsequente e sociopata quanto este.
E é aí que entra a inteligência de Scorsese: enquanto um diretor menos experiente provavelmente buscaria retratar a história do protagonista de maneira direta e objetiva a fim de estabelecer sua canalhice, o cineasta opta por, em vez de ressaltar o óbvio, pintar as ações de Belfort com as cores do ridículo que estas inspiram, salientando os absurdos do cotidiano do sujeito e levando o espectador ao riso – mas com o cuidado de garantir que, de modo geral, estejamos rindo dos personagens, não com estes.
Contando com uma estrutura narrativa bastante similar às de Os Bons Companheiros e Cassino (deixando claro que, para ele, os “Mestres do Universo” são tão desprezíveis quanto os mafiosos de seus trabalhos anteriores), Scorsese emprega aqui narrações em off múltiplas que não apenas servem para guiar o espectador através daquele mundo, mas também para comentar a própria narrativa – como, por exemplo, ao corrigir a cor de um carro logo no início da projeção. Porém, ao contrário do que ocorria naqueles filmes, cujos personagens no mínimo respeitavam o espectador, aqui o Belfort de Leonardo DiCaprio mal consegue ocultar o desprezo que sente pela própria plateia, frequentemente comentando, de forma condescendente e ofensiva, não acreditar em nossa capacidade de compreender os esquemas financeiros que comandava. Já em outros momentos, o diretor usa o off para revelar o que um personagem realmente está pensando acerca de outro, completando suas brincadeiras de linguagem ao retratar um evento de duas maneiras distintas, refletindo a percepção alterada de determinado indivíduo e, mais tarde, revelando o que realmente aconteceu.
Ambientado numa cultura de “machos” que, como tal, inclui uma infinidade de xingamentos mútuos e a verdadeira necessidade de encarar as mulheres como troféus por conquistas pessoais, objetos de escárnio ou simplesmente como mecanismo de alívio sexual, O Lobo de Wall Street já estabelece esta visão em um plano inacreditável no qual a bunda voluptuosa de uma garota é transformada basicamente em um Everest que o personagem de DiCaprio parece escalar antes de colher seu prêmio: uma carreira de cocaína aspirada do cume (hum). Assim, não é surpresa quando, mais tarde, o mesmo personagem caminha num estupor absoluto em um quarto de hotel em Las Vegas e, sem nem parecer pensar direito, estica o braço para apertar o seio de uma mulher desacordada – um gesto destituído de qualquer prazer sexual e que expõe simplesmente sua tendência a encarar o sexo oposto como algo que existe apenas para atendê-lo. No entanto, é fundamental distinguir protagonista e narrativa – e Scorsese deixa clara, em diversos momentos, sua reprovação diante daquelas atitudes, escancarando-a, por exemplo, no instante em que vemos uma das funcionárias de Belfort permitindo que sua cabeça seja raspada em troca de dez mil dólares: ao fazer questão de enfocar a moça recebendo o dinheiro e se afastando humilhada, o cineasta leva o espectador a observar a desumanização da secretária e, consequentemente, a constatar mais uma vez a sociopatia do personagem-título.
Não que no processo o filme não nos faça rir, pois faz – e ver Belfort e o sócio Donnie (Hill) discutindo a logística do arremesso de anões (com direito a citação de Freaks) é ao mesmo tempo engraçado (por constatarmos como aqueles homens se afastaram da realidade) e deprimente (pelo mesmo motivo). Neste sentido, aliás, Scorsese foi mais uma vez sábio ao escalar um comediante como Jonah Hill para formar dupla com DiCaprio – e é admirável como o ator consegue ao mesmo tempo trazer seu timing cômico para o papel enquanto retrata também as inseguranças, a ganância, o descontrole e a arrogância de Donnie, numa composição surpreendentemente complexa. Seguindo a mesma lógica, o diretor Rob Reiner, profundo conhecedor de comédia (é filho de Carl, afinal, além de ter dirigido vários títulos do gênero), aqui surge como o explosivo pai de Belfort, usando também seus dotes cômicos para oscilar bem entre a preocupação que o sujeito nutre em relação ao filho e tiradas hilárias originadas de seu espanto diante da autoindulgência do rapaz. (Aliás, O Lobo de Wall Street traz outros dois cineastas conhecedores de humor em pequenas pontas: Jon Favreau e Spike Jonze.)
E se Matthew McConaughey quase rouba o filme inteiro com sua única cena (e sua ausência é sentida por toda a projeção), Leonardo DiCaprio exibe uma segurança invejável ao carregar a narrativa, surgindo em praticamente todas as cenas das três horas de projeção. Apresentando-se inicialmente como um jovem inseguro cuja hesitação pode ser percebida na voz que insiste em falhar ao conversar com o chefe e na maneira com que olha para os lados, constrangido, Jordan Belfort eventualmente se torna uma figura desprezível, mas – e isto é fundamental para o sucesso do filme – sempre fascinante e divertida. Dono de uma natureza de sociopata (e não é à toa que uso a palavra pela terceira vez para descrevê-lo), o sujeito é incapaz de sentir remorso ou de perceber as consequências de seus atos – e quando diz se “sentir horrível” em função do que ocorreu com um conhecido, o sentimento dura apenas alguns segundos, como se tivesse sido verbalizado apenas como estratégia para se humanizar diante do espectador. Aspirante patético a Gordon Gekko (que ao menos exibia alguma dignidade em seu comportamento, soando como adulto), Belfort é um verdadeiro canalha – e, mais uma vez, a opinião de Scorsese sobre seu protagonista fica claríssima ao retratar certas ações no terceiro ato, quando inclui a reação apavorada de uma criança diante da barbaridade que está testemunhando e que provavelmente a traumatizará para o resto da vida.
Brilhante tanto nas sequências que exigem humor físico (e quem poderia imaginar que DiCaprio fosse tão competente neste quesito?) quanto nas cenas em que precisa descartar qualquer sombra de dignidade, DiCaprio ainda confere nuance às ações de Belfort – o que culmina naquela, que para mim, é a melhor cena do filme: a conversa que mantém a bordo de um iate com o agente federal vivido com talento por Kyle Chandler. Trata-se de uma interação complexa que Scorsese e a montadora Thelma Schoonmaker conduzem com maestria, partindo da tentativa por parte de Belfort de criar intimidade com o agente Denham, quando exibe de forma sutil sua riqueza para estabelecer seu poder, e sendo gradualmente substituída por esforços consecutivos de soar humilde e condescendente até culminar numa sugestão de suborno que dá lugar à frustração, à raiva e ao descontrole absoluto.
Um dos aspectos admiráveis de O Lobo de Wall Street, aliás, é perceber como Scorsese consegue contrapor momentos intimistas, de personagem, como este a outros nos quais sua câmera confere uma energia quase maníaca às sequências – tudo sem abandonar suas marcas autorais, como uma brilhante seleção de músicas incidentais, o uso preciso de câmera lenta (como no instante em que vemos cocaína voando dentro de um avião) e tomadas longas e impressionantes. Já em outros instantes, o cineasta emprega manipulações claras de narrativa ao criar situações de humor, como ao subitamente transformar uma pequena escada em outra que parece ter dezenas de degraus enquanto um personagem despenca por estes, ou ao encenar aquela que provavelmente é uma das brigas mais lentas da história do Cinema, quando até mesmo uma pequena vasilha é empregada por um dos envolvidos como obstáculo para impedir a aproximação do outro e durante a qual a música-tema de “Popeye” é empregada de maneira surpreendente.
Mas mesmo nos momentos de humor mais escrachado, O Lobo de Wall Street deixa claro estar enfocando personagens desprezíveis: “Não criamos nem construímos nada”, diz o corretor de McConaughey, por exemplo, enquanto em outro instante Belfort tenta provar sua boa natureza ao contar que deu dinheiro para uma colega, entregando que seu sentimentalismo é mensurado em dólares. E o pior (e sugiro que só leiam o restante do parágrafo aqueles que já tiverem visto o filme): ao contrário dos bandidos enfocados em Os Bons Companheiros e Cassino, que acabavam punidos em maior ou menor grau por suas ações, os engravatados de Wall Street são poderosos demais para vivenciarem derrotas similares – e, assim, quando vemos o agente Denham no metrô, a caminho de casa, somos levados por Scorsese a avaliar o grau de sua vitória. Sim, seria muito fácil, para o filme, trazer o sujeito sorrindo no vagão, demonstrando estar satisfeito com o que conseguiu mesmo diante da constatação de que Belfort sairá da cadeia para abraçar seus milhões, mas isto soaria falso e maniqueísta, sendo apropriadamente descartado pelo cineasta.
E é justamente este tipo de decisão que demonstra o talento aparentemente inesgotável de um cineasta que, mesmo aos 71 anos de idade, é capaz de criar uma narrativa repleta de uma energia juvenil quase subversiva. E é admirável que, em vez de se encarregar de condenar o personagem para o espectador, Scorsese permita que constatemos sozinhos a natureza de Belfort. Sim, com isso, ele inevitavelmente levará muitos a saírem do cinema repletos de admiração pelo que o protagonista conquistou – mas não podemos responsabilizar o diretor pela falha de caráter de certos membros de sua plateia, podemos?
Fonte: Portal Cinema em cena