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terça-feira, 5 de março de 2013

71 FRAGMENTOS DE UMA CRONOLOGIA DO ACASO - 1994 (REUPADO)

71 Fragmente einer Chronologie des Zufalls, 1994
Legendado, Michael Haneke

Classificação: Excelente

Formato: AVI
Áudio: alemão
Duração: 100 min.
Tamanho: 700 MB
Servidor: Mega (2 partes: 350 MB + 350 MB)

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Parte 1

SINOPSE
O desfecho é antecipado logo no começo: um letreiro informa que na véspera de Natal um jovem de 19 anos matará três pessoas em um banco de Viena e depois cometerá o suicídio. A partir daí, o que se segue são imagens desconexas da vida cotidiana de várias pessoas. Rapidamente, entende-se que o destino daqueles indivíduos se encontrará com a tragédia final. A questão que nos envolve e prende ao filme, é: como isso vai acontecer?

Fonte: Filmow
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.1


ANÁLISE

Em 71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso (1994), o desfecho é antecipado logo no começo. Um letreiro informa que na véspera de Natal um jovem de 19 anos matará três pessoas em um banco de Viena e depois cometerá o suicídio. A partir daí, o que se segue são imagens desconexas da vida cotidiana de várias pessoas. Rapidamente, entende-se que o destino daqueles indivíduos se encontrará com a tragédia final. A questão que nos envolve e prende ao filme, o terceiro de Michael Haneke, é: como isso vai acontecer? 

O formato é semelhante ao que o diretor usaria mais tarde em Código Desconhecido (2000). Entre os que surgem aqui como protagonistas, estão um garoto romeno que fugiu de casa e perambula sozinho pelas ruas da cidade, um casal que enfrenta dificuldades de relacionamento com a criança recém-adotada, um velhote solitário que gasta seu tempo falando pelo telefone, pais aflitos com a doença do filho e um jovem estudante que treina ping-pong e revela um comportamento agressivo quando perde apostas para amigos. 

A vida dessas pessoas não é contada a partir de grandes eventos, mas sim em uma exploração crua das mais corriqueiras ações. Haneke foi, de certa forma, muito sensível ao traçar nos detalhes um retrato humano e intimista. Se a intenção com a adoção do formato fragmentado era distanciar o espectador dos personagens, pequenos momentos fazem o contrário, de tão realistas que nos parecem. Falamos, por exemplo, da rápida troca de olhares do garoto que acabar de tirar comida do lixo com uma pessoa dentro de um carro na rua; ou do senhor que, ao acordar, ajoelha-se e pede a Deus que não seja vítima de nenhuma guerra ou ataque nuclear. 

Aos picotes do cotidiano, acrescentam-se imagens jornalísticas que noticiam a violência em várias partes do mundo. E aí encontramos a crítica social, elemento indispensável em um título hanekiano. Aqui, abre-se espaço a inúmeras interpretações. Podemos falar de espetacularização da violência ou de um paralelo entre a brutalidade da guerra e a agressividade sistemática no meio urbano. Não importa. O que sentimos é que Haneke não fala de seres fictícios em um universo imaginado. Fala do que é real e concreto, do que conhecemos bem, mas muitas vezes não pensamos a respeito. 

Partindo de uma olhada sem atenção, poderíamos entender que a coleta dos fragmentos apenas justifica o desfecho. Falaríamos, portanto, de uma obra frívola, uma vez que o final já é sabido por todos desde o primeiro instante, e que a vida dos personagens não apresenta nada de muito interessante. Tudo isso é verdade, mas o valor da produção está exatamente aí. Haneke fala do acaso, da forma mais inimaginável como duas ou mais vidas podem se encontrar. Faz-nos pensar que o acaso faz vítimas e que ninguém está imune a ele. Talvez seja muito pior do que qualquer guerra. Quem vai saber? 

Análise retirada do site Cinerevista

















segunda-feira, 4 de março de 2013

UMBERTO D. - 1952

Umberto D., 1952
Legendado, Vittorio de Sica

Classificação: Excelente

Formato: AVI 
Áudio: italiano 
Legendas: português
Duração: 89 min.
Tamanho: 700 MB
Servidor: Mega (3 partes)

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SINOPSE
Umberto D. é um clássico inesquecível sobre o drama da velhice e marca o apogeu da parceria entre o mestre Vittorio De Sica e o roteirista Cesare Zavattini, a dupla responsável por obras-primas do neo-realismo italiano, como Ladrões de Bicicleta, Milagre em Milão e Vítimas da Tormenta. Itália. Início dos anos 50. Enquanto a economia do país renasce, os idosos sofrem com as miseráveis pensões dadas pelo governo. Em Roma, Umberto Domenico Ferrari, um funcionário público aposentado, é despejado por não conseguir pagar o aluguel de seu quarto. Na companhia de seu único amigo, o cachorrinho Flike, Umberto vaga pelas ruas, buscando apenas um objetivo: viver com dignidade. Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro, Umberto D. é um daqueles filmes que ficam para sempre em nossa memória.

Fonte: Interfilmes
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 8.3



ANÁLISE

História sensível e comovente em um clássico europeu de personagens fortes e marcantes

Por Alexandre Koball

Considerado o grande filme de Vittorio de Sica ao lado de Ladrões de Bicicletas (embora bem menos popular do que este último), Umberto D. conta, em sua narrativa, os problemas enfrentados por um senhor aposentado em uma Itália afundada na crise econômica. Apesar de possibilitar várias leituras, considerando os contextos políticos (governo irresponsável), sociais (crise de emprego) e até mesmo geográficos (Itália pós-guerra), a minha preferida é a mais óbvia, e é a leitura que vem da enorme sensibilidade da história. Umberto D. faz de tudo para sobreviver (dê uma ênfase ao prefixo “sobre”), e acompanhar sua jornada é simplesmente emocionante.

Vittorio de Sica

Apesar de se passar na Itália em um período específico da história daquele país (o pós-Guerra, quando a inflação devorava rapidamente o dinheiro do povo), a situação de Umberto Ferrari é atemporal e, também, poderia se passar em qualquer país. Desde os problemas comuns e mais abrangentes como o abandono dos idosos, governo irresponsável, arrogância dos ricos para com os pobres; até situações mais pessoais, como a solidão e a tristeza. O filme funciona como um prato-cheio de emoções tristes. Não há como não torcer para que Umberto encontre um final feliz. Mas, ao fazer isso, o espectador sabe que pode estar se enganando: como terminar bem com um cenário tão ruim ao seu redor?

Umberto tem apenas duas coisas com quem contar: seu cachorro (que acabaria por ser o responsável por um dos finais mais arrebatadores, em minha opinião, do cinema da década de 1950) e a empregada da pensão, uma jovem grávida que possui seus próprios problemas e, por isso talvez, entenda os problemas de Umberto muito bem. Todos os outros personagens significam adversidade: desde a dona da pensão até os velhos amigos que não querem (ou não podem) ajudar Umberto financeiramente. Por conta das adversidades, Umberto nem sempre consegue ser um personagem moralmente estável. Quando a necessidade aperta, ele é capaz de tomar decisões bastante desumanas, o que torna seu personagem completo e real, acima de tudo.


À época de seu lançamento, o filme foi um fracasso de crítica e de público. Talvez este não tenha gostado de assistir a uma história tão deprimente, sendo que o mundo ainda reconstruía-se depois da guerra. Hoje o filme é revisitado por críticos e cinéfilos e reverenciado como um ótimo exemplo de cinema, o que pode ser visto como uma atitude bem merecida. De Sicca conseguiu criar um filme cheio de complexidades que se mantém simples em sua essência, atingindo quaisquer objetivos que o diretor tenha almejado com total eficiência.

Tecnicamente belo, o trabalho do diretor italiano encontra-se situado em um momento de transformação do cinema. O filme encontra resquícios do cinema clássico, do expressionismo (longas sombras projetadas), mas serve para apresentar, de certa forma, o novo cinema, o cinema que ficaria famoso em Fellini, principalmente por este também ser italiano, e Antonioni. O cinema sendo utilizado como crítica social e política, mais do que nunca.

Agora, independente da técnica utilizada, o filme deixa sua marca na história do cinema é pela sua belíssima história. Como comentei lá no começo desta matéria, Umberto D. possui personagens muito fortes (mesmo o cãozinho tem grande importância e significado) e humanos, capazes de realizarem boas e más ações, geralmente com boas intenções (e por isso não há personagens estereotipados). Permanece aqui, então, a recomendação de mais um clássico do cinema europeu, tão ou mais valoroso que o popular Ladrões de Bicicletas.

Análise retirada do site Cineplayers















































































domingo, 3 de março de 2013

MUNDO INJUSTO - 2011

Adikos kosmos, 2011

Legendado, Filippos Tsitos
Classificação: Bom

Formato: AVI 
Áudio: grego
Legendas: português
Duração: 107 min.
Tamanho: 1,46 GB
Servidor: Mega (8 partes)

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Parte 1 (LINK CORRIGIDO)

SINOPSE
Sotiris (Antonis Kafetzopoulos) é um detetive da polícia de Atenas. Ele tem uma obsessão: ser justo. Ele julga os suspeitos pela sua moral pessoal e contra a lei. Com a intenção de salvar mais um inocente, ele acidentalmente mata um homem. Dora (Theodora Tzimou) é a única testemunha do crime. Ela é uma faxineira pobre que leva uma vida sem sobressaltos. A luta pela sobrevivência fez dela uma pessoa injusta. Sotiris e Dora gostam um do outro. Mas honestidade, amor e justiça não são fáceis de combinar.

Fonte: Cineclick
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 6.0



sexta-feira, 1 de março de 2013

TAURUS - 2001

Telets, 2001
Legendado, Aleksandr Sokúrov
Classificação: Excelente

Formato: AVI 
Áudio: russo
Legendas: Pt-Br
Duração: 104 min.
Tamanho: 1,36 GB
Servidor:  Mega (Parte única)

LINK


SINOPSE
O filme é centrado nos derradeiros momentos do líder russo Lênin: seu isolamento, suas questões existenciais e sua perplexidade diante do fim. Lênin aguarda a morte em uma casa cedida pelo Estado, solitário, vigiado, rodeado de pessoas estranhas, tralhas domésticas e desordem. De forma lenta, Sukurov mostra como sua consciência se esvai aos poucos, apoiado apenas pela mulher e cercado por pessoas que só querem vê-lo morto.

Fonte: Interfilmes
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 7.1


ANÁLISE

Será necessário conhecer a história da URSS para se assimilar as nebulosas imagens de Taurus? Sim e não. Não parece haver dúvida de que, munido desse conhecimento, o espectador terá uma ferramenta a mais. No primeiro plano, afinal, está Vladimir Ilyich Lenin (1870-1924). Líder da Revolução Bolchevique de 1917, do Partido Social-Democrata Russo, do Partido Comunista Russo e da própria URSS, sua figura é um ícone político. Entendê-la enquanto imagem, antes de sua representação ser projetada, amplia sua dimensão na tela. Lenin foi um estudante aplicado do marxismo. Embora acreditasse na capacidade revolucionária do fluxo histórico, apostando na reação espontânea dos proletários às condições econômicas e sociais desfavoráveis, mudou de postura ao defender a intervenção dos intelectuais. A teoria e a razão deveriam ser a vanguarda para as transformações a serem operadas pelos homens de ação.

Quando começa Taurus, esse homem de ciência, agora doente, está à espera da morte. E em crise. Organizador de sentidos para um sistema político, a partir do sentido histórico proposto pelo marxismo, ele passa a questionar o sentido de tudo. Vive o colapso da razão. Confinado em uma casa expropriada pelo Estado, sussura palavras sobre o momento de seu país. Fala das punições comandadas por Stalin, lamenta a ausência de rebeldes no cenário daquele momento e põe em questão o projeto revolucionário. Somos colocados em um pequeno mundo dotado de uma perturbadora atmosfera de vigilância permanente. As conversas de corredor e olhares por frestas de portas acentuam a sensação de temor presente nesse sistema policial. Se um dia foi visto como o meio para a revolução, o Partido tornou-se o próprio fim do sistema.

Entrevado nesse ambiente onde todos são funcionários públicos, sem espaço para o privado, Lenin põe em xeque a Revolução e sua própria vida. Por trás de suas lamúrias, há uma dúvida essencial. Algo teria valido a pena? Essa pergunta, cuja resposta está na própria morbidez da formulação, transcende a política. Saímos do materialismo e entramos na metafísica. Nesse sentido, respondendo à pergunta do início do texto, Taurus desvincula-se da URSS. Atinge o fundamento do cinema sokuroviano ao usar um homem público e uma celebridade do século XX para tratar de algo comum a muito de seus personagens fantasmagóricos: a constatação de que a vida é um grande absurdo.

Sokurov faz um cinema que, ao buscar a transcendência, apenas enxerga esterilidade. Isso é traduzido, esteticamente, pelas imagens opacas. O cineasta filma os atores envoltos em uma bruma como se fossem zumbis descarnados. Não há vida. Pois a vida só é pertinente na arte, para o diretor. Só ela poderia atingir a perfeição. Chegamos ao eixo desse lamento "religioso". Para o autor, o mundo precisa ter peças que se encaixam umas nas outras, caso contrário, não é viável. Há uma constatação nisso, estupefata, de que não há um Deus. Mas deveria haver. Seus filmes mostram como o projeto humano de tornar as vidas individuais e coletivas uma experiência baseada na lógica e na justiça é um fracasso determinado não só pelas condições políticas, mas principalmente pelas limitações e pela maldade inerentes à natureza humana. O homem, para Sokurov, é mau. E não há nada para ensiná-lo a ser o contrário disso.


Análise retirada do site Contracampo

Para uma análise mais aprofundada, o cinéfilo pode acessar o artigo "TAURUS (TELIÉTS), DE ALEKSANDR SOKÚROV MORTALHA DE LÊNIN: UMA ICONOGRAFIA", de François Albera (UFRJ). Acesse o artigo AQUI.

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