sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

AGUIRRE, A CÓLERA DOS DEUSES - 1972

Aguirre, der Zorn Gottes, 1972
Legendado, Werner Herzog
Classificação: Excelente

Formato: AVI 
Áudio: alemão
Legendas: Pt-Br
Duração: 93 minutos
Tamanho: 700 MB
Servidor: Mega (Parte única)

LINK
Parte única

SINOPSE
No século XVI, uma expedição de conquistadores espanhóis se embranha na parte peruana da selva amazônica em busca de Eldorado, o reino de ouro perdido. Um ambicioso aventureiro, Lope de Aguirre, derruba do comando seu superior e passa a dar ordens a um grupo de pessoas que se separa dos demais para cumprir uma missão. Porém, aos poucos, a selva vai provocando loucura e obsessão, além de dizimar os membros da expedição.

Fonte: Cineplayers
The internet movie database: IMDB - NOTA IMDB: 8.0


ANÁLISE

Aguirre – A Cólera dos Deuses” (Aguirre, der Zorn Gottes, Alemanha, 1972) é provavelmente o épico mais barato de toda a história do cinema: custou apenas US$ 380 mil. Foi feito com apenas uma câmera de 35mm, que o cineasta Werner Herzog literalmente roubou da escola de cinema que freqüentou, na Alemanha. A produção em si foi um caos, como sempre acontece nos casos de filmagens realizadas na selva – “Aguirre” foi feito na parte peruana da floresta amazônica. Durante algumas semanas, Herzog chegou a pensar que havia perdido o filme, pois a transportadora encarregada de enviar os rolos para a Alemanha não o fez, perdendo-os em um depósito local.
Toda essa confusão não impediu “Aguirre” de se transformar em um dos filmes mais cultuados nos círculos de cinéfilos internacionais. Não é um fenômeno alemão, nem mesmo europeu. Nos EUA, os leitores da revista Entertainment Weekly o votaram em 46º, entre os mais importantes cult movies da história. Não é pouco, especialmente se for levado em consideração que Herzog é o mais hermético e o menos conhecido dos realizadores alemães que surgiram na década de 1970. A geração dele, com Rainer Werner Fassbinder e Wim Wenders, foi a mais talentosa a surgir após a época de ouro do cinema europeu (Fellini, Bergman, Antonioni).
A tomada de abertura de “Aguirre” resume não apenas o enredo do filme, mas principalmente a temática central da obra de Herzog: a vastidão, o mistério e o fascínio da natureza, em contraponto contra a pequeneza do ser humano. Em pouco mais de dois minutos, sem cortes, o espectador vê uma paisagem de tirar o fôlego: a encosta de uma alta montanha, com neblina no topo e mata fechada na base. A câmera então se aproxima lentamente, o suficiente para que a platéia perceba uma fileira de homens que descem a montanha. É uma enorme fileira; eles parecem formigas diante da enormidade da imponente montanha. A imagem então se afasta um pouco, e revela que a procissão tem milhares e homens, e se estende por diversos quilômetros. Alguns deles aparecem logo depois, em primeiro plano, diante da câmera, e então jogam a paisagem para segundo plano. É uma seqüência magistral.
A fileira de homens é formada por exploradores espanhóis e escravos índios. O filme se passa no século XVI e narra a lendária expedição empreendida por Francisco Pizarro, em busca da mítica cidade de El Dorado, um suposto vilarejo construído de ouro puro, encravado na floresta. Os espanhóis estão aonde a civilização nunca chegou. À medida que se embrenham na floresta, a expedição perde homens. Índios morrem de inanição, guerreiros de doenças. Quando percebe o erro, Pizarro volta e nomeia um pequeno grupo de homens para ir em frente. É uma espécie de pelotão suicida, pago para desbravar o desconhecido. Entre eles está o nobre Dom Lope de Aguirre (Klaus Kinski), um homem cuja ambição o deixa à beira da loucura. As condições estão, portanto, propícias para que Aguirre desenvolva seus delírios de grandeza. E ele o faz.
Klaus Kinski, no papel do lorde delirante, é a alma do filme. Seus olhos insanos e sua expressão pétrea dão a mistura perfeita de tenacidade e coragem que os integrantes da expedição – e também a platéia – necessitam para acreditar na jornada impossível. Se em algum ponto o véu da cobiça desce sobre os olhos, ninguém percebe – até que seja tarde demais. O Aguirre de Kinski é um homem mirrado, que se move de lado, como se rastejasse. Possui a ameaça de uma cobra. Ele funciona como se fosse um corcunda ou um aleijado – um Ricardo III perdido nas selvas da Amazônia. Shakespeare teria se orgulhado.
A expedição viaja de barco. É uma espécie de enorme jangada construída artesanalmente, que luta contra a forte correnteza do rio Amazonas e também contra índios que a platéia jamais vê – as flechas, no entanto, reduzem o grupo de guerreiros a cada investida. Nada disso, porém, impede que Aguirre conduza seus homens até o final da jornada, em busca de ouro, riqueza e poder. “Aguirre”, como fica claro, tem semelhanças incríveis com “Apocalypse Now”, que Coppola faria alguns anos depois. Mas não denuncia os horrores da guerra; é, sim, um dos grandes filmes sobre a cobiça (ao lado de “O Tesouro de Sierra Madre”) que já foram feitos. A majestosa seqüência final, que envolve Aguirre, um grupo de macacos e a força do rio, encerra o filme como uma nota grave.
Análise retirada do site Cinereporter






















2 comentários:

  1. Eu vi o filme e gostei muito, mas gostaria de saber se a estoria do filme é verdadeira ou ficção.

    ResponderExcluir
  2. sem dúvidas a maior obra do mestre herzog,um filme simplesmente fantástico.

    ResponderExcluir

Política de moderação do comentários:
A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro pelo conteúdo do blog, inclusive quanto a comentários. Dessa forma, o Convergência Cinéfila reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética, ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Para a boa convivência, o Convergência Cinéfila formulou algumas regras:
Comentários sobre assuntos que não dizem respeito ao filme postado poderão ser excluídos;
Comentários com links serão automaticamente excluídos;
Os pedidos de filmes devem ser feitos no chatbox.

Att.,
Convergência Cinéfila