domingo, 2 de dezembro de 2012

POSSUÍDOS - 2006

Bug, 2006
William Friedkin
Formato: AVI
Aúdio: Inglês
Legendas: Português
Duração: 101 minutos
Tamanho: 870 Mb
Servidor: Zippyshare
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SINOPSE
Agnes é uma garçonete solitária com um passado trágico, que escapou de seu abusivo ex-marido Gross, recentemente saído da prisão estadual. Ela muda-se para um motel de beira de estrada e através de sua colega de trabalho lésbica R.C. é apresentada para um paranóico veterano da Guerra do Golfo, Peter, e iniciam um romance. Contudo, as coisas nem sempre são como parecem e Agnes está prestes a experimentar um pesadelo claustrofóbico e real quando insetos começam a surgir...
Fonte: Cineplayers


ANÁLISE

A sublime paranóia de Friedkin

por Leonardo Mecchi 


Partindo de uma peça de teatro e concentrando sua ação em praticamente uma locação, Possuídos poderia facilmente resvalar no chamado teatro filmado. No entanto, basta a cena de abertura para dissipar esse receio. O filme se inicia com uma tomada rápida de um corpo estendido em um quarto prateado, quase futurista. Corta para uma tela escura. O toque de um telefone, close do aparelho conforme ele é atendido por uma voz feminina. Silêncio do outro lado da linha. Corta para uma tomada aérea do deserto, um helicóptero se aproximando de um prédio (um motel, descobriremos mais tarde). O telefone volta a tocar insistentemente. Em off, a mesma voz feminina atende. Silêncio. Ela bate o telefone e xinga.

Essa pequena descrição está longe de fazer jus ao mistério e, de certo modo, sensualidade dessa belíssima cena de abertura. Com recursos puramente cinematográficos, William Friedkin instaura desde o início o universo misterioso em que entramos, além de já desvelar um dos principais eixos do filme: a ameaça que o mundo exterior impõe ao avançar sobre personagens traumatizados e auto-exilados. A própria presença desse plano aéreo inicial já emula parte do mistério do filme e impõe uma série de dúvidas ao espectador: o helicóptero utilizado na tomada é apenas um recurso técnico da produção ou um elemento diegético? Sendo diegético, ele realmente existe ou é apenas parte do delírio psicótico daqueles personagens? Se existe, justifica a paranóia observada? Se é fruto de delírio, como pôde originar aquelas imagens iniciais? O próprio filme instala essa dúvida, ao trabalhar o barulho de um ventilador como o ruído de um helicóptero a espionar aquele ambiente – apenas um exemplo da importância da edição de som na obra de Friedkin (e neste filme em particular).

Essa relação íntima do filme com a paranóia de seu protagonista reforça o caráter quase epidêmico desta. A paranóia de Peter contamina não apenas Agnes, mas a própria imagem, que oscila entre a adesão (no abalo causado pelos helicópteros) e a negação (na recusa em materializar a imagem dos insetos). Com sua edição precisa e seu admirável trabalho de som, Friedkin, no auge de sua forma, nos coloca no centro desse processo de enlouquecimento (em especial nos últimos 15 minutos, onde acompanhamos em tempo real o processo irreversível de descolamento entre aqueles personagens e a realidade) – a ponto de temermos pela sanidade dos próprios atores, que trabalham constantemente no limite entre o sublime e o ridículo.

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Um comentário:

  1. Oii, bom dia^^
    Os links não estão funcionando.

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