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quarta-feira, 13 de março de 2013

A PROFESSORA DE PIANO - 2001

La Pianiste, 2001
Legendado, Michael Haneke

Classificação: Excelente

Formato: AVI
Áudio: alemão e francês
Duração: 100 min.
Tamanho: 700 MB
Servidor: Mega (4 partes) 

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SINOPSE
Erika Kohut (Isabelle Huppert) trabalha como professora de piano no Conservatório de Viena. Ela não bebe nem fuma, vivendo na casa de sua mãe (Annie Girardot) aos 40 anos. Quando não está dando aulas Erika costuma frequentar cinemas pornôs e peep-shows, em busca de excitação. Logo ela inicia um relacionamento com Walter Klemmer (Benoît Magimel), um de seus alunos, com quem realiza vários jogos perversos.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.3


ANÁLISE

Em uma de suas declarações mais famosas, Martin Scorsese certa vez afirmou que a última fronteira a ser conquistada pelo cinema era a sexualidade. O perturbador e fascinante estudo de personagem “A Professora de Piano” (La Pianiste, Áustria/França, 2001), filme do austríaco Michael Haneke, oferece uma contribuição importante para romper esta barreira, ao investigar com frieza cirúrgica uma das áreas mais sombrias da sexualidade humana: a perversão. Faz isso em um filme provocante e original, comprimindo em pouco mais de duas horas uma carga anormalmente alta de erotismo e estudo refinado da psique humana, em um filme que é verdadeira anomalia – no bom sentido, claro, já que originalíssimo e brilhante.
Elfriede Jelinek, autora do livro "A pianista", que foi adaptado para o cinema pelo diretor Michael Haneke
Não há muitos cineastas contemporâneos que possuem a ousadia, a criatividade e a liberdade temática necessárias para levar a cabo a tarefa proposta por Scorsese. Certamente, não dá para esperar que Hollywood, sempre tão casta e medrosa (porque dependente de um público muito conservador, especialmente na área sexual, que é o americano típico), vá ajudar de alguma forma nesta cruzada. De fato, um filme como “A Professora de Piano” não poderia ter vindo de outro lugar que não a Europa. A obra de Haneke é européia por excelência, libertária e profunda, e de alguma forma propõe uma experiência cinematográfica diferente, excitante, que mistura música, história, psicanálise e, porque não, políticas complexas de classes e gênero.
A história realiza um fantástico estudo de personagem, a pianista do título. Erika (Isabelle Huppert) dá aulas de piano em um prestigiado conservatório em Viena. A mulher, na faixa dos 40 anos, é solteira e mora com uma mãe castradora (Annie Girardot), que trata a filha como uma adolescente, alguém que precisa explicar o que fez quando chega tarde em casa. Erika é altiva, orgulhosa, aristocrática, e tem uma paixão assumida pela música de Schubert (“ele era feio”, diz ela em certo momento, como que para explicar a fúria contida das partituras do compositor). A mestra parece ter prazer genuíno em maltratar alunos esforçados com palavras duras e gestos idem. Erika é aquilo que os brasileiros chamam de mulher mal comida.
Melhor seria dizer mulher não comida. Erika não tem namorado, e não demonstra nenhum interesse em ter. No entanto, ela não é uma dessas pessoas indiferentes a sexo – apenas gosta de uma modalidade de sexo não exatamente ortodoxa. E Haneke não tem nenhum pudor em invadir os recônditos mais negros da alma depravada desta mulher. Nas horas vagas, ela não se dedica a alimentar pombos na praça ou a assistir TV. Erika freqüenta lojas de artigos pornográficos, onde assiste a vídeos de sexo explícito e esfrega no rosto o esperma dos freqüentadores que lá estiveram antes dela. Também tem uma queda pela auto-mutilação, usando uma enervante gilete de barbear, em longas tomadas sem cortes que Michael Haneke arremessa com força na cara do espectador. Erika faz tudo isso de rosto impassível, como se fosse um robô à prova de emoções. Ela é um mistério, um personagem fascinante.
No entanto, algo muda dentro desta mulher de gelo quando ela conhece Walter (Benoît Magimel), loiro e desembaraçado rapaz de 20 e poucos anos. Ele logo demonstra interesse na professora, e não apenas em sentido estritamente musical. A partir daí, Michael Haneke se dedica a nos mostrar as imprevisíveis reações de Erika aos perfeitamente saudáveis impulsos sexuais do garoto, o que inevitavelmente leva a platéia a identificar uma situação muito presente no cotidiano de qualquer um: afinal, qual é exatamente o momento certo para revelar ao nosso parceiro sexual uma pequena (ou grande) perversão?
O absoluto rigor formal com que o diretor austríaco aborda o tema faz de “A Professora de Piano” um filme incômodo, duro, violento, ultrajante para alguns. Haneke cutuca a ferida da sexualidade sem nenhum traço de pudor, e sem qualquer tipo de julgamento moral. A narrativa é crua e direta, e não faz qualquer tipo de concessão ao melodrama, à manipulação das emoções do espectador. Haneke é tão impassível quanto Erika, cada um em sua área. E essa abordagem gélida atinge em cheio o objetivo: destrói as defesas do espectador, deixa a habitual indiferença das platéias em frangalhos. “A Professora de Piano” é um filme que aperta firme algum botão localizado lá no fundo da alma.
É o tipo de obra que permanece na mente muito tempo depois da projeção, talvez para sempre. Esta é uma característica do melhor cinema de Michael Haneke (“Violência gratuita”, “Caché”): faz pensar, arrasta o espectador pelo colarinho para dentro do filme, obriga-o a ver o que não quer com um misto de fascínio e repulsa que é genuinamente atraente. O austríaco demonstra ter um talento natural para fazer a carga de imagens pesadas ser amplificada naturalmente dentro da imaginação de cada membro da platéia (pense bem: as cenas de “A Professora de Piano” não têm, isoladamente, o potencial subversivo que o filme por inteiro apresenta).
De quebra, a cereja no topo do bolo é a interpretação arrasadora de Isabelle Huppert. Sem a atriz francesa, é provável que Haneke não tivesse conseguido um resultado tão abrasivo, tão impressionante. O rosto gelado e inexpressivo da atriz diante de qualquer pessoa ou objeto é impressionantemente duro e sem emoções. Não importa se à frente dela está um homem tendo um orgasmo, um prato de comida ou uma canção sendo executada impecavelmente diante de uma platéia às lágrimas. Erika é um robô, um mistério inexpugnável, e isso é grande parte do fascínio do longa-metragem, uma verdadeira obra-prima contemporânea.


Análise retirada do site Cinereporter





















































































































































BALANCE - 1989

Balance, 1989
Christoph Lauenstein e Wolfgang Lauenstein

Classificação: Excelente

Formato: AVI
Áudio: -
Duração: 7 min.
Tamanho: 73 MB
Servidor: Zippyshare (parte única)


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SINOPSE
O filme mostra cinco indivíduos que vivem em uma pequena plataforma flutuante no espaço. Sempre que um deles se move, os outros devem fazê-lo para manter um "equilíbrio". Até que um dos homens puxa uma caixa na plataforma...

Fonte: Cineplayers
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 8.1





domingo, 10 de março de 2013

NO - 2012

No, 2012
Legendado, Pablo Larraín 

Classificação: Excelente

Formato: AVI
Áudio: alemão
Duração: 118 min.
Tamanho: 1,65 GB
Servidor: Mega (3 partes de 500 MB + 1 parte de 195 MB)


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SINOPSE
Chile, 1988. Pressionado pela comunidade internacional, o ditador Augusto Pinochet aceita realizar um plebiscito nacional para definir sua continuidade ou não no poder. Acreditando que esta seja uma oportunidade única de pôr fim à ditadura, os líderes do governo resolvem contratar René Saavedra (Gael García Bernal) para coordenar a campanha contra a manutenção de Pinochet. Com poucos recursos e sob a constante observação dos agentes do governo, Saavedra consegue criar uma campanha consistente que ajuda o país a se ver livre da opressão governamental.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.6



ANÁLISE

"Este comercial está inserido em um contexto social. Hoje o Chile é um país que pensa no futuro", diz o publicitário René Saavedra (Gael García Bernal) antes de apresentar uma peça a seu cliente, um fabricante de refrigerante. Conhecemos o discurso, esperamos o cinismo, mas que cara-de-pau de René: o Chile neoliberal de Augusto Pinochet só pensa no agora, e não no futuro, porque afinal é o imediatismo que faz do capitalismo o que ele é.
É esse imediatismo, entre outras coisas, que Pablo Larraín discute em No, candidato chileno ao Oscar e filme que encerra a trilogia do diretor sobre a ditadura no país (Post Morten trata do golpe em 1973 e Tony Manero, do período de maior repressão, 1978). Transcorre o ano de 1988, as torturas são passado. Pressionado pelo resto do mundo, Pinochet anuncia um plebiscito para decidir se continuará no poder. A oposição - um balaio de partidos nanicos de esquerda - tem então a difícil missão de convencer o povo a dizer não para um governo totalitário que deu ao Chile estabilidade econômica.
Não fica clara no início a razão de René aceitar comandar, durante um mês, os 15 minutos diários na TV que formam a campanha do "Não". Os esquerdistas o respeitam porque René é filho de militante e viveu exilado no exterior, mas, de volta ao Chile, o publicitário visivelmente usufrui da prosperidade dos anos Pinochet: tem carro esporte, casa na praia, presenteia o filho com ferrorama, anda de skate pelas ruas como se vivesse mesmo num comercial. Falta, porém, ao solteiro René, afastado de sua mulher militante, o produto central da publicidade: uma feliz família tradicional.
Assim como o Don Draper de Mad Men, René é atacado na base da sua crença, tiram-lhe a imagem perfeita do consumismo: uma rotina sem sustos com filhos saudáveis e uma esposa contente. Ao acabar com o casamento de René, Pinochet lhe nega essa projeção de normalidade. É em busca de restabelecer essa ilusão, portanto, e não para atender a um chamado de responsabilidade social, que o protagonista se coloca a serviço do "Não". Larraín faz dele um grande anti-herói não só porque percebemos seus defeitos (como o ego na rixa contra o diretor dos comerciais) mas principalmente porque, no fundo, René acredita nas mentiras que vende.
Então faz sentido que a campanha do "Não" seja formatada como um comercial, com jingle e tudo. Mais do que isso, para dialogar com a memória visual do período, Larraín, que em 1988 tinha 12 anos, filma No  inteiramente em U-Matic, tecnologia de gravação em videocassete que era usada pela publicidade na época. A imagem desfocada (às vezes parece que estamos vendo um filme 3D sem óculos), estourada no encontro com a luz, dá ao filme uma cor volúvel de sonho, como a ilusão que René tanto tenta resgatar.
Se o personagem reage entorpecido ao fim do plebiscito, não é pelo resultado exatamente, mas por presenciar a alegria - esse conceito tão abstrato - materializada diante de si. A câmera de Larraín se fixa no rosto de Bernal nesse momento, para em seguida, no plano que mostra o coletivo da campanha, pegar apenas a silhueta de René em contraluz. Dissolve-se no bem comum a conquista pessoal, o imediatismo. Corta para o povo na rua. O publicitário caminha na multidão com o filho e, por um instante, não parece dar pela falta da mulher.
Análise retirada do site Omelete


































































sábado, 9 de março de 2013

FILM - 1965

Film, 1965
Alan Schneider

Classificação: Bom

Formato: AVI
Áudio: -
Duração: 20 min.
Tamanho: 158 MB
Servidor: Mega (parte única)


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SINOPSE
Film é a única incursão de Samuel Beckett no cinema. Escrito em 1963, o filme foi rodado em Nova York durante o verão de 1964, com direção de Alan Schneider e estrelando Buster Keaton. Para as filmagens, Beckett fez sua única viagem aos Estados Unidos, em julho de 1964.

The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.4


ANÁLISE

"Film" marca a primeira colaboração do escritor Samuel Beckett, um dos mais festejados do século XX, com a 7ª arte, escrevendo o texto para este curta dirigido por Alan Scheneider e estrelado por ninguém menos que Buster Keaton, o famoso ator e diretor de cinema mudo. Antes de tudo, é bom atentar para a inteligente escolha de Keaton, que, como outros astros dos anos 20, foram renegados ao ostracismo com o advento do cinema falado. O seu "concorrente", Charles Chaplin, se deu melhor, e conseguiu permanecer no topo; o por quê de um cineasta a sua altura como Keaton não ter tido melhor sorte só o sistema traiçoeiro de Hollywood explica, mas é curioso como o diretor de clássicas obras como "A General" meio que se tornou uma presença espectral durante os anos posteriores de Hollywood (talvez por ser um excelente símbolo de como em Hollywood qualquer talento pode ser extremamente fugaz). Ele fez, por exemplo, uma aparição em "Crepúsculo dos Deuses", obra-prima de Billy Wilder, além de "Film", que, ironicamente, é mudo. O personagem de Keaton parece ser alguém já privado da fala ou da mais rele comunicação com o outro, e caminha para uma total alienação de sua própria existência (afinal, só se sabe que existe quando nos vemos ou somos vistos por outro), um homem que parece desesperado para escapar da própria consciência (um personagem típico de Beckett, aliás). É uma experiência cinematográfica muito interessante e que merece ser vista.

Análise retirada do site filmeszprodutora




























































quinta-feira, 7 de março de 2013

O VÍDEO DE BENNY - 1992

Benny's video, 1992
Legendado, Michael Haneke

Classificação: Bom

Formato: AVI
Áudio: alemão 
Duração: 105 min.
Tamanho: 700 MB
Servidor: Mega (2 partes: 350 MB + 350 MB)

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SINOPSE
O filme segue a trajetória lenta, mas inevitável, de violência na vida de Benny (Arno Frisch), um rapaz alienado mas extremamente inteligente, obcecado com imagens violentas. Ele assiste a filmes de horror no seu quarto, sob a indiferença dos pais - que se orgulham de proporcionar a ele liberdade. O vídeo preferido de Benny é o da matança de um porco que ele mesmo filmou. Benny assiste a esse vídeo por vezes seguidas, em câmera lenta, estudando cada fase do ato violento. Ele então encontra uma menina numa locadora do bairro e a convida para casa para mostrar a ela alguns de seus vídeos. Depois de mostrar o vídeo da matança do porco, Benny mostra à menina a arma usada no sacrifício. Então, com a câmera ligada e a filmar, mata a garota. Sem nenhuma emoção, assiste em seguida o vídeo.

The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB 7.2


A GENIALIDADE QUE PERTURBA
Autor: Pedro Garcia

A crítica social e a análise psicológica são os dois principais pilares de sustentação da obra de Michael Haneke. O primeiro está presente de forma poderosa em filmes como Código Desconhecido (2000) e O Tempo dos Lobos (2003). Já o segundo carrega títulos marcantes como A professora de piano (2001) e Caché (2005). Talvez o grande diferencial de uma produção anterior, O Vídeo de Benny (1992), a segunda de sua filmografia, seja a forma inteligente como o diretor soube unir esses dois elementos. 


Aqui, narra-se a história de um adolescente (Arno Frisch) que mantém uma relação distante com os pais, interpretados por Angela Winkler e Ulrich Mühe, este em sua primeira parceria com Haneke - mais tarde, faria O castelo (1997) e Violência gratuita (1997). O jovem passa a maior parte do tempo sozinho em seu quarto escuro, alimentando o vício em televisão e vídeos, violentos em sua maioria. Em um final de semana em que os pais viajam, Benny leva para casa uma garota (Ingrid Stassner) que acaba de conhecer. Após mostrar a ela uma de suas imagens favoritas, do abate de um porco, acaba matando-a com a mesma pistola de ar comprimido usada contra o animal. 


A questão social está evidente. Fica claro que o comportamento agressivo do rapaz é diretamente influenciado pela espetacularização da violência na mídia, e pela negligência dos pais. Porém, ainda que visível, o problema aparece apenas por trás. O que o filme busca, em primeiro plano, é mergulhar fundo na mente de Benny. Por isso, a maior parte dele se dedica a seguir os passos do jovem. 

Mais do que as cenas de violência, o que realmente espanta na exploração desse universo confuso é a frieza: no relacionamento da família, na postura de Benny após o assassinato, na reação dos pais quando descobrem o ocorrido, na atitude do garoto no desfecho final. A frieza é o ponto visceral, brilhantemente explorado pelo diretor, e o que faz desta uma produção forte e envolvente como poucas conseguem ser. 

É comum se ouvir dizer que os filmes de Haneke são apenas "para quem tem estômago". O Vídeo de Benny é a prova maior de que a sentença não se mostra exagerada. Mas aqui, o incômodo não toma base em seqüências regadas a sangue ou pancadas e, sim, na inteligente análise crítica de uma personalidade e, acima de tudo, de uma sociedade. 

Análise retirada do site Cinerevista

Você também do texto "O método de Benny: olhar, mostrar e narrar a morte", de autoria André Keiji Kunigami