quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A COMILANÇA -1973


La Grande Bouffe, 1973
Legendado, Marco Ferreri



Formato: AVI
Áudio: francês
Legendas: português
Duração: 130 min
Tamanho: 710 MB
Servidor: Zippyshare (4 partes)

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SINOPSE
Quatro homens de meia-idade bem sucedidos: Marcello (Marcello Mastroianni), um comandante de bordo; Michel (Michel Piccoli), um executivo de televisão; Ugo (Ugo Tognazzi), um chef; e Philippe (Philippe Noiret), um juiz; vão para a mansão deste último, que foi comprada de um químico polonês pelo pai de Philippe após o final da 2ª Guerra Mundial para presentear a esposa, que no entanto não quis morar nela nunca. Os quatro estão reunidos nesta casa, que foi abastecida com uma quantidade enorme de comida, pois planejam comer até morrer. Após a primeira noite Marcello insiste que mulheres devem se juntar a eles. Philippe se mostra mais resistente a esta idéia, mas concorda ao saber que serão prostitutas. Um garoto de uma escola primária foi mandado pela professora, Andrea (Andréa Ferréol), pedir autorização para ver o loureiro de Boileau, que está no jardim. Os quatro acabam fazendo amizade com Andrea, que fica fascinada com os pratos preparados por Ugo, que a convida para uma "reunião" naquela noite Philippe adverte que Andrea não ficará à vontade entre as "convidadas" de Marcello, mas o convite fica mantido. Ao anoitecer chegam três prostitutas: Danielle (Solange Blondeau), Anne (Florence Giorgetti) e Gita e, logo após, aparece Andrea. Ao saber da sua chegada Philippe diz que vai dormir, pois acha constrangedor Andrea ficar juntamente com três prostitutas. Quando está para se retirar encontra Andrea e lhe explica quem são as moças, mas ela não se mostra nada embaraçada. Logo os oito estão se divertindo, enquanto comem de forma nada frugal.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.1

ANÁLISE
artigo escrito por Eduardo A. Furtado Leite


Em A Comilança  (La Grande Buffet,1973. Marco Ferreri), realiza-se, através da personagem de uma professora, uma versão da feminilidade como instância que guarda relação com o impossível, com o fora do sentido, com o prazer em seu caráter paradoxal; versão essa que se aproxima da posição sustentada pelo psicanalista Jacques Lacan. No filme de Marco Ferreri em questão, essa versão da feminilidade, veremos, é colocada em cena como elemento capaz de ser suporte de uma espécie de subversão de um intuito subversivo.  
Quanto à subversão que será subvertida: quatro homens se reúnem para atentar contra a própria vida, mais precisamente, constituir um banquete, uma comilança que, em tese, deve se estender até a morte dos convivas.   Quatro personagens que constituem um grupo cujo intuito destrutivo pode ser lido como resultante do tédio, da mesmice da vida burguesa e seus ritos, de sua moral cristã utilitarista, seus prazeres ordenados que sufocam a vida ao ponto de fazer da morte uma opção viável. Esses quatro personagens comportam também uma função metalingüística que alude ao próprio cinema moderno, cujo ideário inclui o questionamento e o deboche dessa moral. Cada um dos quatro personagens carrega o nome do ator que lhe dá vida, atores que se tornaram personagens de suas respectivas trajetórias. Marcello Mastroianni, Hugo Tognazzi, Michel Picolli e Phillipe Noiret, somados os filmes em que atuaram e os diretores que os dirigiram, constituem uma seleção inquestionável do cinema moderno, incluindo antecedentes e herdeiros.
A apresentação dos personagens, com a qual a narrativa tem seu início, caracteriza-os como cidadãos burgueses bem sucedidos na vida e que se preparam para uma viagem, um descanso, talvez uma pausa num cotidiano antecipado pela primeira tomada do filme, através da qual se vê uma austera rua calma e vazia, típica dos bairros classe média das cidades européias, uma cena emoldurada por um suave e bucólico tema musical ao piano.

Os comilões (1ª parte)

O cozinheiro Hugo em sua elegante epicerie. Seu fino jogo de facas, presente do pai que vendera duas vacas para comprá-lo, estória que, conforme lembra sua mulher, é repetida inúmeras vezes pelo chef, tal qual, via de regra, fazem os patronos estereotipados. 
O importante funcionário Michel caminhando por um estúdio de TV sendo interpelado por uma assistente preocupada com a programação futura. O encontro com sua filha que lhe é algo indiferente, blasé. A oferta das chaves do apartamento à mesma, presente que vem acompanhado de recomendações de cuidado com o barulho para não incomodar os vizinhos, e, na mesma fala, a ironia para com a autoridade paternal. 
Marcello, o comandante que pousa seu avião e, depois de ter se ocupado com um hilário desembarque de alguns queijos que trouxera consigo, coloca-se no corredor da máquina vazia e olha-a como se dela se despedisse.          
Phillipe, o juiz e sua ama de leite conservada desde a primeira infância. Servo assumido de uma mulher que o mantém, apesar de adulto, como a um bebê de pantufas; o típico caso da eminente figura pública ocupada com as mais sisudas obrigações profissionais, mas que, na vida privada, encontra refúgio para ir muito além dos panos da seriedade a ser sustentada perante a pólis.

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Eduardo A. Furtado Leite é Psicólogo, doutorando em Comunicação no Núcleo de Jornalismo e Linguagem da USP.

















































































Um comentário:

  1. Saudações, Hilarius:

    Seu blog é duca, coisa fina, mas queria falar mesmo desse post sobre esta brilhante obra-prima do inesquecível Fellini. Ocorre que os 4 links do zippyshare que vc postou aki em 2012 já estão inválidos hoje, de qualquer jeito consegui baixar o filme em outro local. Então se vc puder ajeitar este download para ninguém ficar a ver navios neste blog perfeito de cinefilia, desdejá agradeço muito por mim e por todo mundo aqui também, vlw ???

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