Importante

Para que o blog continue é fundamental que vocês deixem o filme compartilhando por pelo menos 3 vezes o tamanho do arquivo original. Se um arquivo tem o tamanho de 1gb, é importante que vocês deixem compartilhando até atingir 3gb. Isso ajudará a manter o arquivo com seeds (sementes) para que outras pessoas possam baixam os arquivos.

sexta-feira, 14 de março de 2014

NINFOMANÍACA - VOLUME I - 2013

Nymphomaniac: Vol. I, Legendado, 2013, Lars Von Trier.
Classificação: Ótimo

Formato: AVI (Xvid)
Áudio:
Inglês
Legendas:
Português
Duração:
118 Min.
Tamanho:
808 Mb.
Servidor:
MEGA (3 Partes)
Links:

Parte 1
Parte 2
Parte 3


Sinopse:
Joe (Charlotte Gainsbourg) é uma mulher de 50 anos que decide contar a um homem mais velho (Stellan Skarsgard) sua história pessoal. Ela relata suas experiências ao longo de oito períodos da sua vida, marcados por diversos encontros e incidentes.
Fonte: Cineplayers
The Internet Movies Database: IMDB - Nota Imdb 7.6

Crítica:
"Eu descobri minha boceta aos dois anos de idade.
Ao ler a fala acima, dita pela protagonista de Ninfomaníaca, muitos espectadores provavelmente temerão confrontar um filme polêmico, grosseiro e chocante. Longe disso. Ao contrário do que a campanha publicitária do novo trabalho de Lars von Trier sugere, o longa, embora trazendo cenas de sexo (quase) explícito, só chocará as psiques mais sensíveis, já que é basicamente um estudo de personagem recheado de divagações filosóficas que usa o sexo mais como vinhetas de passagem do que como centro narrativo, criando uma experiência irregular, mas jamais desinteressante.
Escrito por von Trier a partir de sua já notória natureza depressiva, o filme tem início em uma vizinhança melancólica, marrom e chuvosa que, disposta em becos estreitos, exibe o corpo inconsciente de Joe (Gainsbourg). Resgatada por um habitante local (Skarsgård), ela passa a narrar as circunstâncias que a levaram a se transformar numa mulher coberta de sangue e traumas, deixando claro, desde o princípio, que não poupará a si mesma: “Eu sou um ser humano ruim”, afirma já de cara. A partir daí, saltamos para uma série de flashbacks que acompanham a moça da infância à fase adulta, quando passa a encarar o sexo com a diligência de uma vítima de transtorno obsessivo-compulsivo.
Episódico por natureza, Ninfomaníaca emprega a conversa entre Joe e o pacato Seligman (o personagem de Skarsgård) como âncora narrativa, usando as associações livres feitas pelo sujeito como pontes para as novas passagens – ou capítulos – da vida da protagonista. Assim, uma observação sobre a polifonia nas composições de Bach dá origem a um flashback sobre três amantes importantes na vida da garota, ao passo que as (muitas) referências a pescaria com mosca inspiram a mulher a relembrar suas primeiras buscas por múltiplos parceiros em um trem. O curioso é que estas divagações feitas por von Trier acabam se tornando atrativos à parte, mesmo que usadas como meras transições – e ver Seligman diferenciar as pessoas entre aquelas que cortam primeiro as unhas da mão esquerda e as que cortam as da mão direita é algo que eventualmente se converte em passagens que poderiam sobreviver isoladamente sem qualquer problema. De forma similar, é interessante perceber como o filme frequentemente comenta a própria narrativa, como, por exemplo, ao apontar que determinada coincidência na história de Joe é implausível apenas para observar que, para aproveitarmos melhor a experiência, devemos aceitar aqueles absurdos sem questionar.
Surpreendentemente moralista ao insistir em julgar a protagonista por suas obsessões sexuais (ela é a primeira a se condenar por elas), Ninfomaníaca é o reforço que qualquer misógino quer ouvir acerca de suas percepções equivocadas, já que Joe mente sobre o orgasmo apenas para manipular os parceiros, jogando com seus companheiros de cama apenas para mantê-los presos ao seu sexo – e, neste aspecto, é um problema grave que este “Volume 1” aborde apenas metade da trajetória da moça, já que chegamos ao fim sem que um quadro completo sobre Joe seja pintado, o que pode levar o espectador a um julgamento crítico provavelmente equivocado sobre as intenções finais do cineasta, que, aqui e ali, indica ter uma visão mais compreensiva sobre Joe.
É bom notar, por exemplo, como o diretor estabelece, logo no princípio, o prazer que a jovem vivencia ao lado do pai (Slater, delicado em sua composição) ao sentir o vento refrescar seu rosto, estabelecendo que estas sensações físicas de prazer, oriundas de uma brisa, do formato de  uma folha ou do sexo, não passam de experiências viscerais de maior ou menor gozo – e que, portanto, adicionar um julgamento moral quando surgem do sexo é algo aleatório, absurdo e injusto. Além disso, von Trier evita ao máximo glamourizar o sexo visto ao longo da projeção, retratando-o de uma forma crua que reflete a percepção da protagonista, que parece encarar o ato mais como fuga ou arma do que como experiência de prazer – e não é à toa que a perda de sua virgindade é enfocada por Ninfomaníaca como algo similar à mais entediante das equações matemáticas: a soma de fatores com dígito único.
O sexo, contudo, é apenas um dos interesses do diretor/roteirista, que emprega a estrutura do filme como ponte para discutir a diferença entre antissionismo e antissemitismo (numa clara referência à polêmica que o envolveu em Cannes, há algum tempo) ou para fazer referências a Edgar Allan Poe, que chega a originar um capítulo em preto-e-branco introduzido por uma passagem de “A Queda da Casa de Usher” e que eventualmente retrata a percepção de um personagem sobre a (falta de) dignidade da morte. Isto, claro, sem esquecer a sequência memorável que traz Uma Thurman como a representação máxima do conceito de “passivo-agressiva” e que resulta num momento de humor extremamente eficaz, ainda que incômodo.
Por outro lado, von Trier irrita em sua insistência de representar literalmente cada discussão entre Joe e Seligman, o que resulta em flashbacks dispensáveis sobre a infância deste último e em breves planos que ilustram passagens da narração (quando o sujeito pergunta “Se tem asas, por que não voar?”, o diretor exibe o insert de um aeromodelo). Estes tropeços, porém, não são suficientes para anular momentos inspirados como aqueles que trazem um grupo de garotas repetindo a máxima “Mea vulva, mea maxima vulva” ou mesmo a sensibilidade ao retratar uma mulher que encara o sexo de forma compulsiva não pelo orgasmo que propicia, mas pela fuga que representa.
O que, no mínimo, é um imenso desperdício de energia e prazer.
Fonte: Portal Cinema em Cena









CAPOTE - 2005

Capote, Legendado, 2005, Bennett Miller

Classificação: Ótimo
Formato:  MP4
Áudio: Inglês
Legendas: Português
Duração: 114 Min
Tamanho: 750 Mb
Servidor: MEGA ( 2 Partes )
Links:

Parte 1
Parte 2

Sinopse: O escritor Truman Capote, autor do livro que originou o filme "Bonequinha de Luxo", fez uma extensa pesquisa sobre um crime que aconteceu nos Estados Unidos em 1959, quando Dick Hickock e Perry Smith mataram uma família de quatro pessoas em uma pequena cidade do Kansas. Capote desenvolveu um estranho laço com os assassinos ao entrevistá-los para escrever In Cold Blood.
Fonte: Cineplayers
THE INTERNET MOVIES DATABASE: IMDB - Nota Imdb 7.4



Crítica:
Em certo momento de Capote, o personagem-título, que está trabalhando em um livro que relatará o massacre de uma família numa cidadezinha do Kansas, afirma que sua obra será considerada o melhor trabalho de não-ficção da década – uma declaração megalomaníaca que já seria questionável caso o livro estivesse pronto, mas que se torna ainda mais espantosa se considerarmos que, naquele momento, ele ainda não havia escrito uma única página. No entanto, nada poderia ser mais típico de Truman Capote do que aquele ato de irrestrita auto-confiança e presunção: prestigiado pelo sucesso de seu Breakfast at Tiffany’s (logo adaptado para o Cinema), o escritor se transformara em figurinha fácil nos altos círculos da sociedade nova-iorquina, tornando-se ainda mais requisitado graças aos seus modos excêntricos e à língua ferina. E a verdade é que ele não apenas estava correto como, de certa forma, subestimou o alcance que seu livro teria: lançado em 1965, A Sangue Frio alterou radicalmente o formato do gênero, levando o próprio Capote (como não poderia deixar de ser) a alegar que inaugurara um novo estilo, o “romance de não-ficção”. Exagero ou não, o fato é que A Sangue Frio tornou-se um clássico instantâneo, originando, dois anos depois, um filme espetacular dirigido por Richard Brooks e protagonizado por um genial Robert Blake.
           
No entanto, se o drama narrado por Truman Capote em seu livro tem uma força inquestionável, o processo de realização do trabalho não fica para trás: levando seis anos para finalizar a obra, o escritor se entregou totalmente ao projeto, tornando-se próximo do policial designado para investigar o assassinato da família Clutter, Alvin Dewey (aqui vivido por Chris Cooper), e, posteriormente, estabelecendo um relacionamento íntimo com os próprios assassinos, Perry Smith (Collins Jr.) e Richard Hickock (Pellegrino) – especialmente com o primeiro, com quem criara uma identificação profunda, já que ambos tiveram infâncias particularmente difíceis. Envolvendo-se até mesmo na defesa dos criminosos, Capote fez freqüentes visitas ao corredor da morte a fim de entrevistá-los – uma experiência que viria a alterar dramaticamente o curso de sua vida e que é retratada com sensibilidade por este filme.
           
Pois o roteiro de Capote (escrito por Dan Futterman a partir do livro de Gerald Clarke) não se preocupa particularmente com o crime bárbaro cometido por Smith e Hickock, mas sim com o envolvimento entre o personagem-título e os dois homens e, é claro, com o processo de criação da obra-prima, que exigiria um alto preço de seu autor. Inicialmente interessado apenas em escrever um relato sobre o impacto que o massacre teria sobre a pequena comunidade de Holcomb, Truman Capote viu seus planos se alterarem assim que conheceu Perry Smith, concluindo que havia uma história muito mais interessante por trás da existência trágica do sujeito: “É como se tivéssemos crescido na mesma casa e, um dia, ele tivesse saído pela porta de trás e eu, pela da frente”, explica o escritor em certo momento, evidenciando a irresistível atração que nutria pelo assassino.
           
No entanto, um indivíduo racional e cínico como Capote jamais dedicaria tanto tempo e esforço a um projeto apenas em função de uma “simpatia”: mesmo genuinamente interessado em Perry, Truman não hesita em descrevê-lo como sendo uma “mina de ouro”, um objeto de estudo que certamente lhe renderia um ótimo material. “Quando penso em como meu livro pode ser bom, quase perco o fôlego”, admite o autor, consciente do que tem em mãos e disposto a enfrentar qualquer obstáculo que cruze seu caminho, como, por exemplo, a imensa reserva (aliás, uma quase hostilidade) com que é recebido na pequena cidadezinha do conservador Sul norte-americano, onde sua afetação (ele era homossexual assumido numa época em que isto era visto como escandaloso) lhe rendia inimigos instantâneos – e sua grande sorte foi poder contar com o auxílio providencial da amiga Harper Lee, que logo publicaria seu próprio clássico literário (e futura obra-prima cinematográfica), O Sol é Para Todos.
           
Magnificamente interpretado pelo sempre ótimo Philip Seymour Hoffman, habitué dos filmes de Paul Thomas Anderson, Truman Capote revela-se uma figura muito mais complexa e interessante do que poderiam sugerir seus maneirismos absurdos, sua voz inacreditável e sua dicção característica. Extremamente inteligente e culto, Truman possui uma sensibilidade artística proporcional somente ao seu ego gigantesco - e mesmo se esforçando para capturar a essência de Perry Smith a fim de retratá-lo não como um monstro, mas como fruto inevitável de uma vida recheada de infortúnios, o protagonista jamais perde de vista seus próprios interesses: quando percebe que o sujeito não está disposto a contar o que realmente aconteceu na casa dos Clutter naquela noite fatídica, por exemplo, Truman o ataca em seu ponto mais vulnerável:  o orgulho que Perry tem de sua própria inteligência e de seu vocabulário. Já em outro momento, Capote confidencia suas frustrações da juventude a uma garota, levando Harper Lee a fazer um leve aceno desaprovador com a cabeça: ela sabe que o amigo está sendo sincero quanto ao que diz, mas não quanto às razões para dizê-lo, já que quer apenas ganhar a confiança da moça a fim de levá-la a lhe fornecer informações – e Philip Seymour Hoffman encarna estas várias facetas do personagem com delicadeza exemplar.
           
Enquanto isso, Clifton Collins Jr. retrata Perry Smith com igual intensidade, transformando-o na figura trágica tão bem descrita pelo livro de 65: cantor frustrado e desenhista talentoso, Smith compensa sua baixa estatura e a fragilidade das pernas (gravemente feridas em um antigo acidente) com um temperamento explosivo e imprevisível, além de manifestar um orgulho desmedido por sua formação cultural, sem perceber (e como poderia?) que seu vocabulário acima da média não consegue disfarçar uma visão terrivelmente simplória do mundo – e seu discurso final, que resgata uma passagem de seu diário, é simultaneamente patético e comovente. Aliás, Collins Jr. oferece uma performance que nada deixa a desejar com relação à de Seymour Hoffman, destacando-se particularmente na cena que culmina naquela que é a fala mais arrepiante do livro, do filme de 67 e, mais uma vez, desta produção, quando descreve sua opinião acerca do sr. Clutter: “Eu achei que ele era um senhor gentil; e continuei a pensar assim até o momento em que cortei sua garganta”. Por outro lado, Catherine Keener, embora eficiente como Harper Lee, é eclipsada pelos dois colegas de elenco, além de ter pouco tempo em cena (sua indicação ao Oscar é, portanto, injustificada; Robin Wright Penn merecia a vaga por sua cena em Nove Vidas).
           
Em seu segundo trabalho como diretor, Bennett Miller assume uma postura discreta, concentrando-se nas atuações e procurando estabelecer um tom constantemente (e corretamente) frio e melancólico: além dos vários planos gerais nos quais explora (ao lado do diretor de fotografia Adam Kimmel) o isolamento da cidade de Holcomb, o cineasta mantém as vozes de seus atores sempre numa modulação baixa e reservada. Além disso, Miller dedica atenção especial à recriação de detalhes da história, como a notória sessão de fotos organizada por Capote e a presença, no corredor da morte, do estudante de Medicina que matara toda sua família. Neste sentido, Capote falha apenas ao evitar a questão delicada do envolvimento sexual entre o protagonista e Perry Smith, já que é praticamente certo que Truman subornou vários carcereiros para poder ficar a sós em diversas ocasiões com seu amante-entrevistado. Em contrapartida, o filme acerta ao estabelecer o envolvimento emocional entre os dois homens, que encontra seu ápice na última conversa que mantém, quando Miller finalmente (e, mais uma vez, acertadamente) adota uma câmera inquieta que reflete a intensidade do momento (e Seymour Hoffman já mereceria o Oscar apenas por sua atuação nesta cena).
           
A grande tragédia da experiência de Truman Capote ao escrever A Sangue Frio encontra, ali, sua explicação definitiva: embora apaixonado por Perry Smith, o escritor era ainda mais apaixonado por si mesmo e, assim, sabia que precisava sacrificar o outro a fim de chegar a uma conclusão apropriada para seu relato, já que os constantes adiamentos da execução de Smith e Hickcock eram um inconveniente irritante. Mas, em sua arrogância inconseqüente, Truman se esqueceu de que estava sujeito, como qualquer outra pessoa, a se tornar vítima de um sentimento poderoso: a culpa. Para imortalizar-se com A Sangue Frio, ele paradoxalmente destruiu a si mesmo, jamais se recuperando dos anos que dedicou ao livro.
           
Durante a introdução de seu relato, Capote explica que narrará uma tragédia que custou a vida não apenas dos quatro membros da família Clutter, mas também de seus dois assassinos. O que ele não imaginava, na época, era que a soma chegaria a sete, sendo que ele próprio, Truman Capote, se tornaria a vítima final da cadeia de acontecimentos originada pelos quatro tiros disparados na fria madrugada de 15 de novembro de 1959.








segunda-feira, 10 de março de 2014

SNATCH: PORCOS E DIAMANTES - 2000

Snatch, 2000
Legendado, Guy Ritchie
Classificação: Bom

Formato: AVI
Áudio: inglês/russo
Legendas: português
Duração: 104 min.
Tamanho: 700 MB
Servidor: 1fichier (2 partes)

LINKS

SINOPSE
Frankie Quatro-Dedos (Benicio Del Toro) é um ladrão de diamantes que também faz o trabalho de intermediário de peças roubadas. De passagem por Londres, ele precisa chegar até Nova York para vender alguns diamantes de seu chefe, Avi (Dennis Farina). Porém, a tentação é mais forte e ele acaba dando uma pausa em sua viagem para apostar em uma luta ilegal de boxe. Enquanto isso, dois promotores de lutas chamados Turco (Jason Statham) e Tommy (Stephen Graham) se unem a um fazendeiro local, Coco de Tijolo (Alan Ford), na tentativa de convencer Mickey O'Neil (Brad Pitt), um pugilista cigano, a participar de uma luta sem luvas, onde vale tudo. O'Neil inicialmente não aceita a proposta, mas termina concordando em participar de uma luta da dupla. Já Avi, impaciente com a demora de Frankie Quatro-Dedos, contrata "Bullet Tooth" Tony (Vinnie Jones) para encontrá-lo e trazer consigo os diamantes.

Fonte: Adorocinema
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 8.4


Screenshots













domingo, 9 de março de 2014

A RAINHA MARGOT - 1994

La reine Margot, Legendado, 1994, Patrice Chéreau.

Indicado na seguinte categoria ao Oscar de 1995: Figurino (Moidele Bickel).
Classificação:
Excelente
Formato: AVI (Xvid 640x480)
Áudio: Francês
Legendas: Português
Duração: 162 Min.
Tamanho: 1.36 GB.
Servidor: MEGA (3 Partes)
Links:

Parte 1
Parte 2
Parte 3

Sinopse: No século XVI um casamento de conveniência é celebrado com o intuito de manter a paz. A união entre a católica Marguerite de Valois, a rainha Margot e o nobre protestante Henri de Navarre tinha como meta unir duas tendências religiosas. O objetivo do casamento foi tão político que os noivos não são obrigados a dormirem juntos. As intrigas palacianas vão culminar com a Noite de São Bartolomeu, na qual milhares de protestantes foram mortos. Após isto, Margot acaba se envolvendo com um protestante que está sendo perseguido.
Fonte: Cineplayers
The Internet Movies Database: IMDB - Nota Imdb 7.5

Crítica:
Ao olhar pela janela, as ruas de Paris parecem calmas, vazias. O silêncio, no entanto, engana. Pouco antes da meia noite, os sinos de uma igreja próxima ao palácio do Louvre dão o sinal para tropas que avançam na sombra. Os momentos seguintes são de pânico, gritos medonhos, lutas de espada, corpos seminus espalhados pelo chão, pescoços degolados e eventuais fugitivos, que correm ensanguentados e atônitos. Na passagem de 23 para 24 de agosto de 1572, há exatos 440 anos,  acontecia a noite de São Bartolomeu, um dos principais massacres da história da França. Sob ordens do rei Carlos IX, católicos assassinaram cerca de três mil protestantes. O episódio ocorrido durante as guerras de religião (1562-1592) foi retratado pelo romance A rainha Margot (1845), de Alexandre Dumas,  adaptado fielmente para o cinema pelo diretor Patrice Chéreau, em 1993. Margot, interpretada pela encantadora atriz Isabelle Adjani, é o apelido de Margarida de Valois (1553-1615), irmã de Carlos IX e filha do rei Henrique II com Catarina de Médecis. A posição nobre fez com que ela testemunhasse e fizesse parte – ainda que forçosamente – das disputas por poder alimentadas pelos conflitos religiosos. Menos de uma semana antes da noite de São Bartolomeu, Margot havia sido obrigada a se casar com o líder protestante Henrique de Navarra (Daniel Auteil), numa tentativa de manter a paz no reino. Logo no início do filme, Margot avisa ao marido: “É um casamento pela paz. Ninguém me obriga a dormir com você”.
A união, idealizada por Catarina de Médecis, de nada adiantou para diminuir a tensão no reino. O filme não mostra, mas a rainha-mãe já havia feito Carlos IX assinar, dois anos antes, o tratado de Paz de Saint-Germain, concedendo liberdade de culto aos protestantes em regiões específicas e permitindo que eles fossem admitidos em empregos da administração pública. No entanto, os católicos não gostaram das concessões e os protestantes não as acharam suficientes. E o conflito continuou.
A origem das disputas, que aconteciam também em outros países da Europa, está no ano de 1517, quando Martinho Lutero proclamou seu rompimento com a Igreja Católica. João Calvino, em Genebra, logo o seguiu, inspirando e coordenando os protestantes franceses. Os massacres pelo reino foram generalizados.
Catarina de Médecis foi uma figura importante na busca pela paz. No filme, no entanto, o destaque é dado a seu lado manipulador, brilhantemente encarnado pela atriz italiana Virna Lisi. Ela aparece como culpada pela morte de pelo menos três importantes personagens históricos, incluindo o próprio filho, Carlos IX.
No longa-metragem, na obra de Dumas e, possivelmente, também na vida real – como ilustram livros como Histoire de France, de Pierre Miquel -, a rainha-mãe teria encomendado o assassinato do almirante Coligny, importante chefe protestante. Dumas relata a grande admiração que Carlos IX tinha pelo almirante, chamando-o inclusive de “meu segundo pai”. Na adaptação para o cinema, fica claro que Catarina não teria gostado da aproximação, que permitia a Coligny ter forte influência sobre o rei. No dia 22 de agosto, a tentativa de assassinato acabou falhando e, ao ser descoberta pelos protestantes, gerou grande revolta.
A partir deste ponto, outro personagem que ganha espaço no filme é o estranho rei Carlos IX (Jean-Hugues Anglade). Instável, infantil e certamente despreparado para o posto, ele vive cansado da influência da rainha-mãe e dos interesseiros à sua volta. Sem saber como reagir à provável revolta protestante depois do atentado a Coligny, é influenciado por Catarina e ordena que todos os chefes da religião sejam assassinados. Henrique de Navarra é um dos únicos a escapar da morte ao abandonar o protestantismo e se tornar católico. Ele repetiria o gesto alguns anos depois, já como Henrique IV da França, e diria a famosa frase: “Paris bem vale uma missa”.

Dumas e a pesquisa histórica
Alexandre Dumas tinha o hábito de criar suas narrativas baseado em documentos e, neste caso, não o fez de outra maneira. Apesar de florear e acrescentar novas situações, A Rainha Margot é um de seus romances que mais se aproxima dos fatos narrados pelos historiadores – e, em tese, pela própria Margot em um livro de memórias atribuído a ela.
A cena (tanto no livro de Dumas, quanto no filme) em que o quarto de Margot é invadido por um protestante ferido durante a noite de São Bartolomeu, por exemplo, pode ser mais do que uma invenção do escritor francês. O fato foi inspirado nas memórias da própria Margot. Dumas, no entanto, substituiu o nome citado por ela – Monsieur de Teian – pelo de Joseph La Môle, conhecido como um de seus amantes.
O problema ao se tentar entender a história oficial é que há dúvida, entre alguns historiadores, se essas memórias de Margarida de Valois foram realmente escritas por ela. A francesa Éliane Viennot, professora de literatura da Universidade de Saint-Étienne, por exemplo, publicou em 1996 um artigo defendendo a veracidade das memórias. Seja como for, o documento utilizado por Dumas tem posicionamentos importantes: Margot tira boa parte da culpa de sua mãe Catarina em relação ao massacre, e afirma que os idealizadores teriam sido seu irmão duque de Anjou (futuro Henrique III) e o duque de Guise. Este último também estaria na origem do atentado contra Coligny.

Sangue e luxúria
Dumas se apropria das informações fornecidas por Margot e por outros memorialistas, acrescentando detalhes sórdidos, enfatizados na película de Patrice Chéreau. O longa-metragem pode surpreender os fãs mais tradicionais do escritor, não acostumados a tantas cenas de violência e nudez - acentuadas por fortes insinuações de incesto e banhos de sangue sobre roupas mais brancas do que em comercial de sabão em pó (como no cartaz francês, acima). Margot seria uma libertina: dormiu com seus três irmãos, além do marido Henrique de Navarra, o duque de Guise e o conde de La Môle. Em uma das cenas mais marcantes do filme, ela é assediada pelos irmãos, que a deixam praticamente nua enquanto mostram marcas deixadas por La Môle em seu pescoço e coxas. O duque de Alençon, mais novo dos irmãos, escancara: “Se não fosse estéril, teríamos um bastardo”.
Talvez com medo de afastar as plateias mais tradicionais, o cartaz do filme foi alterado em muitos países, mostrando apenas o casal apaixonado Margot e La Môle. No entanto, mesmo os desavisados que buscam um romance calmo, segundo parece indicar o cartaz ou a capa do DVD, dificilmente se decepcionarão. Além das excelentes atuações, que renderam o prêmio de melhor atriz em Cannes para Virna Lisi, o filme consegue cativar o espectador e incentivar o interesse pelas guerras de religião.
Teria Margot relações sexuais com seus próprios irmãos? Catarina de Médicis seria a responsável por uma série de envenenamentos? Para Dumas, isso pouco importava. Ele já havia sido acusado por seus adversários de violar a história de forma insolente em outros de seus romances. Sua resposta era simples e irônica: “Reconheço que a violento, mas faço lindos filhos com ela”.
Assim sendo, Patrice Chéreau apropriou-se de uma das maiores obras de Dumas, e fez um filme que pode ser considerado, facilmente, um lindo bastardo do escritor francês.

SE.... - 1968

If...., 1968
Legendado, Lindsay Anderson 
Classificação: Excelente

Formato: AVI
Áudio: inglês
Legendas: português
Duração: 111 min.
Tamanho: 1,36 GB
Servidor: 1fichier (3 partes)

LINKS
Parte 1

SINOPSE
História alegórica sobre um revolucionário líder estudantil. A rebelião, a insatisfação com o status quo, o sentimento de liberdade, a necessidade de novas conquistas. Obra-prima do cinema inglês, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes expondo ao mundo o cinema autoral e rebelde de Lindsay Anderson.

Fonte: Interfilmes
The Internet Movie Database: IMDB - NOTA IMDB: 7.7


ANÁLISE
por Humberto Pereira da Silva

Os anos 60 são mitológicos, quando da referência a temas como revolução dos costumes, conflitos de gerações ou estreitamento dos laços entre política e comportamento, entre estética e pulsões para ações coletivas. Isso é um truísmo, mas não custa lembrar que a força simbólica dos sixties reside também na maneira como vida e arte se entrelaçaram: não à toa, “A chinesa” (1967), de Godard, e “Terra em transe” (1967), de Glauber Rocha, foram invocados pelos estudantes parisienses em maio-68; da mesma maneira, ecos de 68 se fazem sentir em “Zabriskie Point” (1970), de Michelangelo Antonioni, e “Laranja Mecânica” (1971), de Stanley Kubrick. Outras manifestações artísticas podem ser invocadas, mas esses exemplos lembram que o cinema nos 60 impulsionou ações na mesma medida em que captou o momento.
“If....”, de Lindsay Anderson, Palma de Ouro em Cannes em 69 (oficialmente, Grand Prix, visto não ter sido atribuída a Palma de Ouro no período 64/74), foi justamente concebido em 68, e trata de rebeldia estudantil numa instituição de ensino inglesa (chamada apenas de Academia). Tendo como fonte o livro “Crusaders” (“Guerrilheiros”), de David Sherwin, “If....” se insere no rol de filmes que hoje servem de referência para a compreensão do espírito de rebeldia dos anos 60 e ainda situam a ação no ambiente escolar (a escola, na época, era entendida por muitos como entrave à mudança de costumes - minissaia, cabelos compridos, liberação sexual – e aparelho de manutenção da ordem burguesa).
Lindsay Anderson
A esse respeito, “If....” tem como antecedentes “Zero de conduta” (1931), de Jean Vigo, e “Os incompreendidos” (1959), de François Truffaut. Como nos filmes de Vigo e Truffaut, a câmara de Lindsay Anderson retalha espaços que anunciam ausência de diálogo entre estudantes e autoridades que representam o sistema escolar. Com o tempo, no entanto, “If....” não teve a fortuna critica de seus antecedentes; por isso - agora lançado em DVD pela Lume -, talvez mereça ser visto com a atenção e calma que o distanciamento de 40 anos possibilita.
“A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria; sim, com tudo que possuis, adquire o conhecimento”, Provérbios, 7:4. O plano inicial de “If....” apresenta como epígrafe passagem bíblica do Velho Testamento, que realça a importância de se adquirir conhecimento. O saber é o que há de principal e - pode-se pensar - um lugar para tanto é a escola. A instituição escolar em “If....” é a Academia; simboliza, pois, uma referência à academia platônica: o espaço no qual as ideias e os novos pensamentos são gerados a partir da discussão, do embate, da controvérsia entre posições contrárias.
Mas a Academia em “If....”, ao contrário da platônica, é o lugar da conservação, da manutenção de valores tradicionais, da ordem e da disciplina; e, na mesma medida, avessa à controvérsia, ao embate de idéias. Com isso, o que se tem então nesse filme de Lindsay Anderson é um caráter deliberadamente irônico e alegórico (ironia que se pode observar já no título: à conjunção “se” não se segue um verbo no subjuntivo, mas quatro pontinhos...).

No espírito dos 60, sob o influxo de filósofos como Herbert Marcuse, que enfatiza a unidimensionalidade humana na sociedade industrial, psicólogos como Eric Fromm e educadores como Ivan Ilich, teórico libertário que propôs o fim da escola, o espaço institucional escolar em “If....” é o antilugar do conhecimento, no espírito da academia platônica e do provérbio bíblico: a sabedoria não é o principal e sim os valores morais vigentes numa instituição com mais de quinhentos anos, como sustenta o Reitor da Academia na preleção aos alunos, pais e autoridades no rito de formatura. No clima de radicalismo, a premissa é: a existência da escola anuncia a perpetuação da ordem estabelecida – trabalho e diversão não se misturam.
Lindsay Anderson concebeu “If....” na forma de capítulos; como num romance, ou num livro escolar, os títulos anunciam o tema narrativo (um canto coral, Sanctus, da “Missa Luba”, com a silhueta da instituição em plano aberto, como a lembrar um quadro de John Constable, abre alguns dos capítulos). Assim, o filme segue a seguinte ordem: 1. Moradia estudantil; 2. A Academia; 3. Tempo do período; 4. Ritual e romance; 5. Disciplina; 6. Resistência; 7. Rumo à guerra; 8. Guerrilheiros. Para cada “capítulo”, ou “episódio”, a composição da ambiência, as linhas que indicam situações que culminam no confronto final entre estudantes rebelados e os representantes da ordem institucional.
Os episódios do filme opõem os “crusaders” (Travis, Knighty e Wallace) e os “wipps” (Rowntree, o inspetor geral, e Denson, o bedel), que representam a ordem na Academia. Entre eles circulam Stephanes, com pulsões homossexuais e que guarda escaramuças com os “crusaders”, uma moça anônima, com a qual Travis tem uma cena de amor, e Philips, que nutre sentimento homoerótico por Wallace e que no final também adere à rebelião. Além deles, há o Reitor, que monologa sobre a glória e os desafios da Grã-Bretanha num mundo em mudanças, o divertido Reverendo, o monossilábico Diretor, a enigmática camareira e professores excêntricos no estilo britânico.

Na moradia estudantil, no retorno do período de férias, a se notar inicialmente a separação entre os calouros e os veteranos (no rito de entrada os novos são incitados pelos veteranos a descobrir os caminhos do cotidiano da Academia). A se notar igualmente nos aposentos estudantis o contraste entre uma mobília antiquária e imagens de Che Guevara, Mao Tse-Tung, Charles de Gaulle, do índio Sioux símbolo do extermínio indígena pelos americanos, do guerrilheiro congolês no processo de descolonização africana, do quadro “O grito”, de Edward Münch, que cobrem as paredes.
Por conta de comportamentos anticonvencionais (beber Vodka, fumar cigarro, ver revistas eróticas, causar cizânias...), Travis, Knighty e Wallace estão sob constante vigilância do inspetor geral e do bedel. Sobre os três, o que Lindsay Anderson mostra em todos os episódios é, principalmente por meio de Travis, uma postura insolente e cínica (Knighty guarda expressão tão debochada quanto contida, Wallace tem trejeitos autocentrados e personalidade ambígua: seus olhares para Philips ficam no ar). Em dado momento, no episódio “Ritual e romance”, Travis e Knighty, nas únicas cenas externas à Academia, passeiam despreocupadamente pelas ruas da cidade, roubam uma moto em uma loja e conhecem num bar de estrada a moça anônima que reaparece como guerrilheira no embate final.
No episódio seguinte, “Disciplina”, sem que Lindsay Anderson deixe pistas explícitas sobre razões (apenas Travis e Knighty saem da Academia após as 17 horas, depois da qual ela é fechada e a norma diz que quem sair após o fechamento é castigado com chibatadas), os três são acusados de causar transtornos e com isso maculam a imagem da instituição. A fim de que a Academia não se revele pusilânime, eles são então punidos com chibatadas de marmelo, num espetáculo protagonizado por Rowntree, e que serve de exemplo aos demais (Travis é o que recebe maior número de chibatadas). Após a punição, Travis, Knighty e Wallace fazem pacto de sangue cujo significado se dá a conhecer no final: no rio de formatura, metralhar todos que estão na Academia.
Continue lendo em Filmes Polvo