quinta-feira, 12 de setembro de 2013

AMOR PROFUNDO - 2011

The Deep Blue Sea, 2011
Terence Davies


Formato: MKV
Aúdio: Inglês
Legenda: Português
Duração: 98 min.
Tamanho: 698 MB
Servidor: Mega

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SINOPSE
A esposa de um juiz britânico é apanhada num caso de amor auto-destrutivo com um piloto da Força Aérea Real.
Fonte: Cineplayers


ANÁLISE

Anatomia de um milagre.

por Victor Guimarães

Na Inglaterra dos anos 1950, uma mulher vive uma exasperada crise amorosa. Sufocada pelo casamento com um juiz – bastante mais velho que ela – e atraída magneticamente por um jovem ex-piloto da RAF – que não corresponde inteiramente a seus sentimentos –, sua frágil estrutura emocional se dissolve, e as tentativas de suicídio ocorrem uma após a outra. Com premissa das mais corriqueiras, uma intriga como essa poderia, facilmente, resultar em algum daqueles insuportáveis dramas de época que, ano após ano, concorrem ao Oscar de Melhor Figurino (quando não reúnem atrativos espetaculares suficientes para disputar o prêmio principal). À primeira vista, se considerássemos apenas seu alicerce dramático – ou, mais ainda, os sentidos sugeridos por seu inacreditável título em português –, The Deep Blue Sea poderia nos fazer desconfiar que estivéssemos diante de algum desses inúmeros romances à moda vitoriana, tomados por uma estilística insossa e por uma previsibilidade quase absoluta. E, no entanto, o filme de Terence Davies é nada menos do que uma obra-prima, deliberadamente anacrônica e fabulosamente contemporânea. Em tempo em que até o gesto moderno nos dá claros sinais de cansaço, um filme decide retomar conscientemente traços significativos do cinema clássico e redescobrir, em golpes precisos de encenação, uma velha (nova) forma de amar as imagens. 

Mas com quantos gestos de cinema se faz um milagre? No caso de Davies, são três ou quatro movimentos certeiros, que perpassam todo o filme e destilam, pouco a pouco, a rara conjunção de elementos de que The Deep Blue Sea é feito. Em primeiro lugar, há uma retomada inventiva de certa “tradição da mise en scène”, sobre a qual se debruçaram críticos como Eric Rohmer, David Bordwell ou Raymond Bellour. Em pleno século XXI, Davies decide readaptar uma peça de Terence Rattigan, estreada em 1952, e apostar em uma ficção essencialmente centrada na relação produtiva entre os personagens e o espaço cênico. No entanto, quando esse traço definidor do melhor cinema clássico – presente tanto em Preminger e Lang quanto em Renoir ou Mizoguchi – adentra a forma de The Deep Blue Sea, há uma conjunção precisa entre o gesto inevitavelmente maneirista e a devoção à trama filmada: ao mesmo tempo em que aqueles personagens pedem uma abordagem voltada para suas relações no interior da cena, há também uma alegria, um gosto em fazer do lugar do espectador o espaço de uma aliança renovada com esse cinema do passado.

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