quarta-feira, 6 de novembro de 2013

ENSINA-ME A VIVER - 1971

Harold and Maude, 1971
Hal Ashby

Formato: AVI
Aúdio: Inglês
Legenda: Português
Duração: 91 min.
Tamanho: 716 MB
Servidor: Mega


SINOPSE
O relacionamento entre um rapaz de 20 anos com obsessão pela morte, que passa seu tempo indo a funerais ou simulando suicídios, e uma senhora de 79 anos encantada com a vida. Eles passam muito tempo juntos e, durante esta convivência, ela expõe a beleza da vida.
Fonte: Cineplayers


ANÁLISE

Hal Ashby define os pontos-chave de sua obra: atmosfera melancólica, humor negro e personagens deslocados.

por Rodrigo Carneiro

Filho da contracultura dos loucos anos 1960 em San Francisco, Hal Ashby foi um cineasta de carreira singular em Hollywood. Embora não esteja entre os autores mais lembrados da geração que mudou a indústria cinematográfica na virada entre aquela década e os anos 1970, Ashby criou um estilo particular e idiossincrático de filmar, que pode ser reconhecido assistindo-se a poucos segundos de qualquer filme seu. A atmosfera de humor melancólico e a predileção por personagens socialmente deslocados, características fundamentais do cinema que construiu, influenciou tantos diretores contemporâneos que seria difícil nomear a lista completa. “Ensina-me a Viver” (Harold and Maude, EUA, 1971) é, ao lado de “Muito Além do Jardim” (1979), o filme mais conhecido dele.
Embora o tema central do longa-metragem – a celebração da vida – seja atemporal e universal, “Ensina-me a Viver” estampa, em cada polegada de celulóide, o clima libertário e incendiário dos anos 1970. Não custa lembrar que a obra foi produzida durante a mais criativa fase do movimento que ficou conhecido depois como Nova Hollywood. Na época, jovens cineastas como Martin Scorsese, Bob Rafelson e Francis Ford Coppola produziam longas-metragens baratos, privilegiando os personagens em detrimento das tramas. Influenciados pelos jovens cineastas franceses (Ashby, particularmente, tem um toque inconfundível de Truffaut), esses diretores foram responsáveis pelo último sopro coletivo de criatividade do cinema norte-americano.
A estratégia de Hal Ashby sempre foi apostar nas idiossincrasias dos personagens e submeter a jornada dos protagonistas às suas características íntimas. No caso específico de “Ensina-me a Viver”, para compreender a revolução causada pelo filme, é fundamental prestar atenção à ousadia de Ashby. Mesmo naquela época libertária, não eram muitos os diretores capazes de filmar oromance entre um rapaz de 20 anos e uma senhora de 79. Se em pleno século XXI uma história dessas causaria choque e repulsa em muita gente de bem, imagine o que as platéias devem ter pensado, em 1971, quando descobriam que o relacionamento deste casal inusitado não era platônico, mas carnal?
Esta pode ter sido a principal razão do fracasso comercial de “Ensina-me a Viver”. Felizmente, o filme ganhou fartos elogios da crítica, o que lhe permitiu uma sobrevida de alguns meses nas salas de cinema. Esta sobrevida foi suficiente para criar, em torno do longa, uma forte aura cult, que se multiplicaria nos anos a seguir. O resultado é que, ao longo de duas décadas, “Ensina-me a Viver” foi se tornando referência crucial para dramas cômicos de humor negro, angariando um lugar de destaque em muitas listas de grandes comédias. Sem este filme, é pouco provável que cineastas indie de talento, como Wes Anderson (“Os Excêntricos Tenenbaums”), houvessem florescido.
Continue lendo no site Cinereporter






2 comentários:

  1. Os muitos ensinamentos de Ensina-me a viver

    Acho que era quase o fim dos 1980 quando vi uma primeira vez o encantador Ensina-me a viver numa sessão de sábado à noite na Globo. O filme já parecia antigo naquele tempo, mas pode ser que sejam lembranças confusas que troco entre tantos filmes vistos em tempos tão diferentes.
    O caso é que gostei bastante: a mãe de Harold nadando na piscina em que o corpo do filho flutuava ‘morto’; Harold ‘rasgando’ a capota do Jaguar para transformá-lo num cupê funerário; o rapaz ‘atacando’ Maude, a pacifista estrategicamente protestando num lugar em que nenhum sentido havia de se promover qualquer ato de protesto. Difícil não gostar dessa história!
    Naquela primeira vez, não me lembro de ter percebido a força das canções de Cat Stevens/Yusuf Islam, mas, evidentemente, era complicado reter por algum tempo que fosse tantas informações, em vista de que as ferramentas da internet não estavam à disposição ainda. E como são bonitas as músicas! Trouble, editada em forma de videoclipe no YouTube, é uma apresentação de muita categoria para essa pequena obra-prima cinematográfica.
    Então, das vezes últimas em que revi Harold and Maude, uma delas apresentando-o a meu filho - que ficou maravilhado - o que se reforçou em minha visão, como qualidades fílmicas, foram as cenas de interiores, principalmente as da mansão do rapaz, onde tudo ‘perpassa uma visão fria e distante das coisas vivas’, dando a entender que pudesse ser aquela atmosfera lúgubre que influenciasse as pessoas que lá viviam. Os tons mais escuros parecem ter sido muito usados no cinema daquele período (do fim dos anos 60 até o fim dos anos 70) ou pode ser que essas impressões estejam mais uma vez confusas nas minhas sensações, fazendo-me associar um período sem verificar perfeitamente a quais obras estou-me referindo. Mas me lembro dessa luz interior mais fraca em Investigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita, em Roma de Fellini, em O poderoso chefão I e II, em Sérpico, em The parallax view, em O discreto charme da burguesia, em O franco atirador, segurando-me nesses títulos apenas para justificar o que digo.

    ResponderExcluir
  2. Os muitos ensinamentos de Ensina-me a viver - parte II

    Não ficou certo para mim que Harold tenha mantido relações sexuais com Maude, ainda que a visão escancarada de um ‘menino que sopra bolhas de sabão coberto apenas por um lençol’ deitado na cama da mulher, instruindo que naquele momento estariam os dois a despertar do cansaço de uma noite de amor, e o comentário de repulsa do médico, imaginando uma relação entre corpos separados por idades significativas em distância de tempo de vida, façam o espectador pensar que essas relações tenham acontecido. Embora a amizade entre os dois seja autêntica, muito do que fazem conjuntamente possui um certo ar de ‘pura encenação’, de ‘atuação combinada’ (como no caso do protesto pacifista), o que permite (pelo menos a mim) duvidar de que tenha ocorrido a tal relação carnal.
    É claro que isso não atrapalha o entendimento do que nos é contado, e os dois são perfeitamente um casal distorcido e à parte do mundo social que habitam. Mas Maude, parece importante dizer, não é certamente uma deslocada, ao contrário do que é Harold. Ela é mulher consciente de seu papel, inclusive quando cuida de preencher as carências afetivas do jovem amigo. Alguém, em alguma leitura sobre a película, pode ter interpretado que talvez Harold tivesse fixação pela mãe e que, não conseguindo desta a correspondência desejada, tratou de compensá-la pela aproximação conseguida de Maude. Por meus sentidos: Vivian Pickles é ‘um estouro de fêmea’ nas poucas aparições que faz no longa. Mas uma fêmea ‘não me rele, não me toque’, sem energia sexual ou sem amor pelas fraquezas humanas.
    Anoto uma dessas coincidências de que todo cinéfilo gosta de perceber at movies: em 1971, Spielberg rodou Encurralado, o mesmo ano de Ensina-me a viver. E, nas duas histórias, os protagonistas finalizam as respetivas tramas elevando cada qual o veículo que usavam até o topo de despenhadeiros, para a seguir livrarem-se deles conforme as necessidades conhecidas. Spielberg, por sinal, dono de agudo senso da linguagem de autor, referenciou a própria cena de Encurralado em A última cruzada, quando Indiana Jones supostamente encontra a morte dentro de um blindado alemão despencando num precipício longínquo do Oriente Médio. E ainda há os que não gostam desse diretor!
    Voltando à análise de Rodrigo Carneiro, a quem dirijo cumprimentos elogiosos, uma coisa há com a qual não posso concordar. É quando ele diz que os diretores da Nova Hollywood representaram o último sopro coletivo de criatividade do cinema americano. Talvez, se entendida como reunião de cineastas que atuaram mais ou menos num certo tempo com bastante intensidade produtiva e em caráter colaborativo, possa até ser aceitável tal afirmação. Mas como ignorar o valor de Frank Darabont, de Christopher Nolan, de Jonathan Demme, de Quentin Tarantino etc. Mesmo que não puramente norte-americanos, Darabont e Nolan criaram-se e desenvolveram-se no cinema dos Estados Unidos. E se esses e outros não constituem um movimento coletivo de produção cinematográfica, não são de modo algum destituídos de capacidade criativa para o cinema dos tempos atuais.

    ResponderExcluir

Política de moderação do comentários:
A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro pelo conteúdo do blog, inclusive quanto a comentários. Dessa forma, o Convergência Cinéfila reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética, ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Para a boa convivência, o Convergência Cinéfila formulou algumas regras:
Comentários sobre assuntos que não dizem respeito ao filme postado poderão ser excluídos;
Comentários com links serão automaticamente excluídos;
Os pedidos de filmes devem ser feitos no chatbox.

Att.,
Convergência Cinéfila